Chapter: Capítulo 117 - EPÍLOGOMeses se passaram. A primavera chegou trazendo consigo o perfume das flores que enfeitavam os jardins da Mansão Montenegro. Era curioso. Durante muito tempo, Isabela havia dedicado a vida inteira a construir o dia mais feliz de outras pessoas. Casamentos. Sonhos. Famílias. Mas nunca imaginou que um dia viveria o seu próprio conto de fadas. Agora vivia. E era muito melhor do que qualquer projeto que já tivesse desenhado. A barriga já não era mais discreta. Os meses passaram voando. Arthur fazia questão de acompanhar absolutamente todas as consultas. Todas. Nunca faltou a uma sequer. No começo, quando descobriram que seriam gêmeos, ele simplesmente ficou sentado olhando para a tela do ultrassom durante quase cinco minutos sem conseguir dizer uma palavra. Foi o médico quem riu. — Senhor Montenegro... está tudo bem? Arthur piscou algumas vezes. — Dois? O médico sorriu. — Dois. Arthur olhou para Isabella. — Dois... Ela começou a rir. — Você
Última atualização: 2026-07-17
Chapter: Capítulo 116Uma semana havia se passado. Pela primeira vez em muitos meses, a Mansão Montenegro voltou a conhecer o verdadeiro significado da palavra paz. As viaturas já não cercavam os portões. Os advogados já não telefonavam a todo instante. As discussões haviam dado lugar às risadas. E os pesadelos... aos poucos, começavam a desaparecer. Naquela manhã, Arthur saiu cedo para a empresa. Havia acumulado uma montanha de trabalho durante todo o caos dos últimos meses. Antes de sair, porém, encontrou Isabela preparando o café. Aproximou-se por trás e a envolveu pela cintura. — Bom dia, senhora Montenegro. Ela sorriu. — Bom dia, senhor Montenegro. Ele depositou um beijo demorado em sua bochecha. — Hoje volto mais cedo. — Promete? — Prometo. Ela virou o rosto e o beijou rapidamente. — Estou te esperando. Arthur sorriu daquele jeito que só sorria para ela. — Eu também mal posso esperar para voltar para casa. Antes de sair, passou pela sala. Sofia ainda desenhav
Última atualização: 2026-07-17
Chapter: Capítulo 115Arthur apertava o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam completamente brancos. Ao lado dele, Isabella mal conseguia respirar. As sirenes das viaturas ecoavam pela estrada enquanto todos seguiam as informações passadas pelo casal que havia protegido Sofia. — Foi por aquela rodovia! — gritava um dos policiais pelo rádio. — Sedan preto, alta velocidade, sentido norte! Arthur acelerou ainda mais. — Aguenta só mais um pouco, princesa... — murmurou para si mesmo, imaginando a filha apavorada. Isabella mantinha as mãos unidas sobre o peito. Sem perceber, também protegia discretamente o ventre. "Por favor... só deixa a Sofia estar bem..." Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, avistaram um posto de combustível cercado por algumas viaturas. Arthur sequer esperou o carro parar completamente. Abriu a porta ainda em movimento e saiu correndo. — SOFIA! A pequena virou imediatamente. Assim que reconheceu a voz do pai, começou a correr. — PAPAI!! Arthur
Última atualização: 2026-07-17
Chapter: Capítulo 114O carro avançava pela rodovia em velocidade absurda. As árvores passavam como borrões verdes pelas janelas. No banco traseiro, Sofia chorava baixinho, abraçando os próprios joelhos. — Eu quero a Bella... — Cala a boca! — Carolina gritou, apertando ainda mais o volante. Sua voz já não tinha doçura. Era rouca. Quebrada. Uma mulher completamente destruída. Ela ainda conseguia ouvir as palavras. "Você colocou a polícia em cima da gente." "Virou peso morto." "Você acabou." Ela apanhara. Muito. Socos. Chutes. Puxões de cabelo. Um deles chegou a apontar uma arma para sua cabeça. Só não a executaram porque o líder decidiu que matá-la naquele momento chamaria atenção demais. Por sorte, conseguiu fugir.. Sem dinheiro. Sem proteção. Sem aliados. Sem futuro. Na cabeça completamente desorganizada de Carolina, restava apenas uma ideia. "Se eu perdi tudo... Arthur também vai perder." Então roubara um carro. E sequestrara Sofia. Agora dirigia sem destino. Sem plano. Sem
Última atualização: 2026-07-17
Chapter: Capítulo 113Carolina dirigia como uma louca. As mãos tremiam tanto sobre o volante que mal conseguiam manter o carro reto na pista. O veículo balançava de um lado para o outro enquanto cortava a estrada em alta velocidade. No banco traseiro, Sofia chorava baixinho, com os punhos amarrados por uma abraçadeira plástica. — Por favor... me deixa ir embora... Carolina apertou os dentes. — Cala a boca! O grito ecoou dentro do carro. Sofia se encolheu. Durante alguns segundos só se ouviu o motor rugindo. Até que Carolina respirou fundo, como se estivesse tentando convencer a si mesma de alguma coisa. — Tudo isso... tudo isso é culpa deles. Ela soltou uma risada nervosa. — Eu ia conseguir recuperar minha vida... Sua voz começou a falhar. — Eu quase consegui... Os olhos marejaram. Pela primeira vez desde que fugira do tribunal, sua aparência realmente denunciava o inferno que havia vivido nas últimas setenta e duas horas. Seu cabelo, antes impecavelmente liso, agora estava embaraçado. A
Última atualização: 2026-07-16
Chapter: Capítulo 112Isabella estava na cozinha. Sorria sozinha. Levou uma das mãos discretamente até o ventre. Ainda era cedo. Quase não havia barriga alguma. Mas havia uma vida. O filho dela. O filho de Arthur. Seu sorriso aumentou. — Hoje eu conto... Ela finalmente havia decidido. Depois de tantos dias escondendo a gravidez por medo das ameaças de Carolina, agora tudo parecia caminhar para um final feliz. Ela faria uma surpresa. Talvez preparasse um jantar. Ou entregasse uma pequena caixa com um sapatinho de bebê. Sorriu imaginando a reação de Arthur. — Ele vai chorar... Pegou o celular. Pesquisou algumas ideias de presentes para anunciar uma gravidez. Ficou vários minutos escolhendo. Queria que fosse perfeito. Foi então... Seu telefone começou a tocar. Na tela apareceu: Professora Helena. Ela estranhou. Atendeu imediatamente. — Alô? — Senhora Isabela? — Sim. A voz da professora parecia confusa. — Está tudo bem? — Claro... aconteceu alguma coisa? Houve alguns segundos de
Última atualização: 2026-07-16
Chapter: Capítulo 55 - À Luz da LuaDurante três dias, Matteo praticamente desapareceu da vida de Lívia. Não fisicamente. Ele continuava ali. Passava pelos mesmos corredores, sentava-se à mesma mesa durante algumas refeições e, ocasionalmente, cruzava com ela pela casa. Mas era como se existisse uma parede invisível entre os dois. — Bom dia. — Bom dia. — Você está bem? — Estou. — Boa noite. Era sempre assim. Poucas palavras. Nenhum olhar prolongado. Nenhuma provocação. Nenhum daqueles pequenos momentos em que Matteo simplesmente aparecia ao lado dela e conseguia tirar sua paciência em menos de trinta segundos. No começo, Lívia pensou que ele estivesse ocupado. Depois, que estivesse cansado. No segundo dia, começou a pensar que havia feito alguma coisa errada. No terceiro, já não sabia mais o que pensar. Chegou ao ponto de tentar chamar sua atenção de maneiras que normalmente jamais teria coragem. Certa tarde, passou deliberadamente pela porta do escritório algumas vezes. Nada. Em outra ocasião, com
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 54 - O Que Somos, Afinal?Lívia estava sentada no banco próximo às janelas da sala, observando o jardim enquanto Maria terminava de separar algumas coisas que precisava levar para a cidade. Nas últimas semanas, Maria andava cada vez mais ocupada. Entre os negócios de Matteo, documentos, pagamentos e outros assuntos administrativos, ela passava boa parte dos dias fora da mansão. Lívia sentia sua falta. Talvez por isso, quando finalmente conseguiam alguns minutos juntas, aproveitavam para conversar sobre absolutamente tudo. — Saudades quando você não precisava trabalhar fora. Maria riu para ela de forma amorosa. — Também sinto falta de estar 24 horas por dia grudada em você. Mas, quando Matteo me ofereceu esse trabalho de assistente administrativa eu vi a chance de poder juntar mais um dinheirinho. — Entendi, acho que faz sentido — ela suspirou e voltou a encarar a janela. — Você está estranha — Maria comentou, guardando alguns papéis na bolsa. Lívia soltou uma risada fraca olhando para ela. — Eu? —
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 53 - O Homem Por Trás da FeraNa manhã seguinte, Lívia acordou com uma sensação diferente. Desde que descobrira a biblioteca, parecia que cada canto daquela propriedade escondia alguma coisa que ela ainda não conhecia. E, naquela manhã, Matteo decidira mostrar-lhe justamente uma parte daquilo que existia além dos muros da mansão. — Você vai conhecer a escola hoje — ele disse durante o café. Lívia ergueu os olhos. — A escola? — E o hospital. — Por quê? Matteo tomou tranquilamente um gole de café. — Porque você passou semanas conhecendo a Vila, mas só viu a parte bonita dela. Quero que conheça o resto. Lívia inclinou a cabeça. — Você está dizendo que existe uma parte feia? — Existe uma parte que trabalha enquanto você está olhando as barracas de doces. Ela fez uma careta. — Você poderia simplesmente dizer que quer me mostrar como é a estrutura básica de educação e saúde do lugar. — Poderia. — Mas preferiu ser insuportável. — Exatamente. Lívia tentou esconder um sorriso. _ Pouco tempo depois, o car
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 52 - Interrupção no TrabalhoEra mais um dia normal como sempre para Matteo no escritório. Papeladas, contra-cheques, lista negra de devedores, planos para conquistar territórios... etc. Exceto por uma coisa. Ou melhor, alguém. Ele ouviu uma batida suave na porta. Por ser quase 11:00pm, só uma pessoa podia estar ali naquele horário. — Entra, Lívia — ele diz sem tirar os olhos do notebook,, concentrado. Lívia entrou e ficou parada na porta entreaberta, sentindo a madeira fria contra os dedos. Vestia um roupão de cetim. Mas assim que fechou a porta do escritório atrás de si, abriu o roupão, revelando que estava apenas com um sutiã de renda preto, minúsculo, o tecido transparente mal segurando os seios cheios, e uma calcinha fina do mesmo material que afundava entre as coxas grossas. Os cabelos caíam soltos sobre os ombros. Ela observou Matteo atrás da mesa, o ventre definido escondido sob a camisa social de mangas dobradas até os cotovelos, os olhos escuros cravados no monitor do notebook. A caneta girava
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo 51 - O Monstro Que Eu CrieiTrês semanas. Fazia exatamente três semanas desde que Matteo mandara reabrir a antiga biblioteca. No início, acreditara que aquilo seria apenas mais uma das pequenas concessões que fazia a Lívia sem admitir para si mesmo que estava fazendo. Agora começava a suspeitar que havia cometido um erro. Não porque a biblioteca estivesse sendo destruída. Muito pelo contrário. Lívia parecia ter encontrado naquele lugar uma espécie de refúgio. Passava horas entre as estantes, às vezes sentada perto da janela com um livro aberto no colo, outras vezes caminhando de uma prateleira para outra com uma expressão concentrada que Matteo começara a observar de longe. Ela estava diferente. Muito diferente. Quando chegara àquela casa, Lívia parecia pedir desculpas até por respirar. Andava pelos corredores com os ombros tensos, falava baixo e media cada palavra antes de pronunciá-la. Agora? Agora ela tinha opiniões. Reclamava. Retrucava. Ria. E, ocasionalmente, fazia Matteo se perguntar se aqu
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: Capítulo 50 - Entre Livros e CinzasLívia caminhava distraidamente pelos corredores da mansão quando percebeu algo diferente. A porta. Aquela porta que durante meses permanecera fechada. Parou diante dela. Por alguns segundos, apenas ficou olhando para a maçaneta, como se temesse descobrir que seus olhos estavam enganados. Então se aproximou e tocou o metal frio. Aberta. Lívia empurrou a porta devagar. E parou. Seus olhos se arregalaram. — Uau... A biblioteca era muito maior do que ela poderia ter imaginado. Estantes de madeira escura ocupavam praticamente todas as paredes, algumas tão altas que chegavam ao teto. Havia uma escada móvel apoiada em um dos corredores, poltronas confortáveis espalhadas próximas às janelas e uma grande mesa no centro, iluminada pela luz suave que entrava pelas cortinas. Tudo estava impecavelmente limpo. Os livros, antes escondidos atrás daquela porta, agora pareciam finalmente respirar outra vez. Lívia entrou lentamente. Passou os dedos pelas lombadas, lendo os títulos um por
Última atualização: 2026-08-29