Compartir

Capítulo 4

last update Fecha de publicación: 2025-03-20 21:34:47

Capítulo 4

Após Rafael se recolher, Patrícia se sentou na poltrona ao lado da cama, segurando o livro nas mãos. Com um sorriso suave, olhou para o paciente adormecido.

— O livro está quase na metade. Vamos continuar? — perguntou baixinho, como se ele pudesse ouvi-la.

Ela abriu na página onde havia parado e começou a ler. A história estava ficando intensa, e, sem perceber, as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. O casal do romance havia se separado por um grande mal-entendido, e a dor na narrativa a tocou profundamente.

Patrícia parou por um instante, respirando fundo para se recompor. Levou a mão ao rosto para limpar as lágrimas e, no mesmo instante, algo chamou sua atenção.

Seu coração quase parou.

Por um breve momento, viu dois dedos do senhor Avelar se moverem rapidamente.

Ela prendeu a respiração, seus olhos arregalados fixos na mão dele. Teria sido apenas sua imaginação… ou ele realmente havia se mexido?

Patrícia congelou. Seu coração disparou no peito, e a respiração ficou presa na garganta. Ela piscou várias vezes, incerta se tinha realmente visto aquilo ou se sua mente estava lhe pregando uma peça.

Os dedos do senhor Avelar haviam se movido. Rápido, quase imperceptível, mas ela tinha certeza do que viu.

— Senhor Avelar? — sussurrou, inclinando-se para mais perto.

Ela observou atentamente sua mão, esperando algum outro sinal. A emoção tomou conta de seu peito, uma mistura de esperança e nervosismo. Será que ele estava saindo do coma?

Engolindo em seco, ela segurou a mão dele com delicadeza.

— Se pode me ouvir, tente mexer os dedos de novo... — pediu suavemente.

Os segundos seguintes pareceram uma eternidade. O quarto estava em completo silêncio, apenas o som do monitor cardíaco ecoava no ambiente.

E então, lá estavam eles de novo. Dois dedos se moveram ligeiramente.

Um soluço escapou dos lábios de Patrícia. Seu coração disparou de emoção.

Ela precisava contar para Rafael.

Levantou-se apressada, mas hesitou. E se fosse apenas um espasmo involuntário? Não queria alarmar ninguém sem ter certeza.

Respirou fundo e decidiu observar por mais alguns instantes. Tocou delicadamente o braço dele, esperando outro sinal.

— Senhor Avelar, se puder me ouvir, mexa os dedos mais uma vez.

Dessa vez, nada aconteceu.

A enfermeira mordeu o lábio, sentindo a incerteza se instalar. Mas seu instinto lhe dizia que aquilo não era uma coincidência.

A esperança brotou dentro dela. Talvez, só talvez... ele estivesse finalmente despertando.

Patrícia hesitou por um instante antes de correr e bater na porta do quarto de Rafael. Seu coração acelerado denunciava sua inquietação. Não demorou mais que dois segundos para a porta se abrir, como se ele já estivesse acordado e alerta.

Rafael surgiu diante dela, de calça, descalço e sem camisa. Seu peito largo e definido denunciava a rotina disciplinada que ele mantinha, mas Patrícia desviou o olhar rapidamente, sentindo as bochechas queimarem.

— O que houve? — ele perguntou, a preocupação evidente no tom de voz.

Ela respirou fundo, tentando manter o foco no motivo que a levou até ali.

— Senhor Avelar… eu acho que vi seu pai se mexer — revelou, ainda incerta.

Os olhos de Rafael se estreitaram ligeiramente, e ele deu um passo mais perto.

— Se mexer? Como assim?

— Eu estava lendo para ele e… por um segundo, vi os dedos dele se moverem. Mas não sei se foi um espasmo involuntário — acrescentou rapidamente, sem querer criar falsas esperanças.

Rafael passou a mão pelos cabelos, a expressão séria.

— Tem certeza do que viu?

Patrícia mordeu o lábio, lutando contra a insegurança.

— Não posso ter certeza absoluta… mas foi real o suficiente para me trazer até aqui.

Ele prendeu a respiração por um segundo e, sem mais hesitar, passou por ela e caminhou decidido na direção do quarto do pai. Patrícia o seguiu de perto, sentindo a tensão no ar.

Se o que viu fosse mesmo um sinal de melhora… tudo poderia mudar a partir daquela noite.

Rafael caminhou até o lado da cama de seu pai, o coração apertado. Ele segurou suavemente a mão do homem. Olhou para o rosto do pai com os olhos umedecidos.

— Você sempre foi o meu exemplo, pai — disse ele com a voz embargada, quase um sussurro. A emoção tomava conta de seu peito, mas ele manteve a compostura. Rafael fez um carinho delicado na testa do pai.

Antes de sair do quarto, ele olhou para Patrícia, que o observava em silêncio. Rafael a encarou com seriedade, com confiança em seus olhos.

— Não saia de perto dele — disse Rafael, com firmeza. Sua voz, agora mais controlada. — Ele vai precisar de você. Não importa o que aconteça, fique com ele.

Patrícia assentiu, reconhecendo a intensidade das palavras de Rafael, e com um olhar compreensivo, disse:

— Pode deixar, eu estarei aqui.

Rafael a observou por mais um momento, e, com um suspiro, saiu do quarto, deixando Patrícia sozinha com o pai.

Patrícia dormia profundamente na poltrona ao lado do Senhor Avelar. O receio de ir para o próprio quarto e ele precisar dela a manteve ali, mesmo com o desconforto. Seu rosto sereno demonstrava o cansaço do primeiro dia, e seu corpo estava completamente relaxado pelo sono.

Rafael entrou no quarto do pai e parou ao vê-la adormecida. Observou por alguns instantes, notando como ela parecia pequena e delicada ali, como se estivesse determinada a cuidar do seu paciente a qualquer custo. Suspirou e murmurou baixinho:

— Deve estar exausta…

Com cuidado, ele se aproximou e a pegou no colo, sentindo o corpo dela se encaixar contra o seu. Caminhou até o quarto dela e a deitou suavemente na cama. Retirou seus sapatos e a cobriu com o edredom macio, certificando-se de que ela estava confortável. Antes de sair, deixou a porta que ligava os quartos entreaberta, caso algo acontecesse.

De volta ao quarto do pai, ele se sentou ao lado da cama e pegou a mão dele, apertando-a levemente.

— Eu chamei a equipe médica, papai. Hoje à tarde eles virão examiná-lo para ver se o senhor está realmente despertando.

Ficou ali por alguns minutos, observando o pai, esperando por qualquer outro movimento, qualquer sinal de que ele realmente estivesse voltando. Mas o silêncio e a respiração ritmada continuaram.

Precisava ir para o escritório. Tinha uma reunião às nove na cafeteria próxima à empresa, mas antes precisava assinar um documento importante. Com um último olhar para o pai, levantou-se e saiu, pronto para enfrentar mais um dia de trabalho.

Ao chegar ao escritório, Rafael não perdeu tempo. Pegou a caneta e assinou o documento que precisava ser resolvido com urgência. Assim que terminou, chamou sua secretária para dar algumas instruções. Enquanto conversavam, ele se levantou e pegou o paletó, preparando-se para sair.

No instante em que colocou um braço na manga do paletó, seu celular vibrou na mesa. Ele olhou para a tela e franziu a testa, número privado. Ignorou a chamada e continuou a se vestir, mas o telefone tocou novamente.

Soltando um suspiro de irritação, ele atendeu.

— Rafael.

Uma voz feminina soou do outro lado da linha, carregada de arrogância e impaciência.

— Seu pai já acordou?

Ele reconheceu a voz imediatamente.

— Estela… — sua voz saiu carregada de frustração. — Não. E, por favor, não ligue novamente.

Ela riu suavemente, como se sua resposta não significasse nada.

— Eu ligo quando quiser, Rafael. Augusto é meu e de mais ninguém. Aliás, irei até a mansão vê-lo nos próximos dias.

Rafael sentiu o sangue ferver. O atrevimento dela era irritante, mas ele não podia permitir que se aproximasse.

— Fique longe, Estela. A esposa do meu pai não vai gostar de ver outra mulher rondando por lá.

O silêncio se estendeu do outro lado da linha. Por um breve momento, Rafael pensou que ela tivesse desligado, mas então ouviu um sussurro hesitante.

— Você está mentindo…

Ele sorriu, satisfeito com a reação dela.

— Então vá e comprove com seus próprios olhos.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele encerrou a ligação.

Rafael passou a mão no rosto, exasperado. Sabia que Estela era a principal suspeita pelo que aconteceu com seu pai e agora, sem querer, havia criado um novo problema para si.

— E agora? Onde vou arrumar uma esposa para ele? Merda!

Sentou-se na cadeira, encarando o teto enquanto sua mente trabalhava rapidamente. Precisava de uma solução, e precisava dela rápido.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 99

    Capítulo 99Cinco anos depois...A manhã começava preguiçosa na varanda da casa grande, o cheiro de café fresco se misturando ao perfume suave das flores do jardim. Patrícia cortava fatias de bolo para o lanche das crianças, enquanto sua mãe, sentada na cadeira de balanço ao lado, observava o quintal com um sorriso sereno no rosto.— Te falei da sua irmã? — perguntou a mãe. Patrícia fez que não com a cabeça. — Deixou tudo para trás e foi bater na Itália com aquele ricaço. Nem se despediu direito.Patrícia riu com um pouco de ironia.— Ricaço esse... que por coincidência era o pai da Estela. A vida tem dessas reviravoltas, mãe.— Eu ainda não acredito. Aquela menina viveu dizendo que não queria saber de homem com dinheiro, que queria amor verdadeiro... Bastou um visto e um passaporte europeu que esqueceu tudo.— Ela foi pelo luxo, mamãe. Mas não sei se vai encontrar paz. Esse homem... bom, a Estela foi o que foi. E ele... pelo visto, não aprendeu nada.A mãe suspirou, olhando para o cé

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 98

    Capítulo 98O carro mal parou na frente da maternidade e Augusto já havia descido correndo, chamando por ajuda. Enfermeiros vieram com uma maca, e Patrícia foi conduzida com rapidez para o interior do hospital. Ainda sentia fortes contrações, mas tentava manter a calma, segurando firme na mão de Augusto.— Eu estou aqui, não vou sair do seu lado — ele prometeu, beijando sua testa.Em poucas horas, depois de muito esforço, suor e emoção, os gritos suaves dos recém-nascidos preencheram o centro obstétrico. Um casal. Um menino forte e uma menina serena. Patrícia chorava emocionada, e Augusto mal conseguia conter o sorriso orgulhoso enquanto segurava os dois bebês nos braços, seus filhos, a renovação da esperança.Na manhã seguinte, Patrícia já estava no quarto da maternidade, com os bebês dormindo nos bercinhos ao lado da cama, quando a porta se abriu lentamente. A mãe dela entrou primeiro, com os olhos marejados, e logo atrás veio o avô, empurrado por um cuidador em sua cadeira de rodas

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 97

    Capítulo 97Mais de dois meses haviam se passado desde a morte trágica de Estela, e o julgamento que havia sido adiado finalmente teria início. A sala do tribunal estava lotada. De um lado, a família Avelar reunida: Augusto de expressão firme, Patrícia sentada ao seu lado, segurando discretamente sua mão, e Rafael com os olhos atentos e tensos. Do outro, o pai de Estela, com o rosto fechado, vestindo um terno escuro, emanando luto e rancor.O juiz entrou, seguido pelo promotor e pelo advogado de defesa. Após os procedimentos iniciais, o primeiro a ser chamado para depor foi o pai de Estela.Ele caminhou até o púlpito com passos lentos e pesados, e quando começou a falar, sua voz estava carregada de emoção e raiva.— Augusto Avelar matou minha filha. Ele a empurrou. Ele tinha motivos, ele sentia ódio. Ela era intensa, sim, mas era minha menina. E esse homem destruiu nossa família!Um murmúrio correu pelo público presente. Patrícia fechou os olhos por um instante, sentindo o peso da dor

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 96

    Capítulo 96Na manhã seguinte, o prédio da Avelar Corp estava cercado por viaturas e faixas de isolamento. Nenhum funcionário pôde entrar. A movimentação de peritos e policiais no saguão chamava a atenção de quem passava pela rua, e alguns curiosos se aglomeravam do outro lado da calçada, cochichando e tirando fotos com o celular.Pâmela chegou cedo, como de costume, mas foi barrada logo na entrada.— Desculpe, senhorita — disse o segurança com expressão séria. — A polícia interditou o prédio. Ninguém entra até segunda ordem.— Mas eu trabalho aqui. Sou diretora administrativa.— Ordens da delegacia, senhorita. A perícia está recolhendo provas e os andares estão sendo vistoriados.***Enquanto isso, do outro lado da cidade, Rafael e o pai estavam a caminho da empresa quando receberam a ligação de um dos advogados.— A perícia ainda está coletando os registros — informou o advogado, do outro lado da linha. — Os peritos já encontraram a bala alojada na parede da sala e estão analisando

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 95

    Capítulo 95A cada andar que descia pelo elevador, a imagem de Estela caindo voltava como um pesadelo em sua mente. O som do corpo dela batendo no chão ainda martelava em seus ouvidos.Quando alcançou o saguão, o tempo pareceu desacelerar.Algumas pessoas estavam ali, em choque, paralisadas. A recepcionista do turno da noite segurava o telefone com as mãos trêmulas, a voz embargada ao falar com a emergência:— Sim… ela caiu… acho que está morta. Estamos no edifício Avelar, Centro Empresarial. Por favor, mandem alguém rápido!Augusto atravessou o saguão como um raio. Ao ver o corpo de Estela estirado no chão, com os olhos vazios fixos no nada, sentiu um nó apertar sua garganta.— Estela… — murmurou, ajoelhando-se ao lado dela, sem conseguir tirar os olhos da cena. O vestido vermelho agora estava molhado, não só de sangue, mas de toda a dor que ela carregou e causou.A ambulância chegou em menos de dez minutos, as luzes vermelhas cortando a escuridão da noite. Em seguida, a polícia apar

  • A enfermeira grávida do CEO   Capítulo 94

    Capítulo 94Alguns dias depois, o advogado ligou com uma notícia aguardada:— O julgamento será amanhã cedo — informou, com voz firme. — Está tudo pronto.Augusto agradeceu, desligando o telefone com as mãos trêmulas. Encostou-se à cadeira e respirou fundo.— Amanhã... — murmurou para si mesmo.Ao saber da notícia, Patrícia tentou animá-lo, mas percebeu o quanto ele estava tenso.— Por que não tenta trabalhar um pouco? — sugeriu ela. — Às vezes, ocupar a cabeça ajuda a passar o tempo.Augusto concordou com um aceno breve, e logo saiu rumo ao escritório. Patrícia, por sua vez, decidiu aproveitar o dia para comprar o enxoval dos bebês. Ligou para Letícia.— Amiga, topa me acompanhar hoje? Quero ver algumas coisinhas para os bebês. Preciso pensar em algo bom.— Claro que sim! — respondeu Letícia animada. — Hoje é dia de pensar em vida nova!Enquanto as duas passeavam por lojas de artigos infantis, o dia corria tranquilo na empresa. O sol começava a baixar, e os corredores já se esvaziava

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status