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Acordo selado ( Helena)

last update Fecha de publicación: 2025-11-25 13:32:30

Desde criança eu sabia que meu futuro não me pertencia. Filha de mafiosos, fui criada para ser moeda de troca, uma peça em alianças que fortalecem famílias e negócios. Na máfia, não há espaço para sonhos: há apenas deveres.

Naquela tarde, meu pai me chamou com solenidade. Sentei diante dele e de minha mãe, que carregava sempre um semblante contido. O silêncio pesava até que sua voz cortou o ar:

— Filha, você já é uma mocinha. Chegou a hora de se casar.

Baixei os olhos para meus pés. O coração acelerava, mas minha boca não ousava se abrir.

— Você irá se casar com Salvatore Mancini, futuro dom da Cosa Nostra.

Minha mãe me olhou com compaixão. Eu conhecia a fama de Salvatore: mulherengo, sanguinário, temido.

— Leônidas, você acha mesmo que ele é bom para nossa filha? — arriscou ela.

— Não fale besteira, Rosana. Ele é filho do líder Master da Cosa Nostra. O pai vai se aposentar e Salvatore ocupará o cargo. Que marido melhor poderíamos arranjar? — respondeu meu pai, firme, sem hesitar.

Minha mãe se calou. Meu pai se aproximou de mim, imponente.

— Eles virão à noite. Suba e se arrume. Quero você impecável.

— Está bem, pai.

— Aja como te ensinamos. Seja gentil e educada.

— Tudo bem, pai — murmurei, engolindo seco.

Subi as escadas lentamente, cada passo ecoando como um presságio. No quarto, tomei um banho demorado, tentando lavar o peso que me sufocava. Ao sair, encontrei minha mãe segurando um vestido azul-turquesa.

— Este vestido vai ficar perfeito em você, filha.

O tecido abraçou minha cintura, a saia plissada caiu com elegância. Passei apenas um gloss e uma leve maquiagem. Deixei os cabelos soltos. Minha mãe me olhou com tristeza, lágrimas surgindo nos olhos.

— Está tão linda... — disse, antes que a voz se quebrasse.

Abracei-a, tentando confortá-la, mas também a mim mesma.

— Está tudo bem, mãe.

Uma batida na porta nos interrompeu.

— Os convidados chegaram. O senhor Leônidas pediu para vocês descerem — anunciou a empregada.

Minha mãe secou as lágrimas e forçou um sorriso.

— Vou descer primeiro, filha. Não demore.

Fiquei sozinha diante do espelho. Por fora, parecia forte. Por dentro, era apenas fragilidade. Respirei fundo, reuni coragem e desci as escadas.

As vozes masculinas já ecoavam pelo salão.

— Boa noite... — disse, tentando soar firme, mesmo que minha alma tremesse.

Os três homens me fitaram de cima a baixo, como se eu fosse um animal exposto em julgamento. O peso daqueles olhares me atravessava, deixando-me pequena diante deles.

Meu pai ergueu a mão em minha direção, orgulhoso:

— Senhores, esta é minha filha, Helena. Helena, este é Richard e Salvatore, o seu noivo.

Quando meus olhos se encontraram com os de Salvatore, encolhi. Havia frieza ali, um olhar que me despia e me media, julgador, como se já conhecesse cada fraqueza minha.

Cumprimentei richard com polidez. Já Salvatore segurou minhas mãos entre as dele e as levou aos lábios, demoradamente. O gesto, carregado de posse, fez meu rosto corar.

Sentei-me ao lado de minha mãe, enquanto meu pai conversava animadamente com os homens sobre negócios. Logo fomos avisados de que o jantar estava servido. À mesa, sentei-me ao lado de Salvatore e, durante todo o tempo, evitei encarar seus olhos.

Depois do jantar, meu pai e Richard permaneceram no sofá, bebendo whisky. Mandaram que eu mostrasse Salvatore o jardim. Eu sabia: queriam que ficássemos a sós. Caminhei à frente dele, sentindo o coração bater descompassado. Sua presença era sufocante, sua aura imponente me dominava como uma sombra inevitável. No jardim, paramos diante de um banco de cimento e nos sentamos. O cheiro almíscar de sua pele invadiu minhas narinas. Arrisquei olhar de perto: ele era um homem de beleza perigosa. Rosto simétrico, mandíbula marcada, barba rala, uma cicatriz discreta na bochecha e cabelos compridos e revoltos .

— Está gostando da vista? — perguntou, com deboche nos olhos negros.

— Eu… — abaixei a cabeça, incapaz de sustentar o olhar.

Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo.

— Minha noiva… tão bela. Não faz ideia do que lhe espera.

Forcei um sorriso, lembrando das palavras do meu pai: seja gentil, seja educada.

— O que me espera?

— Logo você descobrirá… — murmurou, como se fosse promessa e ameaça ao mesmo tempo.

Um arrepio percorreu meu corpo. Tentei me afastar, mas ele me agarrou com força, esmagando-me contra o peito e colando sua boca à minha. Virei o rosto, impedindo seus avanços.

Desvencilhei-me e me levantei, pronta para correr. Mas ele também se ergueu, bloqueando minha passagem.

— Calma, anjo. Não vou te machucar.

— Me deixa ir…

Ele estendeu o braço, firme.

— Saímos juntos e voltaremos da mesma forma: como um casal.

Não tive escolha. Engatei meu braço no dele. Sozinha, jamais conseguiria enfrentar aqueles dois metros de altura e a massa muscular que parecia um muro diante de mim.

Voltamos ao salão. Meu pai e Richard nos observaram satisfeitos.

— Formam um belo casal… — disse meu pai.

Salvatore, lacônico, acrescentou:

— Poderia ser um pouco mais velha, ainda é um bebê para mim

Meu pai, desconcertado, respondeu:

— Quando me casei com a mãe dela a mesma era da idade de Helena, nao tive problemas nenhum, foi uma excelente esposa. Apesar de Helena ter apenas dezenove anos, é muito ajuizada., esteve uma boa parte em um convento onde aprendeu bons modos e a se comportar como uma perfeita dama. você não encontrará uma esposa mais prendada que Helena .

Salvatore me lançou um olhar debochado.

— imagino que não mesmo.

Então, diante de todos, pediu oficialmente minha mão a meu pai. O contrato estava firmado.

Não havia como fugir. Eu me casaria com o odioso Salvatore Mancini.

Assim que a cerimônia informal terminou, caminhei de volta ao meu quarto. Cada passo parecia mais pesado que o anterior, como se correntes invisíveis me arrastassem.

Fechei a porta atrás de mim e, sem forças para manter a postura, me joguei sobre a cama chorando convulsivamente.

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