INICIAR SESIÓNNo penhasco, o vento cortante a fazia tremer. Seu vestido preto, sujo e amassado, não protegia do frio. Lágrimas escorriam, seus cabelos vermelhos bagunçados pelo vento sombrio. Lucy olhou o livro rasgado, as folhas espalhadas ao chão, a agonia tomando seu peito. Queria fazer algo, mas estava presa. Pensou em Cedric, no seu sorriso, nos lábios dele nos seus. Fora ela quem o afastara. Seria culpada por sua morte. Odiava-se. Queria estar lá, morrendo com todos, pois a culpa era dela. Viveria para ver todos morrerem, sabendo que fora ela, e ninguém mais, quem tirara a vida de quem amava. Um uivo cortou o ar, como um animal ferido. Lucy temeu pelo bicho. Seria sua culpa também? O som diminuiu, e ela pensou que o animal morrera. Então, algo se aproximou. Um lobo, o mesmo do Prólogo, encarava-a com olhos negros. Lucy sentiu alívio. Não temia o lobo. Até sentiu gratidão, achando que ele a mataria, tirando a agonia de seu peito. — Me mate — implorou Lucy. — Por favor! O lobo abaixou a cabe
(Horas antes do baile “Queimem as Bruxas”) Lucy estava diante do espelho, o vestido preto pronto, o coração disparado. O aroma de jasmim pairava, como se Cassandra a observasse. — Nem sei se vou conseguir — confessou Lucy, a voz tremendo. — Lucy, querida, você é uma bruxa agora. Pode tudo — disse Cassandra, num tom calmo e doce, quase maternal. — Como posso ter certeza? — perguntou Lucy, insegura. — Você me prometeu — respondeu Cassandra, os olhos verdes brilhando. — Vou lá e vou enfrentar eles — disse Lucy, determinada, cerrando os punhos. — Sim, mostre que um Sales não abaixa a cabeça — incentivou Cassandra. — Mas não vou lançar maldição nenhuma — afirmou Lucy, firme. — Eu sei — disse Cassandra, com um leve sorriso. — Cassandra, por que a “maldição da meia-noite” não sai da minha cabeça? — perguntou Lucy, franzindo a testa. — Ela quer ser usada — respondeu Cassandra. — Foi feita há tanto tempo, mas nunca foi usada. — Não vou usar — declarou Lucy, decidida. — Acredito em
No castelo, Lucy subiu ao quarto, secando as lágrimas. Pegou o diário de Cassandra e abriu na última página, onde lia-se, em letras firmes:Hoje faço deles meus escravos. Sou Cassandra Sales, a bruxa mais poderosa que já pisou neste solo. Sou eu que eles temem, a bruxa que virará lenda, que colocará medo nas crianças antes de dormir. Sou eu que fará todos pagarem caro pelo que me fizeram. Hoje, posso andar onde quero, e são eles que abaixam a cabeça quando passo. Fiz muitas coisas, mas não consegui transformar a cidade em cinzas, como sempre sonhei. Sei que isso ainda pode acontecer. Deixarei que meus descendentes limpem nosso nome. Escrevo na última folha deste diário o único feito que nunca realizei. Espero que você, meu descendente, possa realizá-lo e libertar nossa família da vergonha que Anastácia nos trouxe. A maldição da meia-noite… Lucy fechou o diário, o coração disparado. A “maldição da meia-noite” ecoava em sua mente, um mistério que a chamava.(Duas semanas depois)
Cassandra sorriu, os olhos verdes brilhando com triunfo. Lucy se viu em um círculo perfeito, formado por seus antepassados, suas figuras etéreas iluminadas por uma luz prateada. O aroma de jasmim impregnava o ar, denso e sufocante. — Eu disse que ela ia nos honrar — declarou Cassandra, sua voz ecoando, voltada para todos. — Minha doce criança, pensei que a magia morreria — disse uma mulher de cabelos brancos, encarando Lucy com olhos gentis, mas penetrantes. — Mas ela está aqui. A última Sales vai honrar nosso nome — afirmou um homem que Lucy reconheceu como o irmão de Anastácia, sua voz carregada de orgulho. — Lucy, você não sabe os princípios básicos da magia. Vou te contar — disse a mulher de cabelos brancos, pegando a mão de Lucy e conduzindo-a ao centro do círculo. — Sim — respondeu Lucy, hesitante, sentindo o peso dos olhares. — A magia vem de nós, da sua família — explicou a mulher. — Mas saiba que a magia, em si, é sua. Porém, tem que ter cuidado. Tudo que é precio
Cedric chegou em casa, o rosto pálido, ainda atordoado pela rejeição de Lucy. Seus passos ecoavam no silêncio do hall, o peso da conversa com ela esmagando seu peito.— Correu atrás dela, não foi? — perguntou Carolyn, aparecendo na sala, a voz carregada de raiva.— Sim — respondeu Cedric, seco, evitando o olhar da irmã.— O que mais é preciso pra você se afastar dela? — exclamou Carolyn, cruzando os braços. — Ela me machucou, Cedric!— Me deixa, Carol! — retrucou ele, a voz cansada, subindo as escadas.— Você não vê como ela nos afasta, como ela te faz mal? — insistiu Carolyn, seguindo-o até o corrimão.— Não se preocupa — disse Cedric, parando, os olhos opacos. — Ela não vai me fazer mal algum.— O que tá dizendo? — perguntou Carolyn, franzindo a testa.— Lucy não quer ficar comigo — confessou Cedric, a voz quase um sussurro, carregada de dor.— Não quer? — Carolyn estranhou, um brilho de surpresa nos olhos.— Não — confirmou ele, o rosto fechado.— E por que isso agora? — perguntou
Lucy entrou no quarto, jogou-se na cama e quis esquecer aquele dia. O aroma de jasmim pairava, sutil, como se Cassandra a observasse. Minutos depois, Catherine entrou. — Quer comer alguma coisa? — perguntou, preocupada. — Não — respondeu Lucy, seca. — Tem que se alimentar — insistiu Catherine. — Tô sem fome — disse Lucy, olhando para o teto. — Lucy… — começou Catherine, hesitando. — Diga — pediu Lucy, sem ânimo. — Tá pensando em aceitar? — perguntou Catherine, séria. — Aceitar o quê? — retrucou Lucy, sabendo exatamente do que ela falava. — Sei que, de alguma forma, você tá considerando — disse Catherine. — Tenho que dizer: sua avó não aprovaria. — Não aprovaria? — exclamou Lucy, sentando-se na cama, irritada. — Então me diz por que me prendeu aqui? — Não posso dizer — respondeu Catherine, desviando o olhar. — Segredos — disse Lucy, amarga. — Não sei em quem confiar, quem mente pra mim. Tô sozinha nisso. — Não tá — afirmou Catherine, com firmeza. — Sabe, Catherine, às vez