Compartir

Capítulo 6

last update Fecha de publicación: 2026-07-08 10:34:50

Rafael Costa Valente

— É sério? Ela falou que assinaria um papel em branco para você colocar os termos que quisesse? — Assinto para o meu amigo Christopher que está estupefato. — Que louca! Poderia cair em uma armadilha perigosa. Sorte dela que estava diante de alguém honesto.

Deixo o garfo sobre o prato da sobremesa e digo:

— Quero sua ajuda para redigir o contrato. Afinal, você foi um grande advogado no exterior antes de se tornar um escritor bestseller anônimo.

Estamos comendo na sua varanda rustica em uma parte de Valdora onde a natureza é mais abundante. Depois que minha mãe declinou do almoço, resolvi almoçar com meu amigo.

— Pode contar comigo. Faço questão de acompanhar essa loucura de perto. — Seu olhar de gato arrisco me encara. — E a garota é gostosa?

— Não reparei, loiro. Estava mais preocupado com a questão de ser forçado a casar. E você trate de se comportar. Você é o anônimo mais famoso que existe.

A gargalhada dele vibra. Seu cabelo, cortado como um ídolo dos anos dois mil, balança com o vento fresco da propriedade.

— Mulher de amigo meu é zona proibida, pode ficar tranquilo.

— Acho bom. Não quero ser corno, nem por contrato.

— Ok. Agora que estamos cientes dos limites, vamos logo ao contrato? Estou ansioso para começar a mexer nisso. Nunca fiz algo tão intrigante.

Diz o autor se romances fantasiosos que cativas leitoras pelo mundo.

Quando estou prestes a concordar em seguirmos para o contrato, meu celular vibra sobre a mesa.

Primeiro toque... levanto uma sobrancelha ao ver de quem se trata. Segundo toque... Christopher me olha claramente questionando com os olhos “é ela?”. Terceiro toque... atendo, já colocando no viva-voz.

— Achei que tinha deixado claro — falo.

— Deixou, mas preciso que venha até a minha casa para que minha família acredite que casei. — A voz dela mostra nervosismo.

Christopher faz um gesto indicando uma forca e acabo rindo.

— Você só pode estar de brincadeira — digo para a mulher do outro lado. Isso que ela me pede é demais, e está longe do que foi combinado.

— Por favor! — É impressão minha ou ela está implorando com voz de quem chorou? Aff! Tanto faz. Fizemos um acordo.

— Não — respondo frio.— Nos vemos na assinatura do contrato, como acordamos.

Antes que meu dedo toque o aparelho encerrando o contato, podemos ouvir seu sussurro:

— Se eu estiver viva até lá.

Meu amigo e eu nos encaramos.

— Você disse que queria acompanhar a loucura de perto.

— O que precisa?

— Dos seus dons para criar personagens.

*

Depois de minutos estou quase irreconhecível. Christopher tinha escolhido algumas coisas para o disfarce e viemos fazendo a transformação no helicóptero. Nada muito gritante. Uma pequena pinta, um óculos, roupas comuns. Se o Superman pode se disfarçar com o mínimo, vamos ver se também consigo.

— Você está parecendo um CLT.

— E o que é isso mesmo?

— Um assalariado. Alguém que vive de salário.

Reviro os olhos para ele.

— E como sabe disso? Nem quando era advogado você vivia de salário, filhinho da mamãe nascido em berço de ouro.

— Pesquisas para criar personagens. — Ele dá de ombros, guardando as coisas que eu me recusei a usar na maleta. Correntes de ouro, brincos... isso já é demais. — Eu vivo meus personagens.

E ele quer dizer literalmente. Tirando a parte dos poderes e magia, que ele não teria nem se quisesse, meu amigo gostava de sentir os personagens vivendo algo deles. Acredite ou não, mas ele já jogou futebol, trabalhou como babá, até mesmo viveu um dia de garoto de programa por isso, entre muitas outras coisas. Às vezes acho que ele ainda vai cair em uma cilada por seus experimentos.

— Sabe para onde estamos indo? — questiona.

— Claro que sei. No momento em que peguei o número dela, já mandei para Kevin rastrear.

— Kelvin! — ele diz o nome fazendo uma careta.

Eu ignoro, meus pensamentos estão na estranha mulher com a qual me casei. Por que será que ela precisa de mim tão urgentemente?

O helicóptero pousa, descemos e vamos de carro que já estava esperando. O caminho é curtíssimo.

Em poucos minutos estamos diante da porta da casa onde o rastreamento do celular dela nos levou. Foi fácil buscar a localização pelo número. Rastrear é uma das especialidades do Kevin, que não ficou nada contente ao saber que eu estava aprontando com Christopher. Eles meio que sente ciúmes de mim, da amizade um do outro.

Depois de tocar a campainha, uma senhora com uniforme típico de empregada doméstica atende a porta.

— Sou o marido de Clara Luz Monteiro. Ela me chamou. — Diante da reação da mulher, ou melhor, a falta de reação, passo por ela e entro em uma sala razoavelmente bem decorada.

— O que é isso? Quem se atreve a invadir a minha casa assim? — Um homem na casa dos cinquenta anos, vestido de terno e gravada dentro da própria casa, questiona levantando do sofá.

— Ele é o marido da senhorita Clara. — A empregada diz. Parece que passou a surpresa.

— Onde está a minha mulher?

— Então você é o sujeito que enganou minha filha dizendo ser Rafael Costa Valente — ele diz me olhando de cima a baixo, com desdém. Isso prova que a fantasia de Christopher fez seu trabalho.

— Esse é o meu nome. Por que? Tenho que prestar contas agora por outra pessoa também ter esse nome?

— Seu atrevido! — ele vem para cima de mim, mas posso ver lhe faltar coragem diante do meu tamanho.

Só que nada disso importa quando ouço um grito, logo em seguida coisas se quebrando. É no segundo andar.

— Isso não é nada. É só a minha filha fazendo birra. — Ele diz claramente tentando evitar que eu suba.

Posso ouvir a voz da minha esposa por contrato gritando “socorro”, “não”, “me solta”.

— Isso não parece em nada com birra. — Christopher diz atrás de mim.

Sem pensar duas vezes, subo correndo as escadas, com eles em meu encalço tentando impedir. A porta de onde vem os gritos está trancada. Se eu estiver sem razão, dou até uma casa nova para eles, porque no momento... enfio o pé nela, quebrando a dobradiça.

— Puta que pariu! — ouço brevemente a voz do meu amigo atrás de mim.

Nesse momento, só vejo e sinto o meu punho indo em direção a face nojenta do velho que acabei de tirar de cima de Clara.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 40

    Narrado por Clara LuzNem tinha chegado ao fim do expediente, quando recebi uma mensagem de Bianco cancelando o encontro e colocando um fim em seja lá o que tínhamos. Isso me murchou de tal forma que até perdi a vontade de fazer as coisas. Não por gostar dele, mas por finalmente perceber que o erro está em mim. Lucas me Trocou por Elisa. Rafael mal para em casa desde que me declarei. Agora Bianco não quis nem uma amizade comigo. Ou seja, o problema sou eu.É sexta-feira novamente, uma semana após ser dispensada por Bianco. Chego do trabalho, tomo banho, me troco e vou dar uma volta pelo labirinto. Virou rotina nos últimos dias. Como sempre, Rafael não veio para casa depois do trabalho. Fico imaginando se ele está namorando alguém e eu estou atrapalhando ao ficar nessa casa. Pensar nisso faz minhas lágrimas escaparem. Eu me apaixonei perdidamente pelo meu marido de contrato.Chego na fonte que fica dentro do labirinto e me sento na beira, deixando as lágrimas saírem abundantes nesse es

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 39

    Narrado por ClaraPassei o domingo todo evitando Rafael dentro de casa, e consegui sair antes de encontrar com ele. Mas como trabalho em seu andar, literalmente diante da sua porta, tive que vê-lo em algum momento. E foi muito estranho. Apenas desejamos bom dia como dois estranhos. No horário do almoço Michelle decidiu me levar para experimentar comida japonesa em um lugar que ela disse ser barato e de qualidade. Meio desajeitada, depois que ela me ensina a usar os palitinhos que não decorei o nome, me distraio comendo. Apesar dos jantares dos Monteiro, onde eu comia os restos, nunca experimentei peixe cru, nem essas especiarias. Gostei.Michelle me encara de tal forma, que paro de comer e encaro de volta.— Amiga, não quero parecer intrometida, mas você não parece bem. Há algo que possa fazer para melhorar seu dia? Alguém que queira morto? — pergunta.Sorrio da sua expressão comicamente assassina. E solto um longo suspiro.— Preciso mesmo falar sobre isso, mas não sei se posso.— Am

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 38

    Narrado por LucasNo dia do soco...Freio o carro bruscamente na entrada da nossa casa, saio e bato a porta.— Como foi? O que descobriu? — Minha mãe está aflita.— Olha na minha cara o que descobri. Ele me deu um soco por causa dela, mãe. — Aponto o lugar ainda dolorido.Minha mãe se deixa cair no sofá.— Então é sério. Precisamos fazer alguma coisa para tirar essa coisinha do nosso caminho.— Claro. Ou perdemos tudo. Principalmente se vier um herdeiro legitimo.Eu sei muito bem que a minha mãe mentiu. A ouvi discutindo com um pobretão que queria mais dinheiro para se calar sobre ser meu pai. Juro que sou capaz de matar para que nunca descubram isso. Eu sou um Costa Valente, ninguém vai tirar isso de mim.Conto tudo que aconteceu na casa do meu pai para ela. Por fim, ela diz:— Vamos estudar a situação, entender o que levou a essa união dos dois. Com as informações traçaremos o plano para tirar essa pedra do nosso caminho. Essa sonsa vai ser tirada do nosso caminho, custe o que custa

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 37

    Narrado por ClaraDentro do carro só silêncio.— Depois daquela cena toda, você não vai falar nada? — Quebro o silêncio. Estou irritada. O vejo apertar o volante com tanta força que seus dedos ficam brancos. — Eu juro que não te entendo, Rafael. Você me deu um lar, um emprego, diz que não quer que eu peça desculpas. — Desvio o olhar para a janela. — Mas toda vez que age assim parece que fiz algo errado, mesmo que eu nem consiga entender o que.Assim que fecho a boca, o silêncio volta a reinar.— O que queria falar sobre o contrato? — insisto em fazê-lo falar.Ele para o carro no acostamento e me encara. Seus olhos mostram uma mistura de raiva com tristeza. Não faço ideia do significado da sua expressão agora.— Fui eu que fiz algo errado, Clara — começa, me surpreendendo. — Quero que me perdoe pela minha atitude quando visitou seus pais, assim como o show idiota que dei hoje. Eu sinto por ter magoado você, mas faria tudo de novo.— Não entendo.— Clara, você é uma menina no corpo de u

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 36

    Narrado por Clara LuzA conversa com Rafael não me desanimou em nada de participar do churrasco. Estou curiosa demais, nunca participei de nenhum evento assim, tirando as vezes que servi nos jantares na casa dos Monteiro. Hoje serei apenas uma convidada, isso é empolgante.Com a troca de cargo, acabou que recebi pelo mês inteiro no outro cargo antigo. Achei que era coisa do Rafael, mas Michelle me contou que é política da empresa. Então, aqui estou eu, saindo de uma loja com várias sacolas, contendo uma calça jeans, uma blusinha estilosa, e, finalmente, peças intimas. Quando estava escolhendo, me lembrei de Rafael dizendo que não queria que eu usasse, mas deve ter sido somente pelo momento. Duvido que ele realmente se importe com o que visto sob minhas roupas.Quanto as roupas que ele mentiu ter alugado, vou continuar usando. Por tudo que aprendi sobre ele nesses dias que estamos juntos é que só vai me chatear tentar devolver ou pagar. Até imagino ele dizendo “O que eu quero com roup

  • Contratei um marido falso e ele era o vilão e pai do meu ex   Capítulo 35

    Narrado por RafaelQuando sai da sala e não vi Clara me esperando, um alerta acendeu. Eu sabia que ela tinha ido sozinha. E só de lembrar de como ela saiu daquela casa na última vez, tive medo.Porra, Clara! Por que não me esperou?Kevin já adivinhou que tinha algo errado pela minha expressão. Fomos juntos até a cada dos Monteiro, onde a encontramos no chão, literalmente sendo agredida, pelo maldito Santos. Aquilo me cegou. Tive tanto medo que agi sem pensar. Não falo sobre espancar o Santos, isso foi merecido. Kevin me contou que fizeram um bom trabalho nele. Me refiro a forma como falei com Clara. Fui duro demais com ela. Mas ela poderia estar morta agora, então prefiro pedir perdão que visitar seu tumulo... Só que ainda não pedi. Estamos meio que nos evitando. E hoje está pior. Clara está estranha. Não sei se é pelo que aconteceu na casa dos Monteiro ou se ainda é pela nossa situação. A vejo inquieta.Hoje é sexta-feira à noite. E estou em casa, sem planos para sair. Apesar dos vár

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status