FAZER LOGINNota da Autora Obrigada por ler até aqui. Esse capítulo marca um ponto de virada — emocional e narrativo. Quero muito saber o que você sentiu durante a leitura. Comente, compartilhe suas impressões, teorias ou emoções. Sua leitura faz essa história crescer. Nos vemos no próximo capítulo. Mitha Souza
Eduardo Arruda O sol da manhã na Costa Rica parecia ter sido polido para o dia de hoje. O céu era um manto azul infinito, sem uma única nuvem para ousar fazer sombra ao meu casamento. Eu estava parado diante do espelho, ajustando o colarinho da minha camisa de linho branco. Minhas mãos, que nunca tremeram em um campo de batalha, agora insistiam em uma leve vibração. — O grande capitão está nervoso? — a voz de Heitor ecoou na porta. Olhei pelo reflexo e vi meu pai, usando camisas e calças de linho azul claro. — Mais do que quando saltava de paraquedas em zona de guerra, pai. É uma sensação diferente. É como se meu coração estivesse fora do peito. — Isso se chama amor, Eduardo. E é a única coisa que realmente vale a pena proteger com a vida — ele disse, colocando a mão no meu ombro. Caminhamos juntos até o altar montado sob um arco de orquídeas brancas e folhagens tropicais, bem onde a areia se encontrava com o mar. A música começou a tocar, uma melodia suave que parecia flutuar
Heitor Arruda Eu estava ali, sentindo o balanço suave das águas do Caribe, mas meu interior ainda rugia como as tempestades de areia do sertão de Pernambuco. Eu observava o horizonte, onde o céu começava a sangrar os primeiros tons de um laranja carregado. Ali, naquele convés manchado de pólvora, eu vi o reflexo de quem eu fui e de quem o meu filho se tornou. Vim de longe. Saí do solo rachado do Brasil, fugindo de uma sina que eu não compreendia, deixando para trás a Mirtes. Deixei a mulher que amava com o ventre crescendo, carregando o Eduardo, porque me senti pequeno diante das chantagens. Naquela época, eu era apenas um peão no tabuleiro de um homem frio, sem saber que aquele monstro era o meu próprio pai. Fui covarde. Escolhi a fuga, acreditando que a distância protegeria quem eu amava, enquanto os entregava aos lobos. Mas o destino é um moinho que tritura o orgulho. Anos depois, a vida me deu a chance de reencontrar Mirtes e conhecer o meu verdadeiro destino. Hoje, olhando
Eduardo Arruda O mar das águas caribenhas, que costumava ser um espelho de paz, agora fervia sob o impacto dos motores de alta performance e da iluminação fria das lanchas de combate. Dante Mancuso não veio para brincar. Ele trouxe o peso da máfia italiana, um arsenal que fazia a lancha de Bashir parecer um brinquedo de plástico à deriva. Adam Foster — o nome real do Bashir. Dessa vez seria aniquilado e nunca mais iria traficar vidas — estava encurralado, asfixiado pelo poder dos Arruda. Eu estava na proa da lancha líder, o vento cortante batendo no meu rosto, sentindo o peso do fuzil nas mãos e a fúria pulsando nas têmporas. Ao meu lado, meu pai, Heitor, mantinha o olhar fixo no alvo. Ele não era mais o pai protetor de momentos antes; era o executor implacável. Abel operava os controles táticos nos fundos, coordenando os drones que agora sobrevoavam a embarcação de Bashir como abutres eletrônicos. — Ele está sem saída, Eduardo — Abel anunciou pelo rádio. — O motor principal de
Eduardo Arruda Aquele desgraçado Bashir não vai destruir a paz que conquistamos aqui. Quantas vidas ele tem? Vou manter minha família segura e ele não tocará um sedo na Melina. Eu estava na varanda, observando o movimento dos drones de patrulha do tio Abel, enquanto minha mente voltava para o passado. Lembrei-me de quando fui enviado para aquele internato na Europa. Meu pai queria me proteger de Beatriz e das sombras que rondavam os Arruda. Eu era apenas um garoto confuso, sentindo o peso do abandono, até que a vi pela primeira vez nos jardins daquela instituição. Melina. Ela era um raio de sol em meio à rigidez daquele lugar. Sua amizade foi o bálsamo que me impediu de sucumbir à solidão. — Você está com aquele olhar de quem está carregando o mundo nas costas, meu filho — a voz doce de minha mãe me trouxe de volta. Mirtes aproximou-se, colocando a mão em meu ombro. Senti o calor do seu toque, algo que me fez sentir, por um segundo, o garoto de anos atrás. — Eu não devia ter es
Abel Arruda Eu curtia o sol e o clima do Caribe na varanda da casa principal, mas a coisa mudou no instante em que meu telefone via satélite tocou. Era um canal criptografado que poucas pessoas no mundo possuíam. Dante, o novo rei da máfia italiana e latina, não ligava para jogar conversa fora. — Abel. Temos um problema cruzando o Atlântico — a voz de Dante veio fria, sem preâmbulos. — Diga, Dante. Estou ouvindo — respondi, fazendo um sinal para Heitor, que estava por perto, se aproximar. — Meus informantes na Sicília confirmaram. Bashir Danjuma está vindo para o seu quintal. Senti um calafrio que não tinha nada a ver com a brisa do mar. O nome Bashir era sinônimo de pesadelo no submundo. — Ele é o maior traficante de carne humana da Europa e África. Por que ele viria até aqui? — perguntei, já sentindo o sangue ferver. — Ele não quer dinheiro, Abel. Ele quer a garota que está com seu sobrinho. Melina. Ele a vê como propriedade privada. Desliguei o aparelho e encarei Heitor.
Eduardo Arruda O sol da Costa Rica era o bálsamo que nossas almas precisavam. Após o casamento duplo, a ilha mergulhou em uma calmaria que parecia saída de um sonho. Meus pais e os tios partiram para uma lua de mel curta, mas necessária, deixando a responsabilidade da ilha e dos meus irmãos em nossas mãos. Era um teste de fogo para o que estava por vir. Eu e Melina, cuidando de Alice, Pedro e do pequeno Lion, como se fôssemos ensaiar para a nossa própria família. — Eles finalmente dormiram — Melina sussurrou, surgindo na varanda com os cabelos levemente úmidos e o rosto iluminado pelo luar. — Alice tem energia para três exércitos — rí baixo, puxando-a para sentar-se no meu colo, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. — Ela me lembra você, Eduardo. Teimosa, decidida e com um coração que não cabe no peito. Acariciei seu ventre, um gesto que se tornou meu vício nos últimos dias. A ideia de que havia uma vida ali, nossa, era o que me mantinha são. — Jack ligou hoje cedo. Nada