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No quarto do meu chefe

Autor: Yana Shadow
last update Data de publicação: 2025-05-01 11:25:03

Maximus

A segunda garrafa de vinho repousava aberta sobre a ilha de mármore. O silêncio da casa era quebrado apenas pelo tilintar sutil do cristal quando servia mais uma dose.

Bianca tinha ido embora. E, no fundo, talvez fosse o melhor. Não conseguia mais distinguir se o que sentia era raiva, frustração ou alívio ao vê-la partir.

O problema é que ela carregava consigo a lembrança do que eu preferia enterrar — uma relação de fachada, forçada, moldada sob acordos de negócios. Não amor. Nunca foi.

Foi quando a porta da cozinha se abriu devagar. Meus olhos ergueram-se e pousaram sobre ela. Aquela babá era perigosa, mas ao menos, seria uma ótima acompanhante para aliviar minha tensão naquela noite.

Ela usava uma camisola simples, nada vulgar, mas o tecido colava-se à pele, denunciando as curvas suaves que eu fingia não notar nos vídeos das câmeras. Ela hesitou por um instante, surpresa com a minha presença.

— Fique e beba mais um pouco comigo — falei num tom mandão.

Podia ver o conflito estampado em seu rosto. Mas, no fim, tomou a taça entre os dedos finos e sentou-se do outro lado da bancada.

Não tirei os olhos dela. E, ao mesmo tempo, lutei contra meus próprios pensamentos. “Essa mulher é suspeita. Foi ela quem deu os comprimidos para Helena. Será que foi ela quem roubou o dinheiro e as joias?.” Por outro lado, era ela quem fazia minha sobrinha sorrir. Quem cantava baixinho e a fazia dormir. Quem estava ali me fazendo companhia naquela noite solitária.

— Como conseguiu emprego na casa da minha irmã? — perguntei, girando o vinho na taça.

— Vi o anúncio. — Ela abaixou o olhar. — Precisava do trabalho. Minha avó está internada... o hospital cobra por cada segundo de oxigênio.

Houve um peso nas palavras dela. Um tom que não se finge. E aquilo começou a mexer comigo.

— A minha irmã confiava em você — comentei, meio sem pensar.

Vitória não respondeu de imediato. Seu olhar vacilou e ela tomou um gole do vinho.

— A dona Helena me ajudou muito. Nunca poderei pagar o que fez por mim.

Essa parte me doeu mais do que eu gostaria de admitir. Como alguém que deve tanto a Helena seria capaz de prejudicá-la?

— Então por que estava com ela naquela noite de folga? Por que deu os tranquilizantes para minha irmã? — A pergunta escapou antes que eu pudesse filtrar.

Vitória congelou. E o sorriso discreto, que começava a se formar, desapareceu. Ela deixou a taça sobre o mármore, cuidadosamente.

— Eu não sabia. Juro. — A voz dela vacilou. — Ela me pediu água e estava com dor de cabeça... Eu só fiz o que ela pediu.

Queria acreditar que a babá realmente era inocente. Soltei um suspiro pesado e passei a mão pelos cabelos.

— Desculpe. Não devia ter dito isso agora.

Vitória apenas assentiu, em silêncio. O clima entre nós ficou carregado. Mas, surpreendentemente, não fiquei desconfortável.

Servi mais vinho. Ela aceitou.

Conversa vai, conversa vem... e, aos poucos, ela foi se soltando. Falou da faculdade, dos sonhos adiados, das contas atrasadas, da avó que chamava de “pedacinho de céu” e de como cantar para Allegra a fazia esquecer do resto. O riso dela era leve. Raro e  bonito.

— Você não parece uma ameaça — falei, sem perceber.

— Não sou. — Soluçou e, ao mesmo tempo, sorriu.

Já era tarde e estávamos na segunda garrafa de sauvignon blanc. Gradualmente, o vinho deixava tudo embaçado. Estava mais tranquilo e não estava tão estressado e desconfiado.

— É melhor eu ir deitar… tudo está girando. — Disse ela, rindo.

— Eu te acompanho. — Segui a babá.

No corredor do andar superior, ela escorregou de leve nos próprios pés. Apoiei-a antes que caísse. 

— Cuidado... — murmurei, ainda segurando sua cintura.

Ela ergueu o rosto e então, os olhos verdes encontraram os meus.

Inclinei-me devagar. Encostei minha testa na dela. O coração batia como um tambor descompassado. Não queria ficar sozinho naquela noite… sem pensar muito, eu a beijei. Capturei os seus  lábios, que se moviam contra os meus. As mãos dela subiram até minha nuca. A minha boca encontrou o pescoço, os ombros, a clavícula. Cada centímetro dela parecia implorar por um toque.

— Vamos conversar lá dentro. — Disse, e levei-a até meu quarto.

A noite que seguiu foi intensa, cheia de gemidos contidos e respirações entrecortadas. Nada foi planejado. Nada foi racional. Foi um impulso, um furacão de emoções que varreu o que restava da minha lógica.

Ponto de vista de Vitória

O sol já começava a invadir o quarto, aquecendo o meu rosto. Demorei alguns segundos para reconhecer o lugar... e o corpo ao meu lado. 

Olhei para o rosto com queixo marcado e com os traços suaves e sentei-me devagar. O lençol escorregou dos meus ombros. Olhei ao redor, procurando algo familiar. Meus pés tocaram o chão gelado, e, num sussurro, a verdade me atingiu:

— O que foi que eu fiz?

Meu mundo virou de cabeça pra baixo. O que começou como um gole de vinho e uma conversa acabou numa cama que não era minha. Estava no quarto do meu chefe e aquele homem poderia destruir a minha reputação como babá com uma única palavra.

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Último capítulo

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   Sai do meu caminho!

    — Agora, não, principessa — Max falou com Allegra num tom de advertência.A pequena fez carinha de choro e veio para o lado da cama e tocou minha mão.— Tia, quando você vai voltar pra casa? — Os olhinhos dela cintilavam com as lágrimas quando meu perguntou.— Em breve, meu anjinho. — Afaguei seus cabelos.Já tinha pego meu bebê com Francesa. Ela foi pegar o buquê de flores da mão de Maximus para pôr num dos jarros.— Posso subir? — Educadamente, Allegra pediu.— Cuidado! — Maximus falou e então veio pra ajudar a pequena a sentar do meu lado.— Trouxe o ursinho pra você, tia — ela me deu bichinho de pelúcia.— Obrigada, meu anjinho. — Dei um beijo na testa dela.— O titio Max falou que agora você vai ser minha mamãe… — inocentemente, a garotinha me contou.Troquei olhares com ele ao pensar: “O que deu nesse cara? Meses atrás eu era a ladra e ele detestava quando Allegra me pedia pra ser mãe dela”. Estava perdida em minhas divagações, olhando para ele, quando a vozinha cheia de ternura

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   Será que ela me perdoar?

    Ponto de Vista de Vitória— Era pra pagar as contas do hospital da vovó... — respondi, engolindo o choro e sentindo a garganta arranhar. — Ela estava morrendo, Simone. Eu não tinha escolha.— Ah, por favor! — Minha progenitora revirou os olhos, revigorada em seu cinismo. — Você nunca deveria ter se esforçado tanto pra salvar aquela velha. Olha só onde você foi parar! Por causa dessa mania de mártir, você acabou com a sua própria vida, caiu numa armadilha e agora está aí, destruída.Cerrei os punhos sobre o lençol, reunindo as últimas forças que me restavam.— A minha avó foi muito mais mãe pra mim do que você jamais foi na sua vida inteira! — esbravejei, com a voz trêmula, mas firme. — E se eu tivesse que fazer tudo de novo para salvá-la, eu faria mil vezes! Coisa da qual você, egoísta do jeito que é, nunca foi capaz de entender ou fazer pela própria filha.Sem dizer mais uma única palavra, ela virou as costas e saiu, revoltada, batendo a porta levemente ao sumir pelo corredor.Fiquei

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   A culpa é minha!

    Ponto de vista de Maximus. “Merda, ela gosta de perturbar!” Resmunguei dentro da minha cabeça. — Escuta aqui, Simone — fitei a mãe de Vitória, interrompendo qualquer nova tentativa de manipulação. — Se você continuar se metendo na nossa vida ou espalhar mais uma mentira sobre a minha noiva, eu juro que faço questão de destruir o que resta da sua reputação e acabar com a sua carreira de vez. Hai capito? Sem dar chance para que ela articulasse uma única palavra de resposta, dei as costas e caminhei a passos firmes para o lado oposto do corredor. Poucos metros adiante, vi o médico sair do quarto de Vitória. — Senhor Trevisani — disse o doutor, puxando o ar de forma controlada. — Ela foi estabilizada. Conseguimos baixar a pressão e o ritmo cardíaco, mas o quadro exige cautela. Ela sofreu um pico hipertensivo severo e precisa de repouso absoluto. Zero estresse, ou poderemos ter complicações mais graves. — Posso ver a minha noiva? — perguntei, cheio de ansiedade. — Apenas por dois min

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   Cuida bem dela!

    Ponto de vista de Maximus.— Sai de perto da minha noiva — ordenei.Dei mais um passo à frente, bloqueando a passagem. — Eu já sei de tudo. Sei que você é o amante da Bianca.Paul ergueu as mãos num gesto defensivo. A sua testa estava franzida, mas sem demonstrar medo.— Calma, Trevisani. Você está entendendo tudo errado — rebateu, balançando a cabeça em negação. — Se eu estive com a Bianca recentemente, foi só porque percebi o jogo dela. Já sei que ela só se aproximou de mim pra tentar arrancar informações sobre a Vitória e usar contra ela.Do leito, Vitória sentiu o peito apertar. Seus olhos se voltaram para o francês, carregados de uma profunda e dolorosa decepção.— Cometi um grave erro de me envolver com ela, Vitória — continuou Paul, desviando o olhar para a amiga, arrependido. — Ela me procurou desesperada, mostrando imagens de câmeras de segurança... disse que você dopou a sua antiga patroa com comprimidos e foi acusada do furto de joias valiosas que sumiram daquela casa.Pau

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   Ele é o seu amante!

    Ponto de vista de Maximus.Simone estava ali, parada a poucos passos, com aquela expressão cínica. Era revoltante pensar que aquela mulher era mãe de Vitória; alguém que tinha abandonado a própria filha e, do nada, surgiu pra cobrar moralidade.— O que você quer? — perguntei, aborrecido. — Não tenho tempo pros seus joguinhos.— Vim abrir os seus olhos, Max — ela respondeu com um sorriso ácido, aproximando-se com falso desdém. — A senhorita Bianca Ambrósio entrou em contato com o hospital há pouco. Ela avisou a administração que a Vitória não passa de uma ladra oportunista, e que você só tá acobertando essa corja porque ela te empurrou um filho bastardo. Cocei a nuca sem acreditar que saia da boca da própria mãe que deveria defender Vitória. Olhando pra ela, deixei que ela continuasse a desabafar:— A Bianca está desolada porque você destruiu o noivado e a humilhou diante da alta sociedade. — Simone realmente estava defendendo Bianca. — Ela pediu pra te dizer que não quer que você não

  • A babá que acusei é a Mãe do Meu Filho   O todo poderoso

    Ponto de vista de Vitória— Quero ver meu filho! — Tratei de mudar o assunto.“Espero que ele não volte a falar sobre isso”, falei em minha cabeça.— Vou providenciar… mas não sei se podem vir hoje.— Cadê o seu celular?— Vicky, não pode usar celular na UTI.Fiquei com ranço no instante que meu apelido saiu dos lábios dele.— Quer saber? — cruzei os braços, ignorando o aviso sobre o aparelho e estreitando os olhos na direção dele. — Não sou obrigada a ficar ouvindo as suas ameaças. Se você realmente quer fazer alguma coisa que preste por mim e pelo meu filho, então dá um jeito de trazer o Théo aqui.Maximus abriu a boca pra retrucar, mas o som irritante dos bips do monitor cardíaco voltou a acelerar, chamando a atenção imediata da enfermeira que entrou apressada no quarto da UTI.— Por favor, senhor Trevisani, a paciente está se recuperando da cirurgia e não pode se estressar — a profissional pediu, lançando-lhe um olhar severo.Ele respirou fundo. De onde estava, eu tive uma boa vis

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