INICIAR SESIÓNA porta do escritório fechou-se atrás de nós com um clique definitivo. Francesca caminhou até o centro da sala, seus olhos verdes brilhando com antecipação. Ela ainda não sabia. Ainda pensava que esta era uma conversa sobre planos de casamento, sobre detalhes da cerimônia, sobre o futuro que ela imaginava.
— Vittorio — disse ela, com um sorriso que tentava ser sedutor —, que mistério é esse? Podia te
Saí da cobertura praticamente correndo, com os dois chocolates apertados dentro do bolso do avental e o coração batendo tão forte que parecia querer escapar pela garganta. Durante todo o caminho até o elevador, a voz daquele homem continuou ecoando na minha cabeça."Vamos nos ver de novo..."Balancei a cabeça com força, tentando afastar a lembrança.Não.Nunca mais.Assim que as portas do elevador se fecharam, apoiei a cabeça no espelho polido e soltei o ar lentamente. Eu precisava parar de pensar naquilo. Era apenas um hóspede. Um homem rico que, provavelmente, esqueceria meu rosto antes mesmo de deixar o hotel.Eu era só mais uma funcionária.Nada além disso.Quando o elevador chegou ao térreo, caminhei diretamente para a administração. Era sexta-feira. Dia de pagamento. Pela primeira vez em muitos meses, senti uma pontinha de esperança.A fila de funcionários ocupava boa parte do corredor dos fundos. Camareiras, recepcionistas, cozinheiros, garçons, todos esperando o envelope pardo
A mansão Grimaldi nunca tinha visto tanta gente. Rosetta passara três dias preparando, Marie organizara as flores, e até Massimo, que normalmente evitava multidões, apareceu no salão principal com um sorriso que eu não via nele há meses.Matteo completava sete anos. Sete anos de vida, mas parecia uma eternidade desde que ele chegara à nossa família — ou melhor, desde que eu chegara à dele.Ele estava no centro do salão, usando o terno azul-marinho que Vittorio escolhera, a pulseira de Giulia brilhando em seu pulso. Seus olhos percorriam a multidão, procurando alguém.— Ainda não chegou — eu disse, ajoelhando-me ao seu lado.— Ele prometeu.— Lorenzo cumpre promessas.Matteo mordeu o lábio, ansioso. Um ano. Um ano desde que Lorenzo partira para expandir os negócios, para encontrar seu próprio cami
O quarto estava silencioso. Giulia dormia no berço ao lado da cama, seus cabelos escuros espalhados no travesseiro como um leque de seda. Matteo já estava em seu quarto, exausto depois de um dia inteiro brincando com a irmã, ensinando-lhe palavras novas, mostrando-lhe o mundo.Vittorio estava no escritório, resolvendo os últimos detalhes do programa de bolsas. Eu deveria estar dormindo, mas havia algo que precisava fazer.Sentei-me à escrivaninha perto da janela, peguei uma caneta e um papel. O mar lá fora estava calmo, pintado de prata pela lua. Comecei a escrever.*Querida Giulia,**Você ainda é muito pequena para entender estas palavras. Talvez quando as ler, já seja uma mulher. Talvez o mundo tenha mudado. Talvez não. Mas quero que saiba, desde sempre, de onde veio. Quem era sua mãe antes de ser sua mãe. Quem era seu pai antes de ser seu pai.**Eu nasci no
O sol da tarde entrava pelas janelas da sala de estar, pintando o chão de ouro. Matteo estava no tapete persa, cercado por blocos de madeira coloridos, tentando construir uma torre que rivalizasse com as que via nos livros de histórias. Ao seu lado, Giulia, agora com pouco mais de um ano, batia palmas sempre que um bloco era colocado, sua risada um som que preenchia a casa como música.— Não, Giulia — Matteo dizia, paciente. — Esse é azul. O vermelho vai ali.Ela ignorava, como sempre, e pegava o bloco vermelho, colocando-o no topo da torre com uma precisão que surpreendia. Matteo suspirou, mas sorriu.— Tá bom. Vermelho também pode.Beatrice estava ao meu lado no sofá, um livro de contabilidade aberto no colo, mas seus olhos estavam fixos nas crianças. Seu cabelo, mais longo agora, caía sobre os ombros, e havia nela uma paz que eu nunca vira antes.
O sol da manhã entrava pelas janelas da sala de brinquedos, pintando o chão de ouro. Matteo e eu estávamos no tapete, cercados por lápis de cor e papéis espalhados. Ele desenhava um sol enorme, daqueles que só crianças sabem fazer — redondo, amarelo, com raios que pareciam braços abertos para abraçar o mundo.— Bia — disse ele, concentrado —, o sol do bebê vai ser igual ao meu?— Vai ser o sol que você ensinar.Ele sorriu, satisfeito, e continuou colorindo.Foi quando senti a primeira contração.Não foi como as cólicas que vinham tendo nas últimas semanas. Era mais forte, mais profunda, como se meu corpo inteiro se contraísse em uma onda que vinha do centro da terra. Fechei os olhos, respirei fundo, esperei passar.— Bia? — Matteo ergueu os olhos.— Tudo bem, amor. S&oacut
A manhã amanheceu cinzenta sobre a Calábria, nuvens baixas pairando sobre o mar como um presságio. Encontrei Lorenzo no escritório antes do amanhecer, como tantas vezes ao longo dos anos. Mas hoje era diferente. Hoje, ele estava arrumando os últimos documentos, fechando pastas, organizando o que ficaria e o que levaria.— Já decidiu? — perguntei da porta.Ele ergueu os olhos, um sorriso cansado nos lábios.— Já.Entrei, fechando a porta atrás de mim. O escritório parecia maior sem a presença dele, mais vazio. Como se parte da alma do lugar fosse embora com ele.— Para onde?— Primeiro, Nápoles. Depois, Roma. Talvez Milão. — Ele fechou a última pasta. — Precisamos expandir. Novos mercados, novas alianças. Ficar só na Calábria é morrer devagar.— Você est&aacu







