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DIANA

Autor: Lívia Prado
last update Data de publicação: 2026-05-01 00:49:25

DIANA narrando...

Não sei onde eu fui me meter. A Gabriela mexeu comigo de tal forma que eu acabei perdendo completamente o foco e esquecendo qual é o meu verdadeiro propósito aqui. Por isso resolvi dar um basta em tudo isso. Já pensei até em desistir da missão, pois não suporto a ideia de que mais inocentes morram por minha causa. Se descobrir que meu tio está envolvido na morte da avó do Pedro, não haverá cartel nem exército que me segure. Acabo com ele e com qualquer um que tenha participaçã
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Último capítulo

  • Desejo de Vingança    O FIM

    Dois anos se passaram desde a noite em que o penthouse no alto da cidade se transformou em escombros e manchetes de jornal.Com o tempo, a memória coletiva se apagou. A polícia arquivou o caso com a anotação burocrática de “autoria desconhecida”. As manchetes pararam de circular, e os rostos que um dia assustaram e fascinaram o público deixaram de ser impressos nas primeiras páginas.Mas elas não cruzaram fronteiras distantes nem se esconderam em países estrangeiros. Apenas trocaram o barulho das armas pelo silêncio necessário para recomeçar.A nova vida se ergue no interior de Minas Gerais, onde a terra é vermelha e fértil. São quarenta hectares de pasto verde cortados por um rio de águas cristalinas e geladas. Aqui, o céu é imenso, limpo e livre do rastro tóxico da pólvora e da fumaça urbana. A casa de madeira branca tem a pintura desgastada pelo sol e pelo vento, e na ampla varanda de madeira escura, um cachorro de pelagem dourada dorme tranquilamente, sem se preocupar com ameaças.

  • Desejo de Vingança    DIANA

    A luz do dia tenta penetrar pelas frestas da janela, mas as cortinas grossas mantêm o quarto mergulhado em penumbra. É um hotel simples, daqueles que não fazem perguntas e não guardam registros por muito tempo. O ar carrega o cheiro forte de café queimado vindo do corredor e um leve rastro de mofo característico de lugares pouco frequentados. Ela desperta com o som da televisão no volume máximo. Se espreguiça devagar, os músculos ainda rígidos pela tensão da noite anterior, mas sem perder a postura de alerta que carrega consigo há anos. Estou sentada na poltrona perto da parede, a arma apoiada no colo, os dedos repousando suavemente sobre o cano. Meus olhos não se desviam da tela. Ninguém sabe nossos nomes verdadeiros. Para o mundo, somos apenas duas sombras que surgiram do nada para abalar o império construído sobre sangue e corrupção. Diana e Gabriela são apenas rótulos, nomes escolhidos para caber na história que estamos escrevendo. Mas há títulos que carregam um peso muito mai

  • Desejo de Vingança    GABRIELA

    Ele está caído no chão. O sangue escorre e embebe o carpete branco como tinta derramada. Ao lado, ela limpa a lâmina na calça do corpo com a mesma calma de quem tira poeira de uma mobília.Recarrego a arma contando os estalos metálicos. Três cartuchos usados. Dois guardas abatidos na entrada. A contagem está feita.Sangue. Morte. O cheiro forte de pólvora impregnado no ar. Nada disso é novidade para mim. Passei oito anos nesse mundo sujo. Já me chamavam de "Killer" muito antes de eu cruzar o caminho dela.Ela se levanta e guarda a faca no coldre interno da jaqueta.— Aqui acabou. Mas lá fora ainda não — diz, séria.Verifico o carregador e encaixo um novo com precisão.— Eu sei. Ele nunca trabalhou sozinho. Raízes profundas demais para serem cortadas de uma vez só.Ela pega o celular e disca um número sem hesitar. A voz que sai é fria, sem qualquer emoção — o tom de quem dá ordens definitivas.— Execução total. Sem exceções. Policiais, políticos, empresários. Todos os nomes ligados a e

  • Desejo de Vingança    GABRIELA

    Ele está caído no chão. O sangue escorre e embebe o carpete branco como tinta derramada. Ao lado, ela limpa a lâmina na calça do corpo com a mesma calma de quem tira poeira de uma mobília. Recarrego a arma contando os estalos metálicos. Três cartuchos usados. Dois guardas abatidos na entrada. A contagem está feita. Sangue. Morte. O cheiro forte de pólvora impregnado no ar. Nada disso é novidade para mim. Passei oito anos nesse mundo sujo. Já me chamavam de "Killer" muito antes de eu cruzar o caminho dela. Ela se levanta e guarda a faca no coldre interno da jaqueta. — Aqui acabou. Mas lá fora ainda não — diz, séria. Verifico o carregador e encaixo um novo com precisão. — Eu sei. Ele nunca trabalhou sozinho. Raízes profundas demais para serem cortadas de uma vez só. Ela pega o celular e disca um número sem hesitar. A voz que sai é fria, sem qualquer emoção — o tom de quem dá ordens definitivas.

  • Desejo de Vingança    DIANA

    A porta se fecha com um baque surdo. O clique da trava ecoa pelo ambiente como um disparo seco.Ele não se levanta. Apenas gira o copo de uísque entre os dedos longos, me observando com a calma de quem tem todas as peças do tabuleiro sob controle.— Foram mais rápidas do que o esperado. Impressionante. Usaram o duto ou o poço?Eu não respondo. Palavras não ferem. Aço sim.Avanço um passo. A lâmina de vinte centímetros surge na minha mão num movimento tão rápido que ele mal consegue acompanhar. Atrás de mim, dois passos de distância, ela segura a pistola firme, a mira direcionada ao peito dele. Os dedos dela estão brancos de tanta pressão no gatilho.— Não se mova — diz, a voz trêmula mas carregada de firmeza.Ele abre um sorriso lento e ergue as mãos num gesto de falsa rendição.— Uma faca e uma arma... contra mim e todos os meus homens? Vocês são corajosas. Ou apenas desesperadas.Ele não está assustado. Nunca esteve. Ele está calculando cada possibilidade, traçando rotas de fuga e f

  • Desejo de Vingança    DIANA

    O prédio de Mathias se ergue na escuridão como um túmulo de vidro e aço. Doze andares de silêncio controlado, onde cada canto é vigiado e cada movimento é registrado. Para ele, esse lugar é um império inatingível. Para nós, é só mais um alvo.Gabriela caminha ao meu lado, a respiração ritmada e controlada, a jaqueta grossa fechada até o pescoço para proteger o ferimento que eu costurei poucas horas atrás. Sei que o ombro dela ainda lateja sob o curativo, mas ela não deixa transparecer. A teimosia dela pode ser perigosa, sim. Mas também pode ser a nossa maior vantagem.— 4h16. Pronta? — pergunto baixo, conferindo o relógio luminoso no pulso.Ela assente lentamente, a mão fechada com firmeza no cabo da pistola que eu entreguei a ela. O metal brilha fracamente sob a luz da rua.— Pronta desde que você fechou o ferimento — responde, sem hesitação.A grade de ferro da ventilação cede com um rangido abafado, quase perdido na escuridão. Pó de ferrugem e resíduos acumulados por anos caem no m

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