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Capitulo 57

Autor: Evelyn750
last update Data de publicação: 2025-12-03 05:01:12

Amélia Moreira

Eu me sentia diante de um déjà vu: um quarto de hospital, uma enfermeira e uma pessoa inconsciente. Era como se eu estivesse revivendo tudo que Dove viveu enquanto esperava Dan acordar do coma.

Só que agora eu não era a enfermeira com palavras reconfortantes, mas sim a pessoa que as ouvia. Para falar a verdade, não era nada reconfortante. O gosto era amargo. Eu finalmente podia entender como aqueles familiares se sentiam.

— Vamos para casa, ficar aqui não irá te fazer bem! — diss
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  • Acordei Casada    Capítulo 81- Capitulo Final

    Inácio HallO galpão está mais silencioso do que nunca. Nem os homens falam. Nem August. Nem eu. É como se o ar tivesse se tornado sólido, uma massa pesada que todos nós somos obrigados a carregar. Todos sabem que hoje algo termina. Ou talvez, tudo termine.Empurro a porta. O rangido do metal ecoa como um lamento fúnebre. O cheiro lá dentro é insuportável — uma mistura de ferro, suor e decomposição — mas meus sentidos já estão anestesiados. Nada mais me alcança.X9 ainda está lá, ou o que restou dele. As correntes o mantêm em uma posição grotesca, mas a vida já não habita mais aquele corpo com vontade. A cabeça pende, os olhos estão semicerrados, e a respiração é tão rasa que o silêncio parece vencê-la.Caminho até ele. Cada passo é uma sentença. Paro a poucos centímetros. Espero.Um segundo. Dois.Sentindo minha presença, ele faz um esforço sobre-humano para erguer a cabeça. Seus olhos me encontram. Não há mais desafio, não há mais a arrogância do traidor. Existe apenas um pedido mud

  • Acordei Casada    Capítulo 80

    Inácio HallO cheiro de ferrugem e sangue velho me recebe antes mesmo de eu atravessar completamente a porta do galpão. É um odor familiar, quase reconfortante. Em um mundo onde tudo desmoronou, o cheiro da morte é a única coisa que ainda faz sentido.Os homens já fizeram o trabalho inicial. X9 está amarrado a uma cadeira de metal, os braços presos para trás, o corpo inclinado. O pé baleado foi enfaixado de forma improvisada, não por humanidade, mas por estratégia: eu precisava garantir que ele não morresse rápido demais. Eu queria tempo. Queria cada segundo da agonia dele.Caminho devagar. Cada passo ecoa no concreto vazio, um som seco e definitivo, como um relógio marcando o fim de uma era. Quando ele levanta a cabeça, o sorriso de deboche desapareceu. Só restou o medo. Finalmente.— Achei que você demoraria mais — ele tenta provocar, mas a voz falha, perdendo-se na imensidão do galpão.Não respondo. Puxo uma cadeira e me sento à sua frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Eu o

  • Acordei Casada    Capítulo 79

    Inácio HallQuando abro os olhos novamente, a escuridão já tomou conta do lado de fora. O quarto de hospital está mergulhado em um silêncio sepulcral; não há ninguém aqui, além de mim e dos meus fantasmas.A memória volta como uma avalanche, soterrando qualquer vestígio de paz. As palavras de Gabriel me golpeando como socos, o vazio negro onde ouvi a voz dela, o olhar de terror da Diana... Tudo converge para uma única e dolorosa verdade: no final, fui eu. Fui eu quem a destruiu. Tirei sua liberdade, seu sorriso e, por consequência, sua vida.Arrastei Amélia para o meu mundo infernal, acreditando egoisticamente que eu merecia o seu calor. Eu estava errado. Monstros não merecem amor. Monstros não têm direito à felicidade. Eu não merecia a Mel, não merecia a Diana e, certamente, não merecia o filho pelo qual ela lutou até o último batimento cardíaco.— Não se preocupe, meu amor — sussurro para o vazio do quarto, minha voz soando como um juramento vindo do além. — Quando eu terminar o que

  • Acordei Casada    Capítulo 78

    Inácio HallIsso está errado. Tudo está errado.O mundo não pode continuar girando se ela não estiver nele. A lógica não se aplica, as leis da natureza não permitem. Ela não pode ter me deixado. Não assim. Não agora que eu finalmente entendi que ela era a única coisa real em meio às minhas sombras.— Fale a verdade! Onde está a Amélia? Onde ela está? Me diz, porra! — Minhas mãos esmagam o tecido da camisa de Xz, sacudindo-o como se eu pudesse arrancar a resposta dele à força.— Ela... eu... eu não consigo... — A voz de Xz morre. O olhar dele, baixo e covarde, é a minha ruína.A raiva explode em minhas veias, um incêndio que consome qualquer resquício de racionalidade. Empurro-o e saio do quarto, ignorando a fraqueza do meu corpo, o curativo que repuxa ou os olhares de pena dos enfermeiros. Eu precisava encontrá-la. Eu ia arrastá-la de volta para mim, nem que tivesse que ir buscá-la no inferno.— Papai...A voz pequena me ancora no meio do corredor. Diana está ali. O contraste é cruel:

  • Acordei Casada    Capitulo 77

    Gabriel Martins O corredor do hospital parece ter quilômetros de extensão. Quando o médico se aproxima, o som de seus passos no piso frio ecoa como uma contagem regressiva. Diana, pequena e vulnerável naquele ambiente hostil, agarra a barra da minha calça com força. — Tio, cadê a mamãe? — A voz dela é fina, carregada de uma esperança que me corta como uma navalha. Meu coração erra a batida. Eu olho para o médico, buscando qualquer faísca de otimismo, mas aquela expressão eu conhecia bem demais. É o rosto de quem carrega o peso de uma notícia que muda vidas para sempre. — Então, doutor... como ela está? E o bebê? — A voz de Xz corta o ar, urgente e carregada de uma tensão que ele raramente demonstra. A hesitação do médico é palpável. Ele não responde de imediato. Seu olhar recai sobre Diana por um breve segundo — um olhar de profunda piedade — antes de se voltar para mim. — O senhor poderia me acompanhar, por favor? — ele diz, e eu entendo o código. Ele não quer falar na frente d

  • Acordei Casada    Capítulo 76

    Inácio HallEstá escuro.Não é a escuridão de um quarto com as luzes apagadas; é um vazio denso, sem chão ou teto, que parece sugar o oxigênio dos meus pulmões. Sinto como se estivesse afundando em um oceano de piche, onde o tempo não faz sentido e a gravidade é uma memória distante.— Que porra é essa…? — Minha própria voz soa estranha, vinda de algum lugar fora de mim. — Onde eu estou?Tento dar um passo, mas é como se correntes invisíveis puxassem meu corpo para o nada. O controle que eu sempre tive sobre tudo — sobre as pessoas, sobre os negócios, sobre a minha vida — evaporou.— Amélia? — chamo, e o nome dela corta o silêncio como um tiro. — Para de brincadeira e aparece!Silêncio. E então, uma voz. Baixa, cortante, carregada de uma melancolia que eu não reconheço.*“Você não se cansa, não é?”*Meu peito trava. Meus punhos se fecham por instinto.— Amélia? — Desta vez, não há raiva na minha voz, mas uma urgência que me incomoda. — Onde você está? Aparece logo!*“Até quando, Ináci

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