FAZER LOGINCamargo Debres
Chegamos no quintal da Olivia, ela desce e leva o pão, ovo e banana que comprou e sai do carro.— Você vai entrar um pouco? — pergunta inclinada para dentro do carro.
Eu faço uma cara cômica de zangado.
— Como assim por um pouco? Não pode ser por muito?
Ela sorri, franzindo um canto da boca para o lado.
— Pode entrar para uma eternidade, estou lhe contratando para ser meu marido — ela sorri formando um bico leve como se quisesse cancelar um sorriso. — quando quer.
— Woh… desde quando uma sereia precisa pagar para ter um homem aos seus pés?
Ela não aguenta, endireita-se e fecha a boca, escondendo sem êxito um enorme sorriso.
— Mas fiquei muito tempo fora d'água, meu poder de imã enfraqueceu — diz coçando a orelha para não me encarar.
Eu saio do carro respondendo.
— Pelo visto não enfraqueceu o suficiente quando a vítima é Camargo Debres.
Eu não vejo o rosto dela, pois está de costas para mim, ela responde.
— Isso se é que a vítima Camargo Debres não está a fingir que foi domado, só para ser ele a domar.
— Minha menina Oli, não subestime tuas habilidades naturais, isso é inadmissível.
Ela vira para mim, me fita sem dizer nada com um rosto que mesmo um cego veria a sua frustração tentando esconder um sorriso. Ela vira de novo para mim com o rosto todo franzido.
— Não seria melhor ter deixado tuas coisas no carro? — ela pergunta já na porta da sua casa, se referindo ao pacote de 60 ovos na mão esquerda e 12 litros de óleo pesando na mão direita.
Eu olho para as duas coisas e fico firme.
— Pois, estão no destino final — eu digo passando por ela com um empurrãozinho que prefiro dizer que é romântico, mesmo se não for. Eu imagino ela atrás boquiaberta. Deixo tudo perto da mesinha da sala de estar e jantar, já que é a única sala da casa. Me viro para voltar para o carro e ela ESTÁ boquiaberta, passo por ela e fecho os lábios dela com dois dedos.
— Agradeço se me ajudar a tirar coisas na bagageira, não é pouca coisa não.
Eu volto e ela vem na minha direção a passos curtos, ou seja, indo para o carro sem muita confiança no que está vendo, olhos bem fixos em mim como se fosse me devorar. Desta vez carregava uma sacola de produtos de higiene e beleza e passo sem olhar para ela, apenas sentido o peso.
— Vai escolher o cheiro que gostas, o resto pode doar — falo enquanto passo por ela e ela segue o olhar até eu desaparecer na porta.
Fim da bagageira após várias voltas e a senhorita desconfiada só conseguiu uma volta.
Mas a penúltima coisa era uma caixa com 25kg de carne de vaca, esse sim iríamos carregar juntos, não sou homem verde.
— Alguma ajuda, minha menina? — falo com olhos arregalados para ela enquanto tento carregar. Ela dá de ombro contorcendo a boca.
— O que é? — ela finalmente fala alguma coisa.
— É vaca, carne de vaca — respondo, embora quisesse fazer uma piada, não sobre vaca é claro, em vez disso, respondo conforme.
Como a caixa está nos assentos de trás, empurramos para sair de um lado, do lado dela, e eu orando para não arranhar o meu carro. Se arranhou, não o suficiente para tirar minha alegria de presentear ela.
Então carregamos para dentro e abrimos para pôr no congelador. Ela dá um sorriso sutil ao abrir.
— Metemos? — ela pergunta, olhos arregalados.
— Mas é claro — respondo já metendo a carne nos plásticos brancos. Como ainda estamos a meter nos plásticos, ela fecha o congelador, percebo por causa do buumm que o congelador faz por fechar sem delicadeza. O engraçado é que nós os dois nos assustamos com o som e damos uma risada que me faz esquecer do mundo, só de estarmos a rir juntos.
Ela observa a cada carne atentamente antes de pôr no plástico, eu fico preocupado se ela gostou dela ou não.
— Tá tudo bem com a carne? — eu pergunto.
— ãh, tá sim, inclusive, estou apreciando ele tanto por quão limpo ele é, sem gordura e…. Bem, bonito, em forma… — eu não falo nada, então ela acrescenta. — bem, você entende o que quero dizer.
— Sim — eu respondo com o sim prolongado. — Perfeitamente.
Agora estamos a meter a carne no congelador. Os nossos rostos se encontram no congelador.
— Está frio por aqui, não acha? — pergunto com uma cara de frio, fingido. Frio há, lógico, é congelador, mas não de fazer drama. Ela tira a cabeça, pega outro plástico e mete a cabeça de novo para enfiar a carne mais fundo do congelador, pois é comprido.
Eu não tinha tirado a cabeça ainda, me expondo a possível gripe, pelo amor a bobagens, então aplico o plano.
— Não acha que deveríamos aquecer nossos lábios aqui dentro para não congelar?
Ela dá uma bufada de riso e concorda.
— Sim, mas leva plástico primeiro.
Então tiro a cabeça e levo o plástico e me inclino junto com ela, nos beijamos arrumando os plásticos na mão e paramos para levar outro, mas ela abdica disso.
— É bobagem — diz sorrindo, rosto virado para outro lado.
Acabamos de arrumar a carne, faltava outras coisas, mas não têm pressa de serem arrumados.
Eu então, pago energia de 1 mil reais.
Agora estamos sentados, nos encarando. Ela corre os três passos de distância entre nós e me abraça forte, nem tanto, mas para mim foi forte.
— Muito obrigada… — ela deixa de me abraçar e pega minha mão. — Muito obrigada…. — silêncio. — Obrigada… — silêncio. — Acredito que ela procurava um título adequado para mim: Amigo; Namorado; Senhor?. De qualquer modo, eu a interrompo.
— Não precisa agradecer, você merece.
O queixo dela abaixa e os olhos semicerram para o lado.
— Por que acha que mereço?
— Não acho, tenho certeza, o motivo é pelo simples fato de me fazeres o homem mais feliz do mundo quando estamos juntos e quando penso na tua amizade. — eu digo, os lábios perto dela, tocam nos dela. Nos beijamos e as nossas roupas começam a cair. Eu seguro a parte íntima dela e ela arfa, enrolando os braços na minha cabeça e o calor que passei para ela, volta para mim.
Go go go, alguém b**e na porta.
— Amiga, sou eu, Cleusa.
Eu reconheço essa voz, fico desesperado atrás da minha roupa, visto o boxer que acabava de cair, pego no meu pau já duro e enfio com dor dentro do boxer. A Oli que não tinha vergonha das coisas e era uma amiga da primeira lá fora, só enrola o lenço da cabeça no quadril dela e corre para abrir a porta enquanto eu visto a calça, eu não tenho coragem de mandar não abrir.
Ela abre e a amiga entra e se depara com uma amiga quase nua.
— Acabou de tomar banho? — ela pergunta, mas logo me vê, sem camisa. A gente se encara e Oli vê a nossa tensão, ela sorri sem conhecimento da situação real. Ela aponta para mim para me apresentar, mas vê a minha calça esticada. Olha para a amiga que encarava somente o meu rosto, mas Oli só poderia pensar que estava a olhar para o meu pau esticado dentro da calça.
Ela ri ignorante da situação real.
— Esquenta não amiga, é porque a gente estava a entrar num climão — o meu coração aperta com essa declaração —, mas não tem problema, a gente arrefece… — ouve silêncio e depois acrescenta. — ele é meu … — silêncio — ele é meu … — Como ainda não nos damos títulos, ela não consegue escolher um aleatório — digamos, meu namorado? Talvez — ela diz por fim, mas quase nada, convenhamos.
— Ele é meu noivo — Cleusa por fim quebra o silêncio.
Camargo DebresMe apronto para correr no campo esta tarde, como alguém que acabou de perder uma noiva. Ela era boa, certamente seria feliz com ela, embora a rival dela estivesse muitos degraus acima.Porque está frio hoje, uso minha camisola e calça um pouco quente, pois mesmo indo correr, o rio poderia me dar uma surra nos primeiros momentos.Tomo um chazinho sem muito açúcar, embora recomendem sem açúcar, eu ponho pelo menos uma colherinha. Tomo sem pão, sem acompanhante algum, porque considere isto mais como água quente do que um chá propriamente dito.Dou um gole e sinto o corpo satisfeito com a briga dos climas dentro de mim.Pego o remote da minha Google TV e coloco futebol na minha TV IMAX de 70 polegadas.Está passando em direto dois times que não conheço, só sei que são da La Liga, na posição de baixo mesmo. Vou torcer por quem ganhar.Se bem que poderia entrar um pouco de leite neste chá, mas porque decidi que não vou tomar leite hoje, então vou sobreviver à tentação. Não go
Marioneta— Camargo e Fantielle — diz ela, claro que iria usar o apelido da Cleusa, já que é o mais próximo do francês — Vocês ainda estão juntos?eu fico atordoada— como assim, ainda estão juntos? você sabia deles?— Sabia, por quê? — ela responde com uma voz de surpresa.— por nada — respondo dando de ombros — só que eu não sabia, só soube poucos dias atrás, não faz nem uma semana.Ela dá uma única risada prolongada, o corpo todo dela ri junto.— eles namoram a mais de um ano, então, a tua amiga Cleusa não é muito de falar sobre seus namorados, nem mesmo o que é colega de vocês!— pelo visto disfarçam bem também, para nunca perceberem comportamento na sala — disse o vendedor da fruta que batizamos de fruta-algodão-doce, embora o mais fácil teria sido perguntar o nome ao vendedor. o resultado da intromissão dele onde não foi convidado foi que todo mundo teve vontade de lhe lançar míssil, visto o olhar que recebeu de nós quatro.o vendedor se sentiu envergonhado e abaixou o rosto par
Marioneta— Mari — ela me chama de Marioneta francesada, Mari ou Marie, é a mesma coisa. — já recebi por email a apostila enviada pelo seu professor — ela arregala os olhos para o notebook como se o texto fosse microscópico. — Técnicas de ensino para iniciantes — ela lê, obviamente, o título.Até aqui tudo bem, mas o maluco falou que vai dar aulas presenciais para ela. Mas que di… ora, vou manter a minha alma em paz, deixar de me preocupar com uma adulta que tem a própria vida. Podem se ensinar à vontade… mas se ele se meter, o louco vai ver só comigo.— Irmã — ela me chama e eu já olhava para ela, então mantive o olhar. Está a clicar a seta de "para frente", provavelmente a folhear o documento antes de ler, como uma criança de primeira classe a folhear o livro para ver desenhos antes de chegar ao conteúdo dessa página. — Você tem um notebook, não tem?— Tenho, mas quase não uso, uso mais o celular.— Ah, que pena — retruca sem tirar os olhos da tela. — Queria jogar CS. Jogava muito c
MarionetaA chuva não dá tréguas. Os limpadores trabalham, mas a visibilidade é pouca. Passamos por uma banca na beira da estrada, daquelas de plástico azul, com uma lona esticada. Duas pessoas estão encolhidas debaixo dela, a tentar escapar da água.Reconheço as silhuetas.Camargo Debres e Cleusa Fantielle.Ela está agarrada ao braço dele, a rir de algo que ele disse. Ele está a olhar para a estrada, como se procurasse algo, ou alguém.Aperto os dedos no banco.— Passa — digo, a voz mais curta do que queria.— Por quê? Não são teus amigos? — ele pergunta. Não vejo a expressão dele, ainda estou ocupada a pensar no que dizer para o Debres. Como fazer ele entender que não tenho nada com o professor, sem explicar do jeito óbvio? É como se eu fosse obrigada a dar satisfações para o Debres. Mas não sou.— Primeiro — começo a explicar, detalhadamente, o porquê de devemos passar — está a chover, eles não vão se molhar para o van. Segundo, o carro do teu xará Camargo está ali.Falo, apontando
Marioneta— Você já se encontrou com ela? — ele pergunta. Mas antes que eu possa responder, faz outra pergunta que soa prioritária: — Como viveu no lixão? Como se livrou do mesmo?— Vivem pessoas lá, no lixão de Marivela, em tendas. Sobrevivem catando lixo, tentando encontrar comida em algum bom estado, assim como objetos preciosos para vender.Surge um silêncio. Depois continuo:— Tristeza quando a barriga roncava. E sumia quando comíamos alguma coisa e depois brincávamos no lixo como se fosse a coisa mais saudável do mundo. E esquecíamos de que, para jantar, ia ser necessário rezar para algum caminhão vir despejar lixo de patrões que gostam de deixar muita comida no prato, se chamando de gente fina por não limpar o prato com a colher.Faço uma pausa. O silêncio se instala. Continuo:— Fomos crescendo até eu começar a ganhar vida às escondidas.Eu lanço-lhe um olhar neutro e falo:— Sabe do que tô falando. Só não me pergunte a idade com que comecei.Ele assentiu.— Foi difícil — ele
Prof Camargo RodrigoMarioneta. Um nome que descobri há pouco tempo que é chamada na zona e que ela gosta. Então resolvi jogar o nome Olívia no lixo.Ela vem com seu vestido longo, vermelho e transparente. Ainda bem que tem mini-saia não transparente por dentro — muito curta, mas pelo menos fecha as partes sagradas. Seria péssimo se visse calcinha que certamente vou tirar hoje.Ela chegou e está com uma cara que não revela bem as suas emoções neste momento, mas posso chutar que não são muito boas, ainda mais pelo jeito que acabou de se jogar do meu lado no banco de alumínio.— Que bicho te mordeu, Marioneta? — pergunto, olhando para ela. Ela só olha para a frente, parecendo olhar para nada em específico, abanando a cabeça e os pés.— O doutor me disse o valor para tratar das minhas queimaduras.— Eeee? — fico muito curioso.— É necessário que eu seja um Musketeer — ela diz, sem vida na voz.Fico imóvel com os olhos abertos, mas fechados por um momento para ter a certeza de que nada me







