登入Capítulo 2
Raíssa Narrando O salto batendo no chão era a única coisa que eu escutava. Um. Dois. Três passos. E todo mundo já tinha percebido. O burburinho começou a crescer no camarote. Quem me conhecia sabia… eu não ia subir ali pra fazer cena bonita. Eu vinha pra guerra. Féra levantou o olhar quando me aproximei. O sorriso dele morreu na hora. — Raíssa… Nem deixei ele terminar. — Que porra é essa? Minha voz saiu baixa… mas carregada. Pesada. A morena ao lado dele cruzou as pernas devagar, me analisando de cima a baixo como se eu fosse qualquer uma. Aquilo foi o suficiente. — Tu é surda ou burra? — virei pra ela. — Levanta. Ela deu um sorrisinho de canto. — Eu não. O camarote inteiro ficou em silêncio. Féra passou a mão no rosto, já vendo a merda crescer. — Raíssa, não começa… — Cala a boca! — cortei ele, sem nem olhar. — Eu tô falando com ela. Dei mais um passo, ficando cara a cara com a garota. — Vou falar só mais uma vez. Levanta… antes que eu te levante. Ela levantou. Mas não foi pra sair. Foi pra ficar na minha frente. Peito erguido. Sem baixar o olhar. — Tu acha que manda em quê aqui? — ela falou, tranquila demais pro meu gosto. Eu ri. Mas não tinha graça nenhuma ali. — Eu não acho nada, não, querida… eu tenho certeza. E foi aí que ela cometeu o erro. Deu uma risadinha debochada. Eu não pensei. Minha mão foi sozinha. O estalo ecoou alto, seco, fazendo a cabeça dela virar pro lado com força. — Aprende a me respeitar! O caos começou na mesma hora. Ela veio pra cima de mim sem pensar duas vezes, puxando meu cabelo com força. Senti o couro da cabeça arder na hora, mas não soltei. Agarrei o dela também, puxando com ódio. — Vadia do caralho! — ela gritou. — Tu mexeu com quem não devia! Caímos no chão do camarote, derrubando copo, bebida, tudo. Gente se afastando, outros se aproximando pra ver melhor. Eu não tava nem aí. Subi por cima dela, tentando acertar outro tapa, mas ela segurou meu braço e virou o corpo, ficando por cima de mim. — Tu acha que ele é teu?! — ela gritou na minha cara. Antes que eu respondesse, senti alguém me puxar com força. Féra. — Já deu essa porra! Ele me levantou quase no braço, me afastando dela. Meu peito subia e descia rápido, o sangue fervendo. — Me solta! — tentei avançar de novo. Mas ele segurou firme. Do outro lado, dois caras seguravam a tal da Luna, que ainda tentava se soltar. — Me larga! Eu não tenho medo dela não! Eu ri, debochada, mesmo presa. — Não tem mesmo… ainda. O olhar dela travou no meu. Cheio de ódio. Cheio de promessa. Féra passou a mão na cabeça, irritado. — Vocês duas tão malucas?! — Pergunta pra tua novinha aí — falei, seca. — Ou melhor… pergunta pra ela se foi ela que me mandou mensagem. O silêncio pesou. Ele virou pra ela. — Que mensagem? Ela não respondeu. Só ficou me encarando. E aí… eu tive a resposta. Soltei uma risada sem humor nenhum. — Eu sabia. Féra ficou sério na hora. — Luna… tu fez isso? Ela deu de ombros. — Fiz. O clima pesou de vez. — Eu só falei a verdade — ela continuou. — Ou ela acha mesmo que é a única? Meu sangue gelou… mas não de fraqueza. De decisão. Olhei pra Féra. — Então é isso? Ele não respondeu na hora. E aquele silêncio… Disse tudo. Assenti devagar, limpando o canto da boca com o dedo, sentindo o gosto de sangue. — Beleza. Me soltei dele dessa vez sem resistência. Arrumei o cabelo, a roupa, levantei o queixo. Mas por dentro? Alguma coisa tinha quebrado de vez. Olhei pra ela uma última vez. — Tu quis atenção… conseguiu. Me virei pra sair, mas parei no meio do caminho. Sem olhar pra trás, falei: — Só não esquece de uma coisa… O silêncio voltou. Pesado. — Quem sobe rápido demais… cai pior ainda. E dessa vez eu saí. Sem correr. Sem chorar. Mas com uma certeza queimando no peito: Aquilo ali… Tava longe de acabar. Saí do camarote com o sangue fervendo. Não olhei pra trás. Não queria ver a cara dele. Não queria ver ela. Desci as escadas empurrando quem estivesse na frente, sem paciência, sem freio. O som do baile continuava estourando, mas dentro de mim… era só barulho de raiva. Humilhação. Aquilo ali eu não engolia. Nunca. Cheguei na rua já puxando a chave do carro. Minhas mãos tremiam de ódio. Entrei, bati a porta com força e liguei o motor acelerando sem pensar. O carro cantou pneu. — Desgraçado… — rosnei, com os olhos ardendo. A imagem dele rindo com ela não saía da minha cabeça. A forma como ele não me defendeu. A forma como ele ficou calado. Aquilo foi pior que qualquer traição. Pisei fundo pelas ruas do morro, subindo rápido, ignorando tudo. Conhecia cada curva, cada viela, cada desvio. Cheguei na casa — não, na cobertura que ele me deu no asfalto — e nem esperei o carro parar direito. Desci já chutando a porta. — INFERNO! O grito saiu rasgando minha garganta. Joguei a bolsa longe, peguei o primeiro objeto que vi — um vaso caro — e taquei na parede. O barulho do vidro estourando ecoou pelo lugar. — FILHO DA PUTA! Outro. E outro. Peguei as coisas que ele me deu… e comecei a destruir. Perfume importado voando no chão. Quadro quebrando. Almofada sendo rasgada. Eu não pensava. Eu só sentia. Ódio. Raiva. Humilhação. — Eu não sou qualquer uma! — gritei, jogando um espelho no chão, vendo ele se despedaçar. Minha respiração tava descontrolada quando ouvi a porta bater forte atrás de mim. Pesada. Lenta. Eu conhecia aquele som. Fiquei parada por um segundo… mas não virei. — Já acabou o show? — a voz dele veio fria. Fechei os olhos. Respirei fundo. E virei devagar. Féra tava parado na porta. Olhar escuro. Mandíbula travada. Sem nenhum traço daquele cara que ria no camarote. — Tu é muito cara de pau… — falei, rindo sem humor. — Muito. Ele deu um passo pra dentro. — Olha o que tu fez. — Fiz pouco ainda. Dei outro passo na direção dele. — Quer que eu volte lá e termine o serviço? Ele me olhou de cima a baixo. Frio. Calculando. — Tu passou do limite hoje. Aquilo acendeu mais ainda. — EU passei?! — apontei pra mim mesma. — Tu me humilha na frente de todo mundo e eu que passei?! Ele não respondeu. Só ficou me olhando. Aquilo me irritou mais do que qualquer coisa. Aproximei mais. — Fala! — bati no peito dele com o dedo. — Ou tu perdeu a língua também quando tava com aquela vagabunda? Foi aí que ele segurou meu pulso. Forte. — Mede tua boca. Eu ri. Na cara dele. — Ou o quê? Silêncio. Pesado. Perigoso. E eu… fui além. Levantei a mão… E dei um tapa na cara dele. O som ecoou alto. Seco. Por um segundo… O mundo parou. Eu vi o olhar dele mudar. Ali. Na minha frente. O que antes era raiva… Virou outra coisa. Mais escura. Mais perigosa. — Tu não devia ter feito isso… — ele falou baixo. Mas já era tarde. — E tu não devia ter me feito de otária! Eu nem vi quando veio. Só senti. O primeiro impacto me jogou pro lado. Meu rosto ardeu na hora, o gosto de sangue invadindo minha boca. — Aprende a me respeitar! — ele rosnou. Tentei reagir, mas ele me puxou pelo braço com força, me jogando contra o sofá. — Me solta! — gritei, tentando me desvencilhar. Mas ele não tava mais ouvindo. Outro tapa. Mais forte. Minha cabeça virou. O mundo girou. — Tu esqueceu quem eu sou?! — E tu esqueceu quem eu sou! — gritei de volta, mesmo sentindo o corpo doer. Aquilo só piorou. Ele me segurou pelos braços, me sacudindo. — Eu te tirei de tudo! Te dei tudo! — Eu não pedi nada! — Mas aceitou tudo! Silêncio. Minha respiração falhou por um segundo. Ele se afastou um passo, passando a mão na cabeça, tentando se controlar… mas não conseguia. — Acabou essa porra de vida boa separada — ele falou, decidido. — Tu vai subir pro Alemão. Franzi a testa. — O quê? — Vai morar aqui em cima. No morro. No meio de todo mundo. Meu peito travou. — Tu tá maluco. — Tô nada. Ele me encarou. Frio. Sem espaço pra discussão. — Quero ver se tu é isso tudo mesmo sem essa bolha que tu vive. Balancei a cabeça, desacreditada. — Eu não vou. Ele deu um passo na minha direção. — Vai. — Não vou! Ele segurou meu queixo com força. — Vai sim. Meu coração disparou. Não de medo. De ódio. — Tu não manda em mim. Ele chegou mais perto, a voz baixa, perigosa: — Mando. Silêncio. Eu senti. Dessa vez… era diferente. Ele não tava ameaçando. Ele já tinha decidido. Soltei uma risada fraca, mesmo com o rosto ardendo. — Tu vai se arrepender disso. Ele soltou meu rosto. — Pode ser. Virou de costas, indo até a porta. — pode ir lá na cobertura Arrumar tuas coisas. Amanhã tu desce do pedestal e vem pro morro. Parei ali. No meio da sala destruída. Com o corpo doendo. O rosto queimando. Mas o pior… Não era a dor. Era a certeza. Aquilo não era castigo. Era começo de guerra. E dessa vez… Não ia ter camarote pra me proteger.Capítulo 124 Féra NarrandoEstou sentado na varanda da minha casa.A noite está bonita.O céu limpo, cheio de estrelas, e as luzes espalhadas pelo morro deixam tudo ainda mais especial. Daqui de cima consigo ver praticamente tudo. As ruas estão enfeitadas para a virada do ano, as crianças correm de um lado para o outro com aquela felicidade que só elas sabem ter, e a música já começa a tocar mais forte em alguns cantos.O vento bate no meu rosto.Fecho os olhos por alguns segundos.Sinto paz.Uma paz que passei muitos anos achando que nunca teria.Durante muito tempo minha vida foi guerra.Traição.Perdas.Enterros.Conflitos.Eu vivia esperando o próximo problema aparecer.Sempre armado.Sempre desconfiado.Sempre preparado para lutar.Mas hoje...Hoje é diferente.Pela primeira vez em quinze anos posso dizer com toda certeza:Eu sou feliz.Olho para dentro da sala e vejo minha família.Minha verdadeira riqueza.Taíssa está organizando alguma coisa na mesa enquanto reclama de alguma
Capítulo 123 – Beatriz NarrandoPassei uma semana inteira com meu nego e com o nosso filho em Búzios.Foram dias que eu nunca imaginei viver. Pela primeira vez em muitos anos, senti que tinha uma família de verdade. Sem esconderijos, sem mentiras, sem medo do dia seguinte.Miguel estava feliz.Rodrigo parecia outro homem.E eu mesma me sentia mais leve.Mas toda viagem tem hora para acabar.Quando voltamos para o morro, percebi logo na entrada que alguma coisa estava diferente. Não era algo ruim. Era apenas aquela sensação de que a vida tinha continuado enquanto nós estávamos longe.Entramos em casa e a primeira coisa que notei foi a ausência da Iolanda.Olhei para um lado, para o outro, e nada dela.— Mãe, cadê a Iolanda? — perguntei.Minha mãe soltou uma risada divertida.— Está na casa de um tal de Nathan.Sorri imediatamente.— Nathan?— É o Índio, filha. Seu pai vive chamando ele pelo nome verdadeiro.Meu pai também riu.— Rapaz bom. Gostei dele.Aquilo me deixou feliz.Nos últim
Capítulo 122. Narrando Índio Tem três dias que o Digão viajou com a patroa e o moleque deles. Nunca vi meu parceiro tão feliz, sorrindo que nem bobo. É foda ver ele assim, leve, de boa. Enquanto isso, eu tava aqui com o pau latejando de tesão pela Iolanda.Fazia dias que eu não pensava em outra coisa. Sabia que ela também tava querendo. A mina ficava me olhando de canto, mordendo o lábio, apertando as coxas quando eu passava perto. Chega de enrolação. Hoje eu ia pegar o que era meu.Parei a moto em frente à casa do Digão e buzinei duas vezes. A sogra dele apareceu na porta, curiosa. — A Iolanda tá? — Tá sim, vou chamar.Dois minutos depois ela surgiu. Porra... Vestido preto colado no corpo, curto o suficiente pra mostrar aquelas coxas grossas e macias, um batom vermelho nos lábios carnudos. O cabelo solto, cheirando a shampoo bom. Meu pau já deu sinal de vida só de olhar.— Sobe — chamei, estendendo o capacete.Iolanda veio rebolando devagar, subiu na moto e grudou o corpo quente
Capítulo 121Aila NarrandoEstou sentada na cama faz quase uma hora.Com o celular na mão.Esperando.Nervosa.E odiando o fato de estar fazendo aquilo.Nunca pensei que fosse contratar uma detetive pra seguir homem.Nunca.Mas Arcanjo mudou.E eu senti.Mulher sente.Pode fingir que não.Pode tentar ignorar.Mas sente.Ele tava distante.Saindo demais.Escondendo o celular.Recebendo mensagem e desviando o olhar.E aquilo começou a me corroer por dentro.Ainda mais depois de tudo que vivi no passado.Depois de um relacionamento abusivo…A última coisa que eu queria era viver mentira de novo.Hoje ele me trouxe em casa.Carinhoso.Atencioso.Conversamos normalmente.Até o celular dele vibrar.Ele olhou rápido pra tela.E na mesma hora mudou.Tentou disfarçar.— Preciso resolver um negócio rapidinho.Eu só assenti.Como se não tivesse percebido.Mas percebi.E assim que ele saiu…Mandei mensagem pra detetive.Agora tô aqui esperando.O coração batendo tão forte que chega dói.Até que o
Capítulo 120 Narrado por FeraEu já estava louco para chegar em casa. O dia tinha sido pesado pra caralho, mas a única coisa que martelava na minha cabeça era botar aquelas crianças pra dormir e foder minha mulher do jeito que ela merece. Fazia tempo demais que eu e Taíssa não transávamos direito. Entre os filhos, os problemas no morro e aquela louca da Yara, nossa cama andava fria. Mas hoje ia ser diferente. Hoje eu ia comer minha Deuza até ela esquecer o próprio nome.Yara ainda teve a cara de pau de fazer graça com a cara da minha esposa mais cedo. Aquela vadia é completamente louca. Taíssa não perdoou: mandou expulsar ela do morro na hora. E fez bem. Eu só confirmei a ordem. Antes de subir pro nosso quarto, parei no canto e chamei dois vapo de confiança:— Fiquem de olho. Quero saber se aquela filha da puta realmente desceu do morro. Qualquer movimento estranho, me avisem. Entendido?— Sim, chefe responderam os dois, já se posicionando.Chegamos em casa. As crianças já estavam
Capítulo 119 Narrado por Rodrigo (Digão)Terminamos a conversa em paz. Finalmente. Depois de tanta tensão, de palavras duras e silêncios pesados, a gente se olhou e soube que estava tudo bem. Peguei a mão da minha esposa, apertei com firmeza e sorri daquele jeito que ela sempre derrete. — Vamos pra casa, amor. Quero ver o nosso menino e depois… quero você — murmurei no ouvido dela, baixinho, só pra ela ouvir.Ela mordeu o lábio inferior e apertou minha coxa por cima da calça, os dedos deslizando perigosamente perto do volume que já começava a crescer. O caminho inteiro de volta foi uma tortura doce. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra na perna dela, subindo devagar por baixo do vestido fino, sentindo a pele quente e macia. Ela abria um pouco as coxas, me dando espaço, mas não falava nada. Só respirava mais fundo.Quando chegamos em casa, o sol batia forte no quintal. Nosso filho estava na piscina, rindo alto enquanto brincava com a filha da Ludmilla. Os dois jogavam água um







