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CAPÍTULO 2

last update 게시일: 2021-05-19 18:58:24

AONI ESTAVA EM UMA FLORESTA densa, parecia que olhos o espreitavam o tempo todo e de tempos em tempos surgiam trovões no céu, mesmo não chovendo, ele sabia que algo ruim estava para acontecer quando um grande veado, com olhos flamejantes surgiu à sua frente, sorriu e disse:

           —  Foi bom te encontrar novamente, grande guerreiro.

           E um relâmpago explodiu ao seu redor, fazendo com que o monstro a sua frente desaparecesse e apenas uma leve voz disse indo embora:

          Jurupari...

RAONI ACORDOU ASSUSTADO com a tempestade que caia e a saraivada de trovões que sucediam, quando a campainha de sua casa soou.

           Quem será no meio da noite? ­– pensou o garoto que naquele dia estava completando dezesseis anos de idade.

           Raoni viu sua mãe passar correndo.

          —  Quem é mãe?

          —  Continua deitado, querido – disse ela amavelmente – sua avó acabou de chegar.

          Sua mãe, Tainá, era filha de uma indígena, chamada Sumé, ela causava arrepios em Raoni, sempre falava coisas estranhas das quais ele nunca entendia absolutamente nada, coincidentemente, sua avó aparecia sempre em noites um tanto quanto estranhas, e aquela noite em especial não foi diferente.

          —  Onde está Raoni, Tainá? – Disse a avó preocupada.

          —  Está no quarto, ay (mãe).

          A velha assentiu e foi até o quarto do garoto.

          —  Diga–me o que viu, taria (filho), não me esconda absolutamente nada.

          O garoto ficou assustado com a entrada repentina da velha senhora.

           —  Diga–me, taria, sei que viu algo.

          Raoni, sentou–se na cama, fechou os olhos e viu a figura assustadora do animal que o fulminava com seus olhos flamejantes.

          —  Não vi nada, araya (avó).

          —  Você está mentindo, taria.

           A velha senhora deu-lhe um tapa no rosto que o acordou de vez.

          —  Não vê que isso é importante? O futuro da tribo depende de você, você é o escolhido.

           Tainá entrou no quarto, mas sua mãe a repreendeu.

           —  Se afaste, Tainá, Raoni viu, eu sei que viu.

          Raoni se levantou e se afastou de sua avó, mas sua mãe o segurou pelos braços e disse amavelmente:

          —  Filho, você viu algo?

           Ele abaixou a cabeça e assentiu:

           —  O que viu, taria?

           —  Um grande veado com olhos de fogo, me disse algo, só não me lembro o que.

           —  Suaçu-anhangá – disse a velha sussurrando completamente assustada – isso é mau... muito mau...

          —  O quê? – Perguntou o garoto completamente acordado dessa vez.

          —  O grande espírito do mal, Anhangá em sua forma de veado, isso é um mau agouro, precisamos agir imediatamente, se esforce, taria, o que mais ele disse? Todos nós dependemos disso.

           —  Me chamou de grande guerreiro e depois... Juru...pari, e... – Disse ele confuso – me disse que era bom me reencontrar, acho que foi isso.

          —  Eu sabia, Tainá, Raoni é o escolhido.

          —  Ay, está tarde, vamos todos dormir, pela manhã decidiremos o que fazer, tudo bem?

           —  Você não está entendendo, taria, pode não existir um amanhã se não agirmos imediatamente.

           A velha tirou de seu bolso um talismã e jogou para seu neto, do qual habilmente o segurou sem deixar cair.

           —  Quando estiver em perigo, aperte que uma arma que precisa aparecerá, você é o grande guerreiro que veio nos salvar, e essa tempestade é a maior prova disso... precisamos ir imediatamente para a Grande Floresta.

           Tainá disse ríspida:

           —  Nunca mais volto para lá, Ay, me expulsaram.

           —  Todo motivo fútil, acaba sendo honrado em uma vida futura, Tupã sabe disso, por isso escolheu seu filho para a grande missão.

           Tainá deu de ombros.

           A velha senhora colocou duas passagens em cima da mesa e disse:

           —  São para agora de manhã, se apresse, o ritual de iniciação é amanhã, seu tuba (pai) o espera.

           Tainá fez sinal para que Raoni se aprontasse.

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