INICIAR SESIÓNElisie Charpentier
Eu passei o dia olhando o vestido que Henri separou. É, ele que escolheu a minha roupa.
Ele deixou em cima da minha cama, exposto e ousado só para me mostrar que nem a minha roupa eu poderia escolher. Se eu inventar de colocar outra coisa, é capaz de ele fazer uma cena e ainda fazer algo que nunca fez. Me tocar.
O vestido é uma peça vermelha, longa e com brilhos quase imperceptíveis. Ele tem é de apenas um ombro, com um caimento leve e uma fenda lateral. É bonito, confesso, mas eu não escolheria para um jantar numa mansão. Isso é para algum evento maior.
Mas, terei que usar isso mesmo.
O dia passa com lentidão e uma sensação de nervosismo que me consome. Eu quase não comi nada hoje por causa disso. O estômago não para de revirar. Henri fez questão de ter uma pessoa para me arrumar e virá uma cabeleireira para fazer o serviço. Cabelos e maquiagem. As minhas unhas já estão feitas. Eu mesmo faço e estão num tom nude lindo.
Eu gosto!
Por sorte, Henri não está em casa hoje e saiu todo feliz. Pelo jeito, o motivo do jantar na mansão Bellamy é um cargo novo para ele na máfia. Uma mudança de posto. Henri está andando nas nuvens e pelo que entendi, é uma certa tradição esse jantar para anúncios de trabalho.
Não faço ideia de como ele conseguiria isso.
Lucien Bellamy é um homem poderoso na França. Ele que comanda todos os negócios da máfia. Ele é a lei, é a imagem e é a soberania completa. Ninguém o confronta, ninguém o contesta e muito menos recua numa ordem dele. Todos o temem. Eu confesso que nunca o vi pessoalmente, mas dizem que ele tem olhos negros e um semblante de homem perigoso.
O Don que manda e desmanda nas famílias francesas. É misterioso. Perigoso. Ousado. Ambicioso. O tipo de homem que mata com a mesma calma com que serve um vinho. Dizem que ele nunca sorrir. Jamais. E outra coisa que dizem é que ele é impulsivo.
Ele não tem medo de nada.
— Senhora! — Eu olho na direção. — A cabeleireira chegou.
— Perfeito! — Eu vejo as horas e são pouco mais das cinco da tarde.
Pouco depois a mulher entra e vejo malas e bolsas. Já noto que isso vai demorar, mas temos tempo.
— Muito prazer, senhora Dumas. Eu sou Violet. — Eu aceno. — Pode ficar tranquila que sou uma profissional exemplar. Esse é o vestido que irá usar?
— Sim, é esse! Será um jantar importante.
— Perfeito! Eu vou mostrar uns modelos de penteados e a senhora me diz o que gosta mais. Tudo bem?
E nisso, eu vou vendo as fotos. Eu escolho um coque baixo, com uma franja caída levemente, mas presa por detrás da orelha. São minutos de laquê, puxa aqui e ali. Tem secador, chapinha e eu fico aqui, apenas pensando e vendo que logo vai chegar a hora de irmos.
Está marcado para às 21h. O nervosismo aumenta mais.
Depois, tem a maquiagem e tem toda uma preparação de pele. São horas aqui e tento relaxar um pouco.
— A sua sobrancelha é linda... quer manter o natural dela?
— Prefiro! — Ela acena.
E aqui, eu continuo até avançarmos.
O cheiro de laquê ainda está forte no quarto, e por um instante, me sinto sufocada. Violet termina de ajeitar a última mecha do meu coque e sorri satisfeita com o resultado, como se tivesse acabado de criar uma obra-prima.
— Pronto, senhora Charpentier. Está perfeita.
Perfeita.
Engraçado ouvir isso quando por dentro eu me sinto um redemoinho. Mas sorrio de volta, porque é o que esperam de mim.Quando ela se despede, o silêncio volta a ocupar o espaço. Só o tique-taque do relógio preenche a distância entre eu e a noite que se aproxima. As horas parecem arrastar os pés, como se soubessem que cada minuto me empurra mais para um ponto sem volta.
Caminho até o espelho.
O reflexo mostra uma mulher elegante, quase inatingível, mas os olhos... ah, os olhos denunciam tudo. Estão cansados, vigilantes e com algo que parece mais coragem do que medo.
Toco de leve a lateral da fendä do vestido, ajusto o tecido e observo como o vermelho parece vivo, pulsante como sangue que ainda esquenta nas veias.
Na penteadeira, coloco o batom que usei, o mesmo tom que Henri gosta. Ou, melhor, o tom que ele mandou eu usar.
Hoje, deixo que ele pense que venceu.
Pego minha bolsa. Dentro dela, o conteúdo que muda destinos. É pequena, delicada, mas guarda algo que pesa mais do que ouro. Seguro firme, como se temesse que ela criasse asas. Ninguém precisa saber o que está ali. Ainda não.
Quando termino de me vestir, o relógio marca oito e meia. Faltam trinta minutos.
Eu me sento à beira da cama e fecho os olhos. Tento respirar fundo, mas o ar parece grosso.Tudo o que ouço é o som do meu coração.
É hoje.
A minha vida muda hoje!
Repito a frase como um mantra. Não há espaço para hesitação.
O som da porta principal me desperta. Passos firmes ecoam pelo corredor.
Henri chegou.Levanto-me depressa e caminho até a escada. Ele aparece com o mesmo terno de sempre, mas há algo diferente no olhar. Um brilho arrogante, quase embriagado de poder.
Ele segura o casaco sobre o ombro e me observa de cima a baixo, em silêncio, por longos segundos.Depois, a boca abre...
— Está... apresentável.
A palavra cai como uma sentença fria.
Eu apenas aceno, evitando qualquer provocação. Não vale a pena tentar discutir ou apenas falar com esse homem.
Já cansei!
Elisie BellamyVoltar para casa nunca pareceu algo tão precioso.Enquanto o carro atravessa as ruas iluminadas da cidade, eu continuo com Fabian protegido em meus braços e sinto meu corpo inteiro finalmente relaxar depois da tensão da última hora. Lucien cumpriu exatamente o que prometeu.Uma hora.Foi só isso.Uma hora inteira sendo observada por dezenas de homens perigosos, chefes de famílias, aliados e membros da máfia francesa que encaravam o meu filho como o futuro chefe da organização. E agora acabou. Nós estamos indo para casa.Finalmente.Apoio a cabeça no banco enquanto observo Fabian dormindo tranquilamente enrolado na manta azul-clara. Ele sequer imagina toda a grandiosidade que existe ao redor do seu nome agora.Vincent dirige o carro pela avenida praticamente vazia e Louis está sentado no banco do passageiro, olhando distraidamente para fora da janela. Lucien está ao meu lado e uma de suas mãos permanece repousada sobre a minha coxa desde que saímos da sede.É como se ele
Lucien Bellamy – Um mês depoisO grande dia chegou.Hoje a máfia inteira irá conhecer o meu filho e reconhecer que temos um herdeiro legítimo para o comando da organização. Meu filho já tem um mês e duas semanas de vida e está a cada dia mais forte e mais perfeito. Sei que parece óbvio vindo de mim, mas é um fato incontestável.Meu menino é perfeito e a cada dia mais parecido comigo.Essas semanas sendo pai abriram os meus olhos de uma forma inexplicável e que me sinto moldado. Sou um novo homem. Me sinto diferente de tudo que já fui e hoje eu conheço de forma concreta a minha força... e a minha fraqueza. São eles. Elisie e Fabian são os responsáveis por eu ser quem eu sou hoje e não troco nada do que tenho.Nada.Minha casa se tornou um verdadeiro local blindado de todas as formas e ninguém chega perto sem a minha autorização. Tenho levado a segurança deles muito à sério e com a ajuda dos meus irmãos temos tudo sob controle. E hoje, meu filho será visto como o herdeiro supremo.Confe
Elisie BellamySer mãe é muito mais difícil do que eu imaginei.Eu achava que o maior desafio seria o parto. As dores absurdas, o medo, o desespero de sentir o corpo sendo levado ao limite. E sim… aquilo foi assustador. Eu ainda lembro da sensação das contrações esmagando meu corpo, da exaustão, do suor, da falta de forças e do medo desesperador de algo dar errado.Mas agora eu entendo que o parto é só o começo. Porque depois que o bebê nasce… nasce uma mãe também e eu estou aprendendo isso todos os dias.Já faz uma semana desde que Fabian nasceu e eu sinto como se tivesse vivido um ano inteiro nesses últimos dias. Tudo mudou. Meu corpo mudou, minha rotina mudou, meu sono praticamente desapareceu e, minha mente… vive em alerta constante.Nesse exato momento, eu estou sentada na cama enquanto observo Fabian dormindo no berço ao lado. Ele parece tão pequeno ali. Tão delicado. O peitinh0 sobe e desce devagarzinho enquanto ele dorme profundamente e eu juro… às vezes preciso levantar só pa
Lucien BellamyEu seguro o meu filho nos braços e percebo, pela primeira vez na vida, que não existe poder maior do que esse.Nada.Nem a máfia. Nem o nome Bellamy. Nem dinheiro, medo, respeito ou sangue.Nada se compara ao peso pequeno e quente desse bebê contra o meu peit0.Fabian dorme tranquilamente enquanto eu permaneço sentado na poltrona do quarto, observando cada detalhe dele como se o mundo inteiro tivesse parado só para me permitir viver esse momento. A casa inteira está silenciosa. Finalmente chegamos em casa depois de quase dois dias no hospital e, mesmo cercado de conforto e segurança, eu ainda sinto como se tudo fosse irreal.Meu filho nasceu.Meu filho está aqui e isso muda absolutamente tudo.Eu abaixo o olhar novamente para ele e sinto meus olhos marejarem outra vez. Nunca fui um homem emocional. Nunca fui o tipo que se desmonta ou demonstra demais o que sente. Mas Fabian… esse garoto destruiu qualquer muralha que existia dentro de mim sem nem abrir os olhos direito.
Elisie Bellamy – Meses depoisO quarto parece silencioso demais depois de tudo.Eu ainda sinto o corpo pesado, dolorido e estranho, como se cada músculo tivesse sido esmagado por horas sem descanso. Minha pele está quente, meu cabelo grudado na testa pelo suor e minhas pernas parecem incapazes de sustentar qualquer coisa. Estou exausta num nível que nunca conheci antes.Mas nada disso importa quando olho para os meus braços.Fabian está aqui. Meu filho.Meu bebê.Eu o seguro contra o peit0 enquanto ele chora baixinho, fazendo pequenos sons manhosos que apertam meu coração inteiro. É inacreditável pensar que ele estava dentro de mim há poucas horas. Agora está aqui… respirando, se mexendo, existindo de verdade.Eu não consigo parar de olhar.Fabian mantém os olhinhos fechados enquanto eu e Lucien tentamos acalmá-lo juntos. Minha mão treme levemente quando passo os dedos pelos cabelinhos ralos dele e sinto uma vontade absurda de chorar ainda mais.Porque eu sou mãe. Isso é real.Eu sou
Lucien BellamyEu nunca imaginei que pisaria tantas vezes em um quarto de bebê. Mas agora estou aqui, parado no meio do quarto do meu filho, olhando tudo e absorvendo cada detalhe. E percebendo, mais uma vez, que isso é real.Fabian Bellamy está chegando.Meu filho.O herdeiro da França.Mas acima disso… meu filho. Meu primeiro filho.O quarto inteiro está pronto para o receber. O berço fica no centro da parede principal, em madeira clara e detalhes em branco. Ao lado dele há uma poltrona grande de amamentação que Elisie escolheu dizendo que precisava ser confortável e, fora os outros itens que complementam o quarto. Tem também uma cama menor ao lado da parede, caso ela queira descansar aqui durante a madrugada, e um móvel cheio de gavetas já completamente organizado.Tudo nesse quarto tem a mão dela.Os desenhos de leão e girafa espalhados pela decoração deixam o ambiente bem infantil. Tem pequenos quadros nas paredes, livros infantis decorativos nas prateleiras, bonecos de animais,







