Mag-log inDepois de se acalmar, Juliana voltou a expressar sua preocupação. — Mas e se acontecer outro imprevisto como o do voluntário de hoje? Pode ser uma reação imprevisível do próprio organismo ou pior. Ou será que aqueles que estão nos bastidores agiram pelas nossas costas?Mantive a expressão serena e abri um leve sorriso. — Então aguardaremos o laudo médico oficial. Tenho plena confiança na precisão das análises da nossa empresa e, acima de tudo, confio nos mais de dez voluntários que já testaram os medicamentos, incluindo você. Isso foi um caso completamente isolado. E, se por acaso esse rapaz for mesmo um espião enviado por quem quer nos destruir, ele será a nossa melhor pista para desmascará-los.Sem mais delongas, me levantei da cadeira, já me preparando para ir ao hospital visitar o paciente internado. Antes de cruzar a porta, dei uma última instrução a Juliana, tudo deveria seguir exatamente conforme o cronograma original. A única alteração seria a inclusão de um seguro comercial
— Nem perto. — Juliana garantiu, balançando a cabeça de forma convicta. — O Douglas passou o expediente inteiro na minha cola, me ajudando com a papelada. Por isso, no fundo, eu também custo a acreditar que ele tenha culpa no cartório.Se o Douglas estava limpo, quem seria a toupeira? Fiquei imerso em meus pensamentos, montando o quebra-cabeça mental, antes de traçar o próximo passo. — Continue cavando, Juliana. Alguém agiu nas sombras daquele ponto cego, disso não tenho dúvidas. A chave para desvendar essa teia de mentiras repousa no quarto daquele hospital. A verdade só vai aparecer quando ele acordar.— A investigação em si é o de menos agora! — O desespero voltou a tomar conta da voz dela, e ela gesticulou com impaciência. — O senhor não percebe a gravidade? A imprensa já farejou a tragédia, e a fofoca está se espalhando como fogo em mato seco. Até conseguirmos juntar as provas, ou até esse homem decidir abrir a boca, caso ele sequer fique do nosso lado, a opinião pública já terá
— Senhor Gustavo, o senhor quer dizer que aquele voluntário que passou mal hoje foi plantado aqui de propósito? — O rosto de Juliana perdeu toda a cor enquanto ela processava a informação, e sua voz saiu trêmula pela ansiedade. — O que vamos fazer agora? Quem estaria por trás dessa sabotagem contínua contra nós?— A nossa prioridade absoluta é salvar uma vida. — Respondi, soltando um suspiro pesado ao observar de longe a equipe médica correndo para estabilizar o homem. — Precisamos garantir que ele se recupere e acorde o mais rápido possível. Quanto a quem orquestrou isso, tenho quase certeza de que há um informante infiltrado na nossa empresa. Caso contrário, nem mesmo as famílias mais tradicionais e poderosas de Oeiras conseguiriam prever cada passo do nosso grupo com tanta exatidão, a ponto de infiltrar um voluntário comprometido bem debaixo dos nossos narizes.Fiz uma pausa calculada e fixei meu olhar nela, analisando cada microexpressão do seu rosto antes de lançar a isca. — Juli
O relógio era o nosso maior carrasco. O plano era concluir a triagem laboratorial durante a madrugada para, logo ao nascer do sol, recrutar voluntários dispostos a atestar a eficácia dos remédios. Se os exames clínicos dessem sinal verde, o lote estaria pronto para invadir as prateleiras do mercado."A fórmula criada pela Cecília é à prova de falhas.", murmurei para mim mesmo no corredor vazio, alimentando a minha própria convicção.O ritmo nas instalações do grupo foi brutal. Os técnicos viraram a noite debruçados sobre microscópios e amostras, só respirando aliviados quando a luz da manhã inundou as janelas, confirmando a pureza e a segurança absoluta da carga entregue.— Bom trabalho, equipe. Vocês se superaram hoje! — Anunciei em voz alta, reunindo os funcionários exaustos no salão principal. — Agora vamos para a etapa final: precisamos encontrar voluntários para avaliar o efeito do medicamento na prática. Se os resultados confirmarem as nossas expectativas, lançaremos esses dois r
Naquele instante, o homem da cicatriz estava encurralado sem saída, refém da própria emboscada. Os capangas que Duarte trouxera não apenas o superavam em número de forma esmagadora, mas também exibiam um arsenal muito superior. Se um confronto direto eclodisse ali na estrada, o bando rival seria dizimado sem a menor chance de defesa.— Vamos dar o fora daqui! — Ordenou o homem da cicatriz após avaliar a desvantagem por breves segundos, reunindo seus marginais e recuando com uma expressão carregada de ódio e frustração.Assim que a poeira baixou e os agressores desapareceram na escuridão, Duarte surpreendeu a todos os presentes ao cair de joelhos diante de mim, num baque surdo contra o asfalto.— Senhor Gustavo, peço perdão pelo atraso! — Exclamou ele, com a voz embargada de culpa e o olhar baixo. — Quase deixei que uma tragédia sem volta acontecesse com o senhor.Diante daquela demonstração intensa de lealdade, balancei a cabeça e abri um sorriso tranquilo, pois a intervenção dele havi
"Será que este é o meu fim?", pensei, engolindo em seco diante do perigo iminente.Naquele exato momento, o homem com a cicatriz zombou de novo:— O cliente paga e fazemos o serviço sujo. Se quiser culpar alguém, culpe a sua própria estupidez por irritar as pessoas erradas. Mas pode ficar sossegado, prometo deixar você respirando.Com essa ordem final, os marginais avançaram como uma matilha faminta. O cerco estava se fechando de vez, sufocando qualquer chance de fuga.Porém, na fração de segundo seguinte, o som estridente de pneus cantando rasgou o silêncio da noite. Várias vans despontaram do nada e frearam de forma brusca ao nosso redor, levantando uma nuvem de poeira. Em um piscar de olhos, centenas de capangas armados com facões saltaram dos veículos, cercando o bando do homem com a cicatriz e lançando olhares assassinos na direção deles.— Que palhaçada é essa? Será que o Sr. Severino contratou outra equipe de reforço? — O líder inimigo resmungou, com o rosto confuso, e franziu