Início / Lobisomem / A Luna do Alfa bastardo / Capítulo 2: A sombra das árvores

Compartilhar

Capítulo 2: A sombra das árvores

last update Data de publicação: 2026-03-06 08:22:47

A lua cheia brilhava sobre a cela, como se estivesse debochando de mim e das minhas falhas tentativas em me libertar dos últimos dias. De repente, água gelada atingiu minhas costas e cabeça, me surpreendendo.

“Acorde e sorria, loba. Parece que a deusa te dará mais uma chance.” o soldado dizia enquanto lançava mais um balde sobre mim. Meu nariz coçou, incomodado com o forte cheiro que vinha daquela água.

“O que é isso que você jogou em mim?” questionei e o lobo exibiu seus dentes, irritado. Ele chutou as grades, rosnando.

“Isso é muito mais do que uma escrava como você merece.” então ele deu as costas e saiu, dando lugar para duas lobas, claramente escravas. “Arrumem a loba, sem gracinhas.” elas tremeram diante da ameaça, mas eu me mantive firme.

Aquela seria a oportunidade perfeita para escapar, mas quando as lobas se aproximaram, extremamente pequenas e fracas, eu não consegui fazer nada. Se eu fingisse sob seus cuidados, elas seriam mortas. Permiti que lavassem meu corpo e me colocassem uma roupa limpa. Meus cabelos foram escovados e trançados enquanto mais daquela água malcheirosa era espalhada sobre a minha pele.

“Olha só. Agora eu compreendo o motivo do alfa ter permitido que você continuasse viva.” rosnei para o lobo, que puxou minhas correntes com força. “Vamos ver por quanto tempo essa bravura vai resistir.”

Passamos por corredores e portas que eu jamais havia visto dentro da fortaleza. Em pouco tempo estávamos diante de uma grande porta de madeira escura, ornamentada com puxadores dourados e entalhes de um grande lobo que uivava para a lua cheia.

O pânico me dominou. Comecei a me debater, puxando as correntes enquanto meus pés deslizavam pelo chão de pedra polida. Meu coração batia acelerado em meu peito, meus pulmões queimaram, como se o ar que eu puxava não estivesse chegando até eles. O soldado me puxou com força, mas eu continuava a lutar.

As grandes portas se abriram e eu congelei.

Usando um roupão, o alfa surgiu, segurando uma taça dourada em uma das mãos e uma corda fina na outra. Sua aparência estava longe da de um alfa poderoso, assim como sua presença. O que mantinha aquele lobo no poder era sua conexão com outros alfas, alianças poderosas que o mantinham no poder apenas como uma figura simbólica.

“Agora sim. Você está muito melhor de se olhar, loba prateada. Me lembra do dia em que matei todo o seu clã.” rosnei para ele, mostrando meus dentes. A raiva transbordando da minha loba, presa por causa daquelas malditas correntes. 

Fui jogada para dentro do quarto, caindo com o rosto voltado para o chão. Quando tentei me levantar, senti um peso cair sobre minha perna. Ao me virar, vi a porta se fechando, minha última esperança de fugir daquele inferno ficando presa do lado de fora.

“Agora, me deixe provar dessa beleza selvagem.” o alfa disse, estendendo sua mão na minha direção.

Quando ele estava prestes a me tocar, puxei minha perna com todas as minhas forças, o desequilibrando, então desferi uma forte mordida em sua mão, arrancando dois de seus dedos.

“Loba maldita!” o alfa gritou. Sua mão voou contra o meu rosto, me lançando contra a parede do outro lado do quarto. O impacto me tirou o ar, minha visão ficando turva por alguns momentos. 

Quando me recuperei, vi o alfa enrolar sua mão com um lençol.

“Sua puta! Eu juro, você não sairá viva desse quarto. Quando eu me cansar do seu corpo, irei me divertir te torturando. A deusa será a única a ouvir seus lamentos.”

“Meu alfa!” alguém chamou do outro lado da porta, abrindo-a logo em seguida. 

“Fora!” o alfa ordenou, mas já era tarde.

Saltei sobre ele, empurrando o soldado na porta e correndo pelos corredores. Segui o caminho que havia feito antes, alcançando rapidamente a floresta. Mas eu ainda não estava segura.

Minhas pernas ardiam, os músculos doloridos com o esforço. Meus pés feridos pelas pedras e galhos, mas eu não podia parar. O ar queimava na minha garganta, meus pulmões fazendo um esforço além do seu máximo para que eu continuasse em movimento.

“Não pare.” disse ofegante, tentando encontrar forças dentro de mim. “Ainda não podemos parar.” minha loba rugia em meu peito, desesperada.

Meu pé ficou preso em uma raiz alta e eu caí, meus braços estendidos para frente. Tentei me levantar, mas meu corpo trêmulo não tinha mais forças para me manter de pé. O ar gelado cortava minha pele em rajadas de vento. O céu sobre as árvores, tomado por estrelas, parecia me convidar para o descanso. Até que ouvi uivos não muito longe de onde eu estava. Me coloquei de joelhos, tomando várias respirações com o rosto voltado para cima, meus olhos ardendo com lágrimas não derramadas.

“Minha deusa, me dê forças.” implorei para o vazio.

Com dificuldade, consegui me erguer, mas meu corpo, fraco pelos anos de escravidão, não respondia como eu desejava. 

“Shade, me ajude.” sussurrei, sentindo minha loba se agitando dentro de mim, suas patas arranhando minha pele, desejando se libertar, mas as correntes ainda presas a mim não a permitiam assumir o controle. “Tudo bem, nós vamos conseguir.”

Voltei a correr, galhos e arbustos arranhando minha pele pelo caminho, o vento ficando cada vez mais gelado, trazendo o cheiro dos lobos. Olhei ao redor, eu estava cercada.

Um após o outro surgiram entre as árvores. Guerreiros poderosos, liderados por um lobo com olhar penetrante. Aqueles não eram lobos que serviam ao alfa. O lobo maior se adiantou, sua forma lupina dando espaço para o homem surgir. Seus olhos castanhos brilharam na escuridão, me analisando com cuidado.

Não havia como enfrentá-lo. Eu seria facilmente morta se tentasse. A única opção que me restava era tentar fugir, mas, assim que eu me virei, ele já estava sobre mim. Sua mão agarrando minha garganta, pressionando meu corpo contra o chão úmido da floresta. Minhas garras rasgavam sua pele, mas ele parecia nem sentir, apenas se manteve calado, me olhando como se eu não passasse de uma pequena presa.

“Achou mesmo que poderia escapar, loba imunda.” ele disse, cuspindo no meu rosto logo em seguida. O lobo então me ergueu, jogando para os demais lobos, agora todos em suas formas humanas. “ Levem-na.”

Fui brutalmente arrastada, os lobos que me levavam não disseram nada durante o trajeto. Logo chegamos a um acampamento e eu fui jogada a frente, próxima a uma fogueira.

“O que temos aqui?” a foz profunda e tomada de poder ecoou. Meu corpo ficou travado, o peso daquela presença e poder me forçando a manter a minha cabeça baixa. 

“Uma escrava, a encontramos correndo pela floresta, supremo.” dentro de mim, Shade se encolhia, choramingando enquanto eu tentava não me mover. Meus cabelos foram agarrados e minha cabeça erguida. Olhos azuis tão frios quanto gelo estudavam meu rosto.

“Interessante. Vejamos se é digna de viver na minha corte.”

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 64: Que sentimento é esse afinal?

    O rosto de Seraphina ficou pálido, o sorriso vacilou, mas, ao invés de se afastar de Dean, a cadela se agarrou ainda mais a ele. “Dean, o que ela está fazendo aqui?” A voz baixa e aguda que Seraphina fazia se assemelhava a unhas arranhando um quadro. “Se deseja manter seus dedos presos em suas mãos, sugiro que se afaste, loba.” dei um passo a frente e logo Gideon se colocou no meu caminho. “Melhor se acalmar.” Gideon me olhou de cima, deixando clara a diferença física entre nós. &ldquo

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 63: Um chá com duas gotas de surpresa

    Depois de muita discussão, decidimos escolher a opção mais segura para a minha primeira aparição pública como Luna Valerius. Um tranquilo encontro de senhoras em um hotel humano. O convite veio da matriarca da alcateia Riverstone, cujo alfa ainda é neutro com relação à eleição para alfa supremo. Tudo indicava que haveria conversas leves, ambiente agradável e somente matriarcas educadas e gentis. Não poderíamos ter nos enganado mais. Assim que coloquei os meus pés no saguão do hotel, fui recebida de maneira estranhamente hostil pela recepcionista. Naquele dia, Kira não pode me acompanhar, mas havia me instruído cu

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 62: Pilhas de cartas

    “Meu alfa, o grupo sul chegou.” Um lobo mais afastado anunciou e eu agradeci mentalmente à ele. “Essa conversa não acabou, minha estrela.” Dean sussurrou no meu ouvido antes de partir com Kael e outros lobos, voltando para a alcateia. Respirei aliviada, meu coração martelando contra as minhas costelas enquanto eu o via se afastar. “Controle-se, Lyra.” sussurrei para mim mesma, cobrindo o peito com a mão em punho. “Uma ferramenta, apenas uma ferramenta.” repeti enquanto caminhava de volta para a mansão.

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 61: Núpcias ou guerra

    Era impossível não sentir o apu dura de Dean embaixo de mim, mas ele parecia estar firme em querer me convencer de que estava no controle. Me inclinei, colando meu peito no dele, meus braços sobre seus ombros, meus dedos escorregando entre os fios grosses de seus cabelos escuros. Agrarrei seus cabelos, puxando sua cabeça para trás com força. Dean rosa, mostrando os dentes em um sinal de desafio, mas eu não recuei. Ele ainda não havia me tocado, suas mõs em punhos sobre a cama, apertando as cobertas brancas e suavez, rasgando o tecido frágil com suas longas garras. “Dean.” ronronar, recebendo o vibrar de seu rosnado contra o meu peito nu. “Você parece tenso. Esta nervoso com a nossa primeira noite como companheiros?” O rosnado se transformou em risada. Com um movimentos rápido, eu estava deitada sobre a cama, minhas mãos presas acima da minha cabeça e Dean encaixado entre as minhas pernas. “Nervoso? Eu ansiava por essa noite a muito tempo.” Ainda prendendo meus pulsos, Dean se in

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 60: Os aposentos do alfa e da Luna

    Uma das empregadas da casa apareceu à noite, batendo suavemente na minha porta. Ela se curvou de maneira respeitosa, olhos sempre baixos enquanto falava com a voz baixa. “Minha luna, o quarto está pronto.” olhei ao redor, confusa. “Que quarto?” ela pareceu nervosa, seus ombros tensos enquanto parecia pensar em cada palavra que diria. “O quarto do alfa, minha Luna. Tudo já está preparado para que se mude permanentemente para o quarto do Alfa.” Respirei fundo, apertando a ponte do nariz e tentando pensar em uma maneira de me livrar daquele problema sem chamar atenção. Estava irritada e não tinha nenhuma vontade de olhar na cara do Dean, mas fazer uma cena seria muito pior.. Saí e fechei a porta atrás de mim e segui a empregada pelos corredores. Subimos vários lances de escadas, andamos por corredores longos os quais eu nunca tinha me interessado em explorar. O corredor do último andar era o mais longo e o mais alto, chegando a mais de três metros de altura. Não havia nenhuma jan

  • A Luna do Alfa bastardo   Capítulo 59: Assine aqui

    Os coelhos foram esquecidos e voltamos imediatamente para a alcateia. Kael e Kira nos esperavam com roupas. Ao nos verem, em nossas formas lupinas, seus olhos se arregalaram. Dean mudou rapidamente para sua forma humana, puxando as roupas das mãos de Kael e se colocando na frente dele. “Espero que seja importante.” Dean anunciou enquanto vestia suas calças. Kael tossiu, desviando o olhar de mim. “Como previsto, a notícia da cerimônia se espalhou rapidamente e também.” Kael olhou rapidamente na minha direção. “O advogado deixou os documentos.” A atmosfera ficou estranha por um

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status