Mag-log inKael Bellarno:Armas com silenciadores foram usadas, embora a casa onde estávamos não tivesse vizinhos e fosse o mais afastada possível, na região de Nápoles. Foram horas bem exaustivas, porque Gio era implacável, mesmo com as garotas. Eu e os outros homens não sentimos tanto, mas as três terminaram estiradas em seus tatames, depois que o russo foi embora – eu nem fazia ideia de onde ele estava hospedado, mas não quis ficar na casa conosco –, o que levou Pedro a carregar uma Izobel protestadora pelas escadas, porque ela podia jurar que suas pernas estavam moles como gelatina.Gaya foi a que ficou menos cansada, porque estava mais acostumada, e Fiona apenas se jogou no chuveiro, tomando um banho quente e se enterrando em seu quarto.Tanto meu irmão quanto meu cunhado dormiam com suas mulheres e podiam aninhá-las nos braços à noite. Eu, por minha
Kael Bellarno:Como já era de se esperar, não fomos apenas nós a Milão. Izobel e Gaya também decidiram ir. Com os bebês. Como se fosse um passeio de família.Com Gio em nossa cola, era quase uma excursão mesmo. Sem contar as duas babás contratadas para viajarem conosco, para ajudarem as meninas com os bebês. E, com sorte, para ajudarem com Leon também.Sentado em uma das poltronas do avião, fiquei observando o grupo e, com exceção do russo, a união de todas as pessoas a quem eu amava na vida me deixou um pouco mexido. Meus irmãos, meus cunhados, meus sobrinhos e... ela. Fiona.Poderíamos ser uma família àquela altura. Nossas mulheres poderiam estar em casa, seguras, cuidando de nossos bebês, mas eu fui covarde e não falei a Fiona tudo o que deveria ter dito. Que ela merecia ter ouvido.Mas
Fiona:Perdi um pouco a noção de tudo, mas senti os braços de Kael ao meu redor, em um abraço, e eu apenas me encostei nele, com a cabeça em seu peito firme, que seria meu refúgio naquele momento.— Vamos entrar, dolce angelo. Por favor...Acabei assentindo e deixando que me guiasse. Então foram as mulheres que me receberam e me acomodaram no meio delas, quase criando uma barreira.Esperamos um pouco para conversar, até que eu me recompusesse, mas, quando olhei ao redor, percebi que estávamos apenas entre os nossos. O tal homem enviado por Azriel não fora. Decidi não perguntar, porque não faria muita diferença.— Você estava certa, Fiona. Os Cambridge estavam mesmo com nosso filho. Até o dia anterior. Quando eles cometeram o erro de usar o cartão, foram mortos.O dia anterior.Vinte e quatro horas
Kael Bellarno:Com toda a paciência do mundo, Orion se aproximou dele, agachando-se e levando a mão próxima à ferida. Era no abdômen e sangrava o suficiente para que ele não sobrevivesse se o deixássemos ali amarrado. Não duraria sequer até a manhã seguinte.— A morte pode ser algo muito solitário e muito doloroso, Attonio — Orion falou como se estivesse proferindo uma oração. De um jeito tão calmo que qualquer um acreditaria que ele era um espírito elevado, guiando uma alma desgarrada à luz. — Você irá sangrar por horas, sofrendo e chorando, porque vai sentir um frio que vai penetrar suas entranhas aos poucos. A fraqueza vai deixar seu corpo mais vulnerável, e a posição em que o deixaremos não vai ser nada cômoda. Além disso, dependendo de como se comportar, a dor pode ser
Kael Bellarno:Azriel cumpriu sua promessa e enviou um contato para partir conosco na missão de “conversar” com o casal Cambridge — Attonio e Celeste.Eu conhecia a fama do sujeito. Ele se chamava Gio Pavlovich e era um mercenário que desertara da Bratva, a mais poderosa organização da máfia russa, embora ninguém soubesse o motivo. Fora prisioneiro da La Cupola por algum tempo, mas, de alguma forma, se tornara um homem de confiança em nosso meio, realizando serviços para várias famílias. Sua especialidade era sujar as mãos quando necessário, e muitos o chamavam de Zver — o termo para “Besta”, em russo.Era essa a vibe do homem que tínhamos como aliado naquele momento. Quando apareceu, cheguei a me surpreender com sua aparência. Ele tinha uns dois metros de altura por dois de largura, uma barba enorme, além d
Fiona:Ele estava sentado em uma das poltronas ao redor de uma mesa que era, de fato, usada para pequenas reuniões. Largado seria o termo mais correto. Com um copo de uísque, parecia à vontade, quase dominando todo o lugar.Como as poltronas eram bem afastadas umas das outras, depois de falar, o homem puxou a de sua esposa, com ela já sentada — o que a fez lançar um sorriso malicioso em sua direção —, e Pedro passou o braço ao redor dela, puxando-a para si.Mesmo de longe, era possível ver o quanto aqueles dois eram apaixonados. Mais do que isso, havia uma tensão sexual enorme entre eles. Era perceptível no olhar de um para o outro.— Sim. Ela me passou os nomes das pessoas, e vejam o que descobri... — Kael começou. — O casal está em Miami.Meu coração parou dentro do peito, e meus lábios se







