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CAPÍTULO 2

Autor: Joss Austen
last update Data de publicação: 2025-10-18 16:44:36

NIKOLAI VOLKOV

A caminho da mansão, a minha mente já trabalhava a mil, calculando cada movimento que faria para expor aquela fraude. Cada passo, cada palavra precisava ser medida com precisão cirúrgica. Eles queriam jogar, então eu lhes mostraria o que significa enfrentar um Volkov em seu próprio tabuleiro. Até que, olhando de lado, um sorriso cruel e involuntário curvou o canto da minha boca.

Lá estava ela. Minha noiva deformada. Encolhida no canto oposto da limusine, tentando ocupar o mínimo de espaço possível. O véu ainda cobria o rosto, um último refúgio patético. Seus ombros estavam tensos, como se esperasse um golpe a qualquer momento, e seus dedos se entrelaçavam nervosamente sobre o colo. A cena era quase cômica – a criatura que deveria ser minha esposa tremendo como um coelho diante do lobo que supostamente a escolhera.

A ironia era tão cortante que eu precisei dar voz a ela.

— Por que o medo, senhora Volkov? — minha voz soou baixa e áspera dentro do carro. — Não foi você mesma quem procurou entrar na caverna do lobo?

Ela estremeceu, mas não respondeu. O silêncio dela era mais irritante que qualquer resposta. Antes que eu pudesse cutucar mais o monstrinho, o carro parou.

"Chegamos". Faria toda a sua família pagar, em breve, a começar por ela. Cada humilhação que planejaram para mim seria devolvida em dobro. Cada sorriso falso seria apagado com sangue e lágrimas. Ao avistar os portões da mansão se abrindo, os flashes em minha mente voltaram como a força de um soco…

A FESTA DA BRATVA, HÁ DOIS ANOS ATRÁS…

A luz baixa da festa, o som abafado de jazz caro, o cheiro de poder e perfume no ar. E então, ela. Victoria Harrington. Loira, esbelta, vestindo um vestido que custava mais que o carro da maioria dos homens. E seus olhos azuis… prometiam tudo e não significavam nada. Era o tipo de mulher que usava a beleza como arma e a sedução como moeda de troca.

Foi ela quem me puxou para o jardim. A audácia quase me fez rir, quase.

— Não podemos ser observados, senhor Volkov — sussurrou, seus dedos escorregando pelo meu braço antes de se prenderem à minha nuca.

E então, seus lábios encontraram os meus. O beijo ousado, carregado de uma sensualidade treinada que sabia provocar uma resposta. E meu corpo respondeu, é claro que respondeu. Qualquer homem com sangue nas veias teria cedido àquela boca que parecia feita para o pecado e àquele corpo que se pressionava contra o meu com uma fome calculada.

Mas eu não sou movido apenas por desejo. Sou movido por cálculo.

Ela se afastou um centímetro, ofegante, um sorriso triunfante de vencedora nos lábios.

— Acho que não é tão frio quanto dizem, pois aparentemente gostou do meu beijo. Afinal, ficou tão calado, mas… — Sua mão desceu do meu peito, um toque deliberadamente lento e provocador, traçando um caminho de fogo pela minha camisa. — ...Outro homem já teria me tomado aqui mesmo, no jardim.

O desejo que fervia em mim congelou instantaneamente, transformado em desprezo. "Tomado?". Como se eu fosse mais um cachorro faminto seguindo uma migalha que ela condescendia em jogar. Como se meu valor se resumisse à capacidade de cair aos pés de uma mulher que se oferecia como prêmio.

Afastei-a com uma frieza que fez o sorriso dela esmorecer. Minha voz saiu baixa e cortante.

— Não confunda meu silêncio com fraqueza, senhorita Harrington. E não pense que sua oferta é algo que eu deseje.

Seus olhos arregalaram. A arrogância deu lugar a um brilho de incredulidade.

— Eu não quero você — continuei, cada palavra uma faca cravada no ego inflado dela. — Nem agora. Nem nunca. Guarde seus beijos para alguém que goste de mulheres fáceis.

As lágrimas vieram rápidas, mas eram lágrimas de orgulho ferido, não de dor. E não me comoveu. Eu não me comovo.

Virei as costas e deixei-a lá, tremendo de raiva e humilhação. Naquele momento, achei que era o fim. Um capítulo fechado. Um insulto pequeno que uma garota mimada superaria.

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Último capítulo

  • A Noiva Odiada do Mafioso    CAPÍTULO 170

    NIKOLAI VOLKOV Dois anos se passaram. Os gêmeos já estavam com quase três anos — uma idade cheia de energia, descobertas, birras repentinas e abraços que derretem qualquer homem. Ângelo era mais calado, observador, com os mesmos olhos azuis escuros e aquela mesma intensidade silenciosa de quem analisa o mundo antes de agir que Angeline definia. Yelena, por outro lado, era pura tagarelice e fogo: corria pela casa dando ordens, ria alto e já demonstrava uma independência que me enchia de orgulho e preocupação ao mesmo tempo, ela era muito parecida com a mãe. Eu mudei. Não me tornei um santo — a fera ainda vive dentro de mim, sempre alerta, pronta para destruir qualquer um que ameace o que é meu. Mas a fúria cega, o ciúme doentio que quase destruiu tudo… isso ficou para trás. Aprendemos a confiar. A conversar antes que a raiva decidisse por nós. A respeitar os limites um do outro. Angeline havia se tornado uma força imparável. Seu projeto cresceu além de todas as expectativas. A fund

  • A Noiva Odiada do Mafioso    CAPÍTULO 169

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    lANGELINE HARRINGTON Naquela noite, depois que Ângelo e Yelena finalmente dormiram, Nikolai avisou que não voltaria para o jantar. “Negócios”, disse apenas, com aquele tom que eu já conhecia tão bem. Pedi desculpas a Mila e fiquei sozinha com meus pensamentos. Eu sempre soube o que aqueles “negócios” significavam. Nikolai era o Pakhan. Isso nunca mudaria. E, por mais que doesse, eu precisava aceitar que, para manter nossa família viva e segura, ele teria que continuar sendo o monstro que o mundo temia. Horas mais tarde, pela grande janela da sala, vi os faróis cortando a escuridão. Dimitri saiu primeiro do carro, seguido por Nikolai. Mesmo de longe, pude ver as manchas escuras em suas camisas. Sangue. Meu peito apertou, mas respirei fundo. Não era a primeira vez. Nem seria a última. Subi para o quarto antes que ele entrasse na casa. Não queria encará-lo ainda. Alguns minutos depois, desci para o jardim. Era verão, e a noite trazia um frio agradável. O perfume das flores silvestres

  • A Noiva Odiada do Mafioso    CAPÍTULO 167

    ANGELINE HARRINGTON Daquele momento em diante, eu não lembro de muita coisa. Senti aquele momento, como aqueles em que a mente apaga. E tudo passa num borrão para nos pouparmos da dor. O que lembro foi o que veio depois. O velório do meu pai foi lindo. Todo organizado por Nikolai e pelo braço direito do meu pai que era mais que um funcionário, era um amigo. Eu não conseguia entender ou fazer mais nada — era apenas um autômato. Lembro apenas das flores brancas por toda parte, da música suave, das pessoas que admiravam Nathan Rothschild vindo prestar suas homenagens. Eu mal via. Mal ouvia. O mundo parecia distante, embaçado, irreal. Nikolai não saiu do meu lado. Segurou minha mão durante as condolências, apertou meu ombro quando as pernas fraquejaram, beijou minha testa quando o choro veio sem controle. Foi então que comecei a perceber. Uma a uma, elas chegavam. Mulheres que eu nunca imaginei ver em um velório. Mulheres que eu havia ajudado nos últimos meses — algumas com lágrimas

  • A Noiva Odiada do Mafioso    CAPÍTULO 166

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  • A Noiva Odiada do Mafioso    CAPÍTULO 165

    ANGELINE HARRINGTONVoltei para o carro com o coração mais leve, mas a apreensão ainda pesava. As ameaças continuavam. A aliança com Elizaveta era um passo, mas não uma solução.Quando cheguei à mansão de Nikolai — que um dia foi nossa — me senti estranha. Deixei tudo aquilo para trás há quase dez meses, mas ainda me sentia pertencer àquele lugar, mesmo não sendo mais a mulher dele, embora oficialmente ainda fosse Angeline Volkov.Ainda estava pensando pesadamente nisso quando coloquei a bolsa sobre o sofá.Foi então que Yulia apareceu no corredor, o rosto pálido.— Senhora, o pequeno Ângelo está com febre. Muito quente.Meu coração parou.— Chame o médico. Agora. — Corri para o quarto dos gêmeos. Ângelo estava vermelho, ofegante, os olhos vidrados. Yelena olhava para o irmãozinho, confusa, os lábios tremendo como se fosse chorar. Eles eram muito bebês ainda — apenas onze meses — mas eram muito ligados, assim como todo irmão gêmeo.Liguei para Nikolai. Ele não estava em casa ainda — s

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