INICIAR SESIÓNO silêncio de Maia pesou na tenda mais do que qualquer resposta. Ela não encarou a criada; manteve os olhos cravados no pergaminho amarrotado sobre a mesa de madeira.— Rainha? — Maia soltou um riso curto, destituído de qualquer humor, enquanto ajustava as fivelas de suas luvas de montaria. — Para ser rainha, Ana, primeiro preciso garantir que continuemos vivos amanhã. Não pense num futuro que sequer existe. Pense em sobreviver à noite de hoje.Sem esperar por mais questionamentos, Maia deixou a tenda.Lá fora, a escuridão do início da noite começava a cobrir o acampamento. Caspian a aguardava junto aos cavalos. A luz vacilante das tochas projetava sombras longas sobre seu rosto, mas não conseguia disfarçar a mudança drástica em sua postura. Ele já não parecia apenas o guerreiro cauteloso e distante de poucas horas atrás; havia um peso sombrio em seu olhar, o fardo de um homem que acabara de descobrir que toda a sua vida fora erguida sobre uma mentira de Estado.Seguindo as ordens rec
O capitão adiantou-se, querendo acalmar os ânimos:— Senhorita, mandei homens investigarem o local da emboscada. Deixei claro que deveriam refazer todo o percurso, desde o momento em que seus pais saíram do acampamento.Ao ouvir isso, Maia apoiou as duas mãos sobre a mesa rústica, cravando o olhar no tampo de madeira.— Se eles querem guerra, é exatamente o que terão — declarou, com a voz gélida. — Não terei piedade de ninguém.Caspian a observou em silêncio por um instante e falou, pausando cada palavra:— Seus pais não cairiam em uma emboscada tão facilmente. Pelos feitos que ouço sobre o marquês, ele sabia que você não estava na capital. Existe algo nessa história que não está claro.Passando a mão pelo cabelo, Maia absorveu o raciocínio dele.— Ele tem razão, Maia — disse Ana, apressada.— Guerreiro? Quem é este homem? — o capitão perguntou, franzindo o cenho em surpresa ao notar a postura de Caspian.Lançando um olhar discreto de advertência para Ana, Maia interveio:— Não leve a
A poeira subia alta na trilha enquanto viajavam a galope. Maia atiçava sua montaria com uma urgência quase desesperada, como se tentasse escapar de um inimigo invisível. Caspian a seguia a uma curta distância, com um sorriso discreto no canto dos lábios, enquanto Ana, logo atrás, mantinha o semblante carregado de preocupação diante daquele ritmo acelerado.Após algum tempo de corrida intensa, Caspian emparelhou seu garanhão ao cavalo de Maia.— Nesse ritmo, é melhor dar um descanso aos cavalos — avisou ele, a voz firme sobrepondo-se ao som dos cascos.Maia reduziu a velocidade aos poucos. Embora sua vontade inicial fosse contrariá-lo e continuar, olhou para o próprio cavalo e percebeu que havia exigido demais da montaria. Tomada por uma pontada de culpa, ela puxou as rédeas e esperou que Ana se aproximasse.— Vamos parar um pouco à beira do rio — disse Maia, tentando disfarçar o cansaço na voz. — Os cavalos precisam descansar e se refrescar.— Valha-me Deus... Achei que estávamos fugi
As palavras de Maia pairaram no ar fresco da manhã como uma névoa densa. A insinuação de que ele desconhecia coisas sobre si mesmo havia tocado em uma ferida invisível, e Caspian não era homem de recuar diante de enigmas ou provocações.Dando um passo lento e intimidador em direção a ela, ele estreitou os olhos, a voz descendo uma oitava, fria e direta:— Inclusive a você?Maia sentiu o peso da presença dele. Ela desviou o olhar por uma fração de segundo, fingindo ajustar a manga de seu vestido para disfarçar o próprio desconforto. A proximidade física de Caspian a lembrava de que, apesar de toda a sua mente calculista, ele ainda era uma força da natureza implacável — e que ela estava jogando um jogo perigoso ao atiçar o passado que ele sequer lembrava de ter.Ela caminhou alguns passos pelo pátio, afastando-se daquela pressão sufocante. Após alguns segundos de silêncio, onde apenas o farfalhar das folhas e o som distante de um cavalo podiam ser ouvidos, ela se virou para encará-lo co
Assim que a porta pesada se fechou após a saída de Caspian, o silêncio no salão principal durou pouco. Maia respirou fundo, contendo a descarga de adrenalina que aquela negociação exigira, e chamou Ana e Marcos imediatamente.— Tudo está acertado — anunciou ela, cruzando os braços. — Agora precisamos organizar o próximo passo. Marcos, vou precisar que contrate guardas de confiança para proteger esta propriedade. Eu, Ana e Caspian partiremos o quanto antes ao encontro de meus pais.— Continuo achando essa ideia um perigo sem tamanho — Ana interveio, com a franqueza habitual estampada no rosto preocupado.— Concordo com a Ana, senhorita — Marcos deu um passo à frente. — Sabemos que a senhorita possui um dom especial. Por que se arriscar dessa maneira se pode resolver as coisas de outra forma?Maia olhou para os dois, os únicos em quem realmente podia confiar naquele mundo de aparências.— Sim, eu tenho meus recursos. Mas tudo tem um preço nesta vida — explicou Maia, com a voz baixa e sér
O silêncio que se seguiu à pergunta de Caspian pesou no salão principal. Ele permanecia de pé, com os braços cruzados e o corpo tenso, esperando uma resposta que justificasse aquela aliança. Maia não se moveu. Mantendo os dedos entrelaçados sobre a mesa de madeira rústica, ela o encarou com a mesma tranquilidade de quem antecipava cada movimento do oponente.— Minha proposta é simples, senhor Caspian, embora exija coragem — Maia começou, a voz num tom baixo e firme que ecoou pelas paredes de pedra. — Você quer uma garantia de que meus homens o seguirão e de que terá os recursos necessários para erguer seu exército. Eu preciso de um escudo legal que impeça a corte de Telrion de confiscar os bens de minha família e o comando de nossas tropas através de um matrimônio forçado. A solução para ambos está diante de nós.Caspian inclinou a cabeça levemente, os olhos semicerrados em pura desconfiança.— E qual seria essa solução?— Nós dois vamos nos casar.A declaração caiu no ambiente com a







