FAZER LOGINValentina
Senti o homem antes de vê-lo.
A casa já era estranha desde o primeiro passo, mas aquela sensação foi diferente. Não era o frio das paredes, nem o peso dos retratos, nem o silêncio antigo que parecia pousar sobre os móveis como
POV ValentinaCillian não voltou naquela noite.Eu soube antes que alguém tivesse coragem de me dizer.Talvez fosse o vínculo. Talvez fosse apenas a ausência dele espalhada pela casa de uma forma impossível de ignorar. Desde que chegara à mansão O’Rourke, eu havia aprendido a reconhecer sua presença mesmo quando não o via. O som dos passos mais pesados atravessando o corredor, a voz baixa vinda do escritório, alguma ordem dada a Patrick ou Niall, o cheiro de cedro que permanecia no ar por alguns segundos depois que ele passava por uma sala. Cillian ocupava a própria casa de uma maneira que ia muito além do espaço físico. Quando ele nã
POV CillianEu deveria ter deixado Valentina sair.Era o que qualquer homem minimamente inteligente teria feito depois daquela conversa.Ela estava magoada, ainda furiosa comigo e acabara de deixar claro que não aceitaria mais que eu controlasse cada passo em nome de uma proteção que, na maior parte das vezes, também servia para esconder o meu próprio medo. Eu havia prometido reunir tudo o que sabia sobre Aisling Byrne. Sem filtros. Sem retirar as partes que envolviam Lorcan, o Conselho ou minha própria família.Ela havia aberto a porta.Eu deveria ter ficado onde estava.
POV ValentinaA mesma data.Aquelas duas palavras passaram a ocupar espaço demais dentro da minha cabeça.Aisling Byrne.Isabella.A mesma data de nascimento.Dois nomes.Uma história que começava a se fechar ao meu redor de uma forma que eu já não conseguia afastar com explicações confortáveis.Fiquei olhando para o celular por tempo demais, incapaz de decidir se queria continuar lendo ou jogar o aparelho longe. Cillian permanecia alguns passos à minha frente,
POV CillianEu soube que Valentina estava investigando antes que Niall terminasse a primeira frase.Não porque ele tivesse encontrado algum documento sobre a mesa dela, nem porque Patrick tivesse visto Valentina saindo novamente da ala antiga da biblioteca. Também não porque Giulia tivesse ligado tantas vezes da Itália nas últimas quarenta e oito horas que o nome começara a se tornar familiar até para os homens responsáveis pela segurança da casa.Eu soube porque Valentina estava diferente.Mais silenciosa.Mais distante.E, sobretudo, mais concentrad
POV ValentinaA fotografia chegou antes do café da manhã.Eu estava sentada no banco junto à janela do meu quarto, ainda de camisola, com uma manta sobre as pernas e uma xícara de café esquecida ao lado, quando o celular vibrou sobre o colchão. A noite havia sido péssima. Passei horas repetindo a última frase de Marco dentro da cabeça, tentando encontrar uma interpretação que doesse menos, que parecesse menos grave ou que me permitisse continuar acreditando que minha mãe apenas carregava traumas de uma família complicada e não um segredo grande o suficiente para atravessar países, sobrenomes e décadas.As pessoas das quais sua m&at
POV ValentinaGiulia enviou os documentos às sete e dezessete da manhã.Eu sabia o horário porque estava olhando para o celular quando a mensagem apareceu.Não tinha dormido direito depois da visita da loba.Passei o restante da madrugada alternando entre fechar os olhos e olhar para a janela, esperando encontrar novamente aquele corpo enorme parado no jardim. Não apareceu. Ao amanhecer, restavam apenas algumas marcas profundas sobre a terra úmida, próximas às roseiras, como uma confirmação de que eu não havia sonhado.E uma palavra.Luna.







