INICIAR SESIÓNCapítulo 72 — O Perdão— Quero trazer Sofia de volta.As palavras saíram da boca de Salvatore com uma firmeza que não deixava espaço para dúvida. Ele permaneceu de pé diante de Vittorio, imóvel, com os olhos fixos no homem que parecia ter parado de respirar. Vittorio ficou completamente imóvel, como se o chão tivesse se aberto debaixo dos seus pés. Por um longo instante, não conseguiu dizer uma única palavra. Apenas ficou ali, olhando para Salvatore, tentando compreender se aquilo era uma proposta, um desejo ou uma decisão já tomada.— Você tem certeza disso? — perguntou Vittorio, por fim, com a voz baixa e rouca, como se estivesse falando sozinho.— Tenho.Salvatore não hesitou nem por um segundo. Não baixou o olhar. Não mostrou receio. Estava diante de Vittorio como um homem que já havia pesado cada consequência e ainda assim escolhia aquele caminho.— Você sabe o que está propondo? — insistiu Vittorio, dando um passo à frente, com os olhos arregalados. — Sabe o que isso significa?
Capítulo 71 — A Última CaçadaO carro parou no meio da estrada de terra, onde a mata fechada começava a encobrir tudo, e o silêncio pesou imediatamente. Salvatore desceu primeiro, olhando para a construção de pedra que aparecia entre as árvores — baixa, larga, sem janelas grandes, parecida com um depósito abandonado, mas com um ar de quem foi feito para ser escondido e defendido. O vento trazia o cheiro de terra úmida e de pinheiro, mas Salvatore sentia apenas a tensão que carregava desde o dia em que os trigêmeos sumiram.Dante e Rocco desceram logo depois, seguidos pelos homens que desceram dos outros veículos, armados e silenciosos. Ninguém falava muito. Todos sabiam o que estava em jogo. Salvatore parou com o olhar fixo na porta de madeira reforçada, apertando a arma com força entre os dedos. Sabia que Dom De Lucca estava ali. Não tinha dúvida.— Os homens já estão posicionados ao redor — avisou Dante, aproximando-se em silêncio. — Ninguém entra, ninguém sai.Salvatore assentiu, s
Capítulo 70 — Depois da TempestadeA madrugada ainda pesava sobre a Mansão Moretti, aquela hora silenciosa e fria em que o mundo parece parado, como se estivesse segurando a respiração. A luz era pouca, apenas um brilho cinza fraco entrando pelas janelas cobertas, e o ar no quarto principal ainda carregava o cheiro de chuva, de cansaço e de algo mais — o cheiro de medo que demora a ir embora mesmo depois de o perigo já ter passado.Os trigêmeos dormiam espalhados pela cama grande de Salvatore e Angelina, os corpos pequenos encolhidos entre os lençóis, mas não dormiam tranquilos. As respirações eram curtas, às vezes cortadas por um suspiro trêmulo ou um movimento repentino, como se até no sono ainda tentassem se convencer de que estavam de volta em casa. Dormiam, mas nenhum deles parecia descansar de verdade.Vincenzo e Giovanni estavam aconchegados ao lado de Angelina, com os rostos virados para ela, como se precisassem sentir o calor dela a cada instante para saber que não estavam so
Capítulo 69 — O abraço que faltavaSalvatore subia as escadas com passos largos e rápidos, o som dos próprios batimentos cardíacos abafando parcialmente os tiros que ainda ecoavam nos andares de baixo. Dante tinha lhe dito, poucos minutos antes, com a voz firme, mas carregada de tensão: “Terceira porta à direita.”Ao chegar ao corredor indicado, ele parou por um instante. O silêncio que reinava ali parecia pesado demais, errado demais para ser verdade. A mão fechou-se com força sobre a arma, mas ele não a tirou do coldre. O que ele temia não eram homens armados esperando para atacar — era o que poderia encontrar do outro lado daquela porta fechada.Então ouviu. Primeiro um choro abafado, depois outro. E então uma voz fina, trêmula, que ele reconheceria entre milhares:— Mamãe...Era Valentina.Aquele som despedaçou todo o resto de contenção que ele ainda mantinha. Sem hesitar, ele deu um passo à frente e arrombou a porta com um único movimento forte do ombro.O quarto era simples, com
Capítulo 68 — A Armadilha Dentro da ArmadilhaA mansão ainda respirava o silêncio pesado que se instalara desde o momento em que os trigêmeos foram levados. Pelos corredores, passos rápidos e baixos ecoavam como batidas de um coração que sabia bater mais forte do que devia. Salvatore estava no quarto principal, de pé diante do espelho, ajustando o paletó com movimentos precisos demais para serem apenas cuidado. Passou a mão pelo peito, sentindo o peso da arma escondida ali, depois conferiu o cinto e o coldre, como se estivesse vestindo uma armadura. E, de certa forma, estava.Dante e Rocco já esperavam no andar de baixo. Dante seria o motorista. Ninguém falava muito. Ninguém precisava. Todos sabiam que aquela poderia ser a última vez que sairiam juntos daquela porta.Ele ouviu os passos antes de vê-la. Devagar, arrastados pela fraqueza que ainda não havia passado, mas firmes na decisão de chegar até ele. Salvatore virou-se e viu Angelina parada na porta, pálida, olheiras fundas marcan
CAPÍTULO 67 — O Dia Em Que Tudo Quebrou A manhã começou como qualquer outra. A luz entrava suave pelas janelas da Mansão Moretti, trazendo calor e uma aparente tranquilidade. Angelina estava no quarto das crianças, ajoelhada ao lado dos três berços, ajustando com cuidado as roupinhas que haviam escolhido para a consulta. Movia-se com calma, com aquela doçura que parecia envolver tudo o que fazia.Valentina estava inquieta, balançando as perninhas e estendendo os braços na direção de Angelina, pedindo colo com aqueles olhos grandes e brilhantes. Vincenzo observava tudo com seriedade, segurando firme um pequeno brinquedo que não soltava por nada. Giovanni permanecia quieto, observando com atenção, parecendo guardar dentro de si uma quietude que era só sua.Angelina sorriu, acariciando a bochecha de cada um.— Parece que foi ontem que eles ainda eram tão pequenos que eu tinha medo até de dormir — sussurrou, mais para si mesma do que para alguém ali.A babá aproximou-se, sorrindo ao ver







