FAZER LOGIN༻ Mia Carrozzini ༻
Minha última discussão com Oliver não foi das melhores. Eu andava muito preocupada e tinha os meus motivos. A Noêmia partiu na mesma noite; precisava voltar ao trabalho e achava melhor que fosse assim, temia pela sua segurança ao meu lado. Novamente, eu estava sozinha, cercada de seguranças naquela pequena mansão. Os meus dias se tornaram tenebrosos diante de tudo que vem acontecendo. Como se eu estivesse presa pagando pelos meus crimes enquanto o verdadeiro bandido estava solto.
Eu jamais pensei que eu e Oliver acabaríamos nos afastando depois de tudo que aconteceu entre nós e dos vários desafios que passamos juntos. Mas, quando se trata da segurança do Nicolae, minha intuição de mãe fala mais alto e não consigo confiar que o Oliver nos protegerá. É como um instinto materno que indica que algo está prestes a acontecer. Porém, espero estar errada sobre isso. As minhas noites têm sido difíceis, sempre estou tendo um sonho ruim em que meu filho é levado de mim por Esteves. Nem gosto de pensar nessa possibilidade, pois isso acabaria comigo.
Decidi passar um pouco do meu tempo na piscina ao lado do meu filho e da babá. Nicolae estava cada dia mais lindo e saudável à medida que o tempo passava. Depois de uns minutos, a babá o retirou da piscina e eu também sai, colocando uma roupa mais confortável. Ficamos ali conversando, quando ouvi uma explosão e tiros. Imediatamente, Gabriel aproximou-se de mim e da babá, comentando:
— Senhorita Mia, precisamos lhe esconder com o bebê. A mansão está sendo atacada. Vem, não temos muito tempo. Por favor, Sofia, corra agora com ela. Vou tentar ganhar tempo. Não estava esperando por um ataque como esse. Senhorita, ligue para Derick…
Senti o meu sangue gelar quando ouvi aquilo. Parece que eu estava adivinhando que algo ruim iria acontecer hoje, e detesto quando acerto. Peguei meu celular na mesa e rapidamente saí em disparada ao lado de Sofia. Ao entrarmos no quarto, colocamos todas as coisas possíveis para empatar a passagem de quem quer que fosse entrar. Liguei para Oliver, mas ele não me atendeu. Que inferno! Decidi ligar para o número do Derick, que rapidamente me atendeu e comentou surpreso:
— Senhorita Mia? Aconteceu alguma coisa? Mas espera um momento, isso são tiros? O que está acontecendo aí?
— Derick, por favor, mande todos os seus seguranças possíveis. Estamos sendo atacados! Eu sabia que isso voltaria a acontecer. Não temos muito tempo, eles vão nos matar. — disse isso com bastante desespero na voz, enquanto olhava de relance pela sacada, vendo os homens atirando contra os meus seguranças e cada vez mais invadindo a casa.
— Fique tranquila, senhorita. Farei o que estiver ao meu alcance para impedir que isso aconteça com vocês. Mas que inferno! Eu deveria ter ficado hoje na casa. Onde está o Gabriel?
— Eu não sei. Ele ficou lá fora para tentar impedir os invasores. Não sei se ainda se encontra vivo. Meu Deus, eu morrerei com meu filho…
Comecei a chorar desesperadamente antes que pudesse imaginar, a porta foi simplesmente arrombada em um estrondo. Sofia se encolheu com o meu filho no canto do quarto e logo começou a chorar. Eu sabia que a qualquer momento eles iriam entrar, estavam cada vez mais destruindo a porta. Eu tentava impedir batendo com uma cadeira de madeira no braço deles, mas um dos homens só ficava mais furioso. Mais um estrondo ocorreu, fazendo a porta se abrir abruptamente, e eles entraram furiosos, comentando:
— Sua vagabunda, estava tentando se proteger? Você está sozinha, mas ainda não chegou a hora da sua morte. Queremos apenas o seu filho. O entregue para nós.
— Isso nunca… eu não vou permitir que vocês levem o meu filho. Antes vão ter que me matar para isso. — o outro capanga disse sem paciência alguma, mirando a arma para mim e disparando em seguida.
— Então, não seja por isso, seu Esteves disse que não era para matar você, mas caso mostrasse resistência, que atirássemos e tomássemos seu filho. Ele vai conosco, querendo ou não!
Coloquei-me à frente de Sofia e do meu filho para impedir que eles tentassem qualquer coisa. Então, um dos seguranças atirou na minha barriga, me fazendo ajoelhar, e me empurrou com um chute brusco, comentando:
— Avisei para você sair do nosso caminho, sua vagabunda. Mesmo assim, você insistiu em se meter onde não devia. Agora, saia da minha frente e você, garota, venha comigo e o bebê. Não tente resistir, ou sento a mão na sua cara.
— Não, por favor… não me machuque! Eu vou, não faça nada conosco, não temos culpa dessa guerra. — Sofia implorou, protegendo meu filho.
O homem acabou perdendo a paciência com ela e a agarrou pelo cabelo de maneira violenta, arrastando-a para fora, e meu filho começou a chorar sem entender toda aquela violência. Tentei-me levantar e, quando eles estavam saindo, agarrei em um deles e, segurando uma das suas pernas, disse:
— Eu não posso deixar que vocês levem o meu filho. Vocês terão que me matar para isso.
— Não me importo em conduzir isso de uma só vez, pois seria menos um problema para resolver. — observo o homem apontar arma para mim e o outro capanga comenta tirando a arma da minha direção.
— Não Scott! Você sabe que Nicolas quer o Mourett desesperado. Apenas dei uma correção para ela aprender. Vamos, não temos muito tempo disponível, em breve mais seguranças chegarão…
O homem me olhou com desprezo. Em seguida, chutou duas vezes o meu abdômen e me segurou pelo pescoço, empurrando-me com violência contra a parede, e disse antes de me retirar, enquanto eu sangrava pela boca.
— Agradeça que estou com pressa e sendo generoso só te dando pancadas, porque se dependesse de mim, eu já teria dado um tiro na sua cabeça. E seja grata também pela nova vida se sobreviver depois desse tiro na sua barriga, sua idiota.
Então, vi meu filho sendo levado por eles e comecei a entrar em desespero. Mesmo sentindo que a vida estava sendo ceifada de mim. Não tenho forças para ir atrás de ninguém nesse momento. Tudo começa a ficar embaçado na minha visão, sinto que a vida está saindo lentamente de mim. Quando vejo alguém entrar pelo quarto e comentar desesperado, está tudo embaçado, mas pela voz posso perceber que é Gabriel.
— Senhorita Mia? O que eles fizeram com você? Meu Deus, eles levaram o bebê. Me perdoe, eu não pude protegê-los.
Tudo parece embaçado na minha frente. Dizem que quando você está perto de morrer, a sua vida passa como se fosse um filme. Eu não quero acreditar que esse era o meu fim, mas estou começando a julgar que a minha hora tinha chegado. Gabriel desce as escadas desesperadamente comigo, tento acompanhar tudo de relance. Então, ele me coloca no carro e acelera. Eu não sei se vou conseguir chegar viva ao hospital, porém, se isso acontecer, eu agradeço a Deus. Cada vez sinto o sono da morte mais forte e Gabriel comenta:
— Por favor, seja forte! Aguente firme, nós chegaremos rapidamente ao hospital. Não morra, você precisa sobreviver para recuperar o seu filho.
Mas eu não consigo dizer nada, apenas sinto as golfadas de sangue saírem pela minha boca e ficarem cada vez mais fortes até sentir meus olhos pesarem ainda mais e, apenas ouvindo sussurros da voz de Gabriel antes de tudo escurecer.
— Senhorita Mia, por favor, acorde. Fique comigo, não desista. Por favor, seja forte…
༺ Mia Carrozzini ༻ 6 anos depois… — Mamãe, o Nicolae não quer me devolver meu carrinho. Diga a ele para parar de ser mau. Eu não fiz nada para que ele fizesse isso comigo. — disse Henrique, completamente aborrecido. Meu filho tinha herdado minhas características, mas ele tinha puxado um temperamento como o do pai. E Nicolae, provocando-o, respondeu. — Mãe, ele é muito chato, só sabe reclamar. Eu só estou brincando. Às vezes Henrique parece aqueles velhos chatos e rabugentos. Respirei fundo enquanto observava meus dois filhos brigando novamente. Era uma cena que já estava se tornando cansativa, especialmente porque eu estava no sétimo mês de gravidez e esperando uma menina. Meus meninos tinham herdado minhas características, mas o temperamento de Nicolae era muito parecido com o de Oliver, até o jeito debochado. Eles brigavam como irmãos, mas ultimamente parecia que as discussões estavam mais frequentes e intensas. Sentei-me no sofá, sentindo o peso da gravidez, e chamei Nicolae
༺ Mia Carrozzini ༻Na manhã seguinte, acordei sentindo-me revigorada e radiante. A noite ao lado de Oliver tinha sido incrível, e eu sabia que muitas outras maravilhosas estavam por vir.Enquanto eu olhava pela janela e contemplava o mar, senti as mãos calorosas de Oliver em minha cintura, e ele sussurrou:— Bom dia, meu amor.Dando um sorriso caloroso, eu respondi:— Bom dia, meu ogro. Este lugar é lindíssimo, não é?Oliver concordou, e sua expressão transbordava entusiasmo:— Com certeza é. E sabe o que mais? Vamos explorar os arredores hoje.Meus olhos se iluminaram de empolgação quando ouvi isso, e eu exclamei:— Sério? Olive, isso é incrível! Quero conhecer cada cantinho deste lugar paradisíaco ao seu lado.Ele sorriu, captando minha empolgação, e acariciou meu rosto com ternura.— Mia, aluguei toda a ilha exclusivamente para nós. Vamos explorar, nadar nas águas cristalinas, caminhar pelas praias douradas e desvendar todos os segredos deste refúgio particular.Meus olhos brilhar
༺ Oliver Mourett ༻Ainda estava em êxtase com a cerimônia de casamento. Finalmente, estava casado com Mia. Era difícil acreditar que isso tinha acontecido. Passamos por tantos obstáculos para ficar juntos, enfrentando inúmeros dilemas. Infelizmente, tivemos que afastar pessoas do nosso caminho, mas não me arrependo de nada do que fiz.Se dissesse que sim, estaria mentindo. Pela mulher que eu amava, eu era capaz até de enfrentar o verdadeiro inferno. E prova disso é que eu passei pelo inferno para vê-la feliz ao meu lado.Agora, saímos da igreja no carro dos noivos em direção ao salão da mansão principal onde aconteceria nossa festa de casamento. Ao chegarmos à mansão, Mia decidiu fazer uma rápida troca de roupa.— Vou tirar este vestido de noiva e vestir algo mais curto e confortável. Não vou demorar, prometo — ela me disse, antes de me beijar e desaparecer na mansão.Fiquei ali, conversando com alguns convidados, quando Greg se aproximou com Noêmia, ambos com sorrisos radiantes.Greg
༺ Mia Carrozzini ༻— Nossa, amiga, esse vestido ficou perfeito em você. Ele realmente combina com o seu corpo. E detalhe, esconde a sua barriga. — disse Noêmia completamente fascinada me observando.Dentro do meu deslumbrante vestido de noiva, dei um sorriso e sussurrei para Noêmia:— Fale baixo, por favor. Não quero estragar a surpresa. Vou contar tudo para Oliver quando estivermos a sós.Noêmia riu e se desculpou:— Desculpe, Mia, não vou fazer isso de novo, prometo.Meu vestido era uma verdadeira obra-prima, feito sob medida para a ocasião. O branco imaculado destacava a minha pele, e as delicadas rendas e bordados decoravam cada centímetro do vestido. O véu longo e esvoaçante complementava o conjunto, dando um toque de elegância e romance. Era o vestido dos meus sonhos, perfeito para o dia mais importante da minha vida.Enquanto admirava o meu vestido de noiva no espelho, também não pude deixar de notar a deslumbrante tiara de diamantes que brilhava na minha cabeça. O meu cabelo e
༺ Oliver Mourett ༻— Chefe, desculpe atrapalhar, mas é que um dos seguranças disse que a senhorita Mia foi ao hospital acompanhada da amiga.Na mesma hora, levantei-me da minha mesa, preocupado. Será que Mia estava bem? Teria passado mal? Perguntas rodavam em minha mente. Não entendi porque ela ainda não havia me ligado para dizer que não estava bem e perguntei a Derick.— Mas ela está bem, ou ainda está no hospital? — Derick respondeu prontamente:— Olha, elas demoraram um pouco lá dentro, mas então saíram. Porém, ele disse que a senhorita Mia estava bem. Mas achei necessário lhe avisar. Mas por favor não conte a ela senão ela vai dizer que eu sou um fofoqueiro.— Não se preocupe com isso, Derick. Deixe que com Mia me entendo. Pode voltar aos seus afazeres. Mais uma vez, obrigado por me avisar.Continuei assinando os papéis que eram necessários antes da minha viagem de lua de mel. Queria deixar tudo organizado.Algum tempo depois, saí do meu escritório e me dirigi à sala de estar. Um
༺ Mia Carrozzini ༻Não tive muito tempo com minha mãe. Ela veio até mim apenas para se despedir e buscar o perdão que tanto almejava. No fundo do meu coração, eu já havia perdoado suas falhas e erros, porque entendia que, como todos nós, ela era humana e estava sujeita a falhas.Agora, enquanto a terra se depositava sobre seu caixão, eu sabia que era hora de seguir em frente. Ciclos terminam, mas as lembranças e o amor permanecem. Era hora de honrar sua memória, aprendendo com seu passado e construindo um futuro onde a compreensão e o perdão pudessem prosperar.— Sinto muito que as coisas tenham terminado assim, Mia. — Oliver se aproxima de mim e diz com um olhar de pesar.— O que tinha que ser era pra ser, Oliver. Agora, só nos resta seguir em frente. — respondo com um sorriso triste nos lábios.Meu pai se junta a nós, trazendo minha irmã Maitê, que havia chegado no dia do funeral. Era a primeira vez que a via, e notei que ela tinha cabelos castanhos, mas seus olhos eram verdes, como







