Mag-log inLonge daquela confissão silenciosa, passei o resto da noite no hospital fazendo companhia aos meus pais. Na manhã seguinte, acordei cedo e cumpri o combinado de encontrar Bruna no estande de vendas da imobiliária onde ela trabalhava.Ela já me aguardava no saguão. A imagem da corretora em seu ambiente profissional era bem diferente da amiga casual da noite anterior. O rosto exibia uma maquiagem suave e iluminada, enquanto o conjunto de alfaiataria desenhava as curvas do seu corpo de um jeito elegante e provocante ao mesmo tempo. Era o tipo de presença que roubava a atenção de qualquer um ao redor.— Você consegue ficar mais linda a cada dia que passa. — Falei com um sorriso no rosto, deixando a admiração escapar de forma instintiva.As bochechas dela coraram na mesma hora, trazendo à tona uma timidez genuína.— Que mania é essa de me provocar logo cedo?— Longe de mim fazer brincadeiras. É a mais pura verdade.— Vou perdoar o exagero porque você tem o dom da palavra... — Ela soltou um
— Quê? — Bruna arregalou os olhos, surpresa por Gustavo ainda lembrar da sua profissão, um detalhe que ela havia soltado por acaso durante a festa.— Não posso aceitar isso de jeito nenhum! Uma mansão dessas, logo a melhor do condomínio, vai render uma comissão altíssima. Não acho certo receber esse dinheiro sem ter feito nada para merecer... — Ela balançava a cabeça sem parar, recusando a oferta enquanto tentava lidar com o misto de susto e lisonja que tomava conta do seu peito.— Que história é essa de sem merecer? — Raul soltou uma gargalhada rouca, transbordando segundas intenções. — O senhor Gustavo é seu colega de longa data. Os dois formam um casal e tanto, um homem de sucesso e uma mulher deslumbrante. Quem sabe onde essa parceria vai parar no futuro, não é? Vocês nasceram um para o outro! Por um triz eu não chamo você de Sra. Franco agora há pouco!O comentário ousado fez o rosto da corretora queimar de vergonha até as orelhas, e sua voz não passou de um sussurro trêmulo:— Qu
— Por que essa cara? Vai me dizer que agora vai ficar cheia de dedos comigo também? — Perguntou Bruna, soltando um suspiro leve.Balançei a cabeça com um sorriso contido, tentando dissipar a tensão.— Não é isso, eu apenas... ainda estou tentando me acostumar com tudo o que acabou de acontecer. Bruna acompanhou meu gesto, mas uma sombra de dúvida cruzou seu rosto antes de perguntar: — Sinto que você mudou, sabe? Não parece em nada com aquele garoto da época do colégio. Será que o ditado é verdadeiro e os homens perdem a cabeça quando ganham dinheiro?As palavras dela arrancaram uma risada genuína da minha garganta.— E onde foi que me perdi? Se falei com tanta arrogância lá dentro, foi em essência para colocar o terror no Cláudio. Queria garantir que ele ficasse assustado o bastante para nunca mais se atrever a assediar você. Não vá colocar caraminholas na cabeça, Bruna. Continuo sendo um cara do bem!Um brilho de compreensão iluminou o olhar da mulher. O choque inicial deu lugar a u
— Engole tudo! Se você ousar cuspir uma gota sequer, eu acabo com a sua raça! — Esbravejou Raul, aproveitando a chance de ouro para demonstrar lealdade diante de mim. Sem perder tempo, ele virou o rosto para os seus capangas e deu a ordem. — Segurem esse moleque, abram a boca dele à força e virem essa garrafa de vinho goela abaixo.— Sim, senhor Raul! — Responderam os homens em uníssono.Ao comando do chefe, cerca de cinco brutamontes invadiram a sala privativa de supetão e jogaram Cláudio com violência contra o chão. O ambiente foi engolido pelo caos. Enquanto um dos seguranças forçava o maxilar do rapaz para abri-lo, o outro erguia a garrafa, pronto para despejar o líquido escuro.— Pai, me ajuda! Socorro, pai! Pelo amor de Deus! — Os gritos rasgavam a garganta de Cláudio, que, tomado por um pavor sufocante, acabou molhando as próprias calças ali mesmo, berrando em puro desespero.No instante seguinte, o rosto de Décio perdeu toda a cor. As pernas do homem mais velho cederam sob o pe
O silêncio que tomou conta do ambiente após essa declaração foi ensurdecedor.Todo mundo na sala prendeu a respiração. Dezenas de olhos arregalados se voltaram na minha direção, divididos entre o choque e a dúvida. Até mesmo Yago e Bruna demonstravam uma aflição óbvia no olhar.— Gustavo, isso não está indo longe demais? Como é que a gente vai sair dessa se a coisa der ruim? — Sussurrou Bruna, puxando a barra da minha camisa de forma disfarçada num pedido mudo para eu recuar.Eu apenas sorri de canto, tentando transmitir segurança. Com toda a calma do mundo, tirei o celular do bolso e disquei o número. Assim que a ligação foi completada, falei uma única frase. O meu tom de voz era casual e plano, igual a um chefe dando ordens a um subordinado de baixo escalão:— Estou na sala 703, bem aqui do lado. Vem dar um brinde.E desliguei o aparelho sem esperar resposta.Naquele momento, os convidados me encararam com expressões de puro pânico, como se eu tivesse assinado a minha própria sentenç
Foi naquele exato instante que a tela do meu celular acendeu com uma notificação. Era uma mensagem do Raul.[Senhor Gustavo, para me redimir do meu erro, preparei um banquete na sala privativa 705 do Hotel Santa Maria. Peço com todo o respeito que me dê a honra de sua presença. Garanto que demonstrarei a maior sinceridade possível para conquistar o seu perdão. Por favor, me dê essa chance! Juro por Deus que nunca mais farei aquilo.]"A sala privativa 705 do Hotel Santa Maria?", pensei comigo mesmo, com o cenho franzido de confusão. "Não é a mesma sala de onde o Décio e o Cláudio foram barrados agora pouco, segundo o Yago? Será que o grande chefe que está ocupando o lugar é ninguém menos que o Raul?"A surpresa foi tanta que acabei falando em voz alta:— Não é possível que o mundo seja tão pequeno assim...Segundos depois, a porta da nossa sala se abriu. Décio e Cláudio cruzaram a entrada, e as expressões no rosto de ambos eram de puro desgosto. O clima estava tão pesado que parecia uma