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Capítulo 2

Autor: Justa
Depois que entramos no local do funeral, uma das funcionárias percebeu que éramos convidados vindos de outro país.

Então ela nos explicou como seria a cerimônia, e fez questão de nos lembrar:

— De acordo com as tradições da nobreza de Westland, não é permitido chorar durante o funeral...

Assim que ela se afastou, Larissa ergueu o queixo e soltou um sorriso de desdém.

— Hmpf! Ela só ficou com inveja porque eu sou mais bonita. Tá com medo de que seu mestre nobre acabe se interessando por mim!

Helena assentiu na mesma hora.

— Essas mulheres que vivem servindo à nobreza, nenhuma delas é tão inocente quanto parece.

Não consegui segurar o riso.

Larissa realmente tinha confiança demais em si mesma.

Será que ela achava mesmo que era bonita a ponto de despertar a inveja de todas as mulheres?

Ao me ver sorrindo, Larissa pareceu entender tudo de repente.

— Ué, você ficou toda amiguinha daquela funcionária porque já tinha comprado ela, não foi?

— Só pra me impedir de chorar no funeral, você foi capaz de armar tudo isso!

Ao ouvir aquilo, Rafael também se virou contra mim:

— Marina, comporta-se! O Príncipe Arthur, da família real de Westland, também vai estar presente hoje.

— Se você estragar a minha chance de herdar essa fortuna, eu nunca vou te perdoar!

Assim que ouviu a palavra "príncipe", os olhos de Larissa brilharam.

Helena logo apontou o dedo para mim e avisou:

— Marina, nem pense em aprontar alguma! Se você estragar a minha chance de virar sogra de um príncipe, eu faço o Rafael se divorciar de você!

Quase caí na risada.

Será que eles realmente acreditavam que Larissa tinha esse poder?

Será que bastava um único encontro para fazer o príncipe Arthur se apaixonar perdidamente por ela e decidir se casar?

Mesmo sabendo que membros da família real de Westland estariam presentes, ela ainda queria usar aquele escândalo para fisgar um homem.

Mal podia esperar para vê-los pagar caro por isso.

À medida que os convidados chegavam, Larissa não perdia a chance de se aproximar de qualquer solteiro que parecesse um bom partido.

Falava um inglês sofrível e vivia convencida de que seu charme era irresistível.

De repente, levou a mão ao peito e se virou para mim com um ar ofegante.

— Marina, vai buscar meu spray no carro. Acho que vou ficar nervosa e posso acabar sem ar.

Se ela pretendia fazer aquele escândalo todo, realmente ia precisar do spray.

Sem desconfiar de nada, fui até o carro. Assim que abri a porta e entrei, minhas mãos e meus pés foram imobilizados.

Logo em seguida, ouvi um estrondo. A porta foi trancada.

Do lado de fora da janela, Larissa me encarava com um sorriso de desprezo.

— Você vive tentando me impedir porque morre de medo de que eu me case com um nobre e fique acima de você, não é?

Helena também me lançou um olhar frio.

— Você já é uma mulher casada, não tem mais chance nenhuma! Com tantos rapazes solteiros e promissores aqui hoje, a Larissa vai poder escolher à vontade.

Ao ver Rafael parado do lado de fora, completamente indiferente, lancei-lhe um olhar cheio de ódio.

— Você vai mesmo deixar elas me trancarem aqui dentro? Está um calor insuportável, esse carro não ventila nada! Querem me matar sufocada?

Ele franziu a testa e respondeu, impaciente:

— Para de bancar a coitada. Já estou cansado dessa sua implicância com a Larissa.

— Fica aí dentro e só sai quando o funeral acabar.

Rafael foi embora. Larissa ainda estava retocando a maquiagem diante do retrovisor.

Ao vê-la passar camada após camada de pó no rosto, não consegui segurar uma risada.

— Pode caprichar mais na maquiagem. Quem não souber da história vai achar que a falecida é você.

Larissa franziu a testa por um instante, mas logo abriu um sorriso de deboche.

— Marina, na verdade, você devia torcer para que eu encontre um bom partido.

— Porque, se eu não achar ninguém melhor, vou tirar o Rafael de você!

Desde o momento em que Rafael me empurrou da montanha nevada, enxerguei de uma vez por todas os sentimentos doentios que ele escondia por Larissa.

Ele jogou toda a culpa pela morte dela em cima de mim e chegou ao ponto de planejar a minha morte.

No papel, ele era meu marido. Mas, no fundo, a única pessoa que realmente amava era Larissa.

Assim que percebi isso, olhei para ela com um sorriso de deboche.

— Roubar? Fica à vontade. Eu não quero mais aquele imprestável. Pode ficar com ele.

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