FAZER LOGINPOV — DESCONHECIDO Entre as pedras jazia um corpo: o de Boris, o vampiro. O sol ainda não havia nascido. O ar era gélido, e as águas do mar batiam contra ele, ferido e com ossos fraturados, como se não esperassem nem um segundo para consumi‑lo. Mas, contra todas as expectativas, ele abriu os olhos — verdes como esmeraldas. Seu corpo estava todo arrebentado, o rosto coberto de feridas. A beleza de outrora dera lugar a uma visão sombria e assustadora. Começou a se arrastar para longe da água. Conforme a noite avançava, os ossos quebrados iam se encaixando lentamente, um a um. A sua capacidade de cura sobrenatural trabalhava, mas ainda levaria tempo até que ele recuperasse a força total — especialmente enquanto não se alimentasse. Quando finalmente conseguiu ficar de pé e caminhar mancando pelas ruas já quase madrugada, as pessoas se afastavam ao vê‑lo, horrorizadas. Antes, ele atraía olhares; agora, só causava medo. E Boris não se importou nem um pouco. A descoberta que fi
Fiquei olhando para o vazio, para o lugar onde Boris estivera, como se ainda esperasse que ele aparecesse ali. Uma tristeza profunda tomou conta de mim, um luto silencioso por tudo o que se perdeu. Jasper estava ao meu lado, no chão firme, ofegante e cansado, coberto de lama e arranhões — mas vivo. Ele me puxou para perto, mesmo sob aquela chuva fria e implacável. Segurou‑me com força contra o seu peito, como se eu fosse a única coisa que existisse, a única coisa que realmente importava no mundo. Olhou‑me nos olhos com tanto amor que chegava a doer no peito só de receber aquele olhar. — Por quê? Por que me escolheu, e não ele? — perguntou suavemente, a voz embargada, enquanto segurava o meu rosto entre as suas mãos grandes, ásperas e cheias de feridas. Suspirei, apertando as mãos sobre as coxas, ainda de joelhos no chão, tremendo por tudo o que tinha acontecido, por tudo o que vi e decidi. Olhei bem dentro daqueles olhos dourados que sempre me guiaram. Suspirei de novo, e
Jasper estava inclinado sobre mim, preocupado, verificando os meus ferimentos, mas de repente ele foi atingido com tanta força que foi chutado para longe, rolando na lama. Nossos olhos seguiram o movimento, e lá estava ele: Boris, parado, imóvel, olhando para nós dois com ódio mortal estampado no rosto. Jasper se pôs de pé imediatamente, apesar do cansaço e dos ferimentos. Então os dois começaram a se circular lentamente, como dois predadores antigos, prontos para o ataque final, analisando‑se em cada detalhe, cada movimento, cada respiração. Os olhos de Boris brilhavam num vermelho intenso, como sangue puro, cheios de raiva, decepção e uma sede de sangue que durava séculos. Já os olhos de Jasper, dourados e firmes, mostravam calma, verdade e determinação, apesar de tudo o que havia acontecido até ali. Ambos se olharam friamente, sem piscar, sem desviar o olhar. Era uma batalha de vontades antes mesmo de ser uma batalha física. — Hoje vou matar você, Jasper… e vou jogar a sua car
POV — SCARLETT Depois da reunião, finalmente vi Jasper parecer satisfeito: a empresa tinha recebido uma avaliação excelente da auditoria. Mas já era tarde da noite, e passamos o dia inteiro fechados no escritório. Quando saímos pela garagem do edifício e entramos no carro, a chuva caía com força, e os limpadores de para‑brisa trabalhavam sem parar. Estávamos na metade do caminho, num trecho cercado por floresta densa, quando resolvi falar sobre o que tinha acontecido no banheiro. — Jasper… — comecei. Mas ele franziu a testa antes mesmo que eu continuasse, e eu desviei o olhar para a estrada. E ali, no meio da escuridão, vi. Uma figura parada, imóvel, bem no centro da pista, a poucos metros de distância. Meu sangue gelou de uma vez, e um arrepio cortou todo o meu corpo. Eu o reconheci na hora. Era Boris. Ele virou o rosto na nossa direção, e os faróis o iluminaram por completo: pele branca como a neve, quase translúcida, cabelos negros grudados no rosto e no pescoço pela água.
POV — DESCONHECIDO Anos atrás... Sarah sabia que devia se afastar de James, mas a atração que sentia pelo vampiro era fora do comum. Era como se uma corrente invisível a puxasse sempre em sua direção; até a sua loba se agitava, arranhando‑a por dentro, pedindo por ele. Muito antes de sequer conhecer James, ela já o via em sonhos. No meio da madrugada acordava ofegante, com o coração disparado, como se tivesse corrido léguas para alcançá‑lo. E quando finalmente o viu pela primeira vez, quase caiu para trás — reconheceu‑o imediatamente, como se já o tivesse conhecido a vida inteira. Ela estava confusa: como poderia ter como companheiro um vampiro? Era algo proibido, e não conseguia sequer falar sobre isso com ninguém do clã. Mesmo assim, aquele ser de olhos verdes e cabelos dourados ocupava os seus pensamentos a cada instante. Por isso, quando James apareceu naquela noite, ela não hesitou. Saiu ao seu encontro sob o manto da escuridão — precisava estar com ele. Dessa vez, hav
Quando Jasper acordou, encontrou-me já completamente arrumada e pronta para sair. Ele piscou algumas vezes, surpreso, como se não esperasse me ver tão determinada. — Pelo jeito, você realmente quer ir comigo — comentou, rindo. Cruzei os braços e assenti. — Claro. Acho que vou ser sua secretária por alguns dias. O sorriso dele aumentou. — Tudo bem, não vou reclamar. O olhar de Jasper percorreu meu corpo com aquele brilho divertido que eu conhecia muito bem. — Na verdade, acho que vai ser bastante prazeroso ter uma secretária tão bonita ao meu lado. Revirei os olhos e bati de leve no braço dele. — Você consegue transformar qualquer situação em uma provocação? Ele riu enquanto caminhava em direção ao banheiro. — Desculpa… corrigindo. Vai ser muito bom ter uma secretária tão atenciosa comigo. — Melhor assim — respondi, mas ele já tinha entrado no banheiro. Pouco depois, ouvi o som do chuveiro. Sentei-me na cama, mas minha mente voltou imediatamente para o problema que ainda







