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Capítulo 4

Author: Bagel
Clara soltou uma risadinha debochada ao fundo.

— Você mima demais essa garota.

— É sempre assim. Basta uma coisinha dar errado e o mundo inteiro tem que girar em torno dela.

Ao ouvir aquilo, dei um sorriso amargo.

Então, aos olhos deles, deixar-me abandonada em uma perigosa estrada desértica era apenas um detalhe insignificante, que nem sequer merecia ser mencionado.

Então, o pôr do sol que estavam tão ansiosos para ver era muito mais importante do que me deixar sozinha no meio do nada.

Baixei os olhos e olhei para a garrafa de água com gás gelada que segurava na mão.

A garrafa estava tão fria que minha palma começava a ficar dormente, mas não chegava nem perto do frio que eu sentia no coração naquele instante.

Falei calmamente:

— Tudo bem.

Do outro lado da linha, o tom de Roman se suavizou visivelmente.

— Me envie sua localização em tempo real quando conseguir um carro. Fique onde está e não saia andando por aí.

— E mais uma coisa: não chore. Chorar enquanto estamos nos divertindo só estraga o clima.

Não respondi novamente. Simplesmente desliguei.

O vento soprou do outro lado da rodovia, e minhas lágrimas começaram a cair de repente.

Não me agachei nem desatei a chorar em voz alta, como havia feito durante tantas discussões no passado. Em vez disso, as lágrimas apenas escorreram pelo meu rosto, gota após gota.

Em completo silêncio, minhas lágrimas atingiram a tampa da garrafa de água com gás.

As perguntas preocupadas que minha mãe havia feito antes da minha partida voltaram à minha mente.

— Você realmente precisa acompanhar aquela família perigosa até um lugar tão remoto?

— Toda vez que você sai com ele, volta parecendo completamente exausta.

Naquela ocasião, eu ainda havia defendido Roman.

— Esta é a nossa última farra antes da formatura. Prometo que será a última vez que vou me aventurar desse jeito com ele.

No fim, aquela realmente seria a última vez.

Abri o aplicativo de reservas e comprei uma passagem de ônibus para uma pequena cidade litorânea no sul.

Lá havia as ruas antigas pelas quais eu sempre quisera passear, o belo litoral com que tanto sonhava e aquele restaurante especializado em ensopado de mariscos no qual eu pensava havia muito tempo.

Também havia um pequeno estúdio fotográfico onde eu havia enviado meu currículo em segredo. Na semana anterior, o proprietário me mandara um convite formal para uma entrevista, mas eu tivera medo demais para responder.

Tudo porque Roman havia dito certa vez:

— Não me sentiria tranquilo deixando você ir para tão longe sozinha.

— Venha comigo para a propriedade da família. Vou pedir a alguém que arranje um emprego tranquilo para você.

Na época, não o recusei, não porque quisesse ir, mas porque já havia me acostumado a deixá-lo controlar os rumos da minha vida.

Mas, naquele exato momento, de repente quis destruir aquela prisão com minhas próprias mãos.

Abri rapidamente o aplicativo de gerenciamento de itinerários e cancelei todas as reservas nos campings premium e nas suítes de luxo ao longo da rota do Canyon, pelas quais havia pagado do meu próprio bolso.

Todas aquelas reservas trabalhosas haviam sido feitas exclusivamente por mim, e os depósitos exorbitantes tinham sido descontados da minha conta.

Eu não tinha obrigação alguma de manter uma viagem da qual nem sequer fazia parte, muito menos para um homem que havia me abandonado à beira da estrada.

Em seguida, abri meu aplicativo de mensagens, removi Roman completamente dos meus favoritos e bloqueei o número de Clara.

Por fim, enviei uma breve mensagem à minha mãe.

[Mãe, não vou mais ao Grand Canyon.]

[Quero ir ver o mar.]

Minha mãe respondeu quase instantaneamente.

[Vá, meu amor.]

[Desta vez, não se preocupe com mais ninguém. Apenas cuide bem de si mesma.]

Ao encarar aquelas palavras, voltei a chorar.

A noite já havia caído por completo sobre a região selvagem.

Carregando minhas malas, caminhei pela rodovia em direção ao ponto de ônibus decadente ali perto.

Atrás de mim, os faróis dos carros formavam uma longa faixa de luz na estrada, exatamente como o caminho sem saída pelo qual eu havia caminhado às cegas durante todos aqueles anos, seguindo Roman.

Mas, dessa vez, eu não correria mais atrás dele.

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