Início / Máfia / Apenas você / nova cidade

Compartilhar

nova cidade

Autor: Leide
last update Data de publicação: 2025-06-28 05:43:06

Amélia

O táxi deixou a rodoviária para trás, e a cidade começou a se revelar pela janela como um cenário de filme. As luzes refletiam nos prédios de vidro, os canteiros floridos nas avenidas principais pareciam ter saído de uma pintura. O céu, mesmo encoberto pelo anoitecer, estava limpo, e a brisa morna que entrava pela janela entreaberta trazia um perfume de jasmim e asfalto recém-molhado. Laís se empolgava a cada esquina.

— Meu Deus, olha aquele prédio! E essa fonte? Parece coisa de novela! — ela comentava com o rosto colado no vidro, como uma criança em dia de passeio escolar.

Eu, em silêncio, observava. Não podia negar: o lugar era lindo. Muito diferente do que estávamos acostumadas. As ruas pareciam limpas demais, largas demais, organizadas demais. Era como se estivéssemos invadindo um mundo que não nos pertencia. E, mesmo com a cidade me encantando, o medo ainda morava fundo dentro de mim.

Uma angústia, um pressentimento ruim, como se a vida tivesse me levando para a minha desgraça, não sei explicar, mas não me sinto segura.

— Vai dar certo, Amélia — disse Laís, notando meu olhar apreensivo. — Confia.

Eu assenti com um leve sorriso. Queria acreditar. Precisava acreditar, mas meu coração duvidava o tempo todo.

Depois de cerca de vinte minutos, o carro parou em frente ao restaurante. Era imponente, mas ao mesmo tempo acolhedor. A fachada moderna, de vidro e madeira, tinha letreiros dourados com o nome: Casa Aram. Ao lado havia uma pequena construção de dois andares — ali, segundo o motorista, ficavam os quartos dos funcionários.

Descemos do carro, e fomos recebidas por um homem de meia-idade, simpático, com um sorriso fácil e um olhar atento.

— Vocês devem ser as meninas indicadas pela Dona Morgana, certo? — perguntou, estendendo a mão. — Muito prazer. Sou Alberto, gerente do restaurante.

— Isso mesmo! Eu sou a Laís, e essa é a Amélia — respondeu minha amiga, animada como sempre.

— Sejam muito bem-vindas. Vou mostrar o quarto de vocês. Amanhã, começam o treinamento.

O quarto era simples, mas limpo e bem arrumado. Duas camas de solteiro, um armário espaçoso e uma pequena escrivaninha perto da janela. Largamos as malas, e Laís se jogou na cama, exausta.

— Essa cidade parece um sonho! Imagina a gente andando por essas ruas com uniforme chique, ganhando gorjeta, conhecendo gente importante...

— A gente mal chegou, Laís — falei, tentando manter os pés no chão. Mas no fundo, eu também estava ansiosa. Era um recomeço.

Na manhã seguinte, acordamos cedo. O uniforme deixado sobre a escrivaninha era bonito: camisa branca, calça preta, e um avental com o logotipo do restaurante bordado. Vesti com cuidado, prendendo o cabelo num coque apertado. Laís saiu do banheiro empolgada, elogiando o próprio visual.

— A gente tá profissional demais. Se eu não me conhecesse, nem me reconhecia!

Descemos para o restaurante e fomos recebidas por Alberto e uma senhora baixinha e severa chamada Dona Elza, a supervisora de equipe.

— Aqui, pontualidade e postura contam muito — avisou ela, nos guiando pelos bastidores do restaurante. — Vocês vão começar com tarefas mais simples: limpeza de mesas, reposição de utensílios e observação do atendimento. Quando pegarem o ritmo, podem avançar.

O restaurante já estava se preparando para abrir para o almoço. A cozinha fervilhava com panelas, cheiro de alho e cebola dourando na manteiga, o barulho dos pratos sendo empilhados e das ordens sendo gritadas. Tudo era cronometrado, metódico, quase coreografado.

— Aquilo ali é arte — disse Laís, apontando discretamente para o chef que finalizava um prato com tanta precisão que parecia estar pintando uma tela.

— E aquilo ali é tensão — murmurei, olhando para a cara fechada da supervisora.

Fomos orientadas por uma funcionária experiente chamada Rebeca. Ela tinha cabelos castanho-escuros presos num rabo de cavalo e falava rápido, mas com simpatia.

— A regra de ouro: nunca deixar o cliente esperar. E se errarem, assumam o erro, corrijam rápido e sigam em frente. Aqui não tem tempo pra drama.

Passei a manhã inteira observando, andando de um lado pro outro com bandejas vazias, limpando talheres, ajeitando guardanapos e tentando não atrapalhar ninguém. A cada pedido que ouvia ser anotado no salão, sentia o coração acelerar. Eu não queria errar. Tinha medo de parecer incapaz. Mas, aos poucos, fui pegando o ritmo.

Laís, como era de se esperar, virou sensação. Já no primeiro dia arrancava sorrisos dos garçons, ajudava clientes idosos a se acomodarem e até contava piadinhas baixinho para aliviar o clima de tensão entre os colegas.

— Se continuar assim, vai ser promovida antes de mim — brinquei no intervalo.

— Aí eu te levo comigo, ué — ela respondeu, me oferecendo um pedaço do pãozinho que pegamos escondidas da cozinha.

À noite, já estávamos exaustas. O restaurante fechava tarde, e os pés doíam como se tivéssemos caminhado quilômetros. De volta ao quarto, desabamos nas camas.

— Sobrevivemos ao primeiro dia — disse Laís, jogando o avental sobre a cadeira.

— Mal posso acreditar. Eu não derrubei nada, não tropecei em ninguém, não chorei no banheiro. Acho que foi uma vitória — falei, rindo.

— Vai ver você é mais forte do que pensa, Amélia.

Fiquei em silêncio por um momento, olhando o teto. Talvez eu fosse. Ainda era cedo pra dizer, mas havia algo reconfortante naquela rotina. Pela primeira vez em muito tempo, me senti parte de algo — útil. Havia futuro naquele lugar. Não sabia por quanto tempo. Não sabia se a sorte ia durar. Mas, por enquanto, tudo estava bem.

Do lado de fora, a cidade iluminada parecia nos dar boas-vindas. Fechei os olhos com um sorriso leve nos lábios. Talvez, só talvez… aqui pudesse ser o começo de uma nova vida.

Mas o destino de Amélia já tinha sido traçado, ela não tinha sorte na vida e isso fica bem claro quando um certo mafioso chegasse na cidade.

Nem mesmo sua amiga iria escapar da irá dos mafiosos, pobre órfã, a vida só lhe dar rasteira.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Apenas você    uma rotina amoniosa

    Ponto de vista de Amélia Às vezes, quando o silêncio toma conta da mansão, eu me pego olhando pela janela do quarto e lembrando de tudo o que passamos até chegar aqui. Cada cicatriz, cada lágrima, cada batalha… todas elas me trouxeram até este momento. E olhando para minha família, eu finalmente entendo o que significa vencer — não é sobre poder ou riqueza, é sobre ainda estar de pé, com as pessoas que se ama.Benjamin brincava no gramado, rindo alto enquanto corria atrás do cachorro, e nos meus braços, minha pequena Sofia dormia tranquila, com o rostinho sereno e os lábios entreabertos. Era impossível não sorrir. Ela parecia um anjo, completamente alheia ao mundo de sombras e pólvora em que nasceu.Maxin estava do lado de fora, conversando com Nikolai. Mesmo de longe, eu reconheceria aquele jeito firme e o olhar analítico. Ele nunca relaxava completamente — nem mesmo nos dias de paz. Era o instinto do homem que comanda uma máfia, mas também o do pai e marido que faria qualquer coisa

  • Apenas você    A vida continua

    O sol da manhã iluminava a mansão Sokolov, mas dentro das paredes do imenso lar, a sensação era de alerta constante. Amélia despertou nos braços de Maxin, sentindo o corpo dele quente e firme contra o seu. O cheiro de pele e poder do marido misturava-se à segurança que apenas ele conseguia proporcionar. O trauma do sequestro ainda estava fresco, mas ali, deitada sobre o peito dele, Amélia sentiu pela primeira vez desde muito tempo uma sensação de paz — embora frágil, pois o mundo lá fora nunca descansava.Maxin a observava dormir por alguns segundos antes de inclinar-se para beijar seu pescoço, provocando arrepios que subiam até a nuca.— Bom dia, minha mulher… — murmurou, voz rouca, carregada de desejo e possessividade. — Pronta para enfrentar o dia comigo?Amélia sorriu, abraçando-o com força. Ela sentia o corpo ainda marcado pelo prazer da noite anterior, mas mais do que isso, sentia o vínculo profundo que os unia, uma mistura de amor, desejo e intimidade que ninguém poderia quebra

  • Apenas você    em seus braços

    Maxin entrou em casa com Amélia nos braços, sentindo seu corpo ainda frágil pelo susto do sequestro e pelas feridas da batalha. Ela se segurava nele, respirando ofegante, os olhos arregalados de alívio e medo. Cada passo que ele dava era carregado de determinação e possessividade. Nada no mundo, nenhum inimigo, poderia tocá-la novamente.Assim que atravessaram a porta do quarto, Maxin a encostou suavemente contra a parede, mas com força suficiente para que Amélia sentisse o controle absoluto dele. Seus lábios colidiram com os dela em um beijo que era ao mesmo tempo reconfortante e faminto. A língua dele explorava a dela, exigente, e cada toque de suas mãos pelo corpo de Amélia provocava arrepios que a faziam derreter nos braços dele.— Você está viva… e nada vai te tirar de mim — murmurou ele entre os beijos, voz rouca e carregada de emoção e desejo. — Eu não vou mais deixar ninguém te machucar.Amélia o abraçou com força, sentindo a segurança que apenas Maxin conseguia lhe dar. O cor

  • Apenas você    o fim do italiano

    O quarto estava um caos. Vidros quebrados, móveis virados, o som metálico de respiração pesada e o cheiro de sangue enchendo o ar.O chão de mármore já não refletia o luxo do hotel, mas o retrato de uma guerra pessoal.Maxim e Giovanni lutavam como dois animais selvagens. Nenhum deles pensava em honra — apenas em destruição.O russo avançou primeiro, rugindo, com o rosto coberto de suor e sangue. Giovanni tentou recuar, mas foi pego pelo colarinho e lançado contra a parede. O impacto o fez grunhir, cuspindo sangue.— Você achou mesmo que podia tocar nela e sair vivo? — rosnou Maxim, os olhos queimando.— Ela merece mais do que um bruto como você! — Giovanni respondeu com o sotaque carregado, rindo, mesmo ferido. — Ela precisa de alguém que saiba tratá-la como uma rainha, não como uma posse!Maxim o acertou com um soco tão forte que o italiano cambaleou. O ruído do impacto ecoou como um trovão. Giovanni tentou revidar, atingindo o maxilar de Maxim, mas o russo parecia não sentir dor.

  • Apenas você    Amélia foi sequestrada

    O silêncio na mansão naquela manhã era quase estranho. Amélia havia acabado de deixar Benjamin na escola, como fazia todos os dias, e planejava retornar para uma reunião com Laís sobre a organização da próxima festa. Max estava trancado no escritório, lidando com números, aliados e decisões que sempre vinham acompanhadas de sangue. Tudo parecia dentro da rotina… até que não estava.Giovanni tinha esperado por esse momento. Depois de semanas observando os passos de Amélia, de enviar flores, convites e bilhetes ignorados, havia decidido que não podia mais perder tempo. Se Amélia não vinha até ele, ele a tomaria à força.No caminho de volta para a mansão, o carro de Amélia foi surpreendido. Dois veículos pretos surgiram dos lados da estrada estreita e obrigaram o motorista a frear bruscamente. Homens armados saltaram, mascarados, abrindo fogo contra os seguranças que escoltavam o carro.O som ensurdecedor dos tiros preencheu o ar, fazendo o coração de Amélia acelerar. Ela gritou para que

  • Apenas você    Talvez ele merece perdão

    Amélia mal tinha conseguido fechar os olhos quando o sol já surgia pela janela do quarto de hóspedes. Ela ainda sentia o corpo dolorido e marcado da noite anterior. Maxin havia sido selvagem, incansável, um homem tomado pela fúria da reconquista. E, mesmo que sua mente gritasse contra, seu corpo havia se rendido por completo.O coração dela ainda batia acelerado, como se cada batida fosse um lembrete da entrega que tivera na noite passada.Ela se virou na cama, tentando se recompor, mas Maxin estava ali, sentado na beirada, com o olhar fixo nela. Seus olhos escuros tinham uma intensidade que parecia queimá-la viva. Ele não disse nada, apenas se inclinou, segurou o queixo dela e tomou sua boca em um beijo profundo, voraz, que a deixou sem ar.— Ainda não acabou, Amélia — ele murmurou contra seus lábios, a voz rouca e carregada de desejo. — Você é minha, e vou provar isso quantas vezes forem necessárias.Antes que ela pudesse responder, Maxin a puxou de volta para a cama, cobrindo-a com

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status