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DIANA

Autor: Lívia Prado
last update Fecha de publicación: 2026-05-02 06:38:16

DIANA narrando...

Mal consegui que ela terminasse de falar. A verdade, a revelação e todo o peso dos anos de separação desapareceram diante da necessidade avassaladora de tê-la perto de mim. Sem dizer uma palavra mais, puxei seu corpo contra o meu e me sentei firme sobre suas coxas, encaixando-me perfeitamente ali, como se aquele espaço tivesse sido feito apenas para mim. Antes que pudesse raciocinar, juntei minha boca à sua num beijo intenso, faminto e carregado de toda a saudade que eu guarde
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Último capítulo

  • Desejo de Vingança    O FIM

    Dois anos se passaram desde a noite em que o penthouse no alto da cidade se transformou em escombros e manchetes de jornal.Com o tempo, a memória coletiva se apagou. A polícia arquivou o caso com a anotação burocrática de “autoria desconhecida”. As manchetes pararam de circular, e os rostos que um dia assustaram e fascinaram o público deixaram de ser impressos nas primeiras páginas.Mas elas não cruzaram fronteiras distantes nem se esconderam em países estrangeiros. Apenas trocaram o barulho das armas pelo silêncio necessário para recomeçar.A nova vida se ergue no interior de Minas Gerais, onde a terra é vermelha e fértil. São quarenta hectares de pasto verde cortados por um rio de águas cristalinas e geladas. Aqui, o céu é imenso, limpo e livre do rastro tóxico da pólvora e da fumaça urbana. A casa de madeira branca tem a pintura desgastada pelo sol e pelo vento, e na ampla varanda de madeira escura, um cachorro de pelagem dourada dorme tranquilamente, sem se preocupar com ameaças.

  • Desejo de Vingança    DIANA

    A luz do dia tenta penetrar pelas frestas da janela, mas as cortinas grossas mantêm o quarto mergulhado em penumbra. É um hotel simples, daqueles que não fazem perguntas e não guardam registros por muito tempo. O ar carrega o cheiro forte de café queimado vindo do corredor e um leve rastro de mofo característico de lugares pouco frequentados. Ela desperta com o som da televisão no volume máximo. Se espreguiça devagar, os músculos ainda rígidos pela tensão da noite anterior, mas sem perder a postura de alerta que carrega consigo há anos. Estou sentada na poltrona perto da parede, a arma apoiada no colo, os dedos repousando suavemente sobre o cano. Meus olhos não se desviam da tela. Ninguém sabe nossos nomes verdadeiros. Para o mundo, somos apenas duas sombras que surgiram do nada para abalar o império construído sobre sangue e corrupção. Diana e Gabriela são apenas rótulos, nomes escolhidos para caber na história que estamos escrevendo. Mas há títulos que carregam um peso muito mai

  • Desejo de Vingança    GABRIELA

    Ele está caído no chão. O sangue escorre e embebe o carpete branco como tinta derramada. Ao lado, ela limpa a lâmina na calça do corpo com a mesma calma de quem tira poeira de uma mobília.Recarrego a arma contando os estalos metálicos. Três cartuchos usados. Dois guardas abatidos na entrada. A contagem está feita.Sangue. Morte. O cheiro forte de pólvora impregnado no ar. Nada disso é novidade para mim. Passei oito anos nesse mundo sujo. Já me chamavam de "Killer" muito antes de eu cruzar o caminho dela.Ela se levanta e guarda a faca no coldre interno da jaqueta.— Aqui acabou. Mas lá fora ainda não — diz, séria.Verifico o carregador e encaixo um novo com precisão.— Eu sei. Ele nunca trabalhou sozinho. Raízes profundas demais para serem cortadas de uma vez só.Ela pega o celular e disca um número sem hesitar. A voz que sai é fria, sem qualquer emoção — o tom de quem dá ordens definitivas.— Execução total. Sem exceções. Policiais, políticos, empresários. Todos os nomes ligados a e

  • Desejo de Vingança    GABRIELA

    Ele está caído no chão. O sangue escorre e embebe o carpete branco como tinta derramada. Ao lado, ela limpa a lâmina na calça do corpo com a mesma calma de quem tira poeira de uma mobília. Recarrego a arma contando os estalos metálicos. Três cartuchos usados. Dois guardas abatidos na entrada. A contagem está feita. Sangue. Morte. O cheiro forte de pólvora impregnado no ar. Nada disso é novidade para mim. Passei oito anos nesse mundo sujo. Já me chamavam de "Killer" muito antes de eu cruzar o caminho dela. Ela se levanta e guarda a faca no coldre interno da jaqueta. — Aqui acabou. Mas lá fora ainda não — diz, séria. Verifico o carregador e encaixo um novo com precisão. — Eu sei. Ele nunca trabalhou sozinho. Raízes profundas demais para serem cortadas de uma vez só. Ela pega o celular e disca um número sem hesitar. A voz que sai é fria, sem qualquer emoção — o tom de quem dá ordens definitivas.

  • Desejo de Vingança    DIANA

    A porta se fecha com um baque surdo. O clique da trava ecoa pelo ambiente como um disparo seco.Ele não se levanta. Apenas gira o copo de uísque entre os dedos longos, me observando com a calma de quem tem todas as peças do tabuleiro sob controle.— Foram mais rápidas do que o esperado. Impressionante. Usaram o duto ou o poço?Eu não respondo. Palavras não ferem. Aço sim.Avanço um passo. A lâmina de vinte centímetros surge na minha mão num movimento tão rápido que ele mal consegue acompanhar. Atrás de mim, dois passos de distância, ela segura a pistola firme, a mira direcionada ao peito dele. Os dedos dela estão brancos de tanta pressão no gatilho.— Não se mova — diz, a voz trêmula mas carregada de firmeza.Ele abre um sorriso lento e ergue as mãos num gesto de falsa rendição.— Uma faca e uma arma... contra mim e todos os meus homens? Vocês são corajosas. Ou apenas desesperadas.Ele não está assustado. Nunca esteve. Ele está calculando cada possibilidade, traçando rotas de fuga e f

  • Desejo de Vingança    DIANA

    O prédio de Mathias se ergue na escuridão como um túmulo de vidro e aço. Doze andares de silêncio controlado, onde cada canto é vigiado e cada movimento é registrado. Para ele, esse lugar é um império inatingível. Para nós, é só mais um alvo.Gabriela caminha ao meu lado, a respiração ritmada e controlada, a jaqueta grossa fechada até o pescoço para proteger o ferimento que eu costurei poucas horas atrás. Sei que o ombro dela ainda lateja sob o curativo, mas ela não deixa transparecer. A teimosia dela pode ser perigosa, sim. Mas também pode ser a nossa maior vantagem.— 4h16. Pronta? — pergunto baixo, conferindo o relógio luminoso no pulso.Ela assente lentamente, a mão fechada com firmeza no cabo da pistola que eu entreguei a ela. O metal brilha fracamente sob a luz da rua.— Pronta desde que você fechou o ferimento — responde, sem hesitação.A grade de ferro da ventilação cede com um rangido abafado, quase perdido na escuridão. Pó de ferrugem e resíduos acumulados por anos caem no m

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