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CAPÍTULO 4

Author: Yunari princy
last update Petsa ng paglalathala: 2026-05-05 21:05:41

Yaren arregalou os olhos em pânico e tentou se afastar dele, mas Kallian manteve-se firme, e virou-se para encarar o recém chegado

Rafayel observou a cena. Os dois estavam próximos, exalando uma intimidade inegável.

O Beta estava chocado; Kallian sempre foi o exemplo de integridade, focado apenas no trabalho e mantendo-se longe de distrações, mulheres e prazeres. Ver seu Alfa em tal situação, justamente com a serva da noiva, era algo que ele jamais imaginou presenciar.

Kallian lançou um olhar de advertência para Rafayel. O Beta, compreendendo a ordem silenciosa de seu Alfa, baixou a cabeça e retirou-se para alguns metros de distância, ficando de guarda para garantir que ninguém se aproximasse.

Os olhos dourados do Alfa voltaram-se para a serva em seus braços. Ela estava rígida, tremendo, com medo de serem descobertos.

— Fique tranquila. Rafayel é meu Beta e de minha inteira confiança.

— Como pode estar tão calmo? — Yaren sussurrou desesperada. — E se fosse outra pessoa? E se fosse... se fosse a Senhora Leyla?

Kallian permaneceu impassível, encarando-a com uma intensidade ferina.

— Não importa quem seja. Eu não vou permitir que ninguém nos interrompa, nós dois temos muito que conversar.

Yaren fechou a expressão, ao ver que ele ainda insistia naquilo— Não há nada para conversar entre nós dois! Você é o noivo da minha senhora!

— E também sou o seu homem! — Kallian rebateu, a voz carregada de uma possessividade que a fez estremecer.

— Você não pode negar aquela noite. Não pode me pedir para esquecer como se nada tivesse acontecido. Eu vejo em seu olhar que você também se lembra. E, mesmo que tente negar que aquela noite aconteceu, seu corpo é a prova!

Em um movimento brusco, Kallian baixou a alça do vestido dela, revelando o ombro bronzeado. Ele esperava ver a marca de dentes que ele mesmo deixara ali, o selo de sua posse sobre ela.

O olhar dele caiu direto sobre o ombro dela, e o mundo parou.

Não havia marca nenhuma, apenas uma cicatriz: Irregular, Crua e Feia, Como se tivesse sido arrancada à força.

O ar ficou pesado, o peito dele travou, como se alguém tivesse cravado uma lâmina entre suas costelas.

— …Não — Sussurou com a voz baixa e incrédula.

Seus olhos percorreram a cicatriz outra vez, mais devagar, como se a realidade pudesse mudar se ele olhasse o suficiente. Mas não mudou.

A marca dele não estava mais nela.

O lobo dentro dele rugiu. Um som bruto, furioso, tomado por uma dor primitiva que ele nunca havia sentido antes.

Aquilo não era só uma marca, era um vínculo, a prova de que ela era dele, e ele era dela. Mas alguém havia arrancado aquilo como se fosse uma maldição.

A mão dele tremeu ao se aproximar, mas ele não tocou de imediato, Como se tivesse medo, medo de confirmar que aquilo era real.

Quando finalmente encostou na pele dela, o toque foi leve demais para alguém como ele, quase reverente, quase… quebrado.

— Quem… quem fez isso?

A voz dele saiu rouca, baixa e perigosa, como o rosnado de uma besta.

Os olhos dele se ergueram para os dela, agora completamente tomados por um dourado incandescente.

— Quem ousou apagar a marca que eu deixei em você?!

Yaren desviou o olhar com amargura e puxou o vestido de volta, cobrindo a marca de sua dor, e da quebra do laço com ele.

— Isso não importa mais.

— Importa sim! — Kallian socou a parede de pedra atrás dela, fazendo-a sobressaltar e encolher.

— Quem fez isso com você? Quem ousou tocar na minha marca?

— Eu não posso pertencer a você e nem a ninguem! sou uma escrava! — Yaren gritou, as lágrimas finalmente transbordando de seus olhos, enquanto se lembranças daquela noite dolorosa voltavam a sua mente.

— Eu não tenho o direito de ter um companheiro. Não tenho o direito de ser marcada. Eu pertenço à família Morgan e, se eu aparecesse com a marca de um Alfa, eu seria morta! É assim que as coisas são, é assim que é a minha vida, Então, por favor, entenda isso e se afaste de mim!

O silêncio pesado caiu sobre os dois, sendo quebrado apenas pelos soluços dela.

Yaren engoliu o choro e limpou o rosto com as mãos trêmulas.

— Aquela noite nunca deveria ter acontecido. Esqueça-a. Eu sou a serva da sua noiva, uma mulher que é como uma irmã para mim. Se ela descobrir que eu me deitei com o homem dela, será o meu fim. Você é um Alfa respeitado e eu sou apenas uma escrava mestiça. Cada um deve ficar no seu lugar.

Kallian sentiu o peito apertar. Ele queria rugir contra aquela injustiça do destino, mas as palavras de Yaren eram como lâminas da realidade entre eles, cravando-se em seu peito.

Ele sentia que ela era sua companheira, mas o mundo, as regras e o destino, estavam contra a união deles, ao ponto de sua marca ser arrancada da pele dela, como se fosse uma maldição.

— Alfa Theron — Rafayel chamou, aproximando-se com cautela.

— O Alfa Morgan está chamando. A cerimônia já vai começar.

Yaren sentiu o coração afundar. A cerimônia, a cerimônia onde ele selaria o laço de compromisso com outra mulher, sobre a lua como testemunha.

Ela se desvencilhou do toque dele, encarando-o pela última vez com um olhar quebrado e carregado de dor.

— A sua noiva o espera, Alfa.

Ela passou por ele como uma sombra, e ele ficou paralisado, incapaz de a deter.

Kallian sentiu um vazio gélido quando o calor dela se foi, restando apenas o rastro do seu cheiro, tal como na manhã em que ela o deixou.

— Alfa — Rafayel insistiu ao ver que Kallian permanecia imóvel.

— A cerimônia...

Kallian cerrou os punhos e se virou para o Beta, os olhos brilhando em um dourado alaranjado intenso, que alertava perigo e perda de controlo.

— É ela. Ela é a mulher por quem eu estive procurando por todo esse tempo. Ela é, a minha companheira!

Rafayel arregalou os olhos, surpreso.

Durante um ano, eles haviam mobilizado investigadores por todas as alcateias, mas jamais pensaram em procurar entre as escravas da alcateia, menos ainda entre as mestiças.

Ninguém imaginária que a companheira destina do temível Alfa Theron, estaria servindo bandejas no palácio de outra alcateia.

Rafayel sentiu uma onda de preocupação ao ver o estado do Alfa; ele conhecia Kallian muito bem, e sabia que, agora que ele a encontrara, aquele casamento e união política cuidadosamente preparada, estava em risco, e poderia se tornar uma guerra.

. . .

— Yaren! — Leyla chamou, aproximando-se da amiga assim que a viu no corredor.

— Onde você esteve? Eu estava procurando por você!

Yaren olhou para Leyla e rapidamente baixou a cabeça, a culpa e a vergonha pesando sobre ela.

Como poderia olhar para a amiga após ter sido tomada e marcada pelo noivo dela?

— O que foi? Você está pálida... não está se sentindo bem?

Yaren apenas confirmou com um aceno. — Eu não estou me sentindo bem. Se importa se eu voltar para o meu quarto?

— O quê? Mas a cerimônia já vai começar! — Leyla fez um beicinho, segurando as mãos de Yaren.

— Você prometeu que estaria ao meu lado, Eu estou super nervosa! Este é o momento mais importante da minha vida e eu preciso de você lá comigo. Por favor!

Yaren suspirou, sentindo-se a pior pessoa do mundo. Mas, por outro lado, talvez aquilo fosse exatamente o que precisava. Acompanhar Leyla até o altar seria uma forma de enterrar o passado definidamente.

Ela veria os dois se unindo e, assim, talvez seu coração finalmente entendesse o seu lugar, e que aquele Alfa nunca lhe pertenceria.

— Vamos! — Yaren respondeu, forçando um sorriso para Amiga.

Leyla sorriu de volta, animada, puxando-a pela mão em direção ao salão.

O altar estava montado sob a luz da lua, e os anciãos aguardavam para selar o compromisso entre as alcateias Redmoon e SilverFangs. Uma união bastante esperada, e que colocaria as duas alcateias no topo entre todas as alcateias da região.

Leyla posicionou-se em seu lugar no altar, radiante e feliz, e olhou para amiga, trocando um sorriso cúmplice com ela.

Porém, o tempo passava e o clima de festa começou a se transformar em confusão.

— Onde está o Alfa Theron? — perguntou um dos anciãos.

— A lua já está na posição correta. Este é o momento de selar o compromisso! — resmungou o outro.

Os convidados começaram a cochichar. Leyla, antes radiante, agora parecia nervosa, apertando as mãos com força, enquanto sentia os olhares de todos pesando sobre ela.

Yaren olhou para amiga, preocupada, e olhou a volta, buscando algum sinal do Alfa, e nesse momento, ela sentiu um toque em seu ombro.

Um dos guerreiros da SilverFangs entregou-lhe um bilhete dobrado e retirou-se sem dizer uma palavra.

Com as mãos trêmulas, já imaginando de quem seria, ela abriu o papel, encarando a escrita com uma letra firme e autoritária.

Ao ler as palavras, o coração dela parou.

Yaren levantou o olhar para Leyla, que estava à beira das lágrimas e nervosismo no altar, e depois voltou a olhar para o bilhete.

"Venha me encontrar no portão Oeste, Agora. Se eu tiver de voltar até aí, Será apenas reivindicar a minha verdadeira companheira diante de todos!"

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