INICIAR SESIÓNBranca
Dois dias. Florian Seven está escondido na minha casa há dois dias. Já pedi permissão para o meu pai para sair do morro, mas ele não permitiu, alegou que estão em alerta porque invadiram um lugar dos Seven. Não me deu explicação, só disse que não posso sair nos próximos dias. Terei que esperar.
Não sei como contar isso ao Florian. Como dizer a ele que precisa ficar confinado na minha casa?
Droga! Que merda!
Ninguém merece essa vida de cárcere privado.
Eu devia tê-lo levado a um hospital ou deixado outra pessoa com senso de noção cuidar dele. Agora o homem que deve levar uma vida de luxo, está revezando entre a roupa que chegou e a que Maria deixou aqui. Um homem que deve ter a vida agitada, nem mesmo pode sair na rua.
Juro que não sei como corrigir isso.
— Cheguei — aviso passando pela sala, onde ele está lendo um dos livros da série Arsène Lupin.
Passo direto para a cozinha para guardar as coisas.
— Comprou cerveja. A minha dívida com minha sequestradora vai aumentar. — Sua voz aproximando mostra que ele vem até a cozinha.
Olho em sua direção. E me perco em seu abdômen definido, lisinho. Está usando só a calça.
É pecado imaginar como seria beijar essa região?
Desvio o olhar quando vejo o sorriso presunçoso surgir em sua boca perfeita. Ele sabe que me afeta. Safado!
— Alguma novidade sobre a minha libertação, senhora sequestradora?
— Sobre isso... — É melhor ser sincera. Só não sei como.
— Sobre isso? — ele questiona.
— Não tenho permissão para sair do morro. Parece que no dia em que te encontrei meu pai havia atacado algum lugar e agora acha que sua família vai revidar.
— Ele está certo. Eles vão revidar.
— Desculpa. Foi culpa minha. Eu devia ter pensado antes de te trazer. Eu sou uma sonsa mesmo.
— Ei! — sinto seu toque em meu queixo, levantando o meu rosto em direção ao seu. Quando ele chegou tão perto? — Você só tentou ajudar alguém que estava mal. Não tinha como saber quem eu era. Isso não é ser sonsa.
— É, mas te trazer pra casa? Já fui mais inteligente que isso. — Rio sentindo meus olhos rasos de lágrimas.
— É, isso não posso negar. — Ele ri sem soltar meu queixo.
— Idiota! — bato com uma mão em seu peito, e lá mesmo ela fica. Sem chances de tirar ela dessa pele quente e macia.
— Branca... — sua voz está mais grave. — Eu vou beijar esses seus lábios de morango. — Sinto seu dedo subir do queixo para meu lábio inferior e tocá-lo levemente. — Posso?
Apenas confirmo com a cabeça. Sem chance de achar voz agora. Levo a mão que está em seu peitoral ao seu pescoço e ele se curva, tomando meus lábios.
Esperava um beijinho. Não estava preparada para o que se seguiu. Os lábios de Florian tomaram os meus sem cerimônia, sua língua invadiu minha boca, provocando a minha, me deixando louca.
Nunca senti tanto tesão na vida.
Ele me prensou contra o balcão. Sua mão agarrou firme meu cabelo solto e afastou nossas bocas, me fazendo encarar o brilho de tesão em seus olhos cinza.
Estou por um triz de jogar a sensatez para escanteio e entregar a minha virgindade aqui e agora.
Mas o banho de água fria vem quando uma sombra passa pelo seu olhar e ele leva a mão aos cabelos, bagunçando, arrancando o elástico.
— Sinto muito. Não devia ter feito isso — diz nervoso.
— Por que não? — ridiculamente sinto a decepção em minha voz.
— Porque eu sou a porra do homem mais complicado que você já conheceu ou vai conhecer.
— Por ser um Seven e meu pai odiar vocês?
Ele nega com a cabeça, mas não explica. Isso me deixa irritada e envergonhada.
— Não vai rolar, Branca. Mesmo eu querendo muito, essa merda não vai rolar.
O que dizer quando tudo que sente é vergonha?
Eu me ofereci tão descaradamente. Quase tirei a roupa e pulei nele. Que humilhação. Branca, você vai morrer virgem pelo jeito.
— Sinto muito, Branca. — Seu tom é baixo, desanimado. — Eu quero te contar por...
Ele é interrompido.
— Querida irmã mais nova, cheguei.
Puta que pariu! Essa voz... ela não pode nem sonhar que tem um homem aqui.
Levada pelo desespero, agarro o braço de Florian e o empurro para um quartinho de vassouras que tem na cozinha.
— Pelo que mais ama, fique escondido — sussurro. — Eu te imploro.
Não tenho tempo de ouvir sua resposta, fecho logo a porta e corro para a pia, onde ela me encontra.
— O espirito de criada não sai de você, queridinha. — A voz debochada arrepia meus pelos.
Respiro fundo.
Vai começar a sessão ofensas.
E saber que Florian está ouvindo tudo é lamentável. Principalmente depois do fora que me deu.
BRANCATanta coisa aconteceu nos últimos cinco anos. E eu estou aqui, novamente no quarto onde Florian me trouxe pela primeira vez, onde sua personalidade insana tentou me matar. Poderíamos ter nos mudado, ter nossa própria casa, mas é impossível sair daqui. É onde estão meus amigos, minha família. Nossos filhos estão crescendo juntos e unidos.Ninguém nunca mais nos importunou. Pelo menos não por minha causa. Os Seven tem seus inimigos. Isso nunca vai mudar. É o lado ruim de se ter muito poder.Cristal se foi. Eu preferia que ela estivesse presa, mas não me sinto mal por ela ter morrido. Duvido que mudaria após ser presa. Ela foi parar nos casos de desaparecidos, assim como o homem que tentou me matar sob sua ordem.Hoje convivo com os Seven e ouço muito sobre as coisas que fazem. É meio assustador. Não me envolvo em nada. Posso ter tido um pai criminoso e ser casada com um mafioso que agora passa muito tempo cuidando de assuntos ilícitos com seu pai e seus irmãos, mas não tenho estô
Vejo o momento em que Adam segura a mão de uma mulher mascarada que carrega uma faca e estava pronta para acertar minha Branca.Me aproximo e abraço minha grávida por trás.Cristal esperneia enquanto Adam a afasta de nossas mulheres.— É culpa dela. — Ela grita raivosa para Branca. — Você, sua maldita, acabou com a minha vida, com a minha beleza.Sua máscara cai e mostra hematomas de dias atrás.A visão parece afetar Branca, deixá-la com pena. Mas Maria entra na frente.— Mentira. Não acredita nela, amiga. João me disse que ela saiu do morro porque quis, achou que aceitando ficar com o dono do outro teria poder. Ela fez a escolha dela quando todo Rio de Janeiro sabe como aquele porco trata suas mulheres.A outra tenta arranhar os braços de Adam, cobertos pela camisa.— Mentira. Eu vou matar você. Vou arrancar seu rosto, sua intrometida.Ele arrasta a mulher para o escritório, enquanto meu pai pede desculpas aos convidados e pede que se divirtam e esqueçam o episódio. Depois ele vai at
Meses depois...FLORIAN— Achei que tivesse ido embora — falo para o reflexo no espelho. Ele sorri de lado.“Hoje é o dia. Eu não perderia isso por nada.”— Nem pense. Eu não vou deixar que lide com isso. É a minha noiva.“Podemos ir juntos. Da mesma forma que estamos conversando aqui.”— E eu teria que levar um espelho — debocho.“Não, imbecil. Eu vou estar na sua cabeça. Ou pode ser teimoso e eu tomo o seu lugar. Quer arriscar essa briga?”— Só fica na sua.O reflexo pisca.Desço para o escritório com o imbecil do Caçador tagarelando estratégias na minha cabeça. Quando entro vejo meu pai e meus irmãos, já armado e prontos. “Eu quero aquilo”.Olho para o taco de basebol que o Raoul segura.“Esmagaremos alguns crânios”.— Gosto da ideia — concordo. E me viro para o meu irmão. — Raoul, tem outro desse?Ele olha de mim para o taco e dá de ombros.— Pode ficar com esse. Combina mais com você, cabeludo. Você está parecendo o Caçador.— Nesse caso eu sou um. E vou caçar
Meses depois...Na mente de Florian— O que você faz aqui?Escuto a pergunta que não é direcionada a mim. O cara de terno que segura uma bíblia está olhando uma mulher negra de vestido cor de rosa elegante. Ela é tão linda que nem parece real.Ela só o olha com desprezo evidente.— Flor? — sondo.Ela abre o sorriso de dentes alvos e alinhados.— Em toda minha beleza.Sorrio. Então, esse era o meu rosto na vida em que fui a Flor. Facilmente me apaixonaria por essa mulher. Ela realmente é deslumbrante.— Estava tudo muito divertido, mas vim me despedir. Essa deusa aqui precisa de descanso.O tempo todo o outro nos olhava como se fossemos insetos.— Você é linda — declaro, ainda impactado por sua beleza. Acho que é um efeito permanente.— Eu sei. Agora me abrace e não me faça chorar.Quando a abraço ela se desfaz em luz. Confesso que esperava que ela fosse mais teimosa. Não imaginei que iria sem brigar.— Diga a rapariga que somos amigas.Foi a última coisa que ouvi. Sorri com suas últim
Na mente de FlorianDormi ao lado de Branca, pela primeira vez sem tê-la nos braços. Ela veio para a cama só quando pensou que eu já estava dormindo, e manteve uma distância.Assim que fechei os olhos me vi no mesmo lugar onde me despedi do Death. Ele não estava ali. No lugar dele, via um homem de moletom e outro com roupas esportivas e sorridente. Todos com meu corpo e rosto.Sid e SF.— Isso significa... — começo.— Viemos nos despedir. — Sid diz e balança a mão em um tchauzinho.— Entendemos que não é nossa vida. A nossa vez já passou. — SF completa.— Viver a vida de outro é trabalhoso e desnecessário. — Sid boceja. — Vamos acabar logo com isso.— Não tenho muito a dizer. Apenas que cuide da Branca. Não deixe a vida dela se tornar monótona. E nem a sua. Lembra que estou na sua alma também e preciso de ação.— Mas não exagera que eu também estou. E mereço descanso.Assinto para os dois.— Moderação. Entendo.— Boa sorte. Viva melhor do que vivemos. — SF diz.Eles estendem uma mão c
FLORIANOlho no espelho do banheiro, mas o rosto que reflete não é exatamente o meu. Esse olhar não é meu.“Quantas vezes vai permitir que ela se machuque, seu inútil?”Consigo ouvir os pensamentos e sei do que o meu reflexo fala.— Eu não permiti. Estava lá por ela.“Quem levou aquela bala foi o Death.”— Acha que faria um trabalho melhor?“Óbvio. Primeiro que eu não a deixaria ter duvidas sobre o que quero.”— Não estou deixando.“Ah é? Nem você acredita nisso.”— O que quer? Vai me assombrar nos espelhos agora?A imagem sorri.“Ela é minha. Aceite dividir ou quem será expulso desse corpo será você. Ela escolheu você. Então, faça por merecer.”— Está me ameaçando?“Sim. Estou.”— Escuta aqui, seu mer...Uma risada ecoa na minha mente e o reflexo no espelho agora mostra somente minha face irritada.Pego a escova de dentes e tento não pensar no vazio na minha memória.Quando termino, volto para o quarto onde Branca está despertando. Linda. Sua pele tem... marcas. Porra!Desvio o olhar







