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Capítulo 2: Quem não te quer sou eu

Autor: Moonflower
last update Data de publicação: 2025-07-31 08:18:17

Isso dói. Dói para caralho.

Eu preferia ter meu crânio esmagado de uma só vez, só para não ter que passar mais um segundo aqui.

As palavras de Lucius cravaram fundo no meu coração. 

Ele dizia aquilo como se eu nunca tivesse existido na vida dele. 

Como se eu não fosse nada.

A filha do Alfa? 

Claro. 

Eu nunca teria como competir.

Uma mera Ômega não estaria aos pés de um Beta como Lucius. 

Agora vejo claramente o quão tola eu fui esse tempo todo. 

Ele só estava brincando de casinha com a Ômega. 

Enquanto sua parceira de verdade não havia se revelado.

Vamos, Artemísia. 

Mantenha a compostura.

— Como e quando vocês descobriram o laço de companheiro? Por que tão tarde? — o Alfa líder perguntou após a revelação de Lucius, o normal, na idade deles, seria já terem reconhecido o laço antes.

— Nos conhecemos há dois meses, quando madame Elise voltou do exterior. — Ele começa a falar. Hesitante.

Até então, eu nunca tinha visto a filha mais nova do Alfa. Foi por acaso. A encontrei na entrada da residência Alfa, chegando de viagem. — Lucius continua de forma lenta, como se tentasse recordar os acontecimentos.

— No instante em que nos vimos, sentimos o choque do laço. Foi intenso. Começamos a nos encontrar, aos poucos. Eu ainda estava relutante… por causa do meu vínculo atual. — Ele me lança um olhar de canto. — Isso atrasou minha decisão final.

— E o que você, Elise, minha filha, acha disso? — o Alfa líder se direciona à sua filha mais nova.

— É recíproco, pai. Eu o amo, mais que tudo. Desde o dia em que coloquei os olhos em Lucius, eu sabia que fomos feitos para estarmos juntos — ela responde.

Convicção.

Frieza.

Superioridade.

— E você, Artemísia Goldryn, o que nos diz sobre essa situação? 

Eu não estava pronta para falar, não sei se consigo manter a voz firme. 

Porém, não posso deixar o Alfa líder esperando. 

— Com todo respeito, Alfa Líder Benedict, eu não dou a mínima pro que Lucius vai fazer da vida dele. Ele é bonito, forte… até fofinho. Mas nada demais. Sinceramente? Nunca esperei muito da nossa relação. Eu só estava confortável, e o status de Beta dele era bem conveniente. Só acho que saí em desvantagem nessa história.

As palavras saíram como adagas cegas, lançadas em todas as direções. 

Nenhuma delas era verdade. 

Mas eu não podia deixar essa situação me humilhar mais do que já estava.

Houve burburinhos. 

Os membros presentes estavam chocados. 

O Alfa manteve a postura, mas claramente não esperava aquela resposta. 

Lucius… parecia atordoado. 

O ego ferido. 

Doeu nele.  Um pouco.

Mas não tanto quanto doeu em mim. 

Ainda assim, ver aquela dor trouxe um fiapo de satisfação ao meu coração ferido.

— Então podemos prosseguir com o encerramento do vínculo de vocês? E o que quis dizer com você ter saído em desvantagem? — o Alfa Líder retoma o foco da reunião.

— Bem, o Lucius me marcou, e todo mundo sabe que a marca de reivindicação não é facilmente removível, no entanto, agora que ele quer se desfazer do nosso vínculo, essa marca não me serve de nada, nada além de um fardo que terei que carregar, nenhum outro pretendente irá se aproximar ao ver que já fui reivindicada. 

— De fato, você tem um ponto. Mas o que você sugere que seja feito para resolver essa questão? — o Alfa Líder pondera. 

— Eu temo que não poderei aceitar o encerramento do nosso vínculo, por mais que entenda o lado de Lucius e sua contraparte, até ontem desconhecida por mim. 

Lucius se sobressalta.

Me lançando um olhar raivoso e questionador.

Ele não diz nada mas eu posso ler claramente o que há em seus olhos: “Você não ousaria fazer isso”. 

Não só ousaria, como estou fazendo, querido. 

Todos no salão começam a se agitar e burburinhos se espalham por todo o ambiente. 

O Alfa Líder levanta a mão. Silêncio instantâneo. 

— É compreensível a sua rejeição. Porém, terei que pedir tempo para decidir o que será feito sobre essa questão, logo, encerro por aqui nossa reunião. Nos reuniremos novamente amanhã para eu dar meu veredito. 

Não me sinto confortável em deixar esse assunto pendente. 

Mas entendo que a situação é complexa.

O auditório começa a esvaziar.

Lucius se aproxima de Elise, visivelmente preocupado.

Tenho quase certeza de que ele esperava que eu baixasse a cabeça.

Que deixasse que me humilhasse diante de todos.

Mas ele, mais do que ninguém, deveria saber:

Artemísia Goldryn não sai por baixo.

Elise parecia inquieta.

Se eu me concentrasse, ouviria cada palavra.

Mas não quero mais me envolver.

Só quero ir para casa.

Arrumo minhas coisas rapidamente e sigo em direção à porta. É então que sinto um olhar pesado sobre mim.

Olho ao redor. 

Encontro os olhos azul-escuros de Elise, fixos em mim. 

Ela carrega a fineza da família Alfa… 

Mas eu poderia jurar que havia uma pontada de ódio ali.

Depois de um banho merecido, me jogo na cama. 

Pronta para apagar em segundos. 

Mas o descanso mal começa.

Interrompido por batidas agressivas na porta. 

Suspiro. 

Irritada. 

Vou atender com pouca paciência.

— Lucius, eu não quero mais ouvir nada do que você tem a dizer…

Abro a porta.

Mas me surpreendo.

— Elise? A que devo a honra? Veio me entregar um convite de casamento atrasado?

— Cale a sua boca, Ômega! Precisamos conversar. — ela retruca de maneira nada amigável e com uma arrogância sem limites.

— Seja mais clara, “madame”, ou conversaremos ou mantenho minha boca calada. Aliás, não sei se o Lucius te informou, mas a “ômega” aqui se chama Artemísia, ele já deveria ter aprendido meu nome nesses sete anos juntos. — respondo sem medo, sei que como Beta e ainda mais da família Alfa ela deve ter a bola lá no alto, mas não permitirei que ninguém me tire para pouca coisa, nem a própria deusa.

— Serei breve. Aceite o rompimento do vínculo com o Lucius amanhã de forma pacífica e não terá problemas. — a voz da princesinha soa firme e decidida.

— Problemas eu já tenho, esqueceu que ele me marcou? Não é justo eu conviver com isso enquanto ele pode simplesmente trocar de parceira como troca de roupas. Sinto muito, mas terei que negar.

— Você não entende mesmo o que está em jogo, né? O que você precisa? Dinheiro? Emprego? Cargos? Podemos negociar. 

Eu preciso que ele seja punido devidamente, talvez uma punição para traição de vínculo conforme as leis lunares? É, seria suficiente. 

Ela empalidece.

A punição para traição de vínculo é clara.

Castração.

— Impossível! Isso eu não posso lhe conceber, você está agindo como uma estúpida, apenas nos deixe viver felizes e em paz! 

— Imaginei que recusaria, as bolas do Lucius realmente são muito valiosas, o que vem acompanhado então…

O tapa vem rápido.

Arde como chicote.

A vadia é forte. 

— Não ouse falar do meu companheiro assim!! 

Ela mostra os dentes.

Rosna.

— Você é exatamente o que se espera de uma ômega, uma piranha sem valor que correu atrás de um Beta de prestígio como o Lucius apenas para tentar ser o que não nasceu para ser, você nunca será como nós, você foi escolhida pela deusa para varrer o chão que eu piso, então olhe bem o jeito como fala comigo! 

As palavras dela me irritam.

Beta isso. Ômega aquilo.

Como se eu não fosse tão loba quanto ela.

Mas também sei rosnar.

Mostrar os dentes.

E bater.

Com ódio e dor acumulados, acerto seu rosto com força.

Ela hesita.

Depois vem pra cima com sangue nos olhos.

Nos atacamos com ferocidade.

Freya, inquieta dentro de mim, implora para ser liberada.

Estamos a um passo da transformação.

Sei que Elise é forte.

Filha de Alfa e Beta.

Bem treinada.

Eu sou briga de rua.

Sobrevivência.

Mas Freya é uma loba ônix.

Rara.

Poderosa.

Imprevisível.

Avanço.

Derrubo Elise.

Me preparo para morder seu ombro.

Até que o grito desesperado de Lucius nos interrompe:

— PARE, ARTEMÍSIA! PARE COM ISSO! ELA ESTÁ GRÁVIDA!

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Último capítulo

  • Bem me quer, Mal me quer.   Nota de Agradecimento

    Quando comecei a escrever esta história, não imaginava o quanto ela me envolveria. Cada capítulo foi uma jornada de descobertas, cada personagem uma extensão da minha mente, e cada reviravolta me fez vibrar junto com eles. Artemísia e Lioran não são apenas protagonistas, são símbolos de força, redenção e amor que desafiam qualquer maldição, e foi muito divertido escrevê-los.Agradeço profundamente a cada leitor que acompanhou esta história, é a primeira vez que escrevo e publico algo, reconheço que posso melhorar em muitos pontos ainda, mas fico feliz que essa história tenha chegado até você de alguma forma e que você tenha chegado até o final. Vocês tornaram este universo real e possível.Escrever sobre lobos foi, acima de tudo, escrever sobre humanidade. Sobre instintos, escolhas, medos e coragem. Sobre o que significa amar alguém por inteiro mesmo quando esse alguém está quebrado.E agora, com Lirya, uma nova era começa nesse universo. Talvez um dia eu volte para contar a história d

  • Bem me quer, Mal me quer.   EPÍLOGO

    POV: Artemísia(CINCO ANOS DEPOIS.)Solto um urro que ecoa por todo o templo. Fecho os olhos, esperando a contração aliviar. Estou de cócoras, apoiada por Lioran, que segura minha mão com firmeza. No canto, Illía prepara uma infusão de ervas medicinais, o aroma forte e reconfortante preenchendo o ar.Tento enxergar meus pés, o chão, mas a barriga enorme não permite. Outra dor irradia pela lombar, como um raio atravessando meu corpo. A contração vem, dessa vez com um ardor intenso.— Eu não aguento mais! — grito para Illía.Ela sorri, serena como sempre.— Você aguentou coisa pior. Muito pior. E isso é bom. Significa que está quase chegando.Mesmo em meio à dor, as palavras dela me alcançam. Ela tem razão. Já senti dores que me rasgaram por dentro. Já morri, literalmente. Essa dor… É diferente. É feita de amor.Lioran aperta minha mão mais forte.— Está tudo bem? Se quiser, podemos ir para um hospital e…Interrompo, a voz abafada:— Não! Eu consigo fazer isso. E eu confio em Illía.D

  • Bem me quer, Mal me quer.   Capítulo 85: União Eterna

    -POV: Artemísia-(1 MÊS DEPOIS.)Me seguro para não roer as unhas perfeitamente feitas e pintadas. O ar-condicionado do carro intensifica o frio de Umbra, mas dentro de mim… É um forno. Não de calor. De fervor.O vestido aperta minha cintura com uma firmeza quase reconfortante. Como se dissesse: “É hoje.”Branco como espuma, ele se estende ao meu redor com rendas delicadas que dançam sobre o tecido como neve em movimento. As mangas longas abraçam meus braços com carinho. A gola alta de tule rendado roça meu pescoço como um lembrete suave: Cada detalhe foi escolhido com amor.A cauda atrás de mim se espalha pelo banco como uma onda calma. Tento não rir ao pensar que, se eu me mexer demais, ela vai engolir todos nós.Estou atrasada. Claro que estou. Mas não consigo me importar.Cada segundo que passa me aproxima do momento que sonhei desde menina. O momento em que selaria um amor sem precedentes. E eu não poderia estar mais satisfeita com o rumo que as coisas tomaram.— Seu nervosismo

  • Bem me quer, Mal me quer.   Capítulo 84: Um lobo inteiro

    -POV: Lioran-Quando abro os olhos, um feixe de luz atravessa a fresta da cortina da imensa janela da suíte Alfa. A claridade suave me faz piscar algumas vezes, até que tudo se acomoda.Sinto o calor da respiração pesada em meu peito. E os longos cabelos pretos de Artemísia espalhados como uma cascata escura sobre mim. Ela repousa ali, tão perto do meu coração.Sorrio. E levo a mão até sua nuca, acariciando com delicadeza. Ela se remexe com meu toque, resmunga baixinho, tentando despertar.— Foi mal, te acordei?Ela afunda o rosto no meu peito, balança a cabeça de forma preguiçosa e murmura, dengosa:— Que horas são?Olho para o relógio digital na mesa de cabeceira.— Quase meio-dia.Ela levanta a cabeça num pulo, como se tivesse levado um choque.— O quê?! Por que me deixou dormir tanto?Dou risada.— Não deixei. Acabei de acordar também.Ela começa a se arrastar do meu peito, tentando se levantar. Mas não deixo. A puxo de volta, envolvendo-a com os braços. Aninho sua cabeça de novo

  • Bem me quer, Mal me quer.   Capítulo 83: A Marca

    ALERTA! Cenas 18+ envolvendo conteúdo sexual.-POV: Artemísia-A luz da lua iluminava o torso nu e escultural de Lioran enquanto eu rolava por cima dele no chão da estufa. Seus olhos vermelhos percorriam minha silhueta como se adorassem uma deusa. Brilhavam com desejo. Com fogo.Deslizei uma garra do topo do seu abdômen até a virilha. Gravando cada gomo, cada detalhe. O ruído que ele soltou, gutural, vibrou na ponta dos meus dedos. Me arrepiou a espinha.Ele era meu. Só meu.Minhas mãos desceram mais. Se deliciando com o calor que emanava dele. Quando pararam, apertando a fonte daquele fogo, Lioran soltou outro grunhido. Mais profundo. Mais entregue.— Você está totalmente refém, meu Alfa — comentei, maliciosa.Ele respondeu com a voz contida, mas provocante:— Estou? Ou talvez eu esteja deixando você brincar um pouco…Subi por cima dele, encaixando nossos corpos como um quebra-cabeças.— Vou te mostrar quem está brincando…Comecei a me mover lentamente. Ele fechou os olhos com a sens

  • Bem me quer, Mal me quer.   Capítulo 82: O Jardim Secreto

    POV: ArtemísiaSaímos para o jardim externo. A noite estava calma, e o ar carregava aquele frescor típico de Umbra. Mas o que me chamou atenção foi a estrutura à frente. Algo que eu nunca tinha visto ali antes.Uma estufa. Enorme. Com vitrais coloridos e vigas que desenhavam vinhas de flores. Flores de seis pétalas.Lioran abriu a porta e me levou até ela. Por dentro, parecia um salão amplo, repleto das flores mais distintas. Todas lindas. Todas vivas.Fiquei maravilhada com a beleza do lugar.— Lioran… Quando você fez tudo isso?Ele sorriu, com aquele brilho nos olhos que só aparece quando fala de algo que ama.— Desde que me livrei das amarras de Sylvia. A estufa já existia, mas estava inativa. Trabalhei ativamente para reformar tudo e encher de vida.Passei os dedos delicadamente pelas flores. Analisando cada detalhe.— A maioria tem seis pétalas.Ele sorriu mais largo.— Então você percebeu. Mas minhas favoritas são estas aqui.Me aproximei. Havia um canteiro inteiro com um tipo d

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