LOGIN— Não se preocupe, o estrago não foi tão grande. No entanto, confesso a minha decepção ao constatar que o Hospital Central abriga esse tipo de escória nos seus quadros. Esqueça qualquer possibilidade de parceria ou investimento da nossa parte. — Declarei, com a voz carregada de frieza.A recusa atingiu o diretor-geral e os acionistas em cheio. Eles haviam acabado de ouvir da boca de Luiz sobre o meu talento fora do comum para os negócios e viam nessa aproximação a chance de uma vida. Ver tudo ir por água abaixo por causa de uma confusão interna era um pesadelo. Nenhum deles tinha cacife para bater de frente com Luiz, muito menos comigo. Mesmo que as minhas habilidades fossem um exagero, o peso do Grupo Cardoso, um verdadeiro império financeiro no cenário nacional, já era motivo de sobra para causar pânico em qualquer empresário.Aquele desastre colossal foi por causa do Álvaro e do Geraldo. Em pânico, o diretor e os investidores deram um passo à frente, desesperados para consertar o m
O choque paralisou Geraldo por completo. Ao virar o rosto, ele se deparou com a cúpula inteira do hospital, logo as únicas pessoas com poder suficiente para destruir a sua carreira em um piscar de olhos."O que diabos está acontecendo aqui?", indagou a si mesmo, sentindo um nó se formar na garganta.— Por acaso precisamos enviar um relatório da nossa agenda para você aprovar? Acho que o senhor está esquecendo qual é o seu lugar na hierarquia desta instituição, doutor Geraldo. — Rebateu o diretor-geral.Os investidores ao redor dele franziram a testa, demonstrando um incômodo evidente com a audácia do vice-diretor. O corpo de Geraldo sofreu um espasmo de pavor. A palidez tomou conta do seu rosto, e a arrogância de poucos segundos atrás evaporou, dando lugar a um sorriso servil e forçado.— Não! De jeito nenhum! Longe de mim questionar os senhores! É que estamos lidando com uma confusão causada por familiares de uma paciente, e o Álvaro acabou se machucando. Acabei perdendo a cabeça e fa
— Seu monstro! Quem deu ao seu filho o direito de decidir a hora da morte da minha avó? — Berrou Helena, perdendo o último resquício de controle.Cega pela fúria, ela avançou contra Geraldo com a mão erguida, disposta a rasgar o rosto daquele canalha com um tapa. No entanto, antes que pudesse atingi-lo, o vice-diretor agarrou o pulso dela com uma força brutal no ar.— Lido com a morte todos os dias, garota. Não faça tanto drama por algo tão banal. — Desdenhou ele, torcendo o braço de Helena de leve. — Já que vocês estão no meu hospital, a minha prioridade absoluta é o bem-estar do meu filho. Qual é a dificuldade de entender isso? E você ainda acha que tem o direito de levantar a mão para mim? Que piada...Ele não teve tempo de terminar a frase. Concentrei toda a força nas minhas pernas e avancei como um raio. Antes que Geraldo pudesse piscar, desferi um tapa devastador bem no meio do rosto dele. O impacto soou como um estalo de chicote. O vice-diretor foi arremessado para trás, caindo
Geraldo soltou um sorriso escarninho e lançou um olhar carregado de desprezo para Cecília, que continuava concentrada em suas agulhas ao lado da maca, e voltou sua atenção para a neta da paciente.— Você deveria confiar na reputação do nosso hospital e na competência inquestionável do Álvaro, em vez de se desesperar e entregar a vida da sua avó nas mãos de uma médica medíocre que já deveria ter sido banida da profissão. — Declarou o vice-diretor, com o queixo erguido em um ar de superioridade.Helena cerrou os punhos, engolindo a seco diante daquela humilhação gratuita.— Eu confio a vida da minha avó à doutora Cecília, e a mais ninguém! — Rebateu a jovem, com a voz embargada, mas firme.— Quanta teimosia inútil! — Resmungou Geraldo, franzindo a testa com impaciência. — Não vou perder mais tempo discutindo com uma garota histérica. Vocês aí da segurança, avancem agora mesmo! Tirem aquela velha da maca e abram espaço para o meu filho ser tratado!O chefe da equipe de seguranças trocou o
Ao levar a mão às costas por instinto, Álvaro sentiu uma umidade pegajosa. Quando trouxe os dedos para a altura dos olhos, o pânico tomou conta de suas feições: estavam cobertos de sangue. O jaleco branco, antes impecável, agora exibia uma mancha escarlate que se espalhava pelo tecido.— Eu estou sangrando! — Gritou ele, com a voz esganiçada pelo desespero. — Venham logo estancar esse sangue! Façam alguma coisa, seus inúteis!O choque de ver o próprio sangue o deixou atordoado por um instante. Logo em seguida, o pavor da morte o dominou por completo. Ignorando a dor lancinante, ele começou a rastejar de forma patética em direção à maca, na tentativa desesperada de tomar o único leito de emergência disponível na sala.Antes que ele pudesse se aproximar, ergui o pé e o empurrei de volta para o chão com um golpe seco.— É só um arranhão superficial, você não vai morrer por causa disso. Fique no seu canto e não atrapalhe! — Ordenei, sem um pingo de pena.— Você passou de todos os limites!
"Assim que essa velha bater as botas, vou usar toda a minha influência na mídia para destruir a reputação dessa mulherzinha arrogante. Ela nunca mais vai pisar em um hospital como médica! E quando estiver no fundo do poço, sem um tostão furado e desesperada, vai rastejar até mim, implorando por ajuda. Então, ela será minha, totalmente sob o meu controle", maquinava Álvaro em sua mente doentia.O seu olhar percorreu as curvas do corpo de Cecília e se fixou em seu rosto deslumbrante, revelando um brilho sombrio de pura luxúria. "Sua desgraçada, quem você pensa que é para cuspir na minha cara desse jeito?", esbravejou em pensamento. No Hospital Central inteiro, não havia uma única enfermeira ou médica que ousasse rejeitar as suas investidas. Mas Cecília não apenas o havia rejeitado, como também o humilhado em público repetidas vezes. Aquela seria a punição perfeita para a insolência dela."É agora! Falta muito pouco! Basta arrancar uma única agulha para caracterizar um erro médico fatal