LOGINNa Casa Verve.Mesmo achando que as chances eram mínimas, Lorenzo ainda assim apertou o botão de ligar na frente do Thiago.No instante em que a ligação foi atendida, ele já falou irritado:— Rebeca, eu, como pai da Rafaela, exijo que você traga a minha filha de volta para mim agora!Do outro lado, a risada displicente da Rebeca veio pelo viva-voz, carregada de provocação escancarada:— Para com isso, irmão. Não se faça de engraçadinha comigo. Foi o Thiago que mandou você ligar, não foi? Se ele quer a Rafaela, que venha falar comigo pessoalmente.— Rebeca, você não vai parar nunca com essa palhaçada? — A paciência do Lorenzo se esgotou de vez, e o tom dele subiu na hora. — Eu já falei isso para você um milhão de vezes: o Thiago e a Débora estão juntos porque os dois quiseram. O que exatamente você acha que está tentando fazer no meio disso tudo?— Por que é que eu não posso me meter? — A voz da Rebeca ficou aguda na hora, tomada de raiva. — Só porque eu sou casada? Se eu não estou enga
Quando eu senti o calor da palma do Thiago e o desejo que brilhou no olhar dele, eu me afastei depressa do abraço.Eu ajeitei com a ponta dos dedos a gola um pouco amassada da minha roupa e falei, com uma pressa que escapou na voz:— É verdade, eu preciso voltar para a empresa agora. Se a Rebeca resolver levar a Rafaela para lá daqui a pouco, eu tenho que estar esperando as duas.Thiago soltou uma risada baixa, esticou a mão e ajeitou a mecha de cabelo que tinha caído na minha testa:— Pelo que eu conheço ela, ela não vai fazer isso.Ele fez uma pausa e completou:— Ela levou a Rafaela, sim. Mas, com o jeito que ela é, se ela aparecer levando a menina de volta para você, é como se estivesse admitindo que perdeu para você. E a Rebeca não é do tipo de pessoa que engole o próprio orgulho.Na hora eu desanimei, senti até os ombros caírem:— Então ela vai cuidar da Rafaela pessoalmente? Ela aguenta cuidar dela por quanto tempo? E você não falou que o marido dela já teve caso de agressão? E
O rostinho da Rafaela foi murchando aos poucos, e a luz que existia no olhar dela se apagou, quase virando puro desespero.Ela abaixou a cabeça, as mãos pequenas torcendo a barra do vestido sem perceber.Então era isso: a Débora também não queria mais ela, o Thiago também não queria mais. Ela tinha voltado a ser aquela criança sem casa, sem lugar no mundo.Mas eles já tinham sido tão bons para ela.Ela não sentia ódio deles. Ela só sentia o peito apertado, como se uma mão invisível estivesse espremendo o coração, doendo fundo, ardendo, até faltar o ar.Rebeca olhou para o jeito vazio, quebrado, como a menina tinha ficado, e a irritação dela só aumentou. Mesmo assim, o tom dela amaciou um pouco, e ela forçou um carinho na voz:— Rafaela, eu levo você para casa. Eu cuido de você, está bem? Daqui para frente eu não vou deixar mais ninguém encostar um dedo em você.Rafaela levantou o rosto e olhou para a Rebeca, mas no olhar dela só havia confusão e desamparo.Ela ainda sentia falta da Déb
— E se eu bater, qual é o problema? — Rebeca olhou-a de cima a baixo e completou. — Gente como você tem mais é que apanhar. Eu hoje prefiro mil vezes que a Nina seja minha cunhada, mas eu não quero ver essa sua cara nojenta nunca mais.Ela se virou, segurou a mão da Rafaela e disse:— Rafaela, vem comigo.Melissa correu para a frente delas, tentando barrar a passagem, a voz alta, mas o olhar vacilando:— Rebeca, presta atenção no que você está fazendo! A Rafaela é minha filha! Se você continuar com isso, eu chamo a polícia!Rebeca soltou uma risada fria e deixou o olhar descer pelos machucados no rosto da menina:— Chama. Vai lá, chama. As provas estão aqui, bem na cara dela. Você quer voltar para a cadeia por maus-tratos a menor? As coisas que o Thiago sabe fazer, você ainda lembra, né?Na mesma hora o rosto da Melissa ficou sem sangue. Ela deu um passo para trás, cambaleando.Rebeca não olhou mais para ela. Ela apertou os dedos em volta da mãozinha da Rafaela e saiu rápido do quarto
Rebeca pisou fundo no acelerador, e o carro disparou.— Não faz nada ainda. Eu já estou indo te encontrar.Desse jeito, ela chegou ao hotel na maior velocidade que conseguiu.Quando a porta se abriu, a Melissa sorriu, cheia de falsa intimidade:— E aí? Você veio com saudade de mim ou não quer que eu vá embora? Ou resolveu vir comigo?Rebeca não tinha a menor paciência para aquele jogo. Assim que entrou, ela deixou o olhar percorrer toda a suíte e perguntou, direta:— Onde está a Rafaela?O olhar da Melissa vacilou por um segundo, e ela tentou disfarçar:— Ela está no banheiro. E você? Como aparece aqui do nada? Não está ocupada demais tentando conquistar o Thiago?Rebeca se sentou no sofá, mas os olhos dela continuavam voltando para a porta do banheiro. Ela respondeu de forma curta, quase sem prestar atenção no que a outra dizia:— Eu só vim ver se vocês estão precisando de alguma coisa.A Melissa suspirou pesado e começou a reclamar:— Eu não preciso de nada, só da atenção do seu irmã
Eu fiz que sim com a cabeça e apenas soltei um “hum” baixo.O olhar da Rebeca vacilou por um instante.Mas, no segundo seguinte, ela pareceu despertar de repente, como se tivesse se lembrado de algo. O canto da boca se arqueou num sorriso carregado de ironia, e os olhos se estreitaram em desconfiança quando ela falou:— Chega dessa conversa. Você quer que a Rafaela volte para você, então está tentando me manipular, não está? O Thiago mal suporta olhar para mim, evita qualquer contato sempre que pode. Como é que ele iria dizer esse tipo de coisa a meu respeito?— Talvez ele sempre tenha sido esse tipo de pessoa, alguém que esconde os sentimentos atrás de uma aparência fria. — Eu respondi com calma. — Se ele realmente odiasse você, não teria ajudado no seu divórcio, nem teria comprado tantas brigas por sua causa. Do mesmo jeito que, quando eu quis que a Rafaela ficasse comigo, no começo ele não quis me ajudar, mas depois acabou cedendo.O olhar da Rebeca vacilou novamente, como se algo e







