Compartir

5 — Primeiro dia

last update Fecha de publicación: 2026-01-04 05:23:37

CAPÍTULO 5 — Primeiro dia

Acordei com um choro baixo vindo do berço.

Não foi susto, foi instinto. Abri os olhos ainda sonolenta e levei alguns segundos para lembrar onde estava. O quarto era claro, silencioso, organizado demais para ser meu. O berço ao lado da cama confirmou tudo.

Sophia.

Levantei no mesmo instante. Tomei um banho rápido, me vesti e voltei para o quarto antes que o choro aumentasse. Ela se mexia inquieta, os olhos semicerrados, o rostinho amassado de sono.

— Ei… — sussurrei, pegando-a no colo.

O choro cessou quase na hora.

Ela se aninhou contra mim com facilidade, como se aquele gesto já fosse familiar. Aquilo me apertou o peito de um jeito estranho. Era só o primeiro dia, mas o corpo dela relaxou nos meus braços como se soubesse que estava segura.

Desci com ela pouco depois.

A cozinha estava silenciosa. Margot organizava a bancada com a mesma eficiência tranquila do dia anterior.

— Bom dia, querida — disse ao nos ver. — Ela acordou cedo?

— Um pouco — respondi. — Já se acalmou.

Margot sorriu para Sophia.

— O senhor Thompson já saiu — comentou, quase casualmente.

Levantei os olhos.

— Já?

— Saiu bem cedo. Não gosta de se atrasar.

Olhei para Sophia, tranquila no meu colo, brincando com a gola da minha blusa.

— Ele… não se despediu? — perguntei, sem conseguir disfarçar a estranheza.

Margot abriu a boca para responder, mas se interrompeu no meio da frase.

— Matteo não é muito… — ela fez uma pausa breve, calculada, e balançou a cabeça. — Desculpe. Não cabe a mim comentar isso.

O tom mudou. Mais fechado. Mais profissional.

Ela percebeu que estava falando demais para uma estranha. E sabia, acima de tudo, que o senhor Thompson prezava por discrição.

Aquilo ficou ecoando na minha cabeça mais do que deveria.

Preparei a mamadeira, dei o remédio no horário certo, troquei a fralda. Sophia estava mais desperta, curiosa. Já se sentava sozinha e balbuciava sons desconexos, como se estivesse tentando conversar comigo.

— Ba… ba… — disse, batendo as mãos pequenas no ar.

— É, eu sei — respondi, sorrindo. — Você tem muito a dizer.

Ela gargalhou.

Uma gargalhada aberta, clara, que encheu a cozinha.

Margot observava de longe.

— Ela não costuma rir assim logo cedo — comentou.

— Talvez só estivesse precisando de atenção — falei, sem pensar.

O dia seguiu nesse ritmo.

Sophia cochilou duas vezes, comeu bem, brincou no tapete da sala. Eu conversava com ela o tempo todo, descrevendo o que fazia, apontando objetos, respondendo aos sons que ela emitia como se fossem frases completas. Ela parecia gostar.

Sentava firme, curiosa, tentava alcançar tudo. Quando eu me afastava por alguns segundos, reclamava. Quando voltava, abria um sorriso orgulhoso, como se tivesse vencido um desafio.

Margot esteve por perto o tempo todo, como o senhor Thompson havia pedido. Observava, ajudava quando necessário, mas não interferia.

— Ela confia fácil em você — disse em certo momento. — Nem sempre é assim.

— Bebês sentem quando alguém está presente de verdade — respondi.

Margot assentiu, pensativa.

No meio da tarde, Sophia ficou mais manhosa. A gengiva estava sensível, e ela reclamava com pequenos gemidos. Sentei no sofá, coloquei-a no colo e comecei a cantar baixinho, sem pensar muito na melodia. Ela se acalmou aos poucos e encostou a cabeça no meu peito, adormecendo ali.

Fiquei imóvel por longos minutos, com medo de acordá-la. Quando o sol começou a cair, ouvi o som da porta da frente, e passos firmes e precisos se aproximava. Ele havia chegado.

Matteo entrou na sala ainda falando ao telefone, expressão fechada, postura tensa. Desligou sem se despedir de quem estava do outro lado da linha e só então pareceu notar a cena, eu no sofá com a Sophia dormindo no meu colo.

O silêncio se instalou.

— Ela dormiu bem? — perguntou, por fim, com a voz neutra.

— Sim — respondi. — Teve um bom dia.

— Febre?

— Não.

— Comeu?

— Tudo.

— Chorou?

— Um pouco à tarde. A gengiva incomodou.

Ele assentiu, como se marcasse itens invisíveis numa lista.

— Medicação no horário?

— Sim.

— Ótimo.

O olhar dele se fixou na posição em que estávamos.

— Leve-a para o quarto — disse. — Não é bom deixá-la dormir assim. Não quero que fique mal-acostumada.

Ergui os olhos devagar e lancei um olhar incrédulo.

Não respondi.

Levantei com cuidado, ajustando Sophia nos braços para não acordá-la. Segui em direção ao quarto, sentindo a presença dele logo atrás de mim, silenciosa e controladora. Coloquei-a no berço com todo cuidado, a Sophia se mexeu, mas não acordou.

— Ela tentou falar hoje — comentei baixo, enquanto ajeitava o cobertor. — Balbuciou bastante. Está esperta.

— É a idade — respondeu ele, indiferente.

Nenhum sorriso. Nenhum comentário a mais, então saiu do quarto.

Alguns minutos depois, ouvi passos novamente, ele voltou, agora acompanhado da Margot. Quando entraram, Sophia choramingava baixo, inquieta. Eu estava ao lado do berço, tentando acalmá-la com movimentos suaves e voz baixa.

— A gengiva ainda está incomodando — expliquei. — Mordedores ajudam bastante nesses momentos.

Matteo observou por alguns segundos.

— Vou providenciar — disse, seco.

Esperei até que Sophia se acalmasse novamente antes de entregá-la a Margot.

— Boa noite, pequena — murmurei, antes de me afastar.

Segui Matteo pelo corredor.

— Amanhã começamos mais cedo — disse por fim. — Quero que mantenha a mesma rotina.

— Certo.

— Você vai precisar dormir aqui — acrescentou. — Terá direito à folga, mas preciso que esteja disponível.

Assenti.

Ele virou de costas e seguiu adiante.

Fiquei parada por um instante.

Com a certeza incômoda de que aquele homem não enxergava a filha como alguém a amar — mas como algo a administrar.

E aquilo, cedo ou tarde, ia explodir.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A babá destinada ao CEO arrogante    Epílogo

    Epílogo Emma ThompsonCinco anos se passaram desde o dia em que Matteo e eu prometemos passar o resto da vida juntos. Às vezes ainda me pego pensando em tudo o que enfrentamos para chegar até aqui e quase parece impossível acreditar que aquela história também pertence a nós. O medo, as perdas, as lágrimas e as cicatrizes continuam fazendo parte da nossa trajetória, mas deixaram de definir quem somos. Hoje, enquanto observo o enorme jardim da mansão completamente enfeitado para o aniversário de cinco anos dos nossos gêmeos, compreendo que a vida encontrou uma forma bonita de compensar cada dor que um dia acreditamos que nunca passaria.— Mamãe! Olha o Nathan! — Dylan gritou do outro lado do jardim, correndo na minha direção antes de mudar completamente de rota ao perceber que o irmão fugia segurando uma espada de brinquedo.Sorri sem conseguir conter a emoção. Apesar de serem gêmeos, os dois eram completamente diferentes. Dylan era mais tranquilo, observador e carinhoso, sempre preocu

  • A babá destinada ao CEO arrogante    199 — O Nosso Recomeço

    Capítulo 199 — O Nosso RecomeçoEmma CarterQuando Elizabeth sorriu para mim e disse que estava na hora, senti um frio percorrer meu estômago. Logo em seguida, ouvi uma batida suave na porta. Aos poucos, todos deixaram o quarto para nos dar alguns minutos de privacidade. Meu pai entrou devagar e, assim que nossos olhares se encontraram, seus olhos se encheram de lágrimas. Durante alguns segundos ele permaneceu completamente imóvel, como se precisasse gravar aquela imagem para sempre na memória.— Você está linda, minha filha. — A voz dele falhou antes mesmo de terminar a frase. Ele respirou fundo, aproximou-se e segurou minhas mãos com cuidado. — Eu estou tão feliz por poder viver esse momento com você... e por ter a oportunidade de conhecer meus netos. Nunca pensei que Deus me daria uma segunda chance como essa. Na verdade... eu nem sei se mereço.Sorri com os olhos marejados e levei a mão até seu rosto, acariciando-o com carinho.— Então vamos parar de olhar para o que passou, pai.

  • A babá destinada ao CEO arrogante    198 — Para Sempre

    Capítulo 198 — Para SempreMatteo ThompsonVoltar para a empresa depois de tudo o que aconteceu também fez parte da retomada da nossa vida. A Thompson Architects recuperava o prestígio e a credibilidade que sempre teve no mercado, novos contratos começavam a surgir e a rotina voltava ao lugar de onde jamais deveria ter saído.Uma semana passou quase sem que eu percebesse. Levi conseguiu concluir todo o processo do divórcio sem maiores complicações. Charlotte não criou obstáculos, talvez porque finalmente tivesse entendido que já não havia qualquer forma de permanecer ligada à minha vida. Antes de deixar a delegacia naquele último encontro, fiz questão de contar o resultado do exame de DNA. Ver o sorriso debochado desaparecer do rosto dela me trouxe a tranquilidade de saber que nenhuma mentira seria capaz de contaminar a minha família outra vez.Com o divórcio oficialmente encerrado, não existia mais motivo para adiar o meu casamento com a Emma. Marcamos a data para a semana seguinte e

  • A babá destinada ao CEO arrogante    197 — Um Novo Começo

    Capítulo 197 — Um Novo ComeçoEmma CarterAcordei com a sensação de que finalmente podia respirar sem medo. Encontrei Matteo me observando em silêncio e bastou cruzar meu olhar com o dele para entender que nenhum de nós ainda tinha se acostumado com a ideia de que aquele pesadelo havia terminado. Despertar nos braços dele já teria sido suficiente para tornar aquele dia especial, mas tudo o que veio depois parecia devolver, pouco a pouco, o tempo que nos foi roubado. Cada gesto de carinho, cada toque e a maneira como nos entregamos um ao outro nos lembravam de que, apesar de tudo o que enfrentamos, continuávamos juntos. Não precisávamos dizer nada. Bastava sentir o amor que compartilhávamos para perceber que nossas feridas finalmente começavam a cicatrizar.As duas semanas seguintes passaram mais rápido do que eu imaginava. Aos poucos meu corpo começou a recuperar as forças, os enjoos diminuíram e a barriga já deixava evidente que aqueles dois pequenos milagres cresciam dentro de mim.

  • A babá destinada ao CEO arrogante    196 — Certezas

    Capítulo 196 — Certezas Matteo Thompson Acordei antes do amanhecer e era tão bom não sentir aquele peso esmagador sobre o peito. Permaneci imóvel por alguns instantes, observando Emma adormecida em meus braços enquanto a luz suave que atravessava as cortinas desenhava sombras delicadas sobre seu rosto. Ela dormia profundamente, aconchegada contra mim, com uma das mãos repousando sobre a barriga que agora carregava nossos filhos. Durante um mês inteiro, temi perder tudo. Agora ela estava ali, segura, respirando tranquilamente ao meu lado. Meu olhar percorreu cada detalhe de seu rosto enquanto as lembranças do dia anterior retornavam. A emoção do reencontro. Sophia nos braços dela. Susan chorando de alívio. Aquele abraço coletivo na sala. Durante muito tempo, a mansão foi apenas uma casa grande demais para alguém que vivia cercado por fantasmas. Ontem, porém, voltou a parecer um lar. Quando a ajudei no banho, percebi o quanto aquele mês tinha deixado marcas que iam muito além do

  • A babá destinada ao CEO arrogante    195 — Lar

    Capítulo 195 — LarEmma CarterO alívio que senti ao ver Matteo sair da mansão depois de receber a notícia de que Charlotte tinha sido capturada foi quase tão grande quanto o que senti ao ser resgatada. Depois de tudo o que aconteceu, finalmente eu sabia que ela não poderia mais aparecer diante de mim, me ameaçar ou transformar minha vida em parte de algum plano doentio. Mas Tom ainda continuava livre, e só pensar nele era suficiente para provocar um arrepio desagradável. E mesmo assim me permiti acreditar que aquele pesadelo estava chegando ao fim.Assim que a porta se fechou atrás de Matteo, Margot foi a primeira a se aproximar. Os olhos dela já estavam cheios de lágrimas antes mesmo de me abraçar, e quando seus braços me envolveram senti o mesmo carinho acolhedor que ela sempre demonstrou desde que cheguei àquela casa.— Graças a Deus você está bem, minha querida. — A voz dela falhou enquanto acariciava meus cabelos. — Eu não parei de orar um segundo sequer.As lágrimas voltaram ao

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status