INICIAR SESIÓNMaya Stone
Seguindo os corredores enormes daquela mansão escoltada pelos lobos, eu sentia meu coração bater descompassado. Não entendia como o Alfa supremo pode escolher alguém como eu… E principalmente, não queria ser a escrava daquele homem. Eu podia imaginar a raiva que minha tia e minha prima estavam de mim. Ou melhor, eu não queria imaginar. O guarda me deixou na porta do quarto apontando para os aposentos que seriam meus. Os meus olhos varreram o local, mas antes que eu pudesse fechar a porta um estalo surgiu em meu rosto, Selene me deu uma bofetada. Senti meu rosto arder imediatamente e fiquei sem reação. — Sua… VAGABUNDA! — ela rosnou. — O que você fez para ele querer você? Responda. — Eu não fiz nada tia, eu juro. — falei com a mão no rosto ainda quente. — Eu não quero ficar com esse homem,não me deixe aqui. — — Você só pode ter oferecido sexo de graça para ele querer você ao invés da minha filha. — Eu não fiz isso. — disse com os olhos cheios de raiva. — Como eu poderia? Eu nunca havia visto esse Alfa na vida, e eu não quero ficar aqui. — Você não vai ficar aqui, porque ele nunca se uniria com uma loba maltrapilha como você. — ela cuspiu as palavras. — É apenas um mal-entendido e eu vou resolver isso. A porta se fechou com uma batida forte, e imediatamente as lágrimas desceram dos meus olhos. Seria esse meu destino Deusa? Entre estar com o Alfa mais odiado e respeitado por sua dureza entre todos os arredores, e ser escrava dessa bruxa, eu nem sei qual opção era pior. Onde estaria o companheiro que me rejeitou? Eu pensava nele todos os dias, mas é obvio Maya, ele não pensava em você. SUA TONTA! Meus olhos se fixaram na janela. A noite começava a cair, e eu já estava farta, cansada de ser tratada como nada. Foi quando ouvi a porta se abrir com suavidade. — Senhorita Stone? — A voz da empregada me fez virar rapidamente. Ela estava na porta, olhando para mim com um sorriso que não era genuíno, mas que também não soava hostil. — Estou aqui. — disse tentando esconder o desespero em minha voz. Ela apenas deu um passo para dentro do quarto, como se soubesse o que fazer, sem precisar que eu dissesse nada. Ela se aproximou de mim com passos suaves. — O Alfa pediu que se prepare para o jantar — disse — Ele quer que se junte a ele e aos convidados. Meu coração bateu mais rápido. James Grant. Ele queria que eu fosse ao jantar. — Mas… eu não posso ir. — Eu gaguejei. — Eu não tenho nada para vestir. — Não se preocupe, senhorita. — Ela falou com um tom que eu não sabia se era gentil ou apenas profissional. — Eu vestirei você. Eu olhei para ela, ainda desconfiada. Eu nunca fui bem tratada. Me sentei na beira da cama, e ela pegou o vestido que estava cuidadosamente dobrado em suas mãos. Era um vestido preto, de cetim, com um corte simples, mas que tinha algo de elegante. Não parecia algo que Ísis usaria, mas parecia mais apropriado para mim, talvez por não ter aquela exigência de exibir ostentação. Eu sentia um nó no estômago enquanto me observava no espelho. Nunca havia usado algo tão bonito. Eu olhei para o reflexo, vendo uma imagem que não me reconhecia. Ela se afastou um pouco, me avaliando de cima a baixo com um olhar mais profissional. — Perfeita. — Ela disse, um pouco mais suave agora. — O Alfa vai gostar, só tiraria esse colar. — Ela se aproximou e eu me afastei. — Eu não tiro esse colar. — rebati e ela apenas aceitou. Meus pensamentos estavam um caos. O que ele queria de mim? Por que eu? O jantar não era uma opção. Antes que eu pudesse pensar mais sobre isso, a empregada saiu, e eu fiquei sozinha de novo, com o nervosismo crescendo. Eu respirei fundo e andei até a porta. Já sabia que o olhar dos outros seria cruel. Mas o pior, eu sabia, era que James estava lá. E o olhar frio e calculista dele me assustava. Saí do quarto, sentindo que estava indo em direção ao meu destino. Quando cheguei à sala de jantar, senti a tensão que estava naquela sala. Selene e Ísis estavam sentadas à mesa, com os olhos fixos em mim, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios, era como se eu fosse uma intrusa naquela cena. James, no centro da mesa, estava com os olhos baixos, aparentemente imerso em seus próprios pensamentos. Mas eu podia sentir o peso de sua presença. Antes que eu pudesse me sentar, Selene se adiantou. Ela parecia decidida, já com seu sorriso afiado e manipulador. — Supremo... você sabe que Maya não tem lobo, certo? — Ela disse, suas palavras afiadas, visivelmente tentando desacreditá-la na frente de todos. — Ela foi rejeitada por seu companheiro, ela não é nada além de uma fêmea inútil. Ela não serve para o senhor. Meu coração parou por um momento. Selene realmente estava me destruindo publicamente. Eu queria gritar, mas o medo me paralisava. Como ela podia fazer isso? Eu não merecia estar sendo tratada assim. Eu não pedi que aquele lobo me escolhesse . James levantou a cabeça, seus olhos gelados agora fixados em mim. Eu podia sentir o olhar dele, como se fosse uma agulha, penetrando minha alma. Ele estava analisando. Eu me levantei rapidamente da mesa sentindo o rosto queimar de vergonha. As lágrimas quase desceram, mas eu me segurei. Corri até a sacada, onde o ar fresco me deu uma falsa sensação de alívio. Eu não queria ser vista assim. E então, como se o destino estivesse me enganando, ele apareceu. James estava ali, observando-me com um olhar intenso. Ele não disse nada por um tempo, apenas ficou ali, me estudando, como se quisesse me quebrar ainda mais. — Recomponha-se, fêmea. — Sua voz era fria, mas havia algo nela que me fez parar de respirar. Eu me virei para ele, já sentindo o peso da humilhação e o medo se misturarem. — Por que você não escolhe minha prima? — Eu disse, com a voz falhando. — Não me faça passar por isso, minha vida já é difícil demais. Ele deu um passo à frente. Eu poderia sentir sua presença dominando o espaço. Ele se aproximou de mim, seus olhos fixos nos meus, e com um gesto suave, ele tocou meu pescoço. — Porque eu sou o Alfa Supremo. — Ele disse, sua voz decisiva. — E eu não quero a sua prima, meu desejo é você, e quando quero algo, eu vou até o fim. Eu congelei. Eu nunca senti algo assim. Ninguém nunca me falou algo assim. Jamais imaginei que ele teria esse poder sobre mim. Ele se aproximou, e traçou uma linha no meu pescoço, fazendo meu corpo arrepiar. Sua mandíbula era perfeitamente esculpida, ele vestia uma roupa social preta, e eu me perguntava: como alguém tão bonito por fora, podia ser tão cruel como falavam? Meu corpo se enrijeceu. E seus olhos azuis encararam os meus. Sua língua explorou meu pescoço e parou na minha boca, eu não conseguia me mexer. Até que ele parou me encarou. — Sentiu vontade de fazer sexo comigo? — Ele sussurrou. Eu olhei para ele, sem palavras. — Eu… não… você é doido! — Respondi trêmula. Ele deu um pequeno sorriso, algo sádico, e então, disse: — Eu acho melhor você sentir, porque de agora em diante, você fará o que eu quiser, ratinha.Maya StoneA mansão estava em silêncio.Não o silêncio pesado de antes. Não o silêncio do medo.Era um silêncio novo. Vivo. Cheio de promessas.O sol da tarde atravessava as janelas do quarto que agora era meu, na verdade, era nosso, iluminando as caixas abertas pelo chão. Tecidos pequenos dobrados com cuidado. Cobertores claros. Roupinhas que eu nunca imaginei tocar, muito menos escolher.— Essa é grande demais. — murmurei, segurando uma camisa minúscula.— Nenhuma é grande demais para um Grant. — James respondeu, encostado na porta, braços cruzados, um sorriso orgulhoso que ele não fazia questão nenhuma de esconder.Revirei os olhos.— Você fala como se ele já estivesse correndo pela mansão.— Ele vai. — James disse. — E vai derrubar metade dela.Sorri.Meu corpo estava diferente. Mais pesado. Mais lento. Mais… presente. Cada movimento lembrava que eu não estava mais sozinha dentro de mim.James se aproximou, ajoelhou atrás de mim no tapete e apoiou o queixo na minha barriga.— Você
A mansão parecia diferente quando atravessei os portões.Não porque tivesse mudado fisicamente — os mesmos muros altos, a mesma imponência fria —, mas porque eu não era mais a mesma.Cada passo pelo corredor ecoava como se estivesse marcando território pela primeira vez.James caminhava ao meu lado, a mão firme na base das minhas costas. Não para me guiar. Para avisar ao mundo que eu não estava sozinha.Meu pai vinha logo atrás.Em silêncio.Observando tudo.— Leva ela para o quarto. — James ordenou a um dos guardas. — Ninguém entra. Ninguém incomoda.— Não. — eu disse, parando.James virou o rosto para mim.— Maya—— Chega de me esconder. — respirei fundo. — Se algo vai acontecer… acontece agora.Meu pai parou também.— Ela está certa. — Daniel disse. — Já esperamos tempo demais.James franziu o cenho.— Do que você está falando?Meu pai caminhou até a mesa central do salão principal. Abriu a mochila de couro que carregava desde que aparecera na floresta.De dentro, tirou pastas anti
JAMES GRANTQuando ouvi aqueles gritos, eu não respirei.Não foi medo.Foi instinto.O tipo de instinto que arranca o ar do peito antes mesmo que a mente consiga acompanhar.— De novo. — rosnei. — Grita de novo.Ethan parou no meio do corredor, o rosto pálido demais para um homem acostumado à guerra.— Senhor… — a voz dele falhou. — Veio do lado leste. Da ala antiga.Meu corpo já estava em movimento antes que ele terminasse a frase.— ABRAM CAMINHO. — ordenei.Os guardas se afastaram imediatamente. O cheiro no ar mudou à medida que eu avançava — ferro, sangue, dor. Não era batalha. Era punição.— Quem autorizou isso? — perguntei, a voz baixa demais.Ninguém respondeu.As portas de pedra do salão inferior estavam entreabertas. Uma fresta. O suficiente para o som escapar.O grito veio de novo.Feminino.Rasgando.Meu lobo avançou dentro de mim com violência.— NÃO. — rosnei.Empurrei a porta com força suficiente para rachar a pedra.O que vi ali dentro não era um julgamento.Era um esp
Maya StoneEu dormia tão profundamente que, por alguns segundos, achei que tinha voltado no tempo.A cama macia. O cheiro de pinho e couro. O calor que ainda parecia grudado na minha pele por causa do que tinha acontecido no carro… por causa do que James tinha dito, do jeito que ele tinha me segurado como se eu fosse a única coisa real no mundo.Mas então…Um pano foi pressionado contra a minha boca.Meu corpo reagiu no instinto, tentando lutar, mas um braço forte me prendeu contra o colchão.— Shhh… — uma voz masculina murmurou. — Não grita, Maya.Eu tentei, mas o ar não entrava direito.O cheiro do pano era forte, químico, amargo. Meu coração disparou.Eu me debati, as mãos arranhando o braço que me segurava, e vi um rosto que fez minha garganta fechar de pavor.William.O irmão de James.Ele estava inclinado sobre mim, olhos frios, expressão controlada, como se eu fosse um problema administrativo.— W-William…? — minha voz saiu abafada no tecido.— É pro bem da alcateia. — ele diss
James GrantEla dormia.E era justamente isso que me destruía.Maya estava deitada na minha cama, coberta até o peito, o cabelo espalhado pelo travesseiro como se o mundo fosse simples outra vez. A respiração calma. O rosto sereno demais para alguém que carregava uma guerra inteira no ventre.Eu fiquei parado à porta por longos segundos.— Não encosta nela. — Ethan murmurou atrás de mim.— Eu sei. — respondi baixo.Mesmo assim, caminhei até a beira da cama. Não toquei. Não ousei. Só observei.Grávida.A palavra ainda parecia irreal. Pesada. Poderosa.— O Conselho já sabe. — Ethan continuou. — Sentiram o cheiro diferente na ala leste. Não deu pra esconder por muito tempo.— Quanto tempo? — perguntei.— Poucas horas.Respirei fundo.— Então eles vão chamar.Como se invocado pelas minhas palavras, um dos guardas surgiu à porta.— Supremo… o Conselho exige sua presença. Agora.Ethan fechou os olhos.— Leva mais alguém? — perguntou.Olhei para Maya mais uma vez.— Não. — respondi. — Isso é
Maya StoneO ronco do motor cortou o silêncio do estacionamento como uma lâmina. James não olhou para trás. Nem para os lados. Só para a frente, as mãos grandes e marcadas cravadas no volante, os nós dos dedos brancos de tanta força. Eu me encolhi no banco do passageiro, os braços envolvendo o corpo como se pudesse proteger o que já estava ali dentro de mim.Grávida.A palavra batia na minha cabeça como um tambor de guerra. Não era só um diagnóstico. Era uma sentença. Uma corrente. Uma promessa que eu não sabia se queria cumprir.O asfalto passava rápido demais lá fora. O mundo inteiro parecia borrado.— Você não disse nada desde que saímos — ele falou depois de longos minutos, voz baixa, controlada. Perigosa.— Porque se eu abrir a boca agora… — minha voz saiu rouca — eu não sei se grito, se choro ou se te bato.Ele soltou o ar devagar pelo nariz. Não respondeu. Só apertou mais o volante.O silêncio voltou, mas era vivo. Pesado. Cheirava a couro caro, a ele — aquele cheiro de pinho q







