Compartir

6

last update Fecha de publicación: 2023-03-25 20:28:04

— Bom dia, eu me chamo Isadora! O Senhor D’na...

— É claro! O Senhor D’Angelo está lhe aguardando. — Não retribuo a cordialidade do sorriso da secretária que gentilmente abre a porta para mim, pois estou tão nervosa que nem sei como reagir nessa hora. O que eu poderia fazer, suplicar que não me demita? Humilhar-me para que ele tenha piedade de mim? Não! O meu pai sempre nos ensinou que devemos ter um pouco de integridade e se eu tiver que permanecer neste emprego será aceitando os meus erros e consertando-os da maneira que puder. E por fim, se ele não me aceitar em sua empresa eu encontrarei outro emprego, certo? Droga, a coisa não é tão fácil assim, Isadora! Você está desesperada e isso é um fato! Adentro um escritório extremamente espaçoso e bem iluminado, e não consigo evitar de observar os detalhes dos móveis claros em um contraste perfeito com o preto e o cinza chumbo da decoração. Atrás de uma mesa de mogno imponente está um homem jovem demais para um cargo tão importante. Moreno, rosto quadrado e uma barba por fazer que o deixava másculo e penetrante. Seus olhos de um tom escuro me fitam de maneira firme e indecifrável. Contudo, não me deixo abalar... ou finjo não me abalar porque o meu corpo inteirinho está trêmulo por dentro. Paro de frente para a sua mesa ainda observando os seus mínimos detalhes, mas de maneira sutil. Seus cabelos têm um corte curto bem rente a sua nuca, porém, algumas mechas insistem em cair na sua testa. Uma lembrança passou como um relâmpago em minha cabeça. É ele! O homem que evitou a minha queda na sala de reuniões há alguns dias. Você precisa falar algo, Isadora. Rosno para mim mesma e engulo em seco.

— Ah... bom dia, Senhor D’Angelo! — Forço minha voz sair natural o mais natural possível, pois não quero que ele percebesse o meu nervosismo.

— Sente-se, Senhorita Dixon! — Ele aponta para uma cadeira na minha frente, ignorando completamente a minha cordialidade. Sem contestar-lhe, sentei-me, mas não espero que falasse qualquer coisa.

— Senhor, eu não sei se fiz algo que o desagradou, mas peço desculpas de antemão! Esse é o meu primeiro emprego e eu preciso muito dele…  — Merda, isso é uma súplica com certeza e eu jurei que não faria isso! Respiro fundo e espero que diga algo, porém, ele não faz, apenas me olha com um silêncio incômodo. Seus olhos passeiam pelo meu rosto como se me estudasse, analisando cada gesto meu. Incomodada, me ajeito na cadeira, limpo a minha garganta e continuo.  — Olha, se eu quebrei algo o Senhor pode descontar do meu salário. Se foi algo que esqueci eu peço uma segunda oportunidade. É que… é que eu tenho uma mãe e ela…

— Eu sei! — Paro de falar quando um som grave sai da sua boca.

— Sabe?

— Sim. Eu sei tudo que preciso saber sobre você, Senhorita Dixon. — Volto a me ajeitar em cima da cadeira, porém, fico em silêncio apenas o olhando atônita e curiosa. D’angelo continua. — Isadora Dixon, filha de Andrew Dixon falecido a pouco mais de duas semanas devido a um trágico acidente de carro. Seu irmão John Dixon é um típico filhinho de papai que sempre teve a benção da sua mãe para fazer o que bem quiser e gastar o dinheiro da família com futilidades e farras. Devo dizer que é o que sabe fazer de melhor devido ao seu histórico — resmunga. — E assim que viu a oportunidade ele saiu de casa deixando a sua irmã caçula – no caso você, para resolver os problemas de falência da família. A sua mãe Sara Dixon atualmente está em uma casa de repouso tratando de uma suposta depressão pós-traumática, que você acha que ela tem, porém, o que ela tem mesmo é um grave tumor no cérebro descoberto há cerca de sete meses. — Franzo o cenho em confusão para esse minucioso relatório da minha vida e confesso que estou estupefata também.

— Como sabe de tudo isso? — inquiro engolindo com dificuldade.

— Como eu disse, eu sei tudo que preciso saber de você, Isadora. — Encosto-me na cadeira. O que devo pensar? Por que ele investigou a minha vida assim? Qual é o propósito disso tudo?

— Ok, que palhaçada é essa? — questiono um tanto irritada, levantando-me da cadeira para fitá-lo de pé.  

— Sente-se! — Ele ordena e eu me pego obedecendo. — Eu preciso de você para um trabalho em especial e você com certeza precisa desse trabalho para cuidar da sua mãe e livra-se das dívidas que o seu pai deixou. — O encaro em silêncio sem saber ao certo o que dizer.

— Que tipo de trabalho? — Por uma fração de segundos o meu coração acelerou no peito e eu pensei, seria a minha grande chance? Provavelmente o Senhor D’Angelo descobriu o meu currículo e resolveu me dar a oportunidade de trabalhar na minha área. Oh, Deus isso seria o céu!

— Antes, eu preciso te falar sobre os benefícios desse trabalho. Se aceitar a minha proposta tiro a sua mãe da casa de repouso e a ponho em uma clínica especializada no tratamento do câncer. Pago todas as suas dívidas e no final de tudo você leva um cheque com um valor estimado de dois milhões de dólares. — Estarrecida balbuciei, mas as palavras pareciam entaladas em minha garganta. O que de especial esse trabalho tem para valer tanto dinheiro assim?

— Que tipo de trabalho? — insisto. O homem solta uma respiração pela boca e tira um papel da sua gaveta o estendendo para mim em seguida.

— Antes, eu preciso que assine esse termo de confidencialidade, Senhorita Dixon. Nada, exatamente nada do que conversarmos nessa sala deve sair daqui, nem mesmo para o seu cãozinho de estimação. — Fito o papel e depois a caneta prateada que ele segura na minha frente, e hesito por alguns instantes. Vamos lá, Isadora, é só um termo de confidencialidade, não é uma prisão perpétua! E de qualquer forma, você não é obrigada a nada, certo? Com a mão trêmula seguro a caneta e assino o documento passando-o de volta para ele.

— Ótimo! — Ele sibila.

— E então?

— Eu tenho uma proposta para a Senhorita. Já lhe passei os benefícios e imagino que despertei algum interesse.

— Pode ir direto ao ponto por favor, Senhor D’Angelo? — Ele arqueia as sobrancelhas e um sorrisinho surge no canto da sua boca.

— Eu quero que seja a minha esposa por um ano, Senhorita Dixon.

— Como?! — Quasse grito a indagação.

— A Senhorita ouviu, preciso que seja minha esposa por um ano. — Ok, isso é algum tipo de brincadeira! Penso e me começo a rir diante do homem que me olha confuso, porém com impetuosidade.

— Entendi, isso é uma brincadeira, não é? Tem alguma câmera escondida nessa sala? Sim, deve ter uma câmera aqui em algum lugar.

— Não, não tem! — Ele rebate tão sério e rude de um jeito que me fez parar de ri. Respiro fundo. Sinceramente eu não sabia o que dizer e menos ainda como agir diante de uma proposta tão absurda como essa. — Acredita mesmo que eu sou o tipo de homem brincaria com algo assim? — Puxo outra respiração.

— Ah, não... eu acho! É que... foi inesperado. Quer dizer, não todo dia que saio da minha para trabalhar e recebo uma proposta dessa! — Ele continua me olhando firme e eu continuo bagunçada. Entretanto, preciso saber dos detalhes disso. — E, como isso funcionaria? — pergunto sem jeito.

— Eu tenho um contrato que você pode levar para casa, claro. Poderá ler com calma, estudar cada cláusula e entender exatamente como as coisas funcionarão entre nós. Claro, que você pode apontar o que não gostar e nós podemos chegar a um senso comum.

— E, se eu não aceitar? — Seu sorriso cresce consideravelmente.

— Você vai aceitar. — Ele diz convicto. Presunçoso! Rosno internamente. — Leve o contrato para casa, Dixon, leia quantas vezes quiser e quando estiver pronta ligue para mim. — Ele me estende um envelope branco e um cartão junto com ele. — Lembre-se, ninguém pode saber sobre essa conversa! — Ergo um dedo em riste.

— Só mais uma coisa, como soube sobre a doença da minha mãe? — Ele faz um gesto desdenhoso.

— Foi fácil puxar toda a ficha da família Dixon.

— Eu não entendo. Se a minha mãe tivesse câncer ela teria me contado, certo? Quer dizer, não é algo que se guarda apenas para si!

— Bom, isso é algo que terá que perguntar diretamente a ela. — Respiro fundo. — Está dispensada, Senhorita Dixon. Já pode voltar para o seu trabalho. — Ele diz com frieza e apenas aceno com a cabeça lhe dando as costas, e caminho para a porta. Ao abri-la as lágrimas preenchem os meus olhos e eu passo como um raio pelo corredor.

— Senhorita Dixon, está tudo bem? — Escuto a sua secretária perguntar, porém, não lhe respondo, apenas entro no elevador. Câncer, por que ela esconderia isso de mim? Pergunto-me consternada encostando-me na parece camurçada.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   119

    Epílogo - segunda parte.Ethan D'angeloComo se fosse atraído por ela vou direto para a pista, bem no meio da multidão de corpos suados e paro bem atrás dela. Ousadamente as minhas mãos tomam posse da sua cintura. Ela dá aquela olhadinha de lado, o seu sorriso se amplia e eu tenho a minha carta branca. Portanto, me encosto no seu corpo delicioso e me mexo seguindo o seu ritmo. A coisa toda é uma droga sensual que me embriaga, me envolve e me deixa completamente alucinado. O meu corpo inteiro está fervilhando e porra, estou louco para provar do seu sabor. Mas calma, Ethan, você precisa ir devagar. Primeiro, alimente o seu desejo, desperte o seu fogo adormecido, faça-a querer mais e aí já estará no papo. Não demora para os nossos corpos estrem colados e suados. As nossas respirações estão pesadas e ofegantes, e para completar já estamos no terceiro copo.Está na hora de levá-la para a cama!Conhecem a expressão aos trancos e barrancos? Foi exatamente assim que entramos no seu apartament

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   118

    Epílogo - primeira parteEthan D’angeloOnze anos depois... — Por que você vive com a cara enfiada nesses livros? — resmungo assim que entro na sala de visitas da casa dos meus pais e encontro Lisa, minha irmã caçula deitada em um dos sofás e lendo um livro de romances.Meninas!Por que elas acreditam nessas baboseiras? Estão sempre suspirando pelos cantos e sonhando acordadas. Eu entendo que o amor existe. Eu tenho vários exemplos clássicos girando ao meu redor. O Tadeu, o Max, Tio Zyan e até mesmo o meu pai. Cada um deles tem uma história para contar. Mas vamos ser sinceros? Não dá para viver de sonhos. Não sou um homem de coração duro nem nada assim. Estou mais para pragmático. Sou o vice-presidente da D’angelo Corporation e logo serei o presidente, mas não cheguei até aqui com sonhos e suspiros. Eu estudei, me esforcei e dei o meu melhor para ser visto pelo meu pai, e reconhecido pelos meus méritos. Sou determinado e tenho os meus pés fixados no chão.— Eu amo acompanhar o amor c

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   117

    Memórias de Isadora - parte 3Na hora do jantar eu estava mega feliz e ansiosa pela minha surpresa, mas o clima me pareceu meio estranho. John tinha um sorriso na cara, porém, ele não tirava os olhos do seu prato. Por que isso era estranho? Bom, normalmente ele é bem-falante e engraçado também. Papai pelo contrário estava sério e mal tocou em sua comida e a minha mãe parecia meio pálida. Se essa surpresa fora capaz de mudar tragicamente o humor do nosso jantar confesso que tenho medo de descobrir do que se trata.— Eu preciso sair. — Papai anunciou de repente e mamãe largou os talheres em cima do prato. Ele foi para a sala e ela saiu logo atrás dele.— O que foi isso? O que está acontecendo? — questionei o meu irmão. Entretanto, ele soltou um suspiro teatral e me encarou com um certo desdém.— Não foi nada de mais, maninha. Dramas da família Dixon que você conhece bem. Não sei como ainda não se acostumou com isso. — Forcei-me a engolir a comida que estava na minha boca, larguei os tal

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   116

    Memórias de Isadora - parte 2— Ah, Isadora? — Ele larga imediatamente a caneta em cima dos papéis e fica de pé.— Queria falar comigo, professor? — Ele meneia a cabeça fazendo um sim para mim e me aponta uma cadeira que educadamente me acomodo.— Antes de tudo eu gostaria que soubesse que acabei de corrigir a sua prova.— E? — Arqueio as sobrancelhas petulantes, pois sei exatamente qual o resultado dela.— Você é mesmo incrível, menina! — Abro um sorriso amplo e presunçoso.— Obrigada, professor!— Enfim, não era sobre isso que eu gostaria de falar.— Então, sobre o quê?— Estou de olho em você já faz algum tempo, Isadora. E como estamos no final do curso gostaria de te chamar para sair. — Tá, engoli em seco agora. Ok, ele é realmente lindo e é atraente também. Só tem um probleminha nessa equação. Após o foco desse curso o meu segundo foco será entrar para uma das maiores empresas de contabilidade de Seattle – a D’angelo Corporation – e para isso terei que dar outro mergulho profundo

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   115

    Memórias de Isadora - parte 1Momentos antes da falência da família Dixon...Meu nome é Isadora Dixon, mas isso vocês já sabem. Assim com perceberam que sou uma garota bem extrovertida além de animada. Mas sou determinada e opiniosa também. Portanto, eu posso levar algumas coisas na boa, mas não pisem nos meus calos. Além dessa minha personalidade mista, tenho uma paixão exacerbada pelos números e isso desde que me conheço por gente. E é exatamente por isso que estudo contabilidade. Enfim, eu nasci no seio de uma família com veias italianas e acredito que é daí que vem a minha determinação. Tenho poucos amigos no momento e não pense que é por timidez, porque se tem uma coisa que eu não sou, é tímida. O fato é que desde que comecei a faculdade os meus amigos do colegial e de infância também seguiram seus rumos e estou tendo que começar do zero desde então. É claro que já estou praticamente terminando o meu curso e não foquei exatamente em fazer amigos, embora, eu tenha alguns, mas nada

  • Contrato de Casamento - O Segredo de Heitor D'angelo.   114

    Heitor— Quanto? — pergunto seco até demais. Ele se vira para me olhar nos olhos.— Cinquenta mil dólares.— Isso é bem menos do que me deu da outra vez, não dá pra nada! — É tudo que terá de mim. Ou você aceita, ou pode voltar a sua vida de fugitivo. Garanto que não sobreviverá até amanhã de manhã.— Que droga, Heitor! — John leva as mãos aos cabelos e elas escorregam para sua nuca, fazendo-o encarar o teto. Uma respiração alta preenche o ambiente e ele volta o seu olhar para mim. — Eu aceito! — Ergo um dedo em riste, pedindo que espere e vou para a minha mesa. Abro a primeira gaveta e tiro um envelope pardo de lá, o arrastando em sua direção. — O que é isso?— Abra! — ordeno e desconfiando o meu cunhado se aproxima da minha mesa, abre o envelope e encontra algumas imagens sus lá dentro. Um sorriso sacana se abre nos seus lábios e ele volta a me fitar. — Filho da puta!— Achou mesmo que eu não descobriria? Estou de olho em você desde que saiu da minha casa. É uma lista longa de crim

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status