Chapter: 107- Janete Janete Narrando Nunca imaginei que minha vida fosse virar tudo isso. Que eu, Janete, um dia ia tá contando essa história com o coração tão cheio. Mas aqui tô eu… com aliança no dedo, bebê no colo e uma nova versão de mim mesma que eu aprendi a amar.O dia do meu casamento com o Pantera foi mágico. Tinha gente do morro, da quebrada, das antigas e das novas fases da nossa vida. Ele chegou todo no estilo dele, daquele jeito marrento que só ele sabe, mas com os olhos brilhando quando me viu entrar. Foi ali que eu tive certeza… era ele. Sempre foi ele.A cerimônia foi simples, mas cheia de verdade. As palavras do pastor bateram fundo, e quando a gente disse "sim", parecia que o mundo parou por um segundo pra ver a gente começar essa nova etapa.Meses depois, nosso filho chegou. Um meninão lindo, saudável, com os olhos puxando pra mim e o gênio... igualzinho ao pai. O Pantera ficou besta. Chorou, sorriu, prometeu que ia ser o melhor pai do mundo — e tá sendo. Não larga o menino por nada.O
Última atualização: 2025-05-26
Chapter: 106- NathNath Narrando Acordei com o celular apitando, e quando peguei pra olhar, já tinha uma mensagem da Janete. Sorri sozinha. Ela sempre tão atenta, ainda mais agora… acho que eu já sei o que tá acontecendo com ela, mas vou deixar ela descobrir no tempo dela.Levantei devagar, com aquele clima de "acabamos de voltar da lua de mel" ainda grudado na pele. Olhei pro lado, e o Blackout tava ali, largado na cama, com aquele sorriso moleque no rosto. Tão meu. Tão nosso.Desci pra cozinha pensando em tudo que a gente viveu até aqui… e no que ainda tá por vir. A festa de recepção no morro foi tudo, o Pantera caprichou demais. E agora, com essa novidade da Janete e o chá revelação que tão tramando, parece que a gente tá mesmo construindo uma família gigante, cheia de amor e bagunça.Mandei um áudio pra ela:— Amiga, não aguento mais! Me diz o que tá rolando aí, que tu tá toda misteriosa! Tô achando que vou ser madrinha de novo, hein…Deixei a mensagem rolar e fui preparar um café. Sabe aquela sens
Última atualização: 2025-05-24
Chapter: 105- Pantera Pantera Narrando Acordei no pique, cheio das ideia na mente. Ver a Janete daquele jeitinho, com os olhinho brilhando e o sorriso tímido… mano, não tem preço. Minha coroa vai ser mãe. Minha cria tá a caminho. E eu? Eu vou ser pai, fiote. Bagulho doido, né? Nunca pensei que ia me ver nessa fita, mas tô amarradão.Levantei sem fazer barulho, deixei ela dormindo mais um pouco. Fui pra cozinha, preparei um cafézão daora: pão na chapa, suco de laranja, aquele cafezinho preto que ela ama, botei até umas frutas que ela curte. Tudo bonitinho na bandeja. Voltei pro quarto como se fosse garçom de novela, todo besta.— Acorda, rainha da quebrada... café tá servido — falei com aquele sorriso de canto, vendo ela abrir os olhos devagarzinho.Ela sorriu, meio com cara de quem ainda não acreditava na notícia. E eu? Só agradecendo a Deus por ter essa mulher do meu lado. Forte, linda, e agora, mãe do meu filho.Depois que a gente tomou o café, mandei mensagem pro Blackout:— Fala tu, truta. Vem cá em c
Última atualização: 2025-05-24
Chapter: 104- Janete Janete Narrando Acordei com aquele cheirinho de café invadindo o quarto, e já sabia... era coisa do Pantera. Ele fazia umas surpresas que, olha, mexiam comigo. Me espreguicei devagar, ainda sentindo no corpo a noite passada, e quando abri os olhos, lá estava ele: sorriso torto, bandeja na mão, e aquele olhar de quem planeja coisa boa.— Bom dia, minha rainha — ele disse, pousando a bandeja no colo da cama.— Você tá mimando demais essa mulher aqui, hein... — falei rindo, pegando o copo de suco.Ele sentou do meu lado, me deu um beijo na testa e falou daquele jeitão dele:— Cê merece o mundo, Janete... mas por enquanto vai ficando com o café mesmo.A gente riu junto, e aí ele me contou do baile surpresa pro Blackout e a Nath. Eu fiquei toda empolgada, porque sabia o quanto aquilo significava pra ele — e pra mim também. Tamo virando uma família ali, no meio do caos, dos corres, do morro e da vida doida.— E eu vou tá do seu lado pra tudo, Pantera. Cê sabe disso, né?Ele assentiu, olhan
Última atualização: 2025-05-24
Chapter: 103- Pantera Pantera Narrando Já acordei com o celular pitando, e quando vi, era mensagem do Black:— Chego amanhã no RJ, irmão. Vê se aparece.Eu li aquilo com um sorrisinho maroto no canto da boca. Cê é doido, mano… esses dois voltando da lua de mel merecem uma recepção de responsa. Fiquei até pilhado.Levantei da cama, beijei a testa da Janete que ainda tava dormindo toda largada no lençol, e fui direto pra cozinha preparar um café. Enquanto o café coava, já fui mandando mensagem no grupo dos cria:— Prepara o baile! black e nath tão voltando, porra! Quero o morro no grau!Em menos de cinco minutos, a rapaziada já tava toda no pique. Falei com o DJ, combinei com o pessoal da estrutura, chamei o mano da carne, a tia do pastel, geral. Vai ter fogos, vai ter paredão, e vai ter amor no ar também, que eu sou cria mas tenho coração, fi.No corre do dia, ainda resolvi umas fitas da contabilidade da boca dinheiro tem que bater certinho, né? mas minha mente já tava lá na noite seguinte: baile estoura
Última atualização: 2025-05-23
Chapter: 102- Blackout Blackout Narrando Mano, a vibe aqui tá fora do normal, papo reto. Eu nunca imaginei que a tal da lua de mel ia ser tipo um paraíso mesmo, tá ligado? Eu e a Nath tão num lugar que parece cena de filme, com mar azulzão, bangalô de madeira e aquele silêncio que só existe longe da quebrada. E cê acha que eu tô reclamando? Tô nada, fi, tô amando cada segundo.Acordei hoje com ela toda enrolada no lençol, cabelo bagunçado e aquele sorriso de quem dormiu em paz. Fiquei só admirando, tá ligado? A Nath tem um brilho que nem o sol consegue competir. Fui lá, levantei na miúda, preparei um café da manhã bolado pra ela, com tudo que tinha direito. Frutinha, pãozinho, suco... até flor eu coloquei na bandeja, menor.Cheguei no quarto com a bandeja na mão, e ela me olhou rindo.— Tá querendo me mimar demais, hein?— Quero te mimar a vida inteira, minha preta.Ela sorriu daquele jeitinho que me desmonta, e a gente tomou café na cama, rindo, se beijando, curtindo a paz que a gente tanto lutou pra conq
Última atualização: 2025-05-23
Chapter: 112- Priscila Priscila Narrando 1 ano depois Um ano. Um ano inteiro se passou desde que minha Estrela chegou iluminando a minha vida. Às vezes, eu paro e fico lembrando de tudo que a gente enfrentou… e nem parece que é a mesma vida. Hoje, enquanto olho meu reflexo no espelho, com o rosto sendo maquiado, o cabelo sendo finalizado com delicadeza, eu sinto uma emoção que transborda.Tô no salão com a minha mãe, que não para de me olhar como se eu fosse a menininha dela de novo. E eu acho que sou, de certa forma. Só que hoje, essa menininha vai se casar com o homem que foi tudo nos meus dias mais escuros e que continua sendo luz nas minhas manhãs.— Ai, filha… você tá linda demais — minha mãe diz, com a voz embargada.Dou uma risadinha, tentando conter a vontade de chorar também.— Se você chorar, eu vou chorar, mãe… e aí estraga tudo — brinco, mesmo com a garganta apertada.Ela se aproxima, segura minhas mãos e beija minha testa.— Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. Ver você feliz, segur
Última atualização: 2025-06-10
Chapter: 111- Neuza Neuza Narrando Ver a minha neta nos braços da Priscila era como ver um milagre respirando. Uma nova chance. Uma nova história sendo escrita, dessa vez com amor, com proteção, com verdade.Eu já vi tanta dor nessa vida… já vi mulher sendo destruída por homem ruim, já vi filho chorando calado por medo, já vi mãe desistindo de si por não ter apoio. Mas ver a Priscila florescendo de novo, depois de tudo que ela passou… ah, meu coração agradece a Deus todos os dias. Quando entrei naquele quarto e vi ela com a Estrela no colo e o Everton sentado na beirada da cama com aquele olhar bobo, encantado, eu só consegui sorrir. E segurar o choro, claro. Mas foi difícil.— Minha Estrelinha… — sussurrei, tocando devagar no pezinho dela. Tão pequenininho, tão quente. — Você chegou pra acender tudo de novo.Olhei pra Priscila, que tava com os olhos marejados e aquele sorriso de mãe que a gente conhece de longe. Ela não precisava dizer nada. Eu sabia o quanto ela tinha lutado. Eu vi o brilho voltar pro
Última atualização: 2025-06-10
Chapter: 110- Priscila Priscila Narrando Eu não conseguia parar de olhar pra ela. Minha filha. A minha Estrela. Tão pequenininha, tão delicada… como se fosse feita de nuvem. Ela dormia tranquila, como se o mundo todo estivesse em paz só porque ela chegou. E talvez estivesse mesmo. Porque desde que ela nasceu, tudo em mim pareceu se encaixar de um jeito diferente. Como se eu tivesse esperado minha vida inteira por esse momento, mesmo sem saber.Ver o Everton segurando ela no colo foi uma das cenas mais lindas que já vi. Ele parecia hipnotizado, apaixonado, e era. E eu também. Pela nossa filha, por ele, pela família que a gente construiu com tanto esforço, tanta luta, tantas dores e superações. Quando a minha mãe entrou com o pastor e ele fez aquela oração… ah, eu desabei.Senti um calor no peito, uma paz invadindo meu coração, como se Deus estivesse ali do nosso lado, abençoando nossa menina. E Ele tava, eu sei que tava. Porque pra mim, Estrela é prova viva de que milagre existe. Ela é o recomeço que a min
Última atualização: 2025-06-10
Chapter: 109- Everton Everton Narrando Quando a Priscila falou que a contração tinha vindo mais forte, eu já comecei a suar frio. Não adiantava fingir que tava calmo, porque meu coração tava acelerado feito bateria de escola de samba. Eu sabia que esse momento ia chegar, mas saber não é o mesmo que viver, né? Fui até a porta, voltei, peguei a bolsa da maternidade, conferi fralda, roupinha, documento, carteira, celular, carregador… tudo. A Priscila ria do meu nervosismo, e a dona Neuza me olhava como quem via um filho entrar em parafuso.— Tá tudo sob controle, Everton — ela disse, colocando a mão no meu ombro. — Agora respira. Quem vai parir é ela, não você.— Mas sou eu que vou ter que ficar forte por ela — respondi, olhando pra Pri deitada no sofá com o Luizinho encostado no ombro dela.Ela me olhou naquele momento com um sorriso tão doce, tão sereno, que me desmontou. Como ela conseguia ficar tão linda, tão forte, tão ela… mesmo sentindo dor?— Amor, se acalma… — ela disse baixinho — Só vou conseguir f
Última atualização: 2025-06-10
Chapter: 108- Priscila Priscila Narrando Quando aquela contração passou, fiquei um tempo ali, quietinha, sentindo meu corpo voltar ao normal, ou quase isso. Foi leve, mas nítida. Eu conheço meu corpo, e não era alarme falso. Era o começo. Everton apareceu na cozinha num pulo, com os olhos arregalados e a mão já na minha barriga. E mesmo eu tentando manter a calma, só de olhar pra ele já senti vontade de chorar. Não de medo. De emoção mesmo. De saber que ele tava ali, comigo, inteiro. Luizinho veio logo depois, todo sonolento, e me perguntou se a bebê tava chegando. Me deu um aperto no coração de tão lindo. O jeito como ele já fala dela, como se já fosse o irmão mais velho mais protetor do mundo. Eu sorri pra ele, mesmo com aquela pontadinha de dor nas costas que começou a vir junto com uma leve cólica.— Tá quase, meu amor — respondi.Depois que tudo acalmou, sentei um pouco na sala com os dois. Everton ficou me olhando como se eu fosse feita de porcelana. Ele queria fazer tudo: buscar água, apoiar minha p
Última atualização: 2025-06-09
Chapter: 107- Everton Everton Narrando Aquela tarde em família foi daquelas que a gente guarda na memória com gosto de saudade antecipada. O sol tava se pondo, a carne já tinha quase todo mundo elogiado, e o Patrick me ajudava na churrasqueira enquanto contava umas histórias engraçadas da viagem dele. Era bom ver ele ali, se encaixando como se nunca tivesse saído. Priscila tava sentada na varanda com a dona Neuza, os pés apoiados numa almofada e a mão sempre descansando na barriga. De vez em quando, ela fechava os olhos e sorria do nada. E eu sabia... ela tava feliz. E isso bastava pra me fazer sentir o homem mais realizado desse mundo.Luizinho corria com um aviãozinho na mão, rindo alto, e parava toda hora pra pedir mais refrigerante ou um pedaço de pão com alho. Eu ficava só observando, tentando guardar cada pedacinho daquela paz que a gente construiu com tanto esforço. Depois que o churrasco terminou e a galera foi começando a se dispersar, levei o lixo pra fora e fiquei um tempo encostado no portão,
Última atualização: 2025-06-09