INICIAR SESIÓNYaren arregalou os olhos em pânico e tentou se afastar dele, mas Kallian manteve-se firme, e virou-se para encarar o recém chegado
Rafayel observou a cena. Os dois estavam próximos, exalando uma intimidade inegável. O Beta estava chocado; Kallian sempre foi o exemplo de integridade, focado apenas no trabalho e mantendo-se longe de distrações, mulheres e prazeres. Ver seu Alfa em tal situação, justamente com a serva da noiva, era algo que ele jamais imaginou presenciar. Kallian lançou um olhar de advertência para Rafayel. O Beta, compreendendo a ordem silenciosa de seu Alfa, baixou a cabeça e retirou-se para alguns metros de distância, ficando de guarda para garantir que ninguém se aproximasse. Os olhos dourados do Alfa voltaram-se para a serva em seus braços. Ela estava rígida, tremendo, com medo de serem descobertos. — Fique tranquila. Rafayel é meu Beta e de minha inteira confiança. — Como pode estar tão calmo? — Yaren sussurrou desesperada. — E se fosse outra pessoa? E se fosse... se fosse a Senhora Leyla? Kallian permaneceu impassível, encarando-a com uma intensidade ferina. — Não importa quem seja. Eu não vou permitir que ninguém nos interrompa, nós dois temos muito que conversar. Yaren fechou a expressão, ao ver que ele ainda insistia naquilo— Não há nada para conversar entre nós dois! Você é o noivo da minha senhora! — E também sou o seu homem! — Kallian rebateu, a voz carregada de uma possessividade que a fez estremecer. — Você não pode negar aquela noite. Não pode me pedir para esquecer como se nada tivesse acontecido. Eu vejo em seu olhar que você também se lembra. E, mesmo que tente negar que aquela noite aconteceu, seu corpo é a prova! Em um movimento brusco, Kallian baixou a alça do vestido dela, revelando o ombro bronzeado. Ele esperava ver a marca de dentes que ele mesmo deixara ali, o selo de sua posse sobre ela. O olhar dele caiu direto sobre o ombro dela, e o mundo parou. Não havia marca nenhuma, apenas uma cicatriz: Irregular, Crua e Feia, Como se tivesse sido arrancada à força. O ar ficou pesado, o peito dele travou, como se alguém tivesse cravado uma lâmina entre suas costelas. — …Não — Sussurou com a voz baixa e incrédula. Seus olhos percorreram a cicatriz outra vez, mais devagar, como se a realidade pudesse mudar se ele olhasse o suficiente. Mas não mudou. A marca dele não estava mais nela. O lobo dentro dele rugiu. Um som bruto, furioso, tomado por uma dor primitiva que ele nunca havia sentido antes. Aquilo não era só uma marca, era um vínculo, a prova de que ela era dele, e ele era dela. Mas alguém havia arrancado aquilo como se fosse uma maldição. A mão dele tremeu ao se aproximar, mas ele não tocou de imediato, Como se tivesse medo, medo de confirmar que aquilo era real. Quando finalmente encostou na pele dela, o toque foi leve demais para alguém como ele, quase reverente, quase… quebrado. — Quem… quem fez isso? A voz dele saiu rouca, baixa e perigosa, como o rosnado de uma besta. Os olhos dele se ergueram para os dela, agora completamente tomados por um dourado incandescente. — Quem ousou apagar a marca que eu deixei em você?! Yaren desviou o olhar com amargura e puxou o vestido de volta, cobrindo a marca de sua dor, e da quebra do laço com ele. — Isso não importa mais. — Importa sim! — Kallian socou a parede de pedra atrás dela, fazendo-a sobressaltar e encolher. — Quem fez isso com você? Quem ousou tocar na minha marca? — Eu não posso pertencer a você e nem a ninguem! sou uma escrava! — Yaren gritou, as lágrimas finalmente transbordando de seus olhos, enquanto se lembranças daquela noite dolorosa voltavam a sua mente. — Eu não tenho o direito de ter um companheiro. Não tenho o direito de ser marcada. Eu pertenço à família Morgan e, se eu aparecesse com a marca de um Alfa, eu seria morta! É assim que as coisas são, é assim que é a minha vida, Então, por favor, entenda isso e se afaste de mim! O silêncio pesado caiu sobre os dois, sendo quebrado apenas pelos soluços dela. Yaren engoliu o choro e limpou o rosto com as mãos trêmulas. — Aquela noite nunca deveria ter acontecido. Esqueça-a. Eu sou a serva da sua noiva, uma mulher que é como uma irmã para mim. Se ela descobrir que eu me deitei com o homem dela, será o meu fim. Você é um Alfa respeitado e eu sou apenas uma escrava mestiça. Cada um deve ficar no seu lugar. Kallian sentiu o peito apertar. Ele queria rugir contra aquela injustiça do destino, mas as palavras de Yaren eram como lâminas da realidade entre eles, cravando-se em seu peito. Ele sentia que ela era sua companheira, mas o mundo, as regras e o destino, estavam contra a união deles, ao ponto de sua marca ser arrancada da pele dela, como se fosse uma maldição. — Alfa Theron — Rafayel chamou, aproximando-se com cautela. — O Alfa Morgan está chamando. A cerimônia já vai começar. Yaren sentiu o coração afundar. A cerimônia, a cerimônia onde ele selaria o laço de compromisso com outra mulher, sobre a lua como testemunha. Ela se desvencilhou do toque dele, encarando-o pela última vez com um olhar quebrado e carregado de dor. — A sua noiva o espera, Alfa. Ela passou por ele como uma sombra, e ele ficou paralisado, incapaz de a deter. Kallian sentiu um vazio gélido quando o calor dela se foi, restando apenas o rastro do seu cheiro, tal como na manhã em que ela o deixou. — Alfa — Rafayel insistiu ao ver que Kallian permanecia imóvel. — A cerimônia... Kallian cerrou os punhos e se virou para o Beta, os olhos brilhando em um dourado alaranjado intenso, que alertava perigo e perda de controlo. — É ela. Ela é a mulher por quem eu estive procurando por todo esse tempo. Ela é, a minha companheira! Rafayel arregalou os olhos, surpreso. Durante um ano, eles haviam mobilizado investigadores por todas as alcateias, mas jamais pensaram em procurar entre as escravas da alcateia, menos ainda entre as mestiças. Ninguém imaginária que a companheira destina do temível Alfa Theron, estaria servindo bandejas no palácio de outra alcateia. Rafayel sentiu uma onda de preocupação ao ver o estado do Alfa; ele conhecia Kallian muito bem, e sabia que, agora que ele a encontrara, aquele casamento e união política cuidadosamente preparada, estava em risco, e poderia se tornar uma guerra. . . . — Yaren! — Leyla chamou, aproximando-se da amiga assim que a viu no corredor. — Onde você esteve? Eu estava procurando por você! Yaren olhou para Leyla e rapidamente baixou a cabeça, a culpa e a vergonha pesando sobre ela. Como poderia olhar para a amiga após ter sido tomada e marcada pelo noivo dela? — O que foi? Você está pálida... não está se sentindo bem? Yaren apenas confirmou com um aceno. — Eu não estou me sentindo bem. Se importa se eu voltar para o meu quarto? — O quê? Mas a cerimônia já vai começar! — Leyla fez um beicinho, segurando as mãos de Yaren. — Você prometeu que estaria ao meu lado, Eu estou super nervosa! Este é o momento mais importante da minha vida e eu preciso de você lá comigo. Por favor! Yaren suspirou, sentindo-se a pior pessoa do mundo. Mas, por outro lado, talvez aquilo fosse exatamente o que precisava. Acompanhar Leyla até o altar seria uma forma de enterrar o passado definidamente. Ela veria os dois se unindo e, assim, talvez seu coração finalmente entendesse o seu lugar, e que aquele Alfa nunca lhe pertenceria. — Vamos! — Yaren respondeu, forçando um sorriso para Amiga. Leyla sorriu de volta, animada, puxando-a pela mão em direção ao salão. O altar estava montado sob a luz da lua, e os anciãos aguardavam para selar o compromisso entre as alcateias Redmoon e SilverFangs. Uma união bastante esperada, e que colocaria as duas alcateias no topo entre todas as alcateias da região. Leyla posicionou-se em seu lugar no altar, radiante e feliz, e olhou para amiga, trocando um sorriso cúmplice com ela. Porém, o tempo passava e o clima de festa começou a se transformar em confusão. — Onde está o Alfa Theron? — perguntou um dos anciãos. — A lua já está na posição correta. Este é o momento de selar o compromisso! — resmungou o outro. Os convidados começaram a cochichar. Leyla, antes radiante, agora parecia nervosa, apertando as mãos com força, enquanto sentia os olhares de todos pesando sobre ela. Yaren olhou para amiga, preocupada, e olhou a volta, buscando algum sinal do Alfa, e nesse momento, ela sentiu um toque em seu ombro. Um dos guerreiros da SilverFangs entregou-lhe um bilhete dobrado e retirou-se sem dizer uma palavra. Com as mãos trêmulas, já imaginando de quem seria, ela abriu o papel, encarando a escrita com uma letra firme e autoritária. Ao ler as palavras, o coração dela parou. Yaren levantou o olhar para Leyla, que estava à beira das lágrimas e nervosismo no altar, e depois voltou a olhar para o bilhete. "Venha me encontrar no portão Oeste, Agora. Se eu tiver de voltar até aí, Será apenas reivindicar a minha verdadeira companheira diante de todos!"— O... O senhor...Elliot segurou o rosto da filha com delicadeza.— Como Alfa desta alcateia e como pai, eu sou capaz de tudo para garantir a felicidade da minha filha. E se eu digo que você vai se casar com o Alfa Theron, você vai!Leyla sentiu um arrepio frio percorrer seu corpo, enquanto Yaren empalidecia ao perceber o real objetivo do Alfa.— Então, agora você precisa assumir e manter a sua posição como a futura Luna de Silverfangs. Apareça no torneio, apareça ao lado do Alfa Theron e continue com os preparativos para o casamento. O seu pai cuidará do resto, está bem?Leyla não conseguiu responder, ainda em choque com a decisão do pai.Mais batidas foram ouvidas na porta.— Senhorita, é o Doutor Kon — anunciou o Beta do outro lado.Yaren imediatamente levantou-se para abrir a porta, aproveitando a oportunidade para respirar após a pressão sufocante do ambiente.— Alfa Morgan! — disse o médico, curvando a cabeça.— Doutor Kon, o que faz aqui? — Elliot virou-se para a filha. — Você
Yaren despertou pela manhã, abrindo os olhos lentamente, até que sua visão ficasse clara o suficiente para notar o rosto da jovem loba adormecida ao seu lado na cama. Ela não se moveu e ficou encarando a amiga por um longo tempo, em silêncio, observando sua expressão cansada pelo choro e as marcas de lágrimas ainda presentes."Eu prefiro morrer a viver assim!"Aquela frase voltou a ecoar em sua mente, junto à imagem do desespero e da dor estampada no rosto dela enquanto falava. Yaren esticou a mão e tocou suavemente o rosto dela, afastando uma mecha dos fios loiros."Eu jamais deixaria você se machucar ou viver com dor por minha culpa. Hoje, tudo será resolvido, e você poderá ter a vida que sempre sonhou."Yaren continuou a encará-la por um tempo que não soube medir, até ouvir batidas na porta que a despertaram de seus pensamentos. Levantou-se sem fazer movimentos bruscos e foi até a porta, onde encontrou Cassian parado.— Alfa... — Yaren imediatamente baixou a cabeça em saudação, m
— Nós precisamos encontrar essa mulher antes que ele faça qualquer movimento público.Cassian sentiu um nó se formar em sua garganta.— E depois que a encontrar?O olhar de Elliot tornou-se implacável e frio.— Depois, nós colocaremos um fim definitivo nessa história. Não permitirei que uma fêmea sem nome destrua o futuro da Redemoon.Cassian olhou para o pai e fechou o punho. Tinha de resolver aquela situação logo, antes que se tornasse perigoso demais para Yaren.. . .Yaren voltou à mansão caminhando com passos lentos, enquanto encarava o amuleto que Kallian tinha lhe dado. Ele dissera que, assim como o amuleto dela o protegeria e estaria sempre com ele, aquele faria o mesmo enquanto ele não estivesse por perto.Yaren apertou o objeto em formato de lua crescente contra a mão, segurando-o como se segurasse a mão dele com força.Seria no dia seguinte, mais algumas horas e tudo seria resolvido. E então...— Yaren!Uma criada se aproximou apressada e alarmada.— O que foi?— Ainda bem
Kallian chegou à clareira com passos silenciosos. O vento frio da noite agitava suavemente as copas das árvores, trazendo o som do rio que cortava a vegetação. Ele encontrou Yaren parada perto da margem, observando o curso da água, encolhida contra a brisa noturna.Ele sorriu ao contemplar a figura dela. Aproximou-se lentamente por trás, tirou o próprio casaco e o acomodou sobre os ombros dela.Yaren sobressaltou-se de leve pois estava imersa em seus pensamentos, mas relaxou ao reconhecer o cheiro dele. Virou-se devagar, e Kallian ergueu a mão para acariciar o seu rosto com a ponta dos dedos.— Por que está aqui no frio? — perguntou ele, com o tom preocupado. — Poderíamos nos encontrar em um lugar mais protegido. Soube que o médico recomendou descanso para você.Ela olhou para ele e esboçou um pequeno sorriso.— Eu queria encontrar você aqui.Kallian olhou ao redor, lembrando-se da última noite que haviam passado naquele mesmo local, na noite em que se entregaram um ao pouco sem as p
Nas arquibancadas, o silêncio durou poucos segundos antes que a apreensão tomasse conta do público. As murmurações cresciam a cada instante, alimentadas pelo suspense sobre uma possível aliança entre os dois maiores rivais do torneio.O telão da arena exibia o feed da floresta, focando a imagem nos dois Alfas parados frente a frente, com a mão de Kallian ainda estendida, enquanto o tempo continuava contando.— Será que eles realmente vão formar uma aliança? — perguntou um dos espectadores.— Depois do que aconteceu ontem? Eu duvido.— Se continuarem discutindo, os dois serão eliminados.No camarote VIP, Leyla acompanhava a cena sem piscar, a postura rígida.— É melhor que o Cassian aceite essa trégua... — murmurou Leyla, com a voz baixa. — Não há tempo para orgulho agora ou os dois serão eliminados!Ao lado dela, Elliot mantinha o corpo inclinado para a frente, os punhos cerrados sobre os braços da cadeira, encarando a tela com os olhos estreitados, como se pudesse repreender o filho
Kallian estava no centro de seu quarto, sem camisa, enquanto ouvia Rafayel ler o relatório sobre sua alcateia e a disponibilidade de seus guerreiros, armamentos e possíveis aliados.Rafayel fez uma pausa e olhou para seu Alfa, hesitante.— Alfa... Realmente pretende entrar em uma guerra contra a Redemoon?Kallian voltou a olhar para o tablet sobre a mesa, com a expressão séria.— Eu não posso apenas confiar no meu pedido caso vença o torneio, nem no nosso laço de companheiros destinados, muito menos na palavra do Alfa Morgan para garantir a liberdade dela. E se não me for dada por bem, não hesitarei em usar todos os meus meios para garantir que darei a ela a liberdade e a segurança que prometi... Não aguento mais vê-la sofrer tanto por uma culpa que não deveria estar carregando por viver o nosso amor em silêncio.Rafayel olhou para o Alfa. Temia que aquele dia chegasse desde a noite do noivado, quando os dois se reencontraram. Pelo visto, aquele podia ser o único caminho.— Claro, eu







