INICIAR SESIÓNPOV SamanthaA preparação para o baile de gala no Metropolitan Museum of Art começou três dias antes, mas na manhã daquela sexta-feira a cobertura parecia o centro de operações de uma embaixada.Três araras com vestidos de alta-costura foram entregues sob escolta privada, acompanhadas por uma equipe de estilistas e uma caixa-forte portátil trazida diretamente do cofre central da família Callahan.Dentro do estojo de veludo azul-marinho repousava a gargantilha Lumière Noire: uma peça histórica em platina cravejada de diamantes negros e esmeraldas colombianas lapidadas em formato gota, acompanhada por brincos solitários que refletiam a luz matinal com um brilho quase líquido.— Uma herança da matriarca Callahan de três gerações atrás — a voz de Travis quebrou o murmúrio dos assistentes no closet.Ele entrou no recinto vestindo apenas a calça social do smoking sob medida, os suspensórios caídos pelas coxas e a camisa branca de peitilho estruturado ainda desabotoada na gola. A imponência
Pov SamanthaO sol da manhã de Manhattan atravessava as frestas das cortinas da suíte principal, desenhando faixas douradas sobre o piso de ébano e o edredom cinza-chumbo.Acordei sem o sobressalto costumeiro que me acompanhava há meses. Pela primeira vez desde que assumi a identidade na agência, meu corpo não estava em posição de defesa, rígido contra o colchão. Minha cabeça descansava na curva firme do ombro de Travis, e o braço pesado dele envolvia a minha cintura por baixo do tecido fino da camisola de algodão que eu vestira antes de finalmente pegarmos no sono.O calor que emanava do peito dele era constante, um ritmo cardíaco forte e compassado que servia de âncora para a quietude do quarto.Fiquei imóvel por alguns minutos, apenas observando os traços do rosto dele na penumbra da manhã. Sem a máscara de frieza corporativa ou o brilho calculista das salas de reunião, a linha austera da sua mandíbula parecia ligeiramente suavizada pelo sono.A noite anterior não fora um embate de
POV SamanthaA escuridão imposta pela venda de seda alterou a escala de tudo ao meu redor.Sem o apoio dos olhos, o mundo reduziu-se ao farfalhar do lençol sob o meu corpo, ao som ritmado da respiração de Travis e ao calor constante que emanava da sua presença sobre a cama. A contenção das algemas acolchoadas na cabeceira não machucava, mas a impossibilidade de mover os braços criava uma sensação de entrega que desarmava qualquer tentativa de defesa racional.O colchão cedeu com lentidão quando Travis mudou de posição, ajoelhando-se ao lado do meu quadril.— Respire fundo, Samantha — a voz dele veio baixa, arrastada e tão próxima que a vibração do som pareceu tocar a pele da minha garganta. — Solte o ar devagar.Puxei o ar pelo nariz, sentindo o aroma amadeirado de sândalo e couro que o acompanhava, e soltei em um sopro longo.— Muito bem — ele murmurou com aprovação calculada.A ponta dos dedos de Travis tocou a base do meu queixo. O contato inicial foi leve, quase imperceptível, mas
POV SamanthaA suíte principal de Travis era três vezes maior que o quarto em que eu dormira até então. O piso de ébano polido refletia a luz indireta das sancas de gesso, e o mobiliário em tons de carvão e couro cru conferia ao ambiente uma sobriedade quase monástica. No centro, uma cama de proporções monumentais dominava o espaço, emoldurada por uma cabeceira alta de couro acolchoado e estruturas de aço escovado integradas à marcenaria.Não havia excessos decorativos. Apenas ordem, precisão e uma sensação inescapável de isolamento absoluto do resto do mundo.Travis soltou a minha mão devagar e caminhou até o console de nogueira maciça perto do closet. Ele retirou o relógio de platina do pulso, pousando a peça com um clique metálico sobre a madeira escura, e desabotoou os punhos da camisa de linho azul-marinho.Fiquei parada a dois passos da entrada, sentindo o ar condicionado tocar o tecido do meu vestido cinza. A atmosfera ali dentro era diferente: não era apenas a extensão da cobe
POV SamanthaO tilintar sutil dos talheres de prata contra a porcelana fina foi o único som a preencher a mesa durante os dez minutos seguintes.O cordeiro estava perfeito, o Brunello di Montalcino descia macio pela garganta, mas cada garfada parecia pesar uma tonelada. A proximidade de Travis, sentado a menos de um metro de mim com aquela compostura imperial, exercia uma gravidade sufocante. A pele sob a gola alta ainda formigava onde o polegar dele pressionara a marca, servindo como um lembrete físico e constante de que a minha armadura de frieza estava cravada de rachaduras profundas.Ele cortava a carne com movimentos calmos e precisos, os nós dos dedos firmes contrastando com o linho escuro da camisa.— Você quase não tocou no risoto — Travis quebrou o silêncio sem erguer o rosto do prato, a voz grave fluindo com uma naturalidade calculada. — Se o cardápio não agradou, posso mandar a cozinha preparar algo mais leve.— O problema nesta mesa não é a comida, Travis — respondi, pousa
POV SamanthaO reflexo no espelho do closet devolvia a imagem de uma mulher que começava a perder a nitidez dos próprios contornos.A marca avermelhada abaixo da curva da minha mandíbula, deixada pela boca de Travis minutos atrás, ardia sutilmente sob a luz embutida do teto. Para o jantar que ele exigira, escolhi deliberadamente uma resposta visual: um vestido de malha canelada cinza-chumbo, de mangas compridas e gola alta rente ao pescoço, cobrindo cada centímetro da pele marcada. O tecido abraçava a cintura e os quadris com precisão, mas não oferecia decotes, fendas ou facilidades.Era o mais próximo de uma armadura que eu conseguia vestir sem usar metal.Deixei o telefone funcional pousado no console, exatamente como ele ordenara — não por obediência, mas porque sabia que qualquer distração naquela mesa se voltaria contra mim, e caminhei em direção à sala de jantar principal.A cobertura estava mergulhada em uma penumbra suave. As luzes de teto haviam sido reduzidas a um brilho ind







