Início / Fantasia / A Secretária Grega do Turco / Quero que mude seu guarda-roupa.

Compartilhar

Quero que mude seu guarda-roupa.

Autor: Kayra Marck
last update Data de publicação: 2025-01-10 04:08:04

Sim, ele chama a atenção. Não sei se é sua altura, seu olhar determinando, seu porte altivo, ou aquele jeito polido de ser.

Só sei que ele é muito masculino para mim e eu perto dele me sinto muito feminina.

Arrepios correm minha espinha quando percebo os olhos de Ozan me seguindo conforme caminho até minha mesa. Forço-me a andar com segurança. Distraio minha mente focando minha atenção no meu local de trabalho tentando não me abalar com sua presença.

A sala foi bem projetada. Meu espaço tem arquivos modernos, muito bem etiquetados.

A mesa no formato de um grande L é impecável.

Todos os papéis estão organizados.

No centro um notebook, ao lado um telefone.

Na mesa encostada a parede uma impressora de última geração.

Mais ao longe vejo uma grande máquina de tirar xerox.

Tudo estrategicamente colocado, bem funcional e a mão, com certeza para não haver perda de tempo.

Meu pai sempre dizia:

"Tempo é dinheiro e que isso é uma verdade que poucos conhecem."

Eu ocupo a cadeira confortável de encosto alto e reparo na sala decorada em cinza, dourado e preto. Ao longe uma grande mesa redonda de reuniões, ao redor dela quatorze cadeiras cromadas, estofadas com couro preto.

As paredes são cheias de quadros abstratos, vejo também um painel com a imagem de várias construções de grande beleza arquitetônica.

Do lado oposto, um bar e uma porta que deve ser a sala de café e perto da minha mesa outra porta, que deve ser de um banheiro.

Café.

Estremeço me lembrando de repente daquele fatídico dia. Meu olhos então vão para a mesa de Ozan que está sentado me avaliando com um sorrisinho no rosto.

—Gostou? —sua voz arrogantemente linda quebra o silêncio.

Sim, ele é lindo.

E hoje está de tirar o folego.

Deus! Ele me perguntou do escritório!

Eu forço um sorriso.

—Sim, na entrevista não tinha reparado nele direito.

Ele me avalia com seus lindos olhos negros.

Deus trabalhar aqui, ao lado dele será um martírio.

Ele corta meus pensamentos quando ele se levanta do seu lugar:

—Isso seria outro ponto negativo para a sua contratação e, não me leve a mal, mas sua queda também. Ainda mais por você ter um histórico ruim —ele lembra e ri.

Eu respiro fundo.

Ai... como ele é odioso.

Será que ele vai usar sempre isso contra mim?

Eu puxo o ar e ergo meu queixo.

—Sim, eu sei. Mas como eu disse, o senhor não irá se arrepender. Estou disposta a dar tudo de mim.

Seus olhos brilham estranho e ele dá um sorrisinho jocoso.

—Ótimo. Não vou me esquecer de cobrar isso de você.

Ele levou no duplo sentindo ou foi impressão?

Ele está fazendo isso para me deixar nervosa. Já percebi, ele adora me deixar com os nervos à flor da pele.

Ozan pega uma pasta que está sobre sua mesa. Uma mecha de seu cabelo negro caí sobre a sua testa com esse seu movimento. O rosto de traços atraentes me encara enquanto ele se aproxima. Seus olhos lembram um falcão pronto a pegar a presa, transmite segurança e obstinação.

Conforme ele caminha reparo no seu lindo terno sob medida de um verde bem escuro. Ele não disfarça os ombros largos e os músculos do seu braço.

Ele estende a pasta para mim, eu a pego das mãos dele e o encaro. Posso sentir cada parte de mim tensa com a beleza gritante desse homem.

Deus! Não consigo relaxar com ele. Espero que essa sensação melhore com o tempo.

—Não me olhe como um coelho que está sendo caçado e abra a pasta —ele diz sério e pausadamente.

Eu desvio meus olhos dos dele e imediatamente faço como ele ordenou. Ela contém cinco folhas com o descritivo do meu cargo.

—Leia com atenção para o bom andamento da sua função. Aí está tudo que espero de você.

Eu o encaro.

—Vou ler agora isso.

—Geralmente os arquitetos têm aversão a qualquer ferramenta de organização, mas eu fujo às regras, sou bem organizado e acredito que o escritório é um cartão de visita do nosso trabalho. Espero que seja organizada também. E outra coisa, é fundamental que você tenha jogo de cintura ao telefone. Você será uma espécie de "muro de contenção". Se algum cliente ligar nervoso, seu repertório de desculpas para o projeto que atrasou deve ser claro e embasado nas informações que eu te passarei. E é sua obrigação contornar toda a situação.

Eu aceno um sim com confiança. Lidei muito tempo com meu pai e sei muito bem o que é isso.

— Está certo.

—Abra a primeira gaveta à sua esquerda.

Eu faço isso.

—Pronto!

—Aí está marcado todos os meus compromissos.

Bem humorada eu pego a agenda preta com o logotipo da empresa e com um sorriso a agito no ar para ele.

Ele me encara sério e espalma as suas mãos na minha mesa e seus olhos voam para mim acabando com a minha brincadeira.

Eu engulo em seco.

—Se eu me esquecer de alguma obrigação, a culpa é totalmente sua. Então, a primeira coisa que deve fazer e verificar meus compromissos. Você a olhará de manhã e me lembrará de tudo ao longo do dia. E se eu tiver algum marcado para o dia seguinte cedo, você me mandará uma mensagem para o meu celular, via W******p. O meu número está aí na primeira página.

Eu aceno um sim e ele me olha à espera de algo. Então entendo que preciso verificar sua agenda e a coloco na mesa e a abro na data de hoje:

— Reunião com os arquitetos daqui há vinte minutos na sala de projeção— digo e olho para ele.

Ozan me avalia com os olhos, calado. Então dá um sorrisinho de canto de lábios meneando a cabeça como se não levasse muita fé no meu trabalho e então segue até sua mesa.

Deus! Preciso me dar bem nesse emprego. Eu não posso me dar ao luxo de perdê-lo. Tenho minhas contas que me esperam todo final do mês.

Sempre sonhei em ser mais do que uma patricinha e uma profissional como agora. Neste momento, meu destino está nas mãos desse homem.

Com respeito e certo temor assisto ele pegar outra pasta, agora uma vermelha e se aproximar da minha mesa.

—Eu fiz um rascunho do memorando com a pauta de hoje. Digite e imprima e depois tire quarenta cópias.

—Quarenta?

Ele sorri.

—Tenho quarenta arquitetos que trabalham para mim. Sem contar os geólogos e engenheiros.

—Sim senhor.

Seus olhos passam pelas minhas roupas.

—Você segue algum tipo de religião?

Eu preciso rir.

—O senhor está dizendo isso por causa das minhas roupas?

—Sim.

Realmente, Ozan Adin Ahmad, como meu pai, foi criado cercado de luxo. Cercado por mulheres lindas, exuberantes e que se vestem bem. Uma roupa de corte simples como a minha é sinônimo de pobreza e como não me visto com roupas justas, passo, portanto, a imagem de religiosa.

—Não.

Ele me olha como se eu fosse um ser de outro planeta. Coça a cabeça.

—Está certo. Mas quero que mude seu guarda-roupa. Se precisar de ajuda peça a Helena, a secretária da antessala. Ela te ajudará na compra.

Eu puxo o ar:

—Eu não tenho recursos. Só poderei mudar meu visual no final do mês.

Enquanto eu falo, ele me observa enigmático. Depois de um tempo calado me olhando, seu olhar muda e ele me olha como se tivesse tomado uma decisão:

— Farei um vale com o adiantamento do seu salário. Passe no departamento pessoal e pegue o valor com Lurdes. E providencie as roupas. Se quiser saia mais cedo hoje para isso.

Ele caminha até sua mesa e puxa uma gaveta, pega um bloco e depois de preencher a pequena folha a destaca e me entrega:

A quantia é generosa. Sua assinatura é linda, forte, marcante. Ele simplesmente assinou a metade do meu salário.

Um arrepio de prazer percorre meu corpo. Sua atitude demonstra claramente que ele está apostando em mim.

Vai dar tudo certo. Vou provar ao meu pai que posso ser uma boa profissional. O grande Filipe Masalis Katsaros não levou fé quando eu disse que queria uma carreira. Autoritário, dominador só enxergava o que estava no seu nariz.

Um dia minha falecida babá me disse:

— Se seu pai fosse do exército seria um general, se fosse da máfia seria um Dom, se fosse de alguma religião seria o próprio papa.

Hoje entendo perfeitamente o que ela quis dizer com isso.

 

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Secretária Grega do Turco   Eu só estou tentando ser metade do que meu pai foi para mim

    A chegada de Ömer transformou nossa casa em um refúgio de amor, mas também trouxe uma reflexão profunda sobre o caminho que trilhei até aqui. Aquele pequeno ser, tão frágil e tão poderoso, trouxe uma luz que parecia despertar algo adormecido em mim. Desde o momento em que ouvi seu primeiro choro, algo dentro de mim mudou para sempre. Eu o segurava em meus braços e sentia seu corpinho quente, como se fosse uma promessa de um futuro brilhante. Eu, que tantas vezes achei que o destino fosse cruel, agora agradecia a cada segundo por estar vivendo aquele momento.Com Osman, meu primogênito, as coisas foram diferentes. Não por falta de amor, mas porque, na época, eu era um homem perdido em ambições e cobranças. Eu não soube enxergar a magnitude do privilégio que era tê-lo em meus braços. Trabalhando longas horas e lidando com as incertezas de um futuro que eu ainda não compreendia, muitas vezes deixei escapar momentos preciosos que jamais voltariam. E isso me machuca. Agora, com Ömer, eu te

  • A Secretária Grega do Turco   Grande final

    Santorini é uma das joias do Mar Egeu, uma ilha onde o passado e o presente se entrelaçam em um cenário de tirar o fôlego. Devastada por uma erupção vulcânica no século 16 a.C., sua paisagem única é um testemunho da força da natureza. As casas brancas com tetos azuis se empilham em encostas íngremes acima da Caldeira, um vulcão extinto cujas fontes termais ainda emanam calor.Esse lugar, que parece saído de um sonho, é conhecido como um dos destinos mais românticos do mundo, e também um paraíso para os amantes da boa mesa. E eu posso dizer com toda a certeza: nada supera a experiência de explorar Santorini ao lado do amor da minha vida.A primeira vez que estive aqui foi com meu pai, Felipe. Ele sempre teve um olhar visionário, capaz de enxergar o que meu coração ainda não conseguia perceber. Agora, ao lado de Ozan, meu grande amor, e do nosso filho Osman, cada paisagem, cada momento, ganha um novo significado.Visitamos juntos Akrotíri, o incrível sítio arqueológico da Idade do Bronz

  • A Secretária Grega do Turco   Por mim, você jamais saberia.

    —Sofia. Allah! Não! E não pretendo prendê-la a mim contra a sua vontade. Juro que o que menos estou pensando é na minha herança. Quero que me ouça e entenda os sentimentos que habitam dentro de mim. Por favor, eu te imploro.Quieta, ela me encara altiva, tentando a todo custo omitir suas emoções, não perco a maneira como seus lábios tremem com as minhas falas.—Por que você não me contou do testamento?Rio amargo.—Por mim, você jamais saberia.Eu avanço rápido, pego seus braços e a puxo para mim. A abraço forte, beijo seu pescoço e sinto-a estremecer. Ela então me empurra. Eu me afasto um pouco, mas não permito que ela saia dos meus braços.—Por quê? Responda-me!—Sofia, você não entendeu ainda que a realidade se tornou mais forte do que tudo isso? Por que falar do testamento se a vontade de me casar se tornou verdade? E você é a grande responsável por essa mudança. Você me mudou Sofia...Eu a puxei para mim, minhas mãos sôfregas passaram por suas costas e ouvi seu soluço, isso corto

  • A Secretária Grega do Turco   Você tinha uma listinha de qualidades para ter me escolhido?

    Ozan tem me mandado flores todos os dias. Os bilhetes que acompanham os buquês vêm com frases apaixonadas, cada palavra tentando me convencer de que o amor dele por mim é real. Confesso que leio os bilhetes, mas depois os jogo fora junto com as flores.Cada uma dessas mensagens me atravessa como uma faca. Ainda assim, não consigo evitar entortar os lábios num gesto amargo ao lembrar os dizeres:“Sofia, eu te amo. Quando me casei com você, não me senti forçado a nada.”“Sofia, você é a mulher da minha vida. Eu te amo.”“Sofia, não tenho visto as flores. Você continua me evitando. O que mais posso fazer para provar o meu amor?”Ele não entende que me senti enganada? Traída. Quebrou minha confiança de uma forma que não sei se pode ser reparada. Onde estavam essas declarações de amor no dia a dia? Durante tanto tempo, ele foi ausente, sempre trabalhando demais, sempre com explicações vagas que não faziam sentido.Eu trabalhei ao lado dele, conhecia sua rotina, e, de repente, tudo mudou. Como

  • A Secretária Grega do Turco   Ama? Eu não acredito!

    O tempo passa e nada de Sofia. Estou sentado na nossa cama, na penumbra do quarto, esperando por ela. O abajur ao lado emite uma luz fraca e vacilante, quase sufocado pelo peso do silêncio que ecoa no ambiente.A noite avança, mas Sofia continua ausente. Meu peito está em um nó tão apertado que a respiração parece rápida e insuficiente. Allah! Já mandei inúmeras mensagens, e todas chegam, mas ela não visualiza. A angústia me consome, devorando qualquer resquício de calma que eu tentava manter.Olho ao redor do quarto. Tudo parece impregnado de memórias dela: o travesseiro que conserva o cheiro do shampoo, o lençol amarrotado que ainda guarda os rastros das noites que dividimos.As horas escorrem, implacáveis. Na solidão, revisito nossa história. Cada cena, cada gesto, cada palavra que poderia ter dito e não disse. Me pergunto, aflito, se deixei lacunas tão grandes a ponto de fazer Sofia duvidar do meu amor. Sei que, no início, o casamento surgiu como uma obrigatoriedade imposta. A pre

  • A Secretária Grega do Turco   E eu não te devo explicações. Esse casamento é de fachada.

    Ela dá uma risada amarga.— Veio cedo. É isso que está procurando? — diz, erguendo o pen drive.Entro e fecho a porta, encarando-a.— Não era para você ter visto isso.— Deus! Ou Allah, como você diz! Agora eu entendi tudo...Semicerro os olhos, e meu sangue corre denso em minhas veias.— Sim, você entendeu. Mas eu posso explicar.Sofia se levanta irada.— E eu pensando que você se casou por pensar realmente no seu filho, mas isso aqui é muito pior... Você foi forçado a isso. Eu me sinto enganada, traída.Meu olhar deve estar angustiado. A raiva nos olhos de Sofia é clara, intensa.— Não é bem assim, Sofia.— Não?Ela solta uma gargalhada sarcástica. Sua expressão se torna muito arisca. Quando me aproximo mais, ela se levanta do sofá e se afasta. Meu peito fica pesado pela angústia de vê-la tão quebrada.— Sofia, sente-se e vamos conversar como adultos. — Suas lágrimas surgem novamente. — Por favor, sente-se.— Eu entendo que esteja preocupado com a nossa separação. Um ano, não? Um an

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status