INICIAR SESIÓNPOV: YULLI
Sem qualquer delicadeza, Allison escancarou a porta do quarto e me empurrou para dentro com força, fazendo-me tropeçar.
— Ei, sarnento! — reclamei, minha voz transbordando irritação enquanto me recuperava. Sua resposta veio em forma de um olhar furioso acompanhado de um rosnado ameaçador. — Isto aqui é um absurdo!
— Concordo, feiticeira. — A voz dele era fria, carregada de desprezo enquanto ele avançava na minha direção. — Nosso Alfa deveria eliminá-la e nos poupar do fardo de sua presença. — Sua postura era intimidadora, e o tom de ameaça em suas palavras era inconfundível. — Você só trouxe desgraças a ele!
Respirei fundo, ignorando a dor pulsante em minhas costelas e a exaustão que parecia dominar meu corpo. Ergui o queixo, meu olhar desafiador fixo nele.
— Eu fui embora, não fui? — rebati, minha voz firme. — Foi seu Alfa quem me trouxe de volta contra a minha vontade. Nunca quis envolvê-lo em nada disso.
Os olhos de Allison brilharam com raiva contida enquanto ele se aproximava ainda mais. — Mas envolveu. — Ele agarrou meu braço com brutalidade, suas garras perfurando minha pele, arrancando uma dor aguda que me fez cerrar os dentes. — Por sua causa, estamos enfrentando duas declarações de guerra! — Sua voz baixou para um tom ameaçador, cada palavra carregada de intenção. — Se tem algum resquício de consideração por ele, faça-nos um favor: morra de uma vez!
Minha respiração estava pesada, mas não recuei. Com um sorriso frio e desafiador, olhei diretamente para ele.
— Cuidado, Beta... Estou começando a achar que seus sentimentos pelo Alfa vão além da submissão e lealdade. — Minhas palavras o atingiram como eu pretendia, antes que pudesse reagir, fui jogada ao chão com violência. O impacto arrancou um leve gemido de dor, mas minha expressão não cedeu. — Toquei em sua ferida?
Allison parou, o rosto contorcido em algo entre raiva e desconforto. — Inacreditável como a personalidade de vocês dois é irritantemente semelhante. — Ele resmungou, afastando-se. Sua postura rígida denunciava sua tentativa de manter o controle.
Ele se virou para mim novamente, o olhar frio.
— Em breve, os médicos virão examiná-la, e a empregada trará uma refeição.
— Não é necessário. — Respondi, levantando-me com esforço, um leve gemido escapando enquanto me endireitava.
— Concordo. — Ele cruzou os braços, avaliando-me de cima a baixo com desprezo. — Mas isso não importa. É o que meu Alfa ordenou. — Disse com desdém. — E com seu estado atual, sem magia, sua recuperação levará muito tempo.
— Pensei que quisesse me ver morta. — Minha voz soou fraca, interrompida por uma risada breve que provocou dor nas costelas fraturadas. — Merda...
— Como eu disse, traidora: não é o que Keenan deseja. — Allison respondeu ríspido, recuando até a porta. Virou parcialmente o rosto em minha direção. — Mas por que escapou?
— O quê? — Franzi a testa, confusa, enquanto me movia devagar em direção à cama. A dor pulsava a cada passo, mas me mantive firme.
— Ele nunca lhe negou nada. Sempre garantiu sua segurança. — As palavras de Allison transbordavam irritação, como se tentasse decifrar um enigma incompreensível. — Então por que as mentiras? Por que essa traição?
Respirei fundo, sentindo o peso da acusação em sua voz. Sentei-me na cama, contendo um gemido de dor ao morder os lábios.
— Sabemos que o Alfa merece coisa melhor... — Falei baixo, resignada. — E não quero provocar a fúria dos Deuses. Só causo destruição por onde passo.
Allison permaneceu quieto, mas seu olhar permanecia hostil. Aproximou-se, as presas expostas revelando sua agressividade crescente.
— Talvez esse fosse seu plano desde o início. — Sua voz destilava rancor, cada palavra escolhida para machucar. — Fugir, sabendo que ele a caçaria. Correr para os braços de um feiticeiro com poder suficiente para desencadear um atrito entre as espécies. — Fez uma pausa breve antes de prosseguir. — Como se sua sedução barata já não fosse suficiente para mexer com a linha tênue da lei de proibição.
Olhei para ele, incrédula, enquanto uma gargalhada incontrolável explodia do meu peito. O riso se misturava aos gemidos de dor que escapavam cada vez que eu forçava as costelas. Ele permaneceu imóvel, parado na porta, os braços cruzados e o olhar fixo em mim.
— Claro, exatamente isso. — Respondi com sarcasmo, ainda rindo enquanto avaliei os cortes em meu braço. — Todo esse caos fazia parte do meu plano genial: ter um Alfa e um Feiticeiro Supremo disputando por mim. Afinal, que mulher não sonharia com isso?
O rosnado que veio de sua garganta era um aviso claro, mas o ignorei sem esforço, dando de ombros.
— Já terminou com as ironias, bruxa? — Sua voz era grave, carregada de ameaça.
— Não tem ordens a cumprir ou outra prisioneira para incomodar? — Retruquei, revirando os olhos enquanto tocava as algemas em meus pulsos. A textura fria repelia qualquer tentativa de magia, mas, diferente das correntes de Drevan, essas não queimavam minha pele. — De que material isso é feito?
— Algo que nem mesmo você conseguirá romper. — O sorriso que ele me lançou estava cheio de provocação, as presas ligeiramente à mostra. — Não se preocupe, feiticeira. Ainda nos veremos muitas vezes.
— É mesmo? Vai ser meu cão de guarda particular? — Disparei de forma deliberada, meu tom desafiador. A provocação teve o efeito esperado. Ele deu um passo ameaçador em minha direção, mas parou abruptamente, os punhos cerrados com tanta força que a tensão em seu corpo era evidente.
— Sabe, feiticeira... — A voz do Beta era fria, mas carregada de uma ameaça implícita. Seus olhos assumiram um brilho predatório, os traços do rosto transformando-se em algo mais selvagem. — Uma hora, ele vai se cansar dos seus jogos e da sua ingratidão. E quando esse dia chegar, eu serei o primeiro a caçá-la.
— Entre na fila, Beta. — Respondi sem hesitação, o olhar firme enquanto cruzava os braços. — Existem muitos outros que aguardam ansiosamente por esse momento.
A tensão aumentou no ar, mas ele não respondeu. Com passos pesados, ele se afastou e saiu, fechando a porta com tanta força que o som ecoou pelo quarto. Ouvi o som da tranca girando, o isolamento agora completo.
Fechei os olhos por um momento, tentando acalmar minha mente. Se eles soubessem os verdadeiros motivos que me levaram a fugir para a cidade de Orion... Se soubessem por que me rendi ao desgraçado do meu noivo e aceitei aquele maldito casamento...
— Eles não têm ideia do que está por vir.
POV: YULLIAnos se passaram desde que as batalhas terminaram, e a vida finalmente parecia estável. Nossa casa estava cheia de risos e pequenos momentos que me faziam lembrar todos os dias o motivo pelo qual lutamos tanto. Selennia e Phoenix eram o centro do nosso mundo, duas pequenas explosões de energia e personalidade que preenchiam cada canto da nossa existência.No jardim de festas, eu observava as duas brincando juntas. Selennia estava sentada no chão, concentrada em moldar pequenos redemoinhos de energia ao redor de flores, enquanto Phoenix, sempre inquieta, corria ao redor dela, soltando faíscas de luz e gargalhando.— Mamãe, olha o que eu fiz! — Phoenix gritou, mostrando suas faíscas como se fossem a maior conquista do mundo.— Estou vendo, minha pequena. — Respondi, sorrindo enquanto caminhava mais perto.Antes que eu pudesse d
POV: KEENANO sol começava a desaparecer no horizonte, tingindo o céu de tons suaves de laranja e dourado. Eu estava parado em frente ao grande salão da alcateia, observando o movimento tranquilo da nossa comunidade. Havia uma paz na cidade que, há meses, parecia inalcançável. Cada sorriso e cada olhar sereno eram reflexos do sacrifício e da luta que enfrentamos para chegar aqui. Mas nada disso teria sido possível sem Yulli.Minha Luna. Minha companheira. Meu tudo.Desde que retornamos, ela se tornou a alma da nossa alcateia. Não era apenas respeitada — era admirada. O título de traidora que antes carregava foi apagado pela força e coragem que demonstrou. A alcateia a chamava agora de Luna da Guerra, a mulher que desafiou deuses e enfrentou seus próprios medos para proteger a todos nós.Houve algumas dificuldades no in
POV: KEENANEra como se o tempo tivesse decidido me torturar. Um segundo arrastava-se como uma eternidade enquanto eu observava o corpo inerte de Yulli. Ela estava ali, viva — pelo menos de acordo com os malditos aparelhos médicos, mas a ausência dela era uma faca cravada no meu peito. Uma semana desde a batalha, e ela não tinha dado nenhum sinal de vida. Sete dias sem ouvir sua voz teimosa ou sentir seu olhar irritado me encarando como se eu fosse o maior idiota do mundo.E talvez eu fosse.Meus olhos fixavam as telas do monitor como se, de alguma forma, pudessem dar uma resposta que ninguém mais conseguia. Não havia lógica naquilo. Callie, com seus sonhos e poderes, tinha tentado buscar a alma de Yulli, mas tudo o que conseguiu dizer foi:— Ela está ausente, não há sinais de sua alma.Ausente. Como se isso fosse uma ex
POV: YULLIMeu corpo parecia suspenso em um vazio. Eu sentia a exaustão em cada célula, mas ao mesmo tempo, minha mente estava desperta demais para ignorar o que se passava ao meu redor. Subitamente, uma luz começou a iluminar minha visão. Quando meus olhos se ajustaram, percebi que estava em um campo florido. O ar era denso, mas suave. O aroma das flores preenchia meu peito, embora a calma que ele deveria trazer fosse sufocada pela sensação de que algo estava fora de lugar.Então, ao longe, vi três figuras que fizeram meu coração parar. Eu conhecia aquelas formas, aqueles rostos. Minhas pernas fraquejaram, mas mesmo assim, eu me obriguei a dar um passo. Depois outro. E outro.— Mamãe... Papai... Minha irmã... — Minha voz saiu fraca, quase sem som.Quanto mais eu caminhava em direção a eles, mais parecia que eles se afas
POV: KEENANO ar no altar parecia vivo, pulsante, como se todo o caos ao redor estivesse convergindo para aquele momento. A luz do colar que Yulli usava era intensa, iluminando cada canto, mas o esforço dela era evidente. Seus lábios murmuravam a magia que eu não compreendia, o corpo tremendo, os olhos fixos na fenda que começava a consumir Drevan.Eu sabia que precisava mantê-la protegida, mas Drevan, mesmo enfraquecido, não recuava. Ele soltava gargalhadas sombrias enquanto seus olhos negros brilhavam de malícia. Aquele desgraçado sabia como manipular palavras, e foi exatamente o que tentou fazer quando notou o desgaste de Yulli.— Feiticeira, você se ilude achando que este sacrifício salvará algo. — Ele ergueu a cabeça, a respiração pesada, as sombras que o cercavam oscilando. — Seus filhos nunca terão paz. A gue
POV: YULLIMinha mente escureceu por um instante, como se o mundo tivesse congelado. Tudo o que eu ouvia era minha própria respiração pesada, o som das garras de Olson raspando o chão e as batidas frenéticas do meu coração ecoando em meu íntimo. O peso da realidade era esmagador.Então, algo mudou. Quando a garra do lobo estava prestes a descer sobre mim e sobre minhas filhas, ela parou. O golpe não veio. A pata, em vez disso, tocou minha barriga de forma inesperada, leve, quase como um toque protetor. Minha respiração falhou por um momento, e meu corpo estremeceu de alívio misturado ao terror que ainda me consumia. Olson inclinou a cabeça, seus olhos ferozes suavizaram, e ele farejou suavemente o lugar onde meus filhotes estavam.A fera abaixou o corpo, seus músculos ainda tensos, como se ele travasse uma batalha interna contra su







