INICIAR SESIÓNSafira
O quarto é super lindo, lindo de todas as formas possíveis. Dá pra ver que Marcel está fazendo o possível para me acomodar e me deixar à vontade. Pra mim é novidade tudo isso, eu nunca recebi carinho, presentes e muito menos um abraço tão reconfortante como o que ele me proporcionou. Senti meu coração mais quentinho e minhas esperanças de uma vida boa e segura se reconstruindo.
Eu já havia deixado de lado qualquer perspectiva de um dia poder me casar com alguém que eu realmente amasse, de ser amada e receber todo o carinho e atenção que eu não recebi quando era pequena. Eu não digo que menti descaradamente quando falei que não sinto falta pelo o que perdi quando era criança, como vou sentir falta de uma coisa que eu nunca tive? Mas seria interessante recuperar o tempo perdido. Não vou conseguir sentir falta do meu pai, ele nunca foi um pai, ou até tentou, mas não foi um pai pra mim. Às vezes eu tinha a impressão que ele me teve apenas pra suprir um buraco vazio, pra ter um herdeiro de sua máfia e quando veio uma menina ele optou por ter apenas uma moeda de troca.
Bom, se eu soubesse que em algum momento eu iria conhecer uma pessoa boa de verdade eu teria recebido todos os insultos com mais alegria e mais conformada.
Agora, espero que Marcel possa descobrir quem é minha mãe verdadeira, porque papai só me enrolava.
Entrei debaixo do chuveiro quentinho, tomei um bem demorado e lavei meu cabelo com um shampoo que eu trouxe. Coloquei um pijama velhinho mas super discreto e uma pantufa preta com meias coloridas. Eu estava um charme, com roupas velhas, meias coloridas e com a cara beeem lavada enquanto meu cabelo pingava olhando minha blusa de mangas compridas. Saí do quarto e fui fazer exatamente o que Marcel me falou, explorar. Comecei a andar pelas portas, a maioria dos quartos estavam com as portas abertas, na verdade, todos. Um quarto, no final do corredor me chamou a atenção. Sua porta estava fechada e eu desconfiei que fosse o quarto de Marcel. Dei meia volta e fui explorar os outros corredores. A casa parece um labirinto mas por sorte decorei o caminho e cada passo que dei. Havia um quarto com a porta fechada também, mas a poeira na maçaneta me deixou curiosa. Coloquei minha mão e girei. Quando entrei me deparei com um quarto escuro, empoeirado e com lençóis brancos em seus móveis. A muito tempo ninguém vem aqui. Olhei pra trás conferindo que não tivesse ninguém. Fechei a porta e acendi as luzes. Eu sei que é ousado da minha parte, mas minha curiosidade sempre fala mais alto. Passei a mão em uma escrivaninha e meus dedos saíram pretos da sujeira. Fiz uma careta e limpei na minha calça preta.
Havia uma enorme cama de casal com cobertores grossos. Uma pequena mesa com uma louça que um dia foi branca mais ao lado e uma portinha. Entrei e descobri que era um banheiro com hidromassagem bem antiga. Caminhei pelo quarto e vi uma coisa quadrada e grande com um pano branco cobrindo, parecia ser um quadro. Puxei o tecido e realmente era um, porém um retrato de família pintado a tinta óleo.
Uma família feliz, sorridente. Um menino, uma linda mulher de cabelos bem *negros e um homem quase grisalho. O homem estava sentado em uma cadeira enorme, em seu colo estava a mulher usando um lindo vestido branco e o menino estava ao lado dos dois em pé.
_ Marcel?
Perguntei a mim mesma, mas *neguei na hora. Não era ele, o retrato estava muito bem pintado, era parecido, mas não era ele, eu tinha quase certeza.
Cobri novamente e explorei mais um pouco. Havia uma coisa de metal quadrada e pequena na parede, acho que era um cofre. Puxei a pequena maçaneta mas não abriu. Decidi que outro dia eu caminharia mais por aqui.
Apaguei as luzes e saí do quarto, andei pelo corredor escuro e comecei a descer as escadas.
_ Petit?
A voz de Marcel encheu meus ouvidos, me virei e vi que ele estava sentado na sala com um copo de suco nas mãos.
_ Oi.
Falei enquanto saltitava para o sofá em frente ao dele. O barulho da madeira queimando preencheu o silêncio que brevemente se formou entre nós.
_ Explorando?
Perguntou ele sorridente. Ele tinha nas mãos um celular.
_ Sim. O último quarto do corredor em que estou é seu ?
_ Sim. Cuidado para não se perder, a casa é enorme.
Disse ele enquanto voltava sua atenção para o celular.
_ Você já se perdeu?
Eu tinha vontade de solda-lo a respeito do quadro, mas senti que não seria uma boa ideia, de preferência que ele nem soubesse que eu estive naquele quarto.
_ Sim, quando eu era petit, menor que você.
Disse ele.
_ O que significa petit?
_ Pequeno. No seu caso, pequena.
Disse ele.
_ hum.
Me estiquei no sofá exibindo minhas meias coloridas com um furo enorme no dedão. Não senti vergonha, não estou nessa situação por vontade própria ! Acabei pegando no sono super rápido, não entendo o porquê sendo que dormi no avião, mas o calor da lareira e da casa me fizeram adormecer como se estivesse nas nuvens.
SafiraMeses depois._ Ah meu Deus, que amor !_ Sim, ela é a minha cara !Disse Claire enquanto acariciava a pequenina. Lorena nasceu super cabeluda e branquinha, é a cópia da minha amiga porém bebê. Os cabelinhos loiros e as bochechinhas rosadas a deixam ainda mais fofinha. Claire teve uma gestação bem conturbada, cheia de inseguranças e vários surtos de como seu corpo estava mudando e medo que Benicio não a quisesse mais. Óbvio que tudo isso parece sumir ao ver a pequenina em seus braços._ Minha princesinha..Benicio está com os olhos brilhando ao encarar as duas mulheres de sua vida. Marcel entrou no quarto e sorriu ao ver Claire, a primeira vez que vejo ele sorrir para ela._ Parabéns, sua princesa é perfeita!Disse meu marido ao observá-la. Nosso menino balbuciou alguma coisa ao ver a nenê, parecia interessado em ter alguém pra fazer bagunça junto com ele. Óbvio que vai demorar ainda, mas acredito que essas dois serão grandes amigos.Ficamos longos minutos conversando e quando
Um tempo depois..MarcelVoltar pra casa após o parto de Safira foi uma loucura total. Ela disse que exagerei na escolta mas fui apoiado pelos anciãos que estavam ansiosos para conhecerem Luci. Só autorizei que eles fizessem uma visita após as primeiras vacinas do nosso pequeno. E por falar em vacina, por que não inventaram algo que eles pudessem tomar? Porra, tive que usar todo um autocontrole pra não surtar enquanto a doutora enfiava a agulha no meu pequeno. Meu coração quase esfarelou quando ele gritou com a dor e surpresa. Safira chorou junto com ele, mas eu me mantive forte por fora, porque por dentro doeu demais vê-lo assim.Quando finalmente recebemos a visita dos velhos do conselho fiquei surpreendido. Eles se alegraram ao ver o grande menino que nosso bebê é e trouxeram até presentes. Por dentro me senti muito orgulhoso de mim, por estar sendo esse pai protetor e amoroso, mas sempre busco não encher meu ego, não estou fazendo nada além da minha obrigação. Safira tem descansad
SafiraParece que nosso menino quer nascer um pouquinho antecipado. Já fazem três dias que estou aqui e Marcel vai acabar abrindo um buraco no chão de tanto que anda pra lá e pra cá. Eu fico admirada com toda a segurança e cuidado, mas sei lá, to achando meio exagerado.Claire veio me ver duas vezes e teve que passar até por uma revista. Eu achei um absurdo e reclamei com meu marido que pareceu não dar muita importância. É como se o que eu estivesse pensando ou deixando de pensar não valesse muito. Isso é incrivelmente irritante e me deixa chateada.Fechei meus olhos tentando dormir um pouco mas fui interrompida por ele enquanto entrava no quarto._ Petit, como se sente ?Perguntou ele enquanto se aproximava apalpando minha barriga._ Enorme.Resmunguei. Realmente nessa etapa final eu sinto como se fosse explodir a qualquer momento._ Você está linda, perfeita.Disse ele sorrindo. Não acredito mais nesses elogios e não é por mal, eu só acho que os olhos dele estão me vendo de uma form
MarcelO grande dia da minha vida se aproxima. Logo logo nosso menino vai nascer e Safira está simplesmente linda e perfeita. Claro, passamos por momentos bem conturbados devido a morte de Elizabeth e com o sumiço de Jorge. Sendo sincero eu não sei onde ele anda, mas às vezes ele manda mensagens dizendo que está tudo bem e que é para Safira ficar tranquila que logo ele volta para conhecer nosso filho. Eu poderia sim mandar caça-lo, puni-lo por desobediência. Mas o que eu ganharia em troca? Não há honra em punir um homem quebrado como Jorge. Eu sinto muito por sua perda, isso afetou a mim também, mas sei que aquela mulher está em paz, não seria vida viver com dor, com desconforto. Foi o melhor.Agora Safia pareceu começar a aceitar a perda e está mais concentrada em seus afazeres. Claro, eu disse a ela que não precisava fazer nada, que poderia ficar descansando em tempo integral, mas ela insiste em trabalhar, em se movimentar. Por um lado eu entendo, é bom até mesmo para o nosso menino
Seis meses depois..SafiraEu nunca poderia imaginar ter que lidar com a dor da perda, ainda mais de uma pessoa tão querida e importante pra mim.Eu desconfiei que havia algo de errado desde o início, mas jamais poderia imaginar que minha amiga estava partindo aos poucos. Eu sei que deveria ficar feliz em saber que ela foi nos braços de quem amava e em paz, num lugar lindo de se ver, mas a dor sempre fala mais alto.Observo mais uma vez o túmulo da minha melhor amiga enquanto acaricio minha barriga enorme. Honestamente não me sinto uma grávida feliz, a morte de Beth falou mais alto desde o início e arrancou do meu peito qualquer resquício de felicidade que eu pudesse ter.Descobrimos que nosso bebê é um menino grande e forte, perfeito. Fiquei feliz pela saúde dele, mas fiquei triste por não ter a pessoa que eu gostava para compartilhar. Claro, eu tenho Claire também, mas senti que ela ficou mais abalada que eu. As duas fizeram planos juntas e Claire tinha apenas eu e Beth._ Petit, va
ElizabethPassei boa parte da minha vida trabalhando e me preocupando com a minha mãe que está sob cuidados médicos que acabei me descuidando de mim mesma. Tive um relacionamento infeliz e abusivo que me fazia sentir um lixo todos os dias, que me machucava e ainda dizia que a culpa era minha mesma. Eu acabei me deixando afundar e não percebi o que estava acontecendo. Depois das surras constantes e machucados que começaram a aparecer sem explicações eu vi que já estava entregue a m*rte.É algo h*rrivel de se dizer, mas realmente está acontecendo. Jorge, meu querido Jorge nem desconfiava até que as coisas foram ficando mais sérias. Meus cabelos começaram a cair e tive que apelar para um cabelo que não é meu. Óbvio que ele iria perceber, uma hora ou outra. Ele foi gentil em conversar comigo sobre isso e meu patrão mais gentil ainda em me fornecer acesso a um tratamento mais agressivo. Tudo tem seus prós e contras. Me sinto cansada com mais frequência, mais indisposta pra tudo. Só não dei