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O sottocapo

Autor: Yana Shadow
last update Fecha de publicación: 2023-01-11 04:36:47

Três meses antes...

Enrico Bianchi era o sottocapo de uma poderosa máfia italiana e desde criança aprendeu a derramar sangue. Para vingar a morte de seus pais, ele treinou rigorosamente.

A cada chute e soco desferido contra o saco de pancadas, a mente evocava as lembranças da noite em que se escondeu embaixo da cama e ouviu os gritos desesperados de sua mãe.

Após vinte e cinco anos, Enrico saía em missões, contudo, ele mantinha o treinamento rigoroso. Naquela manhã de sábado, ele ergueu a perna e deu um chute forte no saco de pancadas. O rapaz franzino caiu sentado.

— Segura isso com mais força, — ordenou a voz prepotente.

Enrico pegou a toalha e enxugou o suor que brotava de suas têmporas enquanto o outro homem se levantava.

— Se você cair novamente, eu vou te chutar até cansar. — Ele espremeu os olhos enquanto o subordinado se colocava de pé.

Com o passar do tempo, Enrico se tornou um assassino cruel e temido por todos os seus inimigos. Ele enterrou as suas emoções, não havia razão para se casar ou até mesmo ter um relacionamento como uma mulher a não ser por diversão.

Apesar de todo o seu esforço para se vingar e cuidar do legado da família, o tio de Enrico ainda estava no poder. Don Massimo Bianchi era o Capo da máfia que controlava a célula da família. O seu tio era tão cruel e louco que ficava por horas assistindo à tortura de suas vítimas.

Desde pequeno, Enrico sempre acompanhou o tio. Ele ficava ao lado da cadeira do homem robusto que lhe contava porque aquelas pessoas eram punidas.

Enrico era o subchefe. Tinha a função de resolver os negócios ou disputas menores da máfia quando o seu tio não estava disponível. Ele assumiria o cargo caso o seu tio fosse preso ou quando estivesse velho demais.

Certa noite, Enrico foi até a casa de mulheres, onde foi bem atendido pela cortesã e levado para um camarote VIP.

O homem comprido de cabelos castanhos tinha um charme diabólico que atraía os olhares femininos; as pupilas, tão azuis quanto águas marinhas, cintilavam. Poderia seduzir e usar qualquer uma daquelas garotas seminuas que desfilavam pelo salão.

Uma mulher, usando uma blusa decotada e minissaia, lhe serviu duas doses de uísque. Seus olhos estavam atentos às cortinas vermelhas que se abriram repentinamente. Apesar de não se apaixonar com facilidade, sempre gostou de exclusividade. A jovem stripper apareceu no palco e deslizou sensualmente no sofá cenográfico. Mantinha os olhos fixos em Enrico.

Ele tomou um gole da bebida destilada enquanto centralizava a atenção nos movimentos da dançarina antes de seus olhos captarem um de seus subordinados que entrou no camarote.

— O que você quer?

— Don Bianchi solicitou a sua presença.

Enrico cerrou os olhos com desgosto, todos sabiam que nos dias de folga, ele saía para se divertir.

— O que aconteceu?

— Ele quer falar diretamente com o senhor, — informou o homem grandalhão.

— Diga que chegarei lá em uma hora.

Impaciente, pediu à garçonete outra dose. De repente, avistou um homem robusto que se levantou assim que o show de stripper terminou. Percebeu quando a cortesã pegou um maço de dinheiro.

Desconfiado, Enrico engoliu toda a bebida e colocou o copo na mesinha ao lado de sua poltrona, antes de se levantar e sair.

— Aonde vai? — A stripper parou na frente dele.

— Saia do meu caminho.

— Pensei que hoje era o dia de…

— Você já tem companhia — ergueu o queixo indicando o cliente que esperava por ela.

— Eu ia te atender primeiro.

— Já disse que gosto de exclusividade. Volte ao trabalho ou perderá outro cliente.

— Achei que havia algo mais entre nós dois! — A stripper o olhava esperançosa, aguardando uma resposta.

O sorriso maquiavélico deixava o rosto de Enrico mais sombrio, era óbvio que ele não se importava. A certeza de que aquele homem lhe era completamente inatingível a deixou triste.

— Posso fazer aquela massagem que você gosta, amore mio! — Tentou seduzi-lo com sua voz melosa.

— Não tenho o mínimo interesse em namorar ou casar, menos ainda com uma puta igual a você! — Enfiando as mãos nos bolsos, ele saiu do local sem se importar com a garota de coração partido.

No Rolls-Royce preto, Enrico perguntou ao motorista sobre qual seria o real motivo do tio convocá-lo em pleno sábado, mas o homem continuava dizendo que não sabia.

Assim que o veículo entrou na suntuosa propriedade, o motorista estacionou em frente a mansão com a fachada branca, ele permaneceu sentado, o seu semblante estava pesado.

O homem grandalhão abriu a porta do carro e aguardou alguns segundos até que Enrico saiu ajeitando o blazer azul.

Ele foi recebido por dois seguranças que estavam na porta. Do hall de entrada, dava para ouvir os berros do tio que amaldiçoava o conselheiro.

Enrico tirou o paletó e entregou ao mordomo. Seguiu para a sala onde ouvia o conselheiro dizer o quão perigoso era mandá-lo para aquela missão. O conselheiro, há 30 anos cuidando dos assuntos da família, estava completamente inclinado a convencê-lo de que aquela era uma situação delicada.

A família Bianchi era uma família religiosa, entretanto, os negócios principais eram voltados para redes de extorsão, contrabando, jogo ilegal e tráfico de armas, sendo assim, amizades com pessoas importantes eram primordiais para os negócios. Eles eram líderes admirados e temidos por todos à sua volta, desde funcionários até moradores de bairros vizinhos.

À fama se dava graças aos rígidos códigos de conduta da família, o principal deles era executar brutalmente os seus inimigos e traidores.

— Posso saber o motivo do alvoroço?

Enrico acomodou-se no sofá, abriu os braços e apoiou no encosto estofado branco.

— Seu tio quer que você vá atrás de um traidor. — disse o conselheiro.

— Ele levou um documento importante e o livro caixa com todos os registros. — O tio de Enrico caiu pesadamente na poltrona.

— Já sabe onde ele está?

— Ele correu para pedir abrigo aos malditos da Gaspipe.

Enrico inclinou o torso para frente e juntou as mãos. Aquele traidor devia estar contando com a segurança da máfia rival há algum tempo.

— Tenho certeza que ele ainda vai buscar a família.

— Vou atrás dele!

— Mate aquele desgraçado, — Don Bianchi mandou enquanto encarava o sobrinho. — Quero o coração dele.

•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*

Do outro lado da cidade, Lívia deixou escapar um sorriso cansado após atender os últimos pacientes em sua clínica. Ela era uma jovem médica tão autoconfiante que, antes mesmo de concluir sua residência no hospital Saint-Mary, na França, ela já havia planejado ajudar o seu melhor amigo no atendimento aos pacientes e na administração de um Hospital na Itália. Quando retornou à Florença, a doutora Ricci se dedicou ao trabalho com afinco. 

Aquele havia sido um dia bastante agitado na emergência do hospital. Lívia verificou a agenda, havia mais dez pacientes já agendados para o dia seguinte. Despediu-se dos funcionários enquanto apagava as luzes da clínica. Estava trancando a porta quando ouviu uma voz gritar o seu nome do outro lado da rua.

— Lívia!

— Que susto! — Colocou a mão no peito.

— Desculpe, não foi a minha intenção! — O rapaz se aproximou.

— Sei! — Olhou atravessado para o amigo.

— Pensei que você tinha um encontro, Mattia.

— Pois, é! — Coçou a nuca instintivamente enquanto caminhavam. — Ela não era como eu esperava.

— E como sempre, você fugiu.

Lívia balançou a cabeça, não era a primeira vez que seu amigo fazia aquilo.

— Quer jantar conosco? — ele perguntou, meio sem graça. — Minha mãe disse que preparou fettuccine.

— Não sei — respondeu, pouco convincente. — Não quero ser uma intrusa no meio de sua família. — parou ao lado da porta do veículo vermelho.

O convite do amigo era tentador, mas Lívia se sentia constrangida. Órfã de mãe e sem imaginar o paradeiro de seu pai, ela nunca soube o que era ter a família reunida em torno da mesa.

— Sabe que a mamãe te adora, você é nossa convidada.

— Só vou porque amo fettuccine e estou com muita fome.

— Estou ouvindo seu estômago reclamando…

— Bobo!

Ao chegar à modesta casa, Lívia foi recebida pela mãe de seu amigo, ela era gentil e a tratava com carinho. O jantar já havia sido servido e os dois ainda falavam sobre as melhorias a se fazer na clínica, até serem interrompidos pela senhora de fios brancos.

— Nada de falar de negócios à mesa!

— Sim, mama!

O jantar havia sido tão agradável que quando se deu conta o relógio já marcava nove horas da noite. Lívia olhou pela janela e viu que alguns pingos de chuva começavam a se chocar contra o vidro, era hora de ir. Mattia se ofereceu para levá-la até à porta enquanto Lívia abraçava a mama agradecendo pelo delicioso jantar. Enquanto caminhavam, Mattia tentou convencê-la de que poderia ser perigoso dirigir durante a chuva, mas Lívia não via problema e prometeu avisá-lo por mensagem assim que ela chegasse em casa. Após se despedirem, ela correu pelo gramado em direção ao carro.

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Último capítulo

  • Contrato com o gângster   Epílogo

    Mesmo cometendo tantas atrocidades, Don Bianchi ainda queria que Enrico matasse Lívia e se desfizesse de seu grande amor pessoalmente. Lívia atrapalhou o seu plano de destruir Bonano Gaspipe. — O seu pai era apenas um capanga estúpdio, — o velho respondeu em meio a dor. — Ele queria deixar a gangue para ter uma vida normal com uma vagabunda que tirou da casa da madame Monroe depois que ela engravidou.— O que fez com os meus pais, velho desgraçado? — Esmurrou-lhe o rosto. — diga a verdade, — Enrico desferiu mais um soco depois que Don Bianchi cuspiu sangue em seu rosto.— Depois de matarm o seu pai, eu trepei com sua mãe e mandei meus homens se divertirem com aquela vagabunda até se cansarem.— Onde está a minha mãe?— Morreu! — Mesmo com o rosto ferido e os olhos vazados, o tio de Enricou ria frenéticamente.Lívia ficou furiosa e correu para cima do velho capo.— Seu maluco, imbecil! — Começou a xingá-lo por ser tão egoísta.Se o Don Bianchi não tivesse estuprado sua mãe, ela não te

  • Contrato com o gângster    Atire nela!

    Assustada, Lívia ficou em silêncio no trajeto até o local marcado. O homem ao seu lado conduzia o automóvel com uma fisionomia sombria. Ao chegar, os dois andaram até um galpão abandonado no meio de uma vegetação rasteira. Enrico abriu a porta, entrou na frente de Lívia. A voz ecoou no local mal iluminado.— Estão atrasados!Enrico tentou sondar de onde vinha a voz de seu tio. Tirou a pistola e olhou para cada lado daquele balcão com madeiras tomadas pelos cupins.— Atire nela! — ordenou ao sobrinho.Enrico tinha forças para lutar contra o desejo que sentia por aquela mulher, mas não tinha coragem de matar Lívia.— Prefere ver o seu filho morrer?Don Bianchi surgiu das sombras segurando um criançpa de cabelos castanhos que parecia estar dopado. Ele botou o menino no chão e então sorriu.Impaciente, o velho capo empunhou a arma e disparou na direção de Lívia. Mattia surgiu como num passe de mágica e entrou na frente de sua ex-amiga.Aproveitando a oportunidade, Enrico se esgueirou pela

  • Contrato com o gângster    Um acerto de contas

    A batalha entre as gangues demorou menos do que os homens da Gaspipe esperavam. Eles invadiram a sede inimiga em apenas cinco minutos.— Essa crise realmente derrubou os Bianchi, — pulou um dos homens mortos.A sede tinha apenas dois homens vigiando. Bonano foi até o escritório, queria ficar de frente com aquele desgraçado que liderava toda aquela merda.— Olha o que temos aqui, chefe! — Um dos homens puxou o conselheiro.— Quanto tempo? — Bonano sorriu. — Seus conselhos não ajudaram muito os Bianchi! — Ergueu as mãos ao girar devagar. — Onde está o seu chefe?— Não sei!— Você sempre foi o fiel escudeiro daquele capo maledetto! — Don Bonano apontou a pistola para o joelho do consigliere, — onde ele está?— Você nunca vai saber, estúpido!Um grito surgiu após o disparo, a dor lancinante fez com que o consigliere caísse no chão.— Isso dói, não é mesmo! — Afirmou com ironia. — Onde está o garoto? — Apertou o cano da pistola contra o joelho esquerdo e começou a contar: — Um, dois, três…

  • Contrato com o gângster   Essa médica destruiu a nossa família

    Em casa, Enrico já estava preparado para o ataque. Andou pelo quarto onde a Lívia dormiu nas últimas noites em que esteve naquela casa e sentou-se na cama. A imagem de sua mãe ensanguentada estava gravada em sua memória. Toda a história que seu tio contou acerca de seu pai era uma terrível mentira. Enrico olhou para o carpete e então, prometeu:— Vou me vingar dele, mamãe!Um traçante seguido de outro atravessou o céu escuro. Enrico abaixou quando dois tiros atravessaram o vidro e acertaram a parede acima de sua cabeça.Arrastando-se, Enrico foi para a janela. Encostado na parede, levantou devagar. Esticou o pescoço para ver o exército de homens que defendiam a sua casa bravamente.Enrico correu e pegou a submetralhadora que estava em cima da cama, era hora de lutar contra o tio que o enganou por todos aqueles anos. Quebrou o vidro e em seguida, disparou uma rajada de tiros contra os homens que tentavam invadir a casa pelo jardim da sua mãe.Saindo do quarto, correu até as escadas. Já

  • Contrato com o gângster   Os detalhes sórdidos

    Havia uma ironia irrecusável naquele acordo, era o primeiro homem que tinha colhões para fazer tal proposta. Enrico estava se aliando ao seu inimigo para espiar o capo de seu clã. Não tinha dúvidas de que seu tio escondia coisas sobre o passado e nada mais justo do que usar a magia utilizada pelo próprio feiticeiro. A contragosto, ele tirou a pistola do rosto de Mattia, segurou a mandíbula forçando a abrir a boca onde enfiou o cano da glock.— Se você tentar me enganar e der um passo em falso, vou arrancar cada um dos seus dentes e estourar seus miolos, — ameaçou num tom petulante. — Estamos entendidos?Mesmo com o rosto desfigurado após a sessão de pancadas, Mattia concordou com a cabeça.Já em pé, Enrico enxugou o suor da testa com a manga da camisa. Ainda segurava a semiautomática enquanto Mattia se apoiava no sofá para levantar do chão.— Um dos meus homens vai te acompanhar, — tencionou a boca. — Desapareça até que esses ferimentos cicatrizem e mantenha o celular ao seu lado. Em

  • Contrato com o gângster    Eu nunca vou te perdoar

    Por motivos óbvios, Lívia sentiu pena depois de ter escutado tudo pelo que seu ex-colega havia passado. Em anos de amizade, Mattia nunca lhe contou sobre o abuso e tudo o que sofreu nas mãos de seu pai. Perder a mãe, a única por quem era capaz de fazer tudo, era extremamente doloroso para o seu ex-colega. Ela continuou olhando o homem que tentava esconder suas emoções.— Eu sinto muito! — Ela engoliu em seco.No impulso, Lívia passou os braços no pescoço do amigo logo depois que o veículo parou no estacionamento de um hotel no meio da estrada. Mattia desligou o motor, as lágrimas transbordaram pelos cantos de seus olhos ao lembrar não só da mãe, mas por todas as maldades que ele fez a amiga.— Sua mãe está descansando em um bom lugar! — Prestou condolências na esperança de consolá-lo.Lívia o soltou e passou as mãos nas vistas, estava comovida com a situação de Mattia.Emocionado, ele encostou a cabeça contra os braços apoiados no volante, entregou-se ao choro angustiado por mais algu

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