INICIAR SESIÓNLaura sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
As últimas palavras de Vincenzo ainda ecoavam em sua mente, viva por enquanto.
Era como se sua vida tivesse sido reduzida à vontade de um único homem.
Os seguranças se aproximaram, mas desta vez ela não tentou correr. Sabia que seria inútil.
As pernas mal conseguiam sustentá-la, e o desespero já havia consumido toda a força que restava em seu corpo.
Matteo parou diante dela.
Ao contrário dos outros homens, havia certa discrição em seu semblante.
— Venha.
Laura permaneceu imóvel.
— Eu... eu preciso voltar para casa.
Sua voz saiu quase inaudível.
— Minha mãe...
Matteo desviou o olhar por um instante.
— Não torne isso mais difícil.
Ela sentiu as lágrimas voltarem.
— Ela está sozinha...
Nenhuma resposta veio.
Dois homens abriram caminho até o elevador privativo.
Laura foi conduzida entre eles.
Quando as portas se fecharam, o silêncio tornou-se sufocante.
Ninguém dizia uma palavra.
O elevador começou a descer lentamente.Ela encarava seu reflexo nas portas de aço.
Os cabelos estavam completamente desalinhados.
A maquiagem havia sido destruída pelo choro.
As mãos tremiam tanto que ela precisou escondê-las atrás do corpo.
"Mãe... me perdoa..."
Enquanto isso...
Vincenzo caminhava calmamente pelo último andar do hotel.
Seu passo permanecia firme,controlado.
Como se nada de extraordinário tivesse acontecido.
Ao seu lado, Lorenzo o acompanhava em silêncio.
Foi ele quem rompeu o silêncio.
— Don... vai mesmo levá-la para a mansão?
Vincenzo sequer diminuiu o passo.
— Sim.
— Ela viu apenas alguns segundos.
— Alguns segundos são suficientes.
Lorenzo respirou fundo.
— Os outros chefes podem interpretar isso como fraqueza.
Vincenzo finalmente parou.
Virou-se lentamente.
Seu olhar cinzento encontrou o do homem.
— Você acredita que tomei essa decisão por pena?
Lorenzo abaixou a cabeça imediatamente.
— Não, Don.
— Ótimo.
Vincenzo voltou a caminhar.
— Ela é uma testemunha.
— Então por que não eliminá-la?
O Don permaneceu alguns segundos em silêncio.
Nem ele sabia explicar completamente.
Havia algo naquela garota.
A forma como havia implorado.
Não por si. Mas pela mãe.
Aquilo era incomum.
Quase impossível.
Em seu mundo, todos escolhiam salvar a própria pele.
Laura escolhera outra pessoa. Isso despertava perguntas.
E Vincenzo nunca ignorava perguntas.
Porque respostas podiam significar poder.
O carro preto deixou a garagem do hotel poucos minutos depois.
Laura observava a cidade através da janela.As luzes de Verona passavam rapidamente diante de seus olhos.
Ela conhecia aquelas ruas.Mas, naquela noite, tudo parecia diferente.Distante.Como se jamais voltasse a caminhar por elas.
Tentou memorizar o caminho.Talvez pudesse fugir depois.
Mas logo percebeu que era impossível.Dois carros seguiam à frente.
Outros dois atrás.Era praticamente um comboio.
Ela fechou os olhos. A única imagem que surgia em sua mente era a da mãe.
Sozinha.Esperando que a filha chegasse do trabalho.
Sem imaginar que sua vida havia mudado para sempre.
As lágrimas voltaram a escorrer. Matteo percebeu.
Pegou o celular discretamente.
— Don...
A voz de Vincenzo surgiu do outro lado da ligação.
— Fale.
— Ela está preocupada com a mãe.
Houve alguns segundos de silêncio.
— Descubram quem cuida da senhora Bianchi.
— Sim, Don.
— Se ninguém cuidar...
Outra pausa.
— Providenciem medicamentos e alimentos.
Matteo franziu discretamente a testa.Era uma ordem inesperada.
— Sem que saibam quem enviou.
— Entendido.
Laura ouviu apenas parte da conversa.Não compreendeu tudo.Mas percebeu que haviam mencionado sua mãe.
Olhou imediatamente para Matteo.
— O que vão fazer com ela?
Ele guardou o celular.
— Isso não lhe diz respeito.
— Por favor...
Nenhuma resposta.
Quase uma hora depois...
Os enormes portões de ferro começaram a se abrir lentamente.
Laura prendeu a respiração.A mansão era gigantesca.
Iluminada por dezenas de refletores.Jardins perfeitamente cuidados cercavam toda a propriedade.Fontes de mármore refletiam a luz da lua.
Era um lugar digno de reis.
Mas ela não enxergava beleza alguma.Via apenas uma prisão.
O carro parou diante da entrada principal.Antes mesmo que pudesse reagir, um dos homens abriu a porta.
— Desça.
Laura obedeceu.As pernas ainda tremiam.
Subiu lentamente os degraus de mármore.As enormes portas de madeira se abriram.
Uma mulher de aproximadamente cinquenta anos aguardava na entrada.
Vestia roupas elegantes, mas discretas.Seu semblante transmitia serenidade.
Ela fez uma leve reverência.
— Boa noite, Don.
Vincenzo entregou o paletó a um empregado.
Depois apontou discretamente para Laura.
— Teresa.
— Sim, senhor.
— Ela ficará aqui.
A mulher lançou um rápido olhar para a jovem.
Notou imediatamente os olhos inchados, o rosto pálido e o medo estampado em cada gesto.
Sentiu pena.Mas não demonstrou.
Naquela casa, ninguém questionava as ordens do Don.
Jamais.
— Prepare um quarto.
Teresa assentiu.
— Como desejar.
Vincenzo voltou a olhar para Laura.
Ela continuava parada na entrada, completamente perdida.
— Enquanto estiver nesta casa, seguirá minhas regras.
Sua voz era calma.
Fria.
— Não sairá sem minha autorização.
— Não usará telefone.
— Não fará perguntas sobre meus negócios.
— E nunca tentará fugir.
Laura reuniu coragem para falar.
— Eu... posso telefonar para minha mãe?
O silêncio tomou conta do enorme hall.
Vincenzo a observou durante alguns segundos.
Seu rosto permaneceu impassível.
Então respondeu:
— Amanhã.
Os olhos de Laura se encheram de esperança.
— Eu vou poder falar com ela?
Ele caminhou lentamente até ficar diante dela.
Baixou um pouco a cabeça.
— Se eu estiver satisfeito com seu comportamento.
A esperança desapareceu quase no mesmo instante.
Ela compreendeu.
Até ouvir a voz da própria mãe dependeria da vontade daquele homem.
Vincenzo deu as costas.
Antes de subir a escadaria principal, pronunciou apenas mais uma ordem.
— Teresa...
— Sim, Don.
— Não a deixem sozinha em nenhum momento.
Laura fechou os olhos.
Naquele instante, entendeu a verdade mais cruel de todas.
Ela não era uma convidada.
Não era uma protegida.
Era uma prisioneira.Antes de entrar em seu escritório, Vincenzo permaneceu alguns segundos imóvel diante da enorme janela da biblioteca.
A noite envolvia a propriedade em um silêncio quase absoluto.
Lá fora, a chuva começava a cair sobre os jardins da mansão.
Lentamente.
Constante.
Ele afrouxou o nó da gravata sem desviar os olhos da escuridão.
Sua mente, porém, não estava na reunião que teria dali a pouco.
Nem nos carregamentos que chegariam ao porto na manhã seguinte.
Estava em seu olhar tão inocente, algo diferente do que ele costuma vê.
Vincenzo permaneceu no escritório por mais alguns minutos, tentando convencer a si mesmo de que precisava apenas terminar o trabalho.Mas não conseguia.Seus olhos percorriam os documentos sobre a mesa, enquanto sua mente insistia em voltar para o jardim.Laura sentada naquele banco.Sozinha.Com os olhos cheios de lágrimas.Ele fechou os olhos por um instante.Por que aquilo o incomodava tanto?Era uma pergunta simples.E, ainda assim, Vincenzo não conseguia encontrar uma resposta que considerasse aceitável.Ele já havia visto pessoas chorarem antes.Muitas.Homens implorando pela própria vida.Mulheres desesperadas.Famílias destruídas pelas consequências de decisões que ele mesmo havia tomado.Nada daquilo costumava afetá-lo.Ele observava.Tomava suas decisões.E seguia em frente.Então por que as lágrimas de Laura permaneciam em sua cabeça?Vincenzo abriu os olhos e encarou a escuridão do lado de fora da janela.— Isso é ridículo... — murmurou para si mesmo.Passou a mão pelos ca
Vincenzo permaneceu alguns segundos em silêncio, olhando para Laura.Ele não perguntou o que havia acontecido.Os olhos marejados dela já diziam o suficiente.Vincenzo aproximou-se devagar.Parou diante dela e segurou seu rosto delicadamente, fazendo com que levantasse os olhos.— Olhe para mim.Laura obedeceu.Ele examinou seu rosto por alguns segundos.— Você está bem?Ela hesitou.— Agora estou.Vincenzo sustentou o olhar dela por mais alguns segundos.Então estendeu a mão e segurou a dela.Seus dedos se entrelaçaram aos dela.Só depois virou-se para a mulher.Ela ainda estava parada alguns passos atrás.Vincenzo caminhou até ela sem pressa.Parou diante dela.A mulher tentou manter a postura.— Vincenzo...Ele a observou por alguns segundos.— Você passou dos limites.A mulher respirou fundo.— Eu apenas—— Não precisa se justificar.A voz dele era baixa e firme.— O que aconteceu aqui não deveria ter acontecido.Ela abaixou os olhos por um instante.— Talvez eu tenha sido um pouc
A noite terminou tranquila.Depois de tudo o que havia acontecido, Laura finalmente conseguiu descansar.Ela e Vincenzo permaneceram no mesmo quarto. Laura adormeceu primeiro, exausta, enquanto Vincenzo ficou algum tempo acordado, perdido nos próprios pensamentos.A gravidez ainda era uma novidade difícil de assimilar.Não para ele, que já sabia desde o dia anterior, mas para a própria vida que agora começava a tomar uma direção diferente.Na manhã seguinte, Vincenzo despertou cedo.Ainda sonolento, virou o rosto e encontrou Laura dormindo ao seu lado.Permaneceu imóvel.Não a acordou.Apenas ficou ali, observando-a.Os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto tranquilo e uma das mãos repousando sobre o ventre.Vincenzo desviou os olhos para aquela mão.Ainda não havia nenhuma mudança visível.Mas ele sabia que seu filho estava ali.Seu herdeiro.Aquela mulher lhe daria um filho.Por alguns instantes, Vincenzo se permitiu apenas observá-la.Laura parecia tão vulnerável enquanto do
Vincenzo subiu novamente para o quarto depois de terminar de dar as ordens aos funcionários.Precisava sair.Havia assuntos da organização que não podiam simplesmente ser deixados de lado, mesmo diante de tudo o que acontecera naquela manhã.Entrou em seu quarto, trocou a roupa que usara no hospital e vestiu uma camisa preta, deixando os primeiros botões abertos. Colocou o relógio no pulso e pegou o paletó.Antes de sair, porém, seus passos o levaram até o quarto de Laura.A porta estava entreaberta.Ele parou.Laura estava sentada sobre a cama, encostada na cabeceira.Permanecia completamente perdida em seus pensamentos.Uma das mãos repousava sobre o próprio ventre.Seu olhar estava distante.Vincenzo ficou alguns segundos observando-a.Ainda era estranho pensar que havia uma criança ali.Seu filho.A notícia continuava ecoando em sua mente.Ele entrou.Laura percebeu sua presença, mas não levantou os olhos.— Vou sair.Nenhuma resposta.Vincenzo caminhou até a porta.— Não devo dem
O silêncio permaneceu no quarto.Laura continuava com a mão sobre o ventre.Seus olhos estavam fixos em algum ponto à frente, como se ainda tentasse compreender o que acabara de ouvir.Grávida.Pouco mais de um mês.A palavra parecia não pertencer à sua realidade.Então, de repente, o rosto dela se desfez.As lágrimas começaram a cair.Primeiro algumas.Depois muitas.Laura levou as duas mãos ao rosto e começou a chorar.Não era um choro silencioso.Era um choro profundo, desesperado, carregado de tudo o que havia acontecido nos últimos dias.A morte da mãe.O casamento.A vida que havia perdido.Aquela casa.Vincenzo.E agora uma criança.Seu filho.Uma criança que ela ainda nem conhecia, mas que já carregava dentro de si.— Não...Ela balançou a cabeça.— Não pode ser.O médico permaneceu próximo à cama.— Laura, tente respirar.Ela não conseguia.— Eu não posso...Sua voz falhou.— Eu não posso estar grávida.Vincenzo permaneceu parado.Por fora, não demonstrava absolutamente nada.
Vincenzo entrou no quarto algum tempo depois.Laura continuava dormindo.O rosto estava tranquilo agora, embora ainda carregasse as marcas do cansaço e das lágrimas dos últimos dias.Ele fechou a porta atrás de si e permaneceu parado.Por alguns segundos, apenas observou.Os aparelhos ao lado da cama marcavam o ritmo constante da respiração dela.Vincenzo caminhou até a cadeira e se sentou.Seu olhar permaneceu sobre Laura.Aquela mulher havia conseguido fazer algo que ninguém jamais fizera.Entrar em sua cabeça.Permanecer nela.Mesmo quando ele não queria.Mesmo quando tentava se convencer de que ela era apenas uma responsabilidade.Apenas a consequência de uma situação que precisava ser resolvida.Uma testemunha de um crime.Era assim que tudo havia começado.Laura havia visto demais.Sabia demais.E, por causa disso, tinha se tornado um problema para Vincenzo.Naquela época, ele não havia pensado duas vezes antes de usar a única coisa que poderia controlá-la.A mãe.A mulher estav







