ログインEnquanto isso, Sérgio e Ariana pareciam ter visto um fantasma. Os dois estavam pálidos e trêmulos, sentindo o peso da humilhação esmagar seus egos. A realidade havia dado um tapa na cara deles, e ardia muito mais do que o golpe físico que Sérgio acabara de levar. Minutos antes, eles juravam que eu era um miserável disfarçado de garçom. Agora, viam-se diante do portador do passe mais exclusivo da noite, alguém com um status que eles jamais conseguiriam alcançar, por mais que tentassem.— O que eu faço agora? O Gustavo não teria coragem de me expulsar daqui, teria? Fomos casados por cinco anos, ainda deve existir algum sentimento da parte dele... — Murmurava Ariana para si mesma, com o coração disparado de pânico.A ironia da situação era quase visível. Sérgio havia enchido o peito para dizer que me jogaria na rua com um estalar de dedos, mas o jogo havia virado. Agora, bastava um simples aceno da minha cabeça para que os dois fossem enxotados como lixo. Para Sérgio, ser expulso seria a
— Senhor Enrico, um lixo como ele não tem o menor direito de pisar em um evento da família Ribeiro. O senhor não acha que ele deveria ser enxotado daqui agora mesmo? — Provocou Sérgio, destilando veneno enquanto apontava o dedo na minha direção.O gerente seguiu a direção apontada pelo rapaz e fixou o olhar em mim. A herdeira da família havia retornado ao país há pouco tempo, e aquela recepção era o evento mais aguardado da alta sociedade de Oeiras. Com tanta gente circulando, era inevitável que aproveitadores tentassem se infiltrar, motivo pelo qual o controle de convites era rigoroso.— Senhor, por gentileza, poderia me apresentar o seu convite? — Pediu Enrico, adotando uma postura rígida e profissional.— Eu não tenho um convite formal, mas tenho isto aqui. — Respondi, mantendo a voz serena e o semblante inabalável. Enfiei a mão no bolso do paletó e tirei o cartão Black que Letícia havia insistido em me entregar no quarto, estendendo-o na direção do gerente.— Mas... isso é... — En
— E o que mais ele seria? Durante os nossos cinco anos de casamento, o papel dele dentro de casa nunca passou disso. Ele sempre foi o meu cachorrinho de estimação. — Disparou Ariana, empinando o nariz com a pose de quem se acha o centro do universo."O Gustavo sempre fez tudo o que eu mandava, aguentava as minhas broncas calado e vivia para me agradar.", pensava ela, remoendo a própria indignação em silêncio. "Como é que ele tem a audácia de jogar tudo para o alto e exigir o divórcio só por causa de um deslize inofensivo? Eu não admito perder o controle sobre ele."— Então quer dizer que a submissão já está enraizada no sangue dele. Que coisa patética. Será que eu preciso jogar um osso no chão antes de puxar assunto com você, Gustavo? — Provocou Sérgio, transbordando uma arrogância insuportável. Ele estava se sentindo o dono do mundo, convicto de que havia pisoteado o ex-marido da namorada sem o menor esforço.— Consigo ver o quanto você está sofrendo por dentro, Gustavo, mas a culpa é
Balancei a cabeça em negativa, insistindo em devolver o cartão Black para as mãos dela. Dei mais dois passos para trás, estabelecendo uma barreira invisível, mas definitiva, entre nós.— De agora em diante, é melhor continuarmos apenas como velhos colegas de faculdade. — Declarei, com a voz firme.A frase caiu como um balde de água fria. Letícia ficou paralisada, processando a rejeição em um silêncio pesado. Quando o choque inicial passou, a incredulidade tomou conta do seu olhar.— Gustavo... Você está me dizendo que transou comigo e agora vai pular fora? Vai simplesmente fingir que nada aconteceu e lavar as mãos? — A voz dela saiu embargada, carregada de indignação.Ver a mágoa estampada no rosto dela me deixou com um nó no estômago. Soltei um suspiro cansado, esfregando a têmpora.— Se é assim que você prefere enxergar a situação, que seja. O fato é que não podemos levar isso adiante. — Respondi, sem ceder um centímetro.— Seu canalha! — Esbravejou ela, com as lágrimas já transborda
Peguei o cartão de volta e, sem querer prolongar o sofrimento do rapaz, passei pelas portas duplas em direção ao salão principal.Assim que pisei no ambiente, percebi que a ostentação que eu tinha visto do lado de fora não chegava aos pés do luxo do interior. Lustres de cristal iluminavam o espaço, e o som de taças brindando se misturava às conversas da elite. Foi caminhando entre aquelas rodinhas de ricaços que acabei descobrindo a verdadeira identidade de Letícia.— É difícil de acreditar. A família Ribeiro saiu daqui praticamente falida anos atrás, e hoje eles voltaram como um império internacional! — Comentou um empresário grisalho, segurando uma taça de champanhe.— Pois é. Se formos falar de dinheiro e contatos, talvez as quatro grandes famílias de Oeiras até consigam bater de frente. Mas, em termos de potencial de crescimento, ninguém segura os Ribeiro. — Concordou o homem ao lado dele.— O que dizem por aí é que o homem misterioso que salvou a empresa deles da ruína é a grande
— Gustavo, você está passando dos limites! — Disparou Ariana, sendo a primeira a perder a compostura. Ela me fuzilou com o olhar, o rosto corado de pura indignação, embora seus olhos ainda carregassem um traço de mágoa contida.Antes que a discussão pudesse esquentar, Sérgio deu um passo à frente, colocando-se como um escudo entre nós dois.— Cuidado com o que fala, Gustavo. Eu não sou tão fácil de engolir quanto a Ariana. — Ameaçou ele, com a voz carregada de frieza.— Ah, com certeza você não é. Na verdade, você é mais faminto do que cachorro de rua revirando lixo. Um cara de muita coragem! — Abri um sorriso irônico e fiz um sinal de positivo com o polegar na direção dele.Aquelas palavras caíram como uma bomba. Tanto Ariana quanto Sérgio ficaram com os rostos contorcidos de raiva, como se tivessem acabado de engolir algo estragado.— Gustavo... — Ariana tentou avançar para tirar satisfação, mas Sérgio a segurou pelo braço.— Não perca o seu tempo com esse tipo de gente, meu amor. U