Compartir

Capítulo 5

last update Fecha de publicación: 2025-02-18 20:42:13

Adam Seven

Tempos atuais...

— O senhor Dubois ligou para avisar que está trazendo a filha. Por que está fazendo isso, meu menino?

Deixo as coisas do experimento de lado e olho para ela. Sabia que ela questionaria meu ato, afinal tudo nessa casa acaba no conhecimento dessa senhora, mesmo que eu tenha ordenado a outro empregado que arrumasse um dos quartos para Bela.

— Só porque eu posso, madame Pilar.

Ela sorri. Quando faz isso seu rosto todo se modifica, deixando-a com mais rugas, ainda assim ela quase sempre está sorrindo. É estranho. Não vejo toda essa graça nas coisas simples que ela enxerga.

— Sei que está mentindo. Você sempre tem um propósito em seu coração doce.

Reviro os olhos. Essa mulher baixinha e enrugada, que eu não me lembro de ter visto sem um avental, me faz parecer um menino levado.

— Eu não sou doce.

— Não é? Então por que dá ouvidos a uma velha como eu?

— Me pergunto isso sempre.

A risada dela enche meu corpo de energia. A mulher é espontânea em tudo que faz, nunca senti necessidade de máscaras ou fingimento em sua presença, assim como só sinto com minha família.

— Não é certo obrigar alguém a se casar. — Ela insiste.

— Madame Pilar, até parece que não conhece a situação daquela garota. Ela já está condenada.

Ela me olha intensamente.

— Eu espero que vocês se salvem.

— Não é esse o meu objetivo. Só quero me livrar daquele Maurice. É assim, ou matando de vez. Já dei moral demais para aquele homem.

— Credo, meu filho!

Ela passa longos segundos me olhando, antes de anunciar:

— Vou preparar um jantar especial para ela.

— Não. Só me avise quando ela chegar.

Ainda não me decidi sobre como Bela será tratada por mim, tudo vai depender dela.

A mulher balança a cabeça e sai resmungando sobre homens cabeça dura. Mas antes, olha para trás e diz:

— Não use isso.

Sei exatamente do que está falando.

Volto ao meu trabalho, até ouvir a batida na porta e a palavra “chegaram”.

— Hora do show.

Pego minha máscara, que madame Pilar falou para não usar, passo na cozinha e pego a maior faca que encontro.

Pensei nessa brincadeira enquanto esperava. Madame Pilar não pode me julgar, estou entediado. Faz tempo que não saio de casa. Um pouco de diversão vai ser bom.

Vou até a entrada da casa e a vejo. Ela é linda, como eu já sabia. E meio maluquinha, por estar falando sozinha.

Seus olhos arregalam quando me vê.

Para minha surpresa, ou nem tanto, ela corre em direção ao portão.

Vou caminhando lentamente atrás dela. Sei que não poderá fugir sem a minha permissão.

A cena é tão engraçada quando ela topa com o doberman que acabo rindo. Só paro quando ela se vira para trás.

Imóvel, é assim que ela fica. Aposto que está decidindo a sua melhor opção diante do cenário.

Minha surpresa aumenta quando ela corre em minha direção, chegando junto com o cachorro curioso que a segue.

Ela se esconde atrás de mim.

Assobio e ordeno apontando para longe:

— Fifi, vai!

Fifi corre, obediente. Só vou poder usar isso enquanto ela não souber que Fifi é uma medrosa.

— Agora, você... — falo para a doida que está agarrada a minha camisa. — Garota, me larga.

— Não.

— O cão já foi — digo impaciente. A brincadeira não saiu engraçada como eu pretendia. Ela escolheu fugir do cão. Eu que devia correr atrás dela, como nos filmes de terror. Estraga prazeres.

— Não — insiste.

— Tira essa garota de cima de mim — ordeno ao ver uma empregada e Gaston, meu segurança, se aproximando. Não que eu precise de um, mas meu pai exige, para garantir o status. Coisa de Seven.

Como que ensaiados, cada um segura um braço da maluquinha e a afasta de mim. E ela acaba caindo de bunda no chão.

Ai, deve ter doido.

— Agora nós dois vamos ter uma conversa — aviso indicando que ela deve entrar comigo, porém a mulher só tem olhos para a faca em minha mão.

— Se vai me matar, mata de uma vez. — Se faz de corajosa enquanto levanta.

Eu até tento me manter sério, mas é impossível não rir ao ponto de gargalhar.

Nessa hora madame Pilar aparece com seu avental.

— Eu falei para não vir assim. Está assustando a menina.

Ela tira a faca da minha mão sem nenhuma cerimônia. Sei que preciso agir para não perder a autoridade, mas continuo rindo enquanto tiro a máscara.

Ela está me encarando, parece... admirada? Isso é estranho. Sei que as cicatrizes não me deixaram feio, mas as primeiras reações são sempre de pena ou medo. Ninguém nunca me encarou assim de primeira.

Espanto os pensamentos e continuo meus planos.

— Eu não vou te matar, garota, mas posso garantir que talvez chegue a  desejar isso.

Bela cruza os braços em uma atitude ao mesmo tempo protetora e desafiadora, empina o nariz e diz o que eu menos acreditaria ouvir.

— Pois pode adiantar o serviço se acha que vai me usar ou se casar comigo. Eu prefiro mil vezes a morte que me casar com um monstro horroroso como você.

Qualquer resquício de riso some do meu rosto. Seguro seu braço, sem me importar que esteja cruzado ou no tom de advertência quando madame Pilar diz o meu nome.

Me curvo o bastante para falar ao seu ouvido:

— Casar com você é tudo que menos quero, mas eu vou te usar da forma que eu quiser.

Sinto ela estremecer de medo.

— Leva-a ao porão. A partir de hoje, ali será o seu quarto — aviso a madame Pilar.

— Mas o quarto...

— Faça o que ordenei e arrume suas malas. Você está de férias a partir de hoje, assim como todos os empregados sob o seu comando.

— Quem vai cuidar dos afazeres dessa casa?

— Bela — respondo simplesmente.

Solto o braço da garota e me viro para entrar na casa.

— Não ouse me desobedecer — aviso antes de entrar.

Essa garota merece aprender uma lição.

Olhar de admiração... Fui idiota, isso sim. Quase me deixei levar pela delicadeza daqueles olhos castanhos brilhantes e a beleza de sua dona.

Monstro horroroso? Vou mostrar a ela o que é ser um monstro.

Combina com o apelido que me deram, combina com o nome dela.... Vamos brincar de a Bela e a Fera. Só que no final não haverá danças e casamento, haverá uma Bela de joelhos, implorando por esse monstro horroroso.

E talvez, só talvez... eu realmente a use um pouquinho.

Afinal, ninguém pode negar que a garota é mesmo... bela.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Epílogo

    Bela DuboisAnos depois...— Quem são aqueles? — pergunto admirada ao ver melhor os três homens que Adam cumprimentou mais cedo. Um deles eu vi brevemente quando fui visitar Lucas no hospital poucos dias após o sequestro. Por sorte ele está ótimo hoje, pronto para outra, segundo ele.— São os irmãos Wayne. Adrian, Lance e Dominic. São os donos de Nova Iorque. E seus futuros chefes no hospital Wayne. — Ele aponta cada um ao falar o nome.— Hospital? — Não estou sabendo de nenhum hospital fora do país. Ainda nem pensei nos meus próximos passos após a formatura.— Exato, doutora. É o meu presente de formatura para você. Se quiser continuar seus estudos em um ambiente não tão comum e fazer sua especialização fora do Brasil.Levanto a sobrancelha, curiosa pelo jeito que ele falou “não tão comum”. Mas logo o abraço. É o melhor presente que poderia me dar.— Eu adorei. Assim como adoro tudo que vem do meu marido gostoso.— Vamos começar uma nova aventura, apenas nós dois.“Nós três”. Completo

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Capítulo 47

    Adam Seven— Novos pesadelos? — questiono ao acordar no meio da noite e encontrar Bela sentada na cama, abraçada aos joelhos, sem acender a luz. Faz mais de uma semana que ela diz não ter pesadelos com o sequestro, desde a noite que a encontrei com o livro. Nem falei para ela que Camila e o outro traidor acabaram com tiros na cabeça e que o idiota do Fabiano está nas mãos da nossa família, fazendo tudo para não nos provocar ainda mais a ira. Bela não precisa saber disso. Não nesse momento. Quem sabe um dia...Acendo o abajur e passo a mão acariciando por cima do short do seu pijama de seda preto. Ela sempre dorme com essas coisas, mesmo que eu sempre tire em algum momento da noite. Gosto de tê-la nua, assim como eu, pele na pele.— Não consegui dormir — responde, me olhando. — Acordei e estava tudo escuro, foi quando me dei conta que nunca dormimos com a luz acessa e ainda assim não tive pesadelos com a morte da minha mãe. Você espantou todos eles.— Isso é bom.— A luz quebrada no po

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Capítulo 46

    Bela DuboisNão consigo dormir. Os pesadelos com aquele desgraçado ainda estão constantes. Agora que a adrenalina da situação passou fico me perguntando o que poderia ter acontecido se aquele capanga não tivesse atrapalhado. Não suportaria outro homem em mim. Meu corpo pertence a apenas duas pessoas; Adam e eu.Por mais que eu esteja vivendo momentos maravilhosos e virei a madrinha mais coruja, saindo com minha amiga e nosso novo amigo maluquinho, às vezes esses pesadelos ainda me afetam.Olho meu marido grandão dormindo tranquilamente e me levanto.Sem fazer barulho desço até a biblioteca para ler um pouco e ocupar minha mente com coisas boas.Passo os dedos pelos livros, admirando meus amigos de longa data. Foram os livros que acompanharam minha infância, minha adolescência. Foram minhas maiores aventuras, até conhecer Adam Seven, minha fera, meu marido.Toco um de capa preta e fico curiosa. Puxo.É quando acontece. Uma porta secreta se abre. Não penso duas vezes antes de entrar no

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Capítulo 45

    Bela DuboisHoje vamos voltar para casa. Por isso estou aqui novamente, na loja do senhor Geppetto. A pequena Zip está empolgada enquanto o senhor customiza sua xicara em uma salinha. Nós estamos em uma espécie de ala de brinquedos. Ela se encantou com uma boneca de pano com cabelos cacheados.— Prontinho. — O senhor sai da sala com uma mão atrás das costas.Sem soltar a boneca, ela corre até o senhor. Mas para e espera, toda educadinha.— Boa menina! — ele passa a mão nos cabelos dela, que estão em um rabo de cavalo. — Aqui está!A menina saltita de felicidade. Sua xicara agora tem dois olhos e uma boca com sorriso, o nariz é a alça.A coisa mais fofa.— E esse é para você dar de presente a sua mamãe. — Mostra um bule tão sorridente quanto a xicara.Deixo escapar um “oh”.Por fim saímos da loja com a boneca de pano, a xícara, o bule e uma rosa como da minha história favorita, só que é amarela. Logico que eu não poderia deixar ela para trás.Quando chego no quarto da pousada, nossas m

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Capítulo 44

    Adam SevenO jipe ficou para trás em um curva. A partir dali seriamos vistos de longe. Não foi fácil deixar Bela na beira da estrada. Apesar do meu orgulho por ela ter escapado sozinho, ainda me sinto incomodado por não estar ao lado dela.Rafa caminha ao meu lado. Ele faz sinal a cada alvo localizado. Por fim, entramos no lugar. E nos separamos.Dentro do lugar, dois foram derrubados facilmente. Mas no terceiro fomos vistos e começou o tiroteio. O que dificultou. Aqui dentro não podemos atirar em qualquer um porque não tenho certeza da cara do tal Pajaro, e ele não vai escapar só com uma bala na cabeça.Mas a sorte estava ao meu lado. Ouvi parte de uma conversa e soube quem era o candidato a defunto.Escondidos, enquanto Rafa lidava com um difícil de matar, segui os dois caras até um lugar e quando estavam distraídos, enfiei um punhal no pescoço de um deles.O outro vai para sacar a arma, mas sou mais rápido e atiro em sua mão. Caem pedaços de dedos junto com a arma.Ele olha aquilo

  • A Bela do Mafioso - Contos da Máfia - Livro 3   Capítulo 43

    Bela DuboisSim, é ele. É o meu marido.O veículo para e ele desce e vem correndo em minha direção.Faço menção de correr para ele também, mas Zip segura minha mão. Ela está com medo.— Tudo bem, pequena. — Sorrio para ela, que agarra minha roupa.Não demora para o meu gigante me tirar do chão, abraçando meu corpo com força.Ainda bem que a pequena me solta antes de cair de bunda com o movimento brusco.— Está assustando a menina — falo, mas sou ignorada.— Bela? Como? Você está bem? — ele me toca e me olha com se procurasse ferimentos.— Estou bem. Eu sou uma aventureira. Escapei.Ele sorri, mas seus olhos estão brilhando, como se ele tivesse se esforçando para não chorar.— Você é perfeita, minha pequena. Eles fizeram alguma coisa com você? Eu recebi a aliança e um vídeo. Eles...Nego com a cabeça.— Não fizeram nada. Não conseguiram. Parece que alguém importante chegou, então aproveitei a confusão e fugimos. Podemos ir para casa agora?— Não, meu amor. — Ele ainda toca o meu rosto,

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status