INICIAR SESIÓNSafira
Eu estava quieta no meu quarto, lendo um livro qualquer enquanto meu pai estava ocupado, como sempre.
Eu nunca convivi com a minha mãe e sempre que eu pergunto sobre ela meu pai fala alguma coisa diferente. Eu já desisti a muito tempo de enfrentá-o, eu sempre tomo uns t***s porque ele não tem um pingo de consideração comigo. Pra ele eu sou apenas uma mercadoria, uma coisa que se possa trocar por outra coisa, e nesse caso eu sei exatamente qual será o negócio.
Nessa noite acontecerá um jantar, meu pai me pediu para ficar impecável. Limpa e bem arrumada.
Eu passo oitenta por cento dos meus dias aqui dentro desse quarto, e por passar tanto tempo certo dia decidi mudar algumas coisas de lugar e encontrei uma passagem secreta. Parece coisa de filme, mas é real ! Nossa casa é muito antiga, nem sei ao certo quem construiu, mas duvido que meu pai saiba sobre a passagem.
Eu ando bem pensativa, ainda sou uma criança e não conseguiria me virar na rua, preciso esperar mais alguns anos. Sei que as meninas da máfia se casam aos 18 anos, então até lá preciso estudar uma maneira de fugir dessa vidinha. Provavelmente, me amando da maneira que me ama, meu pai me casará com um maluco, velho e feio. É o que mais tem na nossa organização falida.
Ah é, esqueci de mencionar que meu pai é um péssimo administrador e que estamos quase falidos. Eu escuto apenas sussurros pelos corredores, mas o pouco que eu sei já diz bastante sobre a *merda que vivemos.
Conforme o dia ia passando eu me sentia mais nervosa. Alguns carros estacionaram e eu não tive tempo de ver quem era. Me arrumei rápido e da maneira que dava, até porque minhas roupas não são novas, mas eu procuro cuidar bem delas. Coloquei um vestido rodado que ganhei no ano passado, mas ainda me servia. Penteei meu cabelo e coloquei um par de brincos que gosto muito.
_ Entre.
Falei quando ouvi uma batida na porta do quarto. Uma das poucas empregadas que restou na casa, Adelaide, entrou com um sorriso forçado nos lábios.
_ Esta na hora minha menina.
Disse ela com ternura.
_ Você sabe porque o papai quer me apresentar assim? Tão repentinamente?
Eu sabia, ela sabia, todos sabiam.
_ Não.
Disse ela. Eu apenas balancei a cabeça concordando.
Descemos as escadas em silêncio, de longe eu conseguia ouvir a voz enjoativa do meu pai.
_ E por falar em jovem, aí está minha menina, Safira.
Disse ele enquanto apertava meus ombros. Observei todos na mesa, todos extremamente esquisitos. Principalmente a mulher sentada na ponta da mesa. É nítido que ela é perigosa, será que meu pai não percebeu? Olhei para os soldados e não reconheci deles, será que são novos? Eu conheço quase todos, são gentis mas cegos e apoiam meu pai em suas loucuras.
_ Safira é minha jóia preciosa, e quero entregá-la a você em casamento. Se fecharmos negócios hoje, você já pode levá-la.
Disse meu pai com a maior naturalidade e com um sorriso no rosto. O pavor começou a me consumir. Como assim me levar ainda hoje ? Ele está tão desesperado assim por poder ?
_ E quantos anos ela tem?
Perguntou à mulher estranha.
_ Treze.
Respondi com a voz mais baixa do que o desejado.
_ Me parece uma proposta excelente!
Disse o homem sentado próximo da mulher. Ele estava com um sorriso zombeteiro nos lábios, mas seus olhos azuis são bem expressivos. Sou uma menina que repara muito nas pessoas, talvez esse seja meu erro.
_ Concordo plenamente querido.
Disse ela ao secar a taça.
_ E então, temos um acordo?
_ Claro, temos sim!
Meus olhos se encheram de lágrimas.
_ Ótimo, faça suas malas.
Disse papai. Subi as escadas correndo. Adelaide veio atrás de mim me pedindo calma.
_ Calma? Como posso ter calma? Você viu aquele homem?Aquela mulher?
Comecei a amontoar as poucas roupas dentro das malas que Adelaide estava me dando, mas precisei de uma só.
_ Eu vou fugir, não posso ir com aquele homem e muito menos com aquela mulher.. tem alguma coisa estranha Adelaide..
_ Ah menina, pare de reparar,você tem que parar! Está ficando cada dia mais perigosa essas suas deduções.
Ouvimos um barulho estranho.
_ Nos trancaram..
Sussurrou Adelaide ao tentar abrir a porta.
Eu sabia, eu sabia que tinha alguma coisa estranha.
(...)
Um soldado me trouxe pra um hotel estranho. Tentei fugir pela passagem, mas Adelaide me segurou e disse que seria pior, que era melhor eu esperar. Óbvio que achei uma ideia ridícula mas quando eu ia fugir o soldado entrou no quarto. Não consegui ver e nem ouvir nada, foi tudo muito rápido..
A porta do quarto foi aberta. Meu coração quase disparou ao ver a mulher, agora, suja de sangue. Mas sangue de quem ?
_ Vou ser rápida e objetiva. Você pode ir comigo para a Colômbia, ficar até os dezoito anos em um convento, ou iniciar um treinamento de soldado e quando terminar estará pronta pra me *matar e vingar seu papai querido..
Ofereceu a mulher com um sorriso horroroso no rosto. Acho que agora sei quem ela é..
_ Ou você pode vir comigo e viver em minha casa por quanto tempo precisar. Não vou tocar em você, não gosto de crianças. Pode escolher em quais escolas quer estudar e vou lhe prestar suporte no que você quiser e precisar.
Ofereceu o homem, calmamente. A dúvida estava dançando em meu rosto e o medo também.
_ Escuta garota, ele não vai tocar em você porque se ele fizer isso ele vai ter um fim muito trágico, mas se quiser vir comigo não posso manter você na minha casa, é perigoso e você pode decidir me *matar a qualquer momento. Enfim, quero que você escolha logo, não tenho a noite toda.
Disse a mulher com raiva. Ela fez uma cara tão assustadora que eu quase caí pra trás. Minha única reação foi correr e abraçar aquele homem estranho. Ele era o único ali que parecia ser um pouco normal.
_ Très bien, vamos partir.
Disse ele acariciando meus cabelos.
Caminhamos até outro carro preto e fizemos um trajeto curto até um aeroporto. Ele me lançou um sorriso carinhoso mas infelizmente não consegui retribuir. Imagino o que aconteceu com meu pai, só não imaginava que fosse acontecer tão cedo..
SafiraMeses depois._ Ah meu Deus, que amor !_ Sim, ela é a minha cara !Disse Claire enquanto acariciava a pequenina. Lorena nasceu super cabeluda e branquinha, é a cópia da minha amiga porém bebê. Os cabelinhos loiros e as bochechinhas rosadas a deixam ainda mais fofinha. Claire teve uma gestação bem conturbada, cheia de inseguranças e vários surtos de como seu corpo estava mudando e medo que Benicio não a quisesse mais. Óbvio que tudo isso parece sumir ao ver a pequenina em seus braços._ Minha princesinha..Benicio está com os olhos brilhando ao encarar as duas mulheres de sua vida. Marcel entrou no quarto e sorriu ao ver Claire, a primeira vez que vejo ele sorrir para ela._ Parabéns, sua princesa é perfeita!Disse meu marido ao observá-la. Nosso menino balbuciou alguma coisa ao ver a nenê, parecia interessado em ter alguém pra fazer bagunça junto com ele. Óbvio que vai demorar ainda, mas acredito que essas dois serão grandes amigos.Ficamos longos minutos conversando e quando
Um tempo depois..MarcelVoltar pra casa após o parto de Safira foi uma loucura total. Ela disse que exagerei na escolta mas fui apoiado pelos anciãos que estavam ansiosos para conhecerem Luci. Só autorizei que eles fizessem uma visita após as primeiras vacinas do nosso pequeno. E por falar em vacina, por que não inventaram algo que eles pudessem tomar? Porra, tive que usar todo um autocontrole pra não surtar enquanto a doutora enfiava a agulha no meu pequeno. Meu coração quase esfarelou quando ele gritou com a dor e surpresa. Safira chorou junto com ele, mas eu me mantive forte por fora, porque por dentro doeu demais vê-lo assim.Quando finalmente recebemos a visita dos velhos do conselho fiquei surpreendido. Eles se alegraram ao ver o grande menino que nosso bebê é e trouxeram até presentes. Por dentro me senti muito orgulhoso de mim, por estar sendo esse pai protetor e amoroso, mas sempre busco não encher meu ego, não estou fazendo nada além da minha obrigação. Safira tem descansad
SafiraParece que nosso menino quer nascer um pouquinho antecipado. Já fazem três dias que estou aqui e Marcel vai acabar abrindo um buraco no chão de tanto que anda pra lá e pra cá. Eu fico admirada com toda a segurança e cuidado, mas sei lá, to achando meio exagerado.Claire veio me ver duas vezes e teve que passar até por uma revista. Eu achei um absurdo e reclamei com meu marido que pareceu não dar muita importância. É como se o que eu estivesse pensando ou deixando de pensar não valesse muito. Isso é incrivelmente irritante e me deixa chateada.Fechei meus olhos tentando dormir um pouco mas fui interrompida por ele enquanto entrava no quarto._ Petit, como se sente ?Perguntou ele enquanto se aproximava apalpando minha barriga._ Enorme.Resmunguei. Realmente nessa etapa final eu sinto como se fosse explodir a qualquer momento._ Você está linda, perfeita.Disse ele sorrindo. Não acredito mais nesses elogios e não é por mal, eu só acho que os olhos dele estão me vendo de uma form
MarcelO grande dia da minha vida se aproxima. Logo logo nosso menino vai nascer e Safira está simplesmente linda e perfeita. Claro, passamos por momentos bem conturbados devido a morte de Elizabeth e com o sumiço de Jorge. Sendo sincero eu não sei onde ele anda, mas às vezes ele manda mensagens dizendo que está tudo bem e que é para Safira ficar tranquila que logo ele volta para conhecer nosso filho. Eu poderia sim mandar caça-lo, puni-lo por desobediência. Mas o que eu ganharia em troca? Não há honra em punir um homem quebrado como Jorge. Eu sinto muito por sua perda, isso afetou a mim também, mas sei que aquela mulher está em paz, não seria vida viver com dor, com desconforto. Foi o melhor.Agora Safia pareceu começar a aceitar a perda e está mais concentrada em seus afazeres. Claro, eu disse a ela que não precisava fazer nada, que poderia ficar descansando em tempo integral, mas ela insiste em trabalhar, em se movimentar. Por um lado eu entendo, é bom até mesmo para o nosso menino
Seis meses depois..SafiraEu nunca poderia imaginar ter que lidar com a dor da perda, ainda mais de uma pessoa tão querida e importante pra mim.Eu desconfiei que havia algo de errado desde o início, mas jamais poderia imaginar que minha amiga estava partindo aos poucos. Eu sei que deveria ficar feliz em saber que ela foi nos braços de quem amava e em paz, num lugar lindo de se ver, mas a dor sempre fala mais alto.Observo mais uma vez o túmulo da minha melhor amiga enquanto acaricio minha barriga enorme. Honestamente não me sinto uma grávida feliz, a morte de Beth falou mais alto desde o início e arrancou do meu peito qualquer resquício de felicidade que eu pudesse ter.Descobrimos que nosso bebê é um menino grande e forte, perfeito. Fiquei feliz pela saúde dele, mas fiquei triste por não ter a pessoa que eu gostava para compartilhar. Claro, eu tenho Claire também, mas senti que ela ficou mais abalada que eu. As duas fizeram planos juntas e Claire tinha apenas eu e Beth._ Petit, va
ElizabethPassei boa parte da minha vida trabalhando e me preocupando com a minha mãe que está sob cuidados médicos que acabei me descuidando de mim mesma. Tive um relacionamento infeliz e abusivo que me fazia sentir um lixo todos os dias, que me machucava e ainda dizia que a culpa era minha mesma. Eu acabei me deixando afundar e não percebi o que estava acontecendo. Depois das surras constantes e machucados que começaram a aparecer sem explicações eu vi que já estava entregue a m*rte.É algo h*rrivel de se dizer, mas realmente está acontecendo. Jorge, meu querido Jorge nem desconfiava até que as coisas foram ficando mais sérias. Meus cabelos começaram a cair e tive que apelar para um cabelo que não é meu. Óbvio que ele iria perceber, uma hora ou outra. Ele foi gentil em conversar comigo sobre isso e meu patrão mais gentil ainda em me fornecer acesso a um tratamento mais agressivo. Tudo tem seus prós e contras. Me sinto cansada com mais frequência, mais indisposta pra tudo. Só não dei