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CAPÍTULO 4

last update Fecha de publicación: 2024-09-22 03:41:43

Na manhã seguinte, acordei com a mente pesada, o corpo ainda cansado da luta interna da noite anterior. Eu me arrastei para fora da cama, tentando ignorar as lembranças dos sonhos perturbadores e do toque de Azrael, mas era impossível afastá-los completamente.

Enquanto me preparava para o dia, um sentimento de inquietação persistia, como se algo sombrio estivesse à espreita.

Minha mãe estava na cozinha quando desci para tomar café, e me lançou um sorriso caloroso assim que me viu.

— Bom dia, Ayla.

— Bom dia mãe.

Respondi após beijá-la no rosto.

— Sua cara não está boa, não dormiu bem?

— Na verdade não.

— Então acho que você vai se sentir melhor agora. Recebemos uma visita especial hoje.

Ela disse, com uma ponta de entusiasmo na voz. Antes que eu pudesse perguntar quem era, ouvi passos firmes na entrada da casa.

Ao me virar, vi Daniel, um dos pretendentes mais respeitáveis e conhecidos da nossa família. Ele era um jovem bonito, com cabelos castanhos claros e olhos azuis penetrantes, sempre impecavelmente vestido e educado, ele era o tipo de homem que qualquer mulher se renderia sem pestanejar.

A família dele era próxima da nossa há muitos anos, e ele havia demonstrado interesse em mim alguns meses antes de completar 18 anos.

— Ayla, como você está?

Daniel sorriu, caminhando em minha direção. Ele segurava um pequeno buquê de flores que me ofereceu com um gesto gentil.

— Estou bem, obrigada, Daniel.

Respondi, forçando um sorriso, ainda sentindo o peso dos acontecimentos da noite passada.

— Daniel tem algo para nos pedir.

Disse meu pai, surgindo do corredor com um semblante satisfeito, claramente contente com a presença de Daniel, ele nem tentava esconder que o Daniel era o melhor pretendente até aquele momento.

Daniel olhou para meus pais com respeito, e fez um pequeno aceno antes de falar suas intenções.

— Senhor e senhora, eu gostaria de pedir permissão para levar Ayla para um passeio hoje. Um passeio simples, apenas para conversarmos e nos conhecermos melhor.

Meus pais trocaram olhares cúmplices, um sorriso surgindo no rosto de ambos. Eles confiavam plenamente em Daniel, sabendo que ele vinha de uma boa família e respeitava nossas tradições.

— É claro, Daniel. Você tem nossa total confiança.

Meu pai respondeu com um aceno, enquanto minha mãe sorria para mim, claramente aprovando a ideia, mas eu não estava tão disposta pra fazer aquele passeio, porém fui obrigada a aceitar com um sorriso mentiroso no rosto.

Eu sabia que, dentro dos limites da nossa tradição, esse tipo de encontro era permitido, e Daniel, sendo quem era, não me causava nenhuma preocupação. Mesmo assim, uma pontada de ansiedade tomou conta de mim. Mas mantive o meu teatro, balancei a cabeça concordando, e logo estávamos saindo juntos.

O dia estava ensolarado, com o céu azul limpo, o tipo de clima perfeito para um passeio tranquilo.

Daniel e eu caminhamos lado a lado, enquanto ele falava sobre diversos assuntos, sempre com um tom leve e educado. Ele era atencioso, sempre respeitador, e por um momento, consegui afastar os pensamentos perturbadores que Azrael havia plantado em minha mente.

Mas à medida que nos afastávamos da casa, seguindo por um caminho mais isolado entre as árvores, senti uma mudança no ar. Daniel parou por um momento, virando-se para mim com um sorriso suave.

— Ayla, eu...

Ele começou, parecendo um pouco nervoso.

— Eu gostaria de ser mais próximo de você. Sei que nossa tradição impõe limites, mas...

Ele hesitou por um segundo, e então se aproximou mais, seus olhos fixos nos meus, prestes a me beijar.

— Será que posso?

Antes que eu pudesse reagir e dar minha resposta, Daniel se inclinou, mas no último segundo, meu corpo reagiu instintivamente, e me esquivei, virando o rosto.

— Desculpa, Daniel, eu...

Comecei a dizer, mas fui interrompida por algo muito mais intenso.

Uma ventania forte surgiu do nada, varrendo as árvores ao nosso redor e fazendo as folhas voarem em todas as direções. Daniel olhou em volta, confuso, tentando entender o que estava acontecendo.

— O que foi isso?

Ele perguntou, os olhos se estreitando enquanto olhava para o céu, tentando localizar a origem da ventania.

Mas então eu vi do que se tratava. Sobrevoando nossas cabeças, as asas abertas em toda a sua extensão, estava Azrael. Seus olhos estavam fixos em mim, e o rosto dele era uma máscara de fúria. A raiva que emanava dele era palpável, uma energia sombria que parecia se misturar com o vento ao nosso redor. Ele flutuava acima de nós, silencioso, mas com uma presença avassaladora que fez meu sangue gelar.

Daniel não conseguia vê-lo, mas eu podia sentir o peso do olhar de Azrael, como se ele estivesse marcando território, deixando claro que eu era dele, e apenas dele.

O medo apertou meu peito, mas também havia outra coisa: A lembrança do que ele havia feito comigo na noite anterior, a força do desejo que ele havia plantado em mim, que ainda ressoava em meu corpo.

— Ayla?

Daniel chamou, preocupado, vendo que eu estava paralisada, o rosto pálido.

— Você está bem?

Eu não conseguia responder. Tudo o que pude fazer foi olhar para Azrael, sentindo o conflito dentro de mim crescer. Eu sabia que ele estava me observando, esperando que eu cedesse, que eu fosse até ele. Mas não podia. Não na frente de Daniel, não com meus pais confiando em mim.

Azrael finalmente afastou-se no ar, seus olhos ainda fixos nos meus, e com um último olhar carregado de promessas sombrias, ele desapareceu no horizonte, deixando-me abalada e confusa.

— Ayla?

Daniel chamou novamente, tocando meu braço suavemente.

— O que aconteceu? Você está pálida.

Eu balancei a cabeça, tentando me recompor, mas meu corpo ainda tremia, o impacto do encontro com Azrael pesando sobre mim.

— Está tudo bem, Daniel. Acho que só estou um pouco cansada.

Forcei um sorriso, tentando afastar a tensão.

— Podemos voltar para casa?

Ele assentiu, ainda preocupado, mas concordou em me levar de volta.

Enquanto a gente caminhava, o silêncio entre nós era pesado, e eu mal podia pensar em outra coisa, além do olhar furioso de Azrael e o aviso silencioso que ele havia deixado.

Eu sabia que essa luta estava longe de terminar, e que na próxima vez, ele não seria tão complacente.

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Último capítulo

  • ANJO OBSESSOR    FIM

    AYLA ..Eu senti. No meu corpo, no meu espírito, nas minhas entranhas. Como se o universo inteiro estivesse prestes a atravessar meu ventre para nascer em forma de esperança. A dor era insuportável, mas diferente de todas as outras que já senti. Não era dor de morte, era dor de nascimento. Uma dor que grita que há algo maior vindo, e que eu sou a passagem.Azrael segurava minha mão. Seus olhos estavam cheios de medo e ternura. Por um instante, parecia que ele sofria mais do que eu. Como se quisesse tomar para si cada contração, cada lágrima, cada tremor.— Está vindo.Sussurrei, entre um gemido e outro, e mesmo em meio ao caos, havia luz em mim.Mas o mundo lá fora… não estava pronto.O céu escureceu de repente, e o ar ficou pesado como chumbo. Um silêncio sepulcral se espalhou, não havia mais canto de pássaros, nem sopro de vento, apenas o pressentimento de algo antigo se erguendo.Azrael se levantou. Eu o vi indo lá fora olhar.Eles estavam vindo.Os anjos obsessores. Um exército

  • ANJO OBSESSOR    CAPÍTULO 125

    AZRAEL . . O momento havia chegado. A dor dela me cortava mais fundo do que qualquer espada celestial um dia poderia. Ayla se contorcia no colchão, o rosto banhado em suor e coragem. Eu segurava sua mão, e por um instante, desejei ter poderes novamente… só para sentir aquela dor com ela, dividindo cada centímetro daquilo. — Está vindo. Ela sussurrou, e mesmo em agonia, havia luz em sua voz. Mas o mundo não estava pronto. O céu escureceu repentinamente, sem nuvem, sem vento. Apenas o peso. O ar se tornou denso. Conhecia aquela sensação. O tremor na terra. O silêncio dos pássaros. O grito contido das raízes. Eles estavam vindo. Me levantei, instintivamente. Olhei para fora e vi... a sombra. Não era uma névoa. Não era uma tempestade. Era um exército. Os anjos obsessores. Todos eles. Irmãos. Companheiros. Portadores do mesmo juramento: destruir a pureza antes que ela floresça. A última tentativa de impedir o que estava prestes a nascer: Uma nova era. Mas a flores

  • ANJO OBSESSOR    CAPÍTULO 124

    AYLA . . No começo, achei que era só o calor da manhã, ou o cheiro forte do café feito no fogão a lenha que me embrulhava o estômago. Mas quando corri pela terceira manhã seguida, sentindo o mundo girar, vi nos olhos da esposa de Ethan algo que eu mesma ainda não conseguia admitir. Grávida. A palavra me soou como um sussurro no vento, e ainda assim sacudiu tudo dentro de mim. A confirmação do médico, dias depois, só oficializou o que o meu corpo e a minha alma já gritavam. A partir dali, nada foi como antes. A gravidez transformou tudo, meu corpo, meus sentidos, minha maneira de enxergar o mundo. Cada enjoo, cada dor, cada sorriso silencioso no meio da madrugada... era uma promessa se formando dentro de mim. Viver na floresta tornou tudo mais sagrado. A natureza parecia saber de mim antes mesmo que eu soubesse. A mata nos protegeu, como uma mãe acolhe um filho rebelde. E foi ali, entre folhas, raízes e silêncio, que aprendi a respirar diferente. A comer o que a terra

  • ANJO OBSESSOR    CAPÍTULO 123

    AZRAEL . . A princípio, achei que fosse apenas o enjoo por causa do calor da manhã, ou quem sabe o cheiro forte do café feito no fogão a lenha. Mas quando Ayla saiu correndo pela terceira manhã seguida para vomitar, e a esposa de Ethan me lançou aquele olhar… eu soube. Ela não precisou dizer mais nada, mas mesmo assim o fez. — Azrael, tenho certeza que Ayla está grávida. Senti o mundo parar. Olhei para Ethan, e ele me retribuiu com um sorriso lento, como se carregasse séculos de sabedoria nos olhos. Não houve medo em mim. Houve reverência. A gravidez foi confirmada dias depois, quando um velho amigo de Ethan, um médico aposentado, chegou à cabana. Ele não fez perguntas, apenas escutou o coraçãozinho que batia dentro da barriga de Ayla. Um som tão pequeno, mas que ecoou em mim como um trovão. Eu ia ser pai. Um anjo obsessor, condenado ao exílio por quebrar todas as regras, prestes a trazer ao mundo uma vida nova, uma que carregaria a junção do celestial com o terreno.

  • ANJO OBSESSOR    CAPÍTULO 122

    AYLA . . Foi impossível olhar para Azrael e não sentir vontade de beijá-lo, era uma sensação que vinha da alma. Então eu fiz tudo aquilo que eu precisava e queria fazer. Eu nunca tinha sido tocada por um homem antes. Meu corpo era terra intocada, guardada como um relicário precioso, não por obrigação, mas por fé, por legado… e também por medo. Mas com Azrael… era diferente. Foi entrega. Foi a certeza de que, se era pra ser de alguém, só poderia ser dele. Não havia espaço para dúvidas. Nem passado, nem tradições, nem regras. Só nós dois. Meu coração batia tão forte que achei que ele poderia ouvir. Quando o beijei, foi como se o tempo parasse, ou talvez tivesse começado ali, de verdade. Eu me acomodei no colo dele e senti seu corpo estremecer. E o meu… o meu corpo estava em chamas, mas não de dor. Era desejo, era amor, era um chamado que vinha de dentro da minha alma, como se ela reconhecesse o lugar ao qual pertencia. A forma como ele me olhava… como se eu fosse feita de

  • ANJO OBSESSOR    CAPÍTULO 121

    O “mais do que tudo” que saiu dos lábios de Ayla selou mais do que um momento. Selou destinos. Selou uma promessa antiga que ecoava até mesmo além do tempo. E naquele instante, ali deitado sobre ela, tudo em mim, minha essência, minha alma corrompida, pareceu se purificar só por estar tão próximo dela.Ela era virgem. Eu sabia. Nunca havia sido tocada, nunca se permitira, nunca se entregara. E agora, ali, diante de mim, era isso que ela fazia. Não só me oferecia seu corpo, mas também sua confiança. Seu coração.O meu pau estava pulsante, meu corpo tinha urgência em compartilhar com ela aquela energia que parecia reverberar em meu ser.Toquei seu rosto com delicadeza, como se ela fosse feita de vidro, e senti seu arrepio responder à minha pele. Seu olhar não vacilava, apesar do medo sutil que se escondia nos cantos de sua coragem. Me inclinei, selando seus lábios com os meus, tentando dizer com aquele beijo o que as palavras não alcançavam.— Eu prometo ser gentil...Murmurei contra su

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