FAZER LOGINPronto. Agora eu estava acabado.Virar alvo de Camila, uma professora tão rigorosa, com certeza não acabaria bem.Vitória apontou para os bilhetes sobre minha mesa e disse:— Srta. Camila, isso não foi culpa do Henrique. Foram os três que começaram a provocar de propósito. Se não acredita, veja isto...Camila estreitou os olhos. Depois de olhar para as coisas sobre a mesa, sua expressão ficou ainda pior.— Eu sei. Vou resolver isso direito. Henrique, venha comigo até a minha sala.Só pude seguir Camila de cabeça baixa.Quando chegamos ao escritório de Camila e a porta fechou, o rosto antes tenso dela relaxou imediatamente, dando lugar a uma preocupação intensa.— Henrique, como está seu braço? Você precisa ir ao hospital tirar uma radiografia? — Camila perguntou, aflita.A preocupação no rosto dela não podia ser escondida.Ela claramente já tinha decidido que, não importava o que acontecesse, nós continuaríamos sendo apenas professora e aluno, cunhada e cunhado. Nunca poderia existir
Dessa vez, não consegui desviar.Minhas costas receberam um golpe pesado, e a dor ardeu na mesma hora.Meu corpo balançou de leve. Logo em seguida, virei de repente, com uma expressão feroz como a de uma fera.Ao ver que ele ainda queria levantar a cadeira para acertar meu corpo outra vez, segurei primeiro uma das pernas da cadeira e chutei a barriga dele com força.O corpo dele se curvou imediatamente, e a cadeira escapou de suas mãos.Avancei logo em seguida e agarrei o cabelo dele.Meu joelho subiu com força contra o rosto daquele sujeito.Uma joelhada brutal.Em um instante, uma grande mancha de sangue apareceu no meu joelho. Não era meu sangue, era o sangue dele.Depois, segurando o cabelo dele, bati a cabeça do sujeito contra a mesa ao lado.Aquela aparência era extremamente violenta, completamente diferente do que qualquer um esperaria de um aluno.Atrás de mim, Alice ficou tão assustada que tremia dos pés à cabeça, com o rosto pálido.Embora Alice fosse uma garota muito intel
— Haha, desculpa. Minha mão escorregou sem querer. Foi mal aí, colega.Um dos comparsas de Bruno levantou e disse isso para mim, com um sorriso no rosto.Ele dizia que estava pedindo desculpas, mas aquela atitude não tinha nada de arrependimento.A expressão dele praticamente dizia: fui eu mesmo, de propósito. E aí, o que você vai fazer?Meu corpo tremia de tanta raiva. Vitória olhava para mim com preocupação.Eu tinha abandonado a escola antes e, agora que finalmente tinha conseguido uma chance de voltar a estudar, só queria me dedicar direito aos estudos. Não queria arrumar confusão, mas isso não significava que eu tivesse medo.Eu não queria brigar logo no primeiro dia de aula, mas isso também não significava que eu não sabia brigar.Sendo humilhado e provocado daquele jeito, com aqueles caras passando cada vez mais dos limites, ninguém conseguiria continuar suportando.Quando não dava mais para aguentar, então não havia motivo para continuar aguentando.Mas, nesse momento, minha
Meu rosto ficou sombrio ao extremo. Nem precisava olhar para saber quem tinha jogado aquele bilhete.Alice, Bruno e os dois comparsas dele. Além daqueles desgraçados, não podia ser mais ninguém.Meu corpo tremia. Senti uma chama de raiva subir imediatamente dentro do peito.Pelo menos eu ainda sabia onde estava. Embora estivesse furioso, consegui reprimir com esforço a raiva dentro de mim. Eu não queria, logo no primeiro dia de aula, já na primeira aula, brigar com os colegas atrás de mim.Eu sabia muito bem como aquela oportunidade de estudar era difícil para mim. Não queria desperdiçar essa chance.Vitória, ao meu lado, no começo não entendeu o que estava acontecendo. Mas, ao ver minha expressão, também percebeu que havia algo errado.Nesse momento, outra bolinha de papel acertou minha cabeça.Ela rolou para o lado de Vitória, que estendeu a mão por reflexo, pegou a bolinha e deu uma olhada.[Idiota!]Só havia essa palavra escrita no papel. O rosto de Vitória mudou de repente
A sala ainda estava barulhenta, mas, assim que Camila subiu ao púlpito, o ambiente ficou em silêncio no menor tempo possível.Dava para perceber que aquela aparência séria e rígida dela ainda tinha bastante efeito sobre aqueles alunos.— Preparem-se para a aula. Antes disso, vou apresentar um aluno transferido que acabou de entrar na turma. Espero que todos convivam bem daqui para frente. — Camila disse.Senti os olhares de todos os alunos da sala se concentrarem em mim.Eu estava prestes a fazer uma apresentação quando ouvi uma voz aguda:— Henrique, como pode ser você?Olhei na direção daquela voz por reflexo e, na mesma hora, fiquei sem palavras. Quem tinha falado era Alice.Só que, naquele momento, ela me encarava com os olhos arregalados, o olhar cheio de incredulidade e até de raiva.Nós dois nos conhecíamos?Os alunos ao redor começaram a cochichar.Minha testa também franziu levemente.Ao lado de Alice, ainda vi aqueles desgraçados que eu tinha espancado antes: Bruno e os dois
Naquele instante, tive um vislumbre de uma paisagem absolutamente deslumbrante.A mulher à minha frente pareceu perceber meu olhar. Soltou um grito agudo, abaixou a saia às pressas e me encarou com repulsa e ódio, como se estivesse diante de um pervertido.— Desculpa. Você se machucou? — Perguntei depressa, levantando do chão, pronto para ajudar a mulher.Mas ela parecia já ter decidido que eu era um pervertido. Afastou minha mão com um tapa, levantou e foi embora mancando um pouco.Ao ver aquela figura se afastando, fiquei meio sem palavras.Pela aparência, ela devia ser professora da escola, certo? Será que aquela escola escolhia os professores pela aparência?— Henrique, você finalmente chegou.Nesse momento, uma voz familiar veio da frente.Levantei a cabeça e vi Camila diante de mim.— Camila, eu...Ao ver Camila, uma sensação muito particular surgiu dentro de mim.Mas, assim que tentei falar, ela interrompeu:— Henrique, em casa, você é meu cunhado. Na escola, eu sou sua profe