INICIAR SESIÓNPOV de Marina
- Casa comigo – digo-lhe sem hesitar, mas hesitando
Ele ficou em silêncio, eu fiquei em silêncio. E isso pesava entre nós, criava uma barreira entre nós. Por fim ele solta uma gargalhada.
- Não sabes nada sobre mim – diz-me ele de forma séria e confuso com a minha proposta
- Não preciso, apenas preciso de alguém que não tenha nada a perder – digo-lhe de forma segura e firme
Ele fica pensativo, ele encara-me, avalia-me, analisa a minha postura.
- Não – responde-me ele de forma clara e direta e eu não reagi, não implorei e não insisti, apenas assenti como que já soubesse a resposta dele
- Então vai embora, antes que eles voltem – digo-lhe e ele fica a encarar-me e depois de uns segundos ele vai embora, deixando-me sozinha.
Assim que a porta se fecha eu sinto que não foi um adeus e sim um até já. O que eu não sabia era que era um até já muito curto, breve, e a minha vida estava destinada a cruzar-me com a dele.
Tal como ele, eu também saio da sala onde estivemos, vou para casa.
Naquela noite eu tinha muito em que pensar, pois, dentro de poucos dias era o meu casamento com Diogo, coisa que não aconteceria. Eu não iria casar com aquele traidor.
E isso era um problema que eu tinha de resolver, eu tinha de me casar, eu tinha de satisfazer o último desejo do meu avô.
Eu choro de raiva. Como é que eu não vi que tinha sido enganada. Como é que eu não desconfiei de nada.
Eu preciso de encontrar uma solução. E rapidamente.
A noite cai rápido e eu estou no meu quarto, sentada na cama, sem saber o que fazer e encaro a caixa do meu vestido de noiva, que estava dentro da caixa.
Os meus pensamentos são interrompidos por uma funcionaria da mansão. Eu tinha uma visita, mas eu não esperava por ninguém.
- Você? – pergunto o ver o homem a quem eu tinha feito, horas antes a proposta de casamento, sentado no sofá da mansão do meu avô
- Eu – responde-me ele a sorrir, mas vestido de forma diferente, elegante, arranjado, limpo, perfumado, parecia outro homem, ele estava outro homem, com outra postura, mas com o mesmo olhar
- Como descobriu onde eu moro? – pergunto-lhe curiosa, mas, muito apreensiva
- Isso fica para mais tarde, ou até para outro dia – responde-me olhando para todos os lados a sorrir e tentando perceber se alguém ouvia a nossa conversa – A proposta ainda está de pé? – pergunta-me ele num tom baixo e de forma direta e eu sorrio para ele
- Sim – digo a sorrir pois, ele era a minha salvação, e, eu estava de volta ao comando da situação - Venha – digo-lhe e vamos para o escritório conversar.
Nós fazemos o nosso acordo, nós vamos casar, eu vou casar e vou voltar a ficar por cima e quem me quer ver na lama ainda vai ter muito que lutar para me conseguir destruir, eu sou Marina Vasques, hoje eu renasci.
Naquela noite eu durmo muito bem, eu estava aliviada, eu estava novamente por cima e a controlar as coisas, como me foi sempre dito pelo meu avô. E sempre que pensava nele o meu coração apertava, pois eu iria enganá-lo para realizar o último desejo dele.
- Ele quer me ver casada e vai ver, ele nunca falou que eu tinha de o amar, de ser um casamento verdadeiro – sussurro para mim mesma e tentando não me sentir tão culpada pelo que eu estava a fazer com ele
Os dias passam a correr, eu tinha muito que resolver, muito que tratar e ninguém podia desconfiar do que eu fazia.
O grande dia chega.
Eu consegui fazer tudo, secretamente, mas, fiz tudo. O meu casamento com Kostas tinha acontecido hoje pela manhã no cartório e eu olhava para a aliança no meu dedo, uma aliança discreta, afinal era apenas a forma de formalizar um casamento que não passaria de um papel assinado e duas alianças.
Pelo menos era o que eu contava que fosse.
Eu estou sozinha no salão da mansão, eu combinei com Kostas que ele apareceria apenas quando eu anunciasse que estava casada com ele. E era assim que aconteceria tudo.
O salão estava cheio, ouviam-se muitas vozes. Eram muitos os presentes, família, amigos, pessoas importantes, os traidores que tanto me apunhalaram pelas costas, e o meu avô, ele estava presente, acompanhado por uma equipa médica que o trouxe apenas para assistir ao anúncio.
Eu observava tudo, calma, serena. Receba sorria, ela estava radiante por ficar noiva de Diogo.
O tempo passa e chega a hora do anúncio.
- Eu tenho um anúncio – ouço Rebeca a falar chamando as atenções para ela
- Eu vou casar com Diogo Valverde – diz ela e ouvem-se murmúrios, todos estão surpresos, outros fingem estar felizes, mas não escondem a surpresa que sentiram pelas expressões que fazem.
Chegou o momento e eu dou um passo em frente.
- Engraçado – digo e todos me encaram – Porque eu também tenho um anúncio – digo indo para junto da minha irmã – Eu casei – digo e olho para o meu avô e vejo a forma como ele está a reagir e aparentemente ele está calmo
- Que brincadeira vem a ser esta? – pergunta Lucia, a minha madrasta e eu nem tenho tempo para responder pois Rebeca impede-me
- Sim, que brincadeira é essa Marina? – pergunta-me Rebeca com um ar de pânico pois ela não estava nada à espera que eu anunciasse que eu já estava casada- E posso saber com quem casaste? – pergunta Rebeca num tom de dúvida e com a sua habitual ironia de quem desconfiava das minhas palavras.
- Comigo – responde Kostas surgindo atrás de mim e vem para o meu lado – Kostas Ioannidis – diz ele e estende a mão para Rebeca para a cumprimentar e noto a forma como ela fica pálida ao ouvir o nome do meu noivo e ela olha para o nosso pai, ele está igualmente pálido e com uma expressão que eu nunca tinha visto nele.
- E? – perguntou Marina depois de ver que ele fazia mais uma pausaMarina olhou para Álvaro de mais perto e pela primeira vez ele parecia mais velho, muito mais velho.Álvaro fechou os olhos e respirou fundo.- Ela ameaçou expor toda a organização – diz ele com um tom muito sério- E tu mandaste matá-la – insiste Marina, mas ele volta a negar- Eu já disse que não – diz ele e fica num silêncio pesado e muito profundo – Foi o Mário quem a matou – diz Álvaro e o mundo explodiu dentro de Marina.- Não – diz Marina- Sim – diz Álvaro com um tom seguro, mas com uma voz baixa, crua – O teu pai descobriu a verdade naquela noite – diz Álvaro e as pernas dela ficaram sem forças e quase que falharam- Não – diz novamente e Álvaro continuou- Ele descobriu que Camila sabia de tudo e que ela me ia denunciar – diz ele e faz uma pausa – E entrou em pânico – diz eleAs lágrimas começaram a surgir nos olhos de Marina, porque aquela hipótese nunca lhe ocorrera, nunca.- Estás a tentar proteger-te – di
A noite estava calma, até chegar uma mensagem, sem número, sem identificação, mas Marina sabia exatamente de quem era a mensagem.“Chega de intermediários” dizia a mensagem e Marina ficou a encarar a mensagem em silêncio, mas veio outra, segundos depois. “Tu e eu”, dizia na mensagem e o coração dele acelerou, como nunca, pois Álvaro a queria confrontar, finalmente. “Amanhã” era o que vinha na terceira mensagem dele.Não havia localização. Não havia uma explicação como nas anteriores, mas minutos depois chegou uma fotografia. Era o cais onde Álvaro e José tinham crescido. O local onde tudo começou.Marina observou a imagem durante vários segundos, e depois pousou o telemóvel.Kostas já a esta estava a observar e percebeu que ela lia mensagens e ele sabia que eram de Álvaro, primeiro pela expressão dela e depois porque ele era o único que lhe mandava mensagens.- Não, nem penses Marina – diz ele ao olhar para o conteúdo da mensagem e ela levantou os olhos para o encarar- Sim – diz Mari
Mário aceitou encontrar-se com Marina, talvez por orgulho, talvez por medo por tudo o que já aconteceu entre eles, talvez porque finalmente ele percebeu que já não controlava nada.O encontro aconteceu na casa antiga de Camila, o lugar onde ele viveu com ela, o lugar que ele evitara durante os anos após a morte dela.Quando ele entrou, ele parecia mais velho, muito mais velho, ele parece ter envelhecido anos nas últimas semanas, até os cabelos dele estavam mais grisalhos, o olhar dele estava cansado, muito cansado.O homem poderoso que aterrorizou Marina durante a infância parecia te desaparecido.Ela observou-o em silêncio, sem saber exatamente o que sentia.Raiva? Sim, mas já não era apenas isso.Ela estava triste, desiludida.- Então já descobriste tudo? – perguntou ele com uma voz baixa- Quase tudo – respondeu Marina, mas não de imediato, pois ela ficou uns minutos em silêncioMário soltou uma pequena gargalhada amarga.- Ninguém descobre tudo nesta família – diz ele e fica em si
Ninguém falou durante vários segundos, porque a possibilidade era monstruosa, mas que fazia todo o sentido, demasiado sentido.Pedro foi o primeiro a recuperar do choque.- Existe uma forma de saber se ele é ou não pai de Rebeca – diz Pedro e Marina levantou os olhos imediatamente e o encarou – ADN – diz ele e fica em silêncio- Precisamos de uma amostra da Rebeca – diz Marina e Kostas assentiu com a cabeça – E outra de Álvaro – diz ela e ali o problema tornou-se imediatamente óbvio.Álvaro era praticamente inacessível, ele era e estava sempre protegido, sempre controlado, sempre rodeado de segurança, mas então Marina lembrou-se de algo. Algo pequeno, algo que até poderia ser insignificante, mas durante uma das reuniões que ele tinha feito com ela, ele tinha bebido vinho, num copo, que ela acabou por guardar porque na altura ela desconfiava dele e porque ela tinha o medo real de ele colocar algo na bebida dela e ele bebeu do copo dela por perceber que ela estava com esse receio.Ela t
O regresso a casa tornou-se insuportável. Ninguém falava, pois, ninguém conseguia falar. Porque o nome continuava a ecoar dentro da cabeça de Marina. Lúcia.A mulher que conseguiu destruir a infância dela. A mulher que passou anos ao lado do seu pai. A mulher que alimentou a inveja de Rebeca sobre ela. A mulher que sempre aparecia. A mulher que sempre a humilhou, que sempre a maltratou. Sempre ela.Ela estava em todas as histórias, em todos os segredos, como se ela fosse uma sombra. E por mais aterrorizador que parecesse, agora fazia todo o sentido.Quando chegaram à propriedade antiga de Josué, Marina foi diretamente para o escritório. Ela não disse uma única palavra que fosse. Ela não esperar por ninguém. Ela espalhou novamente os documentos sobre a mesa, desde fotografias, datas, cartas, tudo.Ela precisava de perceber, ela precisava de encontrar a ligação, Pedro entrou poucos minutos depois.- Marina – diz Pedro e ela nem levantou os olhos- Há quanto tempo conheces a Lúcia? – per
Eles revistaram o apartamento durante horas. Eles abriram as gavetas, caixas, armários. E eles não encontraram nada. Até que Célia encontrou algo.- Aqui – diz Célia e todos se aproximaram dela imediatamente.Era uma tábua solta no chão, escondida debaixo de um armário antigo. E dentro, um envelope. Amarelado pelo tempo, ainda fechado, completamente selado, nunca enviado apesar de o selo indicar que aquilo deveria ter seguido pelo correio anos antes, muitos anos antes.Marina abriu-o com cuidado, muito cuidado.A mãos dela tremiam.A letra era elegante e claramente feminina.E o nome do destinatário fez o sangue dela gelar de imediato.Álvaro.O silencio foi absoluto e Marina respirou fundo antes de começar a ler a carta.“Álvaro, Se estás a ler esta carta, significa que eu finalmente desisti de esperar que mudesPassei anos a acreditar que ainda existia bondade em ti, Que existia algo humano em ti.Mas agora compreendo que amas o controlo mais do que amas as pessoas.Um dia vais de







