FAZER LOGINNARRAÇÃO DE KAITO...
Horas antes da festa, passei o dia inteiro pensando nela — mas de um jeito estranho, fora do comum. Não sou do tipo que se encanta fácil, e nosso primeiro contato foi… esquisito. Ela me salvou. E o pior é que nem sei se agradeci. Estava tão aéreo naquele momento que simplesmente não me lembro. Enquanto me perdia nesses pensamentos, meu pai bateu na porta e entrou sem esperar resposta. Tirei o fone de ouvido para escutá-lo. — Vai à festa mesmo…? Suspirei e encarei a janela, pensativo. Eu não sou de festas, nunca fui. Mas o que Billy disse… sobre querer a Bela… bagunçou meu raciocínio. Olhei para meu pai, que sorria animado. — Vou. Não vou demorar. — Prefiro que vá — ele disse. — Você precisa ser mais social. As pessoas querem sua atenção. Precisa rir mais, falar mais. Forcei um sorriso sarcástico, o suficiente para arrancar uma risada dele. Em seguida, saiu do quarto. Meu pai é liberal demais — talvez por isso eu não ligue tanto para regras ou explicações. Algumas horas depois, me arrumei e saí de casa sem avisar. Pilotei a moto pensando nela. Na forma como se virou, no movimento dos seus cabelos volumosos. Apertei o acelerador ao lembrar dela entrando no carro do Billy. Quando parei em frente à mansão, tirei o capacete e a vi entrar sozinha. Mantive distância até Billy aparecer, claramente mal-intencionado. Com facilidade, ele a levou para dentro. Apesar de geniosa, ela é… ingênua demais. Não estava enganado. Billy a pressionava contra a parede, insistindo em algo que estava óbvio que ela não queria. Ela veio até mim. Bastou eu intervir naquela loucura. Me surpreendi quando segurou minha mão. Fiquei encarando nossos dedos entrelaçados, sentindo o suor da sua palma — um detalhe pequeno, mas revelador do quanto estava nervosa. Não sou de andar de mãos dadas. Aquilo me desarmou. A maior surpresa veio quando ela disse, sem rodeios, que queria ficar comigo. E, justamente por saber o quanto é ingênua, não compreendi a mensagem. Ficar como? Beijar? Apenas estar ao meu lado? Confuso, a chamei para sair dali. Enfiei as mãos nos bolsos, garantindo que não voltaria a tocá-la — eu não queria me perder naquela sensação estranha. Caminhamos até os fundos da mansão em silêncio; apenas nossos passos ecoavam naquele lugar. Abri a porta e saímos. Parei diante da piscina iluminada. Ela cruzou os braços, admirando o ambiente, mas parecia sentir frio com o vestido de alças finas. Tirei meu casaco e coloquei sobre seus ombros. — Queria agradecer por hoje… Na praia. — Fiz uma pausa. — Não me lembro de ter agradecido. Ela sorriu enquanto ajeitava o casaco. — Não foi nada… Eu disse que ia te furar. No fim das contas, acabei te salvando. Rimos juntos, encarando a piscina. Respiramos fundo ao mesmo tempo e nos encaramos, como se ambos quisessem falar. — Bel… — Kai… Falamos juntos. Rimos, constrangidos. — Fala… — pedi. — Por que meu pai odeia o seu pai? Arqueei as sobrancelhas, surpreso. Era exatamente isso que eu ia perguntar. — Meu pai não fala muito sobre isso. Mas disse que o seu sempre foi mesquinho, gostava de ser o centro das atenções… Eles brigavam bastante. Uma vez, seu pai quebrou o nariz dele. — Meu pai não é mesquinho… — ela resmungou. Totalmente menina do papai. Segurei o riso. Ela me encarou na defensiva. — Ele é gente boa. Um pouco protetor demais, a ponto de sufocar? Sim. Mas é bom. Seu pai que deve ser invejoso pra falar assim do meu. Ri alto. — Invejoso…? — ponderei, torcendo os lábios. — Não sei. Acho que todo mundo tem um lado da história. Pelo menos meu pai não é superprotetor. Na verdade, ele vive me incentivando a ser mais independente. Sou antissocial e ainda tento aprender a lidar com a minha fama. Sou popular sem nunca ter pedido isso. Na verdade… eu queria ser invisível. — Agora eu tenho inveja de você — ela disse, me encarando. — Sou louca pra ter amigos, pra ter liberdade. Essa é a primeira festa que participo sozinha, sem os olhos do meu pai sobre mim. Ela apontou para a mansão iluminada. Cruzei os braços, gostando daquele jeito sincero. — Quer mais liberdade? Ela piscou, confusa. — Como assim? — Vem… Vou te levar pra dar uma volta de moto. — Ah, não. Eu tenho medo. — Para de bobeira. Eu sei pilotar. — Segurei sua mão e a puxei. Ela hesitou, mas acabou aceitando. Ela é diferente. A conversa flui, até mesmo quando trocamos farpas. Quando estávamos saindo da mansão, revirei os olhos, entediado. Bastou alguns colegas se aproximarem. Kelly, forçada como sempre, pulou em meus braços. — Que bom que veio, bebê! Bela ficou em silêncio, os lábios franzidos num sorriso falso, mas seus olhos julgavam Kelly sem pudor. — Eu vim, mas já estou indo. Tenho um compromisso. Afastei os braços dela do meu pescoço. Seu sorriso morreu. — Então deixa eu ir junto… Olhei para Bela, que encarava o chão, sobrancelhas erguidas. Clima pesado. — Já vou levar a Bela. A gente se vê na escola. Vamos. Incentivei Bela a andar. Todos nos encararam, surpresos, até subirmos na moto. Ela se inclinou, nervosa. — Não acelera. Eu tenho medo. — Quando pegarmos uma pista reta, faz um favor. Abre os braços. Ela ficou em silêncio quando dei partida. E obedeceu. A pista estava livre, sem carros. Só nós dois enfrentando o vento. A velocidade passou do normal. — ABRE OS BRAÇOS! — gritei, rindo. — APROVEITA SUA LIBERDADE! Ela abriu os braços e gritou: — EU SOU UM PÁSSARO! Ri alto. Ela é espontânea. Poucas pessoas conseguem arrancar um riso fácil de mim. E ela… ela definitivamente tem esse dom.NARRAÇÃO DE JULIE...Dentro do jatinho particular, eu olhava pela pequena janela. Acima das nuvens, a noite era bonita… mas meu coração se apertava após a despedida da minha família. Não seria apenas uma lua de mel. William e eu chegamos a um consenso: morar em outra cidade, aprender a viver uma nova história.Will tocou minha mão e sorriu sereno.— Você está bem, meu amor…?Acariciei sua barba com carinho, esboçando um sorriso melancólico.— Vou sentir saudades dos meus pais… da minha irmã…Ele franziu levemente os lábios e tocou minha barriga.— Podemos visitá-los sempre que quiser.— No inverno… vou querer passar um tempo lá com você.— Como quiser… — sussurrou, depositando um selinho em meus lábios.Olhei para ele, ansiosa.— Não vejo a hora de chegar em Dubai.— Você vai amar a vista. Seu pai me ajudou a escolher o melhor lugar… um dos pontos mais altos.Sorri e me aninhei em seus braços.O restante da viagem foi tranquilo. Chegamos em Dubai quando o céu começava a clarear — e, d
NARRAÇÃO DE JULIE...Parecia tudo tão… irreal. Era tão bom que eu sentia medo de ser apenas um sonho.Meu pai estava calmo. Chamou William para conversar em particular, e meus olhos, é claro, seguiram cada passo deles até saírem do quarto. Minha mãe sorria emocionada, Bela também estava ali, em choque… mas eu só estava preocupada com Will.— Julie, está tudo bem. — Minha mãe falou, chamando minha atenção.Suspirei fundo. Ainda estava nervosa. Por mais que meu pai demonstrasse calma, eu temia que ele mudasse ao ficar a sós com Will. Olhei para minha mãe quase em súplica.— Pode ficar com eles? Só…— Seu pai não está bravo, Julie.— Só por garantia… — implorei.Ela riu, mas acabou cedendo e foi atrás deles.Ficamos apenas eu e minha irmã no quarto. Ela parecia assustada, me analisando com insegurança.— C-como assim, Julie? A última vez que te vi… v-você era a Julie calada, que queria voltar pra casa, ficar no seu canto, no seu quarto, silenciosa… e agora…Ela piscou lentamente, visivel
NARRAÇÃO DE JULIE...Péssimo dia pra virose… Muito péssimo. Meu Deus!William me observava, ainda muito preocupado.— Meu amor, não quer dar um pulo no hospital? Às vezes você comeu algo que não te fez bem. — falou, enquanto eu lavava meu rosto na pia.— Não… — respirei fundo, apoiando minhas mãos trêmulas na pia. — Bela já avisou que estão chegando. — Fechei os olhos, tentando me acalmar. — Eles estão chegando e eu preciso estar aqui, junto com você.— Então tenta comer alguma coisa, talvez… — Meu estômago embrulhou ainda mais.— Agora não. É a tensão que está me deixando assim… Depois disso eu vou ficar bem.William acariciou meu rosto, ainda preocupado. Ninguém da minha família imagina o quanto somos íntimos, como um casal de verdade — quase comparado aos meus pais — trocando conselhos, entendendo um ao outro, nos amando todos os dias. Eu sabia que seria um impacto para todos.Melhorei depois de escovar os dentes. William, é claro, não saiu do meu lado, sempre com seu olhar atento
NARRAÇÃO DE JULIE...William suspirou ao segurar aquela carta, mas não hesitou quando estendeu sua mão, entregando-me.Sentamos naquele sofá. Limpei a poeira que estava na carta e finalmente a abri."Julie, eu queria ter me despedido… como queria… O que me restou foi criar uma pequena esperança pra você encontrar essa carta. Não chore, isso não é um adeus, e sim um até logo. Viva intensamente, se entregue à arte. Eu prometo que vou fazer de tudo pra voltar. Agora você é nova demais, mas no futuro teremos maturidade. Vou me esforçar para conquistar a confiança do seu pai, irei estudar, irei ser um homem digno para pedir sua mão. Eu quero você, mas é necessário fazer tudo certo. Estou escrevendo essa carta com o coração em ruínas, eu não queria ficar longe, mas não tenho escolhas. Mas uma coisa me consola… uma frase que sempre escutei… ‘Quando andamos no caminho certo, a recompensa é a felicidade.’Te amo, apenas… Me espere.Com amor, WLL."Meus olhos inundaram. Segurei aquela carta mai
NARRAÇÃO DE JULIE...Meu coração ainda estava disparado, mesmo depois de ver meus pais saindo. Era um misto de sentimentos… e um deles parecia que iria explodir a qualquer momento. Adrenalina, amor… Mordi os lábios ao olhar as escadas. Subi ansiosa, sedenta por ele.Ao entrar no quarto, escutei o barulho do chuveiro. Aproveitei para trocar os lençóis da cama. Respirei fundo, ajeitei meus cabelos antes de entrar no banheiro.Quando abri a porta, prendi a respiração. William estava de costas, a água escorria por suas costas largas. Então ele se virou, sorriu.— Esperei seus pais saírem primeiro, pra depois tomar um banho… — falou.Respirei fundo, admirei seu corpo nu. Seu membro já começava a ficar duro, bastou meus olhos repousarem ali. Então puxei a alça do meu vestido. Ele estendeu a mão, entrei no box e finalmente o beijei naquela manhã. Um beijo gostoso… mesmo depois de toda entrega pela madrugada, meu corpo se arrepiava em seus braços.Acabamos fazendo mais uma vez. Foi o melhor b
NARRAÇÃO DE JULIE...Sem sombra de dúvidas, foi a melhor noite da minha vida...A dor que senti foi pequena, quase nula, comparada ao prazer que experimentei naquela noite. Meu corpo se arrepiava — fui apresentada ao melhor prazer da minha vida!Foi intenso, com beijos molhados e respirações descompassadas... Quando terminou, ah... parecia um sonho. William dormiu em meus braços. Acariciei seus cabelos, ainda sentindo meu corpo sensível, reagindo ao que havíamos vivido.Era tudo novo… mas delicioso.Dormi leve, mas acordei apavorada com meu pai batendo na porta.— Julie, filha, cheguei! Abre a porta, estou com saudades.Olhei para William em desespero. Ele estava completamente nu. Pedi que se escondesse no banheiro. Ele pegou a calça no chão e se trancou.Me vesti rapidamente com o primeiro vestido que encontrei. Coloquei a calcinha às pressas. A cama bagunçada denunciava a noite, com uma pequena mancha de sangue. Puxei o edredom para esconder.Respirei fundo.E então abri a porta.So







